Apple, Samsung e Microsoft reagem a relatos de invasão pela CIA
Depois que CIA e FBI anunciaram que irão abrir uma investigação para descobrir como documentos secretos da agência de Inteligência caíram em mãos do WikiLeaks, o presidente Donald Trump disse nesta quarta-feira estar “extremamente preocupado” com a violação de segurança e prometeu adotar uma postura firme contra vazamentos. 

No que descreveu como o maior vazamento da História da agência, o WikiLeaks divulgou, na terça-feira, 8.761 documentos que apontam o uso de softwares elaborados para invadir smartphones, computadores e até mesmo TVs conectadas à internet.

Em 2015, ex-analista da NSA Edward Snowden, participa de transmissão ao vivo em tela de computadorSnowden: Vazamento prova que EUA pagaram para espionar softwares.

“Qualquer pessoa que vazar informações confidenciais será tratada no mais alto nível da lei. Nós iremos atrás destas pessoas, vamos processá-las até o limite máximo”, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer.
As investigações abertas pela CIA e pelo FBI tentam determinar quem seriam os autores dos vazamentos, caso eles sejam mesmo comprovados. Os agentes ainda tentam descobrir se há mais informação que poderia estar em posse da plataforma. Em nota, a CIA informou nesta quarta-feira que os vazamentos colocam em risco funcionários americanos.

— As publicações ainda brindam nossos adversários com ferramentas e informação para prejudicar os EUA — disse a porta-voz Heather Horniak.

Mas um consultor de cibersegurança que trabalhou para o governo americano — e não quis se identificar devido à sensibilidade da informação — disse que o vazamento parece ser legítimo. Entre as alegações explosivas feitas nos documentos está a de que a CIA, em parceria com outras agências de inteligência americanas e britânicas, está conseguindo hackear aplicativos populares como WhatsApp, Telegram e Signal antes que as mensagens por eles transmitidas sejam criptografadas.

“Os documentos até o momento são bastante genuínos”, confirmaram funcionários da agência, que conferem se houve manipulações de dados no processo.

E nesta quarta-feira, várias empresas de tecnologia reagiram à revelação de que teriam tido seus produtos comprometidos com fins de espionagem. A Apple emitiu um comunicado para afirmar que já estava analisando algumas das potenciais vulnerabilidades do sistema operacional em seus aparelhos. A Samsung também se pronunciou, após alegações nos documentos de que suas televisões da série F8000 haviam sido invadidas por uma ferramenta desenvolvida com o MI5, uma das agências de Inteligência do Reino Unido.
“Nós estamos cientes do relato em questão e estamos urgentemente analisando a situação”, disse a empresa, em nota.

A Microsoft também afirmou que estava ciente dos documentos vazados e tomando providências. A Google, no entanto, não quis comentar as alegações de que a agência conseguiu controlar telefones Android. A Linux também não se pronunciou sobre o caso.

O caso começa a respingar fora dos EUA. O Ministério Público Federal da Alemanha anunciou ontem que está revisando as informações vazadas e pode abrir uma investigação preliminar, caso se descubra que existe “uma suspeita de delito concreto cometido por uma pessoa específica”. Segundo o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Sebastian Fischer, as autoridades estão verificando a autenticidade dos supostos documentos publicados pelo WikiLeaks. O Consulado dos EUA em Frankfurt, na Alemanha, poderia estar no centro da espionagem.

TRATADO SOB PROTEÇÃO NA INTERNET

Em 2013, as relações entre Berlim e Washington sofreram um golpe após as revelações do ex-funcionário da CIA Edward Snowden sobre escutas da Agência de Segurança Nacional (NSA) ao governo de Angela Merkel. Mais tarde, veio à tona que o próprio governo alemão havia cooperado com a NSA.

E um relatório da ONU, divulgado nesta quarta-feira, indica que o mundo precisa de um tratado internacional para proteger a privacidade das pessoas contra uma vigilância cibernética irrestrita — pressionada por políticos populistas que usam o discurso do medo do terrorismo. O documento foi apresentado ao Conselho de Direitos Humanos pelo especialista em privacidade Joe Cannataci, que aponta que as proteções tradicionais de privacidade, como as leis sobre vigilância de telefonemas, estão desatualizadas na era digital.
— É hora de começar a recuperar o ciberespaço da ameaça da supervigilância — denunciou Cannataci.

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