A lavagem ritual das mãos

Por Rabino Arieh Raichman - Chabad de Manaus

Aflito com a comissão de um pecado, Moises vai a seu rabino, "Rabino, na semana passada eu não lavei as mãos antes de comer, e estou muito chateado com isso".

"Bem, esse não é o pecado mais grave do mundo, mas por que você não recitou a bênção?" Pergunta o rabino.

"Bem, a comida em si não era casher."

"Você comeu comida não casher, isso é muito mais sério, por que você faria uma coisa dessas?"

"Bem rabino, não tem comida casher em um restaurante não casher."

"Você não podia encontrar um restaurante casher para ir?" - pergunta o rabino incrédulo.

“Como? Em Yom Kipur?”

Preparação da Mitsvá

Leva apenas um minuto para acender as velas do Shabat no horário. Demora menos de cinco minutos para colocar tefillin em si mesmo. E leva menos de meia hora para comer uma refeição de Shabat. No entanto, todas as mitsvot exigem muita preparação com antecedência. No judaísmo, as atividades preparatórias são tão importantes, se não mais do que a própria ação. Os cohanim (sacerdotes) executavam várias atividades por todo o Templo, cumprindo assim muitas mitsvot. No entanto, como ato preparatório para começar seu trabalho, lavavam as mãos e os pés no kior, uma espécie de torneira.

O Kior é o último artigo listado na Torá a ser construído, mas era o primeiro a ser usado no serviço diário do Templo. Às vezes, o que é mais importante é colocado por último, como nossos sábios ensinaram que o que vem por último é muito precioso perante D’us. Aos olhos divinos, nosso esforço é o mais precioso. O esforço está em nosso controle, enquanto que os resultados estão nas mãos de D’us.

Grande Potencial

Cada parte do corpo tem um componente espiritual, mas nenhuma parte é tão única quanto as mãos. Quando acordamos pela manhã, nossas mãos precisam ser lavadas para eliminar a impureza espiritual. A Cabalá explica que as forças negativas gostam de encontrar-se onde há um potencial para uma grande elevação espiritual. As mãos carregam esse potencial e, portanto, precisam ser lavadas antes de qualquer forma de serviço espiritual. Se alguém for rezar, comer uma refeição, manter relações matrimoniais, ou entrar em uma sinagoga, as mãos devem ser lavadas de uma certa maneira.

A maioria das mitsvot que fazemos são com nossas mãos, enfatizando assim seu grande potencial. Quando os cohanim abençoam a nação, eles elevam suas mãos e abrem seus dedos de uma forma única e especial.

Na mitsvá de recitar a bênção sobre a chalá, podemos ver o poder das mãos. O mais sagrado dos nomes divinos é soletrado Yud-Heh-Vav-Heh. É este nome que formamos na chalá. O pequeno corte tem a forma de um Yud, uma pequena linha. Os cinco dedos em cada uma de nossas ambas mãos que seguram a chalá são os dois Hehs (cujo valor numérico é 5). E a chalá em si possui a forma de um Vav, uma linha reta entre os dois Hehs. Assim, ao segurarmos a chalá formamos o nome sagrado de D’us.

Lavar as mãos em todos os casos acima mencionados eleva nosso estado espiritual. Que mereçamos através de nosso ato de lavar as mãos e a mitsvá que vem após esse ato, viver a reconstrução do Templo Sagrado. Quando veremos o cohen lavar as mãos no Kior original.

A berachá

BARUCH ATÁ A-DO-NAI E-LO-HÊNU MÊLECH HAOLÁM ASHER KIDESHÁNU BEMITSVOTÁV VETSIVÁNU AL NETILAT YADAYIM.

Bendito és Tu, ó Senhor nosso D'us, Rei do Universo, que nos santificou com os Seus mandamentos e nos ordenou sobre o lavar das mãos.
Coisas Judaicas

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