Março 2017
Blog Coisas Judaicas - Tudo sobre Israel, judaísmo, cultura e o mundo judaico
 Israel anuncia relações diplomáticas com país que mantém em segredo

Mais um país estabelecerá relações diplomáticas com Israel na próxima semana, disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Ele não indicou de que país se trata, mas a mídia local supõe que seja a Nicarágua.
"Hoje nós temos relações bilaterais com mais de 160 países e o número deles está crescendo. Na próxima semana mais um país anunciará o estabelecimento de relações com Israel", disse o primeiro-ministro durante uma cerimônia dedicada à memória dos presidentes e primeiros-ministros falecidos do Estado judaico.

Netanyahu deu a informação como um exemplo, desmentindo a afirmação sobre o isolamento internacional de Israel gerado pelo problema palestiniano não resolvido.

"Ao longo do último ano eu visitei cinco continentes, exceto a América do Sul. Visitei as potências mundiais – os EUA, a Rússia e a China, bem como a Grã-Bretanha e a Austrália, países africanos e estados muçulmanos – o Azerbaijão e o Cazaquistão", fez lembrar Netanyahu.

O governo israelense se recusa a reconhecer a Palestina como uma entidade política e diplomática independente, mantêm a constante construção de assentamentos nas áreas ocupadas, apesar das objeções das Nações Unidas.
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Judeus ultraortodoxos protestam contra serviço militar em Israel
Protesto de judeus ultraortodoxos: o serviço militar é obrigatório em Israel
tanto para os homens, como para as mulheres (Baz Ratner/Reuters)



Durante os últimos dias foram registrados incidentes em Jerusalém entre os ultraortodoxos, que apoiam os jovens que não se apresentaram às convocações.

Jerusalém – Milhares de judeus ultraortodoxos se concentraram nesta terça-feira em Jerusalém para protestar contra a detenção de vários integrantes de sua comunidade que se recusaram a realizar o serviço militar obrigatório ou desertaram.

O porta-voz policial Micky Rosenfeld informou que várias unidades policiais adicionais foram enviadas para as imediações da Rua Bar-Ilan, no bairro de Geula, para evitar distúrbios e que várias ruas foram fechadas nos arredores do núcleo da manifestação.

Durante os últimos dias foram registrados incidentes e detenções em Jerusalém entre os “haredim” (ultraortodoxos), que apoiam os jovens de sua comunidade que não se apresentaram às convocações obrigatórias de alistamento ou que abandonaram as fileiras após iniciarem o serviço militar.

Judeus ultraortodoxos protestam contra serviço militar em IsraelA detenção de um destes insubordinados, próximo do conhecido rabino Shmuel Auerbaj, causou mal-estar especial, que recentemente derivou em distúrbios nas ruas e levou à detenção de uma centena de religiosos que tentavam interromper o desenvolvimento da maratona de Jerusalém.

O serviço militar é obrigatório em Israel tanto para os homens, que servem por cerca de três anos, como para as mulheres, que o fazem durante um período de dois, mas os judeus ultraortodoxos sempre tiveram direito a isenções.
No entanto, em 2014 aconteceu uma reforma da lei, que foi rejeitada por esta comunidade com grandes protestos e os partidos ultraortodoxos que integram a coalizão do governo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, tentaram evitar sua aplicação em 2016.
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Os Espiões de MoisésPor Rabino Eliahu Birnbaum  - Parashat: Bamidbar 

Esta parashá nos apresenta um dos acontecimentos mais dramáticos e decisivos que aconteceram aos nossos patriarcas no deserto, em seu caminho desde Egito a terra prometida. O trajeto entre o Monte Sinai e Eretz Israel deveria durar alguns dias apenas. O povo saiu do Egito acompanhado pela nuvem Divina e através de grandes milagres se encaminhava para Ertz Israel.

No entanto, pouco antes de entrarem na terra, D-us ordenou a Moshê: "Envia a homens para que explorem a terra de Canaãn, que dei aos filhos de Israel..." Por que era necessário enviar espiões para conhecer o país antes de que o povo entrasse nele? Para que era necessário dispor dessa informação estratégica?  Por acaso não saíram do Egito para o deserto confiando apenas no Criador sem dispor de informação alguma baseada em espionagem?

Não há dúvida de que o Criador conhecia perfeitamente a situação de Eretz Israel e bem podia ter informado ao povo sobre ela. Também Moshê, que cresceu na casa do Faraó, devia ter informações acerca da terra de Canaãn tão próxima do Egito. Devemos supor, então, que o envio desta delegação almejava propósitos muito especiais. A Torá disse: "Envia a homens", não disse "espiões" mas "homens". A Torá não propõe a Moshê o envio de espiões profissionais, mas simplesmente homens do povo. Parecia que a Torá não deseja estudar as características da terra, senão analisar a conduta dos homens. Conhecer os homens e seus costumes, revelando a situação espiritual e psicológica do povo.

Moshê envia doze homens. Um homem de cada tribo, com o objetivo de que todas as tribos se sintam representadas de forma adequada, e também para que o fracasso ou o êxito da missão não recaísse somente sobre membros de uma tribo em particular. Eretz Israel pertence igualmente a todas as tribos do povo. Por outro lado, representantes de todo o povo deviam estudar a terra e emitir posteriormente seu parecer com respeito a mesma. Os enviados não eram pessoas comuns, mas os chefes de cada uma das tribos, a fim de que seu parecer não gerasse discórdia entre toda a tribo.

