17/03/2017

Rainha Esther inspirou os judeus Anussim a preservarem sua fé

Em uma entrevista exclusiva com o JerusalemOnline, o presidente da Shavei Israel Michael Freund falou sobre a importância da história de Purim para os judeus Anussim que foram forçados a se converter ao catolicismo após a Inquisição espanhola, assim como seus descendentes.
Em um momento em que judeus de todas as partes do mundo se preparam para celebrar o Purim, é importante notar como a rainha Ester serviu de modelo e inspiração para os judeus Anussim que foram forçados a se converter ao catolicismo após a Inquisição espanhola, bem como seus descendentes ao longo das gerações. O presidente da Shavei Israel Michael Freund forneceu à JerusalemOnline uma entrevista exclusiva.
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“Eles podiam facilmente identificar-se com sua fé, assim como o fato de ter sido levada, contra sua vontade, para o palácio do rei, tendo que esconder sua identidade”, observou. Freund acrescentou que Esther fez tudo a fim de preservar suas tradições enquanto vivia no palácio e muitos Anussim se inspiraram em Esther que ao, finalmente, revelar sua verdadeira identidade trouxe à redenção do povo judeu. Ele acrescentou que para os Anussim, a história de Purim lhes servia de grande esperança para o futuro, pois lhes fazia acreditar que chegaria o dia no qual poderiam deixar de esconder-se e “anunciar a redenção do povo judeu”.
Para os judeus Anussim, Freund enfatiza que Purim era um dia de jejum. “Obviamente eles não podiam celebrar abertamente o Purim, lendo a Meguilá e fazendo festa”. Ressaltou que o jejum é uma atividade menos provável de ser identificada pelos vizinhos e isso levou-os a celebrar o jejum da Santa Esther: “no século 17, os casos registrados de Inquisição, revelam cripto-judeus observando dias em honra à Santa Esther. Estamos falando sobre, cerca de 200 anos após seus antepassados ​serem forçados a se converter. Isso mostra a força com a qual mantiveram esta tradição. ”

Freund nota que era mais fácil para os Anussim se envolverem em rituais judaicos dentro da privacidade de suas casas do que praticar o judaísmo fora de casa. Assim, salientou que, eram as mulheres as responsáveis de passar adiante a “identidade judaica escondida da família. É por isso que a celebração da St. Esther foi tão estritamente herdada, pois se tratava de uma heroína judia posta em uma situação na qual as mulheres das famílias Anussim podiam, facilmente, se identificar. Hoje, estamos vivendo 500 anos após as conversões forçadas e mais e mais descendentes dos Anussim estão retornando às suas raízes em um mundo onde as pessoas são, mais que nunca, livres para fazê-lo. Hoje, estamos começando a ver o sonho daqueles Anussim, o sonho de redenção final de suas família, finalmente sendo alcançado.”
Freund enfatizou que a população de Bnei Anussim (descendentes de Anussim) é enorme. “Todos os lugares nos quais Espanha e Portugal cravaram suas bandeiras, foram os primeiros destinos nos quais os Anussim chegaram, a fim de fugir da Inquisição”, observou. “Infelizmente, nem sempre funcionou com a Inquisição os perseguindo até os extremos confins da terra.” Freund afirmou que há Bnei Anussim vivendo em toda a Espanha, Portugal, sudoeste dos Estados Unidos, América Latina e também, alguns outros lugares. Alguns deles já retornaram formalmente ao judaísmo, mas é um espectro: “Há muitas pessoas que começaram a explorar suas raízes judaicas de uma maneira mais cultural e intelectual, ao invés de fazê-lo de uma maneira religiosa. Para muitas pessoas, é uma jornada. Alguns estão mais avançados que os outros. Alguns ainda estão se perguntando o que significa para eles, ou o que deve significar para eles, pertencer a esta identidade. Por outro lado, existem dezenas de milhares que certamente, de uma forma ou outra, têm se reconectado com a prática judaica”.
“Eu acredito firmemente que estamos no início de uma onda de retorno à medida que, mais e mais, pessoas de ascendência judaica buscam se reconectar com suas raízes”, conclui. “Temos uma emocionante oportunidade histórica de trazer de volta áqueles judeus convertidos à força há séculos atrás e devemos aos seus antepassados ​​fazer tudo a nosso alcance para que isso aconteça. Eles foram sequestrados contra a vontade. A reação mais fácil teria sido esquecer o passado e fundir-se com a maioria. Contudo, correndo grande risco, alimentaram interiormente a faísca judaica, em segredo, passando-a de geração em geração. Essa centelha judaica sobreviveu durante séculos com eles e está começando a brilhar novamente. Precisamos reconhecer esta situação e fazer o nosso melhor para alcançá-los.

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