Parecia que o objetivo desta delegação era fortalecer a relação com a terra de Eretz Israel, ainda antes que o povo adentrasse nela. O destino do povo judeu está ligado de forma indissolúvel com essa terra. É possível comparar o contrato que existe entre o povo de Israel e Eretz Israel com um contrato de casamento. Cria-se uma relação profunda para enfrentar alegrias e desgraças, e a relação é eterna. Moshê ordenou aos homens percorrer a terra. Não se trata de reunir informações, senão de brindar aos chefes das tribos a oportunidade de percorrer o país e avaliar suas características tão especiais. As instruções que Moshê deu aos homens definiram o caráter de sua missão: conhecer o país, fortalecer o elo com ele, inclusive antes da entrada de todo o povo. Entretanto, os chefes das distintas tribos não entenderam sua missão e nem a executaram.

Moshê não se relacionava com a terra apenas em seu aspecto de entidade política ou física; mas considerava que entrar na terra representava também um encontro repleto de significação. No entanto, os chefes estudaram a terra da mesma forma em que uma pessoa avalia as perspectivas de um negócio que está para se fechar. Analisaram as possibilidades de ganhos e perdas eventuais, para resolver finalmente que a empresa não oferecia nenhuma possibilidade de êxito.

Ao observarmos as instruções que Moshê Rabenu deu aos espiões, veremos que solicitou deles informação com respeito a situação demográfica e a agricultura. Não solicitou a analise da situação militar. Na realidade, a delegação parece ter objetivos "turísticos" e não militares.

Os representantes das tribos são enviados a Eretz Israel em uma missão que não possui conotações profissionais, mas que tem por objetivo estimular o povo e fazê-lo consciente de sua próxima redenção.

Após o regresso, os membros da delegação se dividem em grupos. Dez homens relatam fatos negativos e predizem que não será possível a conquista dessa terra pelo povo de Israel. Dois homens expressam opiniões otimistas com respeito as possibilidades de estabelecer-se nessa terra. Na realidade, não havia nenhuma diferença entre os fatos que os doze homens relataram, apenas na forma em que cada um dos grupos avaliou a situação. Não se trata de que os espiões mentiram. Pode ser que descreveram uma situação real, porém sua atitude era negativa.

É possível contemplar todo o fato de distintos ângulos. Logo, os espiões descreveram os fatos segundo eles apareciam diante de seus olhos. A discussão entre os dois grupos não está em torno das características geográficas ou políticas da terra, mas em torno da atitude do povo em relação a própria terra; na possibilidade de conquistá-la e as forças com as quais o povo contava para entrar nela, depois de um período tão prolongado de escravidão. Os espiões não foram enviados para descobrir o verdadeiro caráter da terra, senão o verdadeiro caráter do povo que adentraria na terra. Os chefes das tribos prestaram atenção apenas nas características objetivas, os gigantes, as cidades com muralhas, e não contemplaram mais adiante, empregando a visão e a esperança, a perspectiva e a fé. Mediante a fé, é possível enxergar mais além do horizonte. Porém os chefes das tribos não utilizaram-se da fé. O pecado dos espiões foi a impossibilidade do povo de ver o futuro.

A reação de Moshê diante do pecado dos espiões foi estranha de certa forma. Moshê se rende. Sua reação não é severa de modo algum. Na realidade, quase não reage. O líder não pôde dar uma resposta ao pecado dos espiões. Estava  vencido. Como não pode destruir o povo que tanto ama, em nome desse amor se dirige ao Criador para solicitar seu perdão. No entanto, desta vez, D-us não está disposto a mudar sua decisão e por isso responde a Moshê duramente: "O povo terá que permanecer no deserto até que morram todos os que não foram capazes de ter fé e esperança na chegada a terra".

A geração dos patriarcas, a geração daqueles que saíram do Egito, terá que permanecer no deserto. Esta geração que cresceu, por um lado, imersa na escravidão e por outro lado, rodeada de milagres, acostumando-se a passividade, não entrará na terra prometida. É necessário esperar o desaparecimento da geração do sofrimento, a geração que deseja retornar ao Egito, a geração do pranto, até que surja uma nova geração que saiba viver dentro da fé, da esperança e da visão. É necessário deixar de confiar nesta geração de escravos, porém seguir confiando, entretanto, no futuro do povo e na realização de seu destino.

 Tradução: David Salgado
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Por que escrevemos em hebraico da direita para a esquerda?
Escritos sagrados antigos judeus em pedra
Uma teoria popular é que o hebraico é escrito da direita para a esquerda porque, nos tempos antigos, ao gravar palavras numa pedra, o gravador segurava o martelo na sua mão mais forte (geralmente, a direita) e o cinzel na mão esquerda, tornando mais fácil escrever da direita para a esquerda.
À medida que as ferramentas da escrita se desenvolveram até incluir tinta sobre pergaminho ou um estilo no gesso, os escribas começaram a escrever a partir da esquerda para não borrar as letras. No entanto, quando isso aconteceu, o hebraico e outros idiomas semíticos já estavam “gravados na pedra”, por assim dizer, portanto continuaram a ser escritos da direita para a esquerda.
Sem entrar na acurácia dessa resposta, sabemos que muito tempo atrás, quando éramos apenas uma nação em fuga, Moshê escreveu a Torá com tinta e pergaminho,1 e o Rolo da Torá é escrito da direita para a esquerda. Portanto poderia parecer que há mais do que razões técnicas para escreverem hebraico da direita para a esquerda.

O Lado Direito

O terceiro Rebe, Rabi Menachem Mendel (O Tzemach Tzedek), explica que escrever da direita para a esquerda é para manter a regra geral no Judaísmo de que damos precedência ao lado direito, por exemplo, colocamos primeiro o sapato no pé direito2 e lavamos primeiro nossa mão direita3. Depois que escrevemos a primeira letra na extrema direita do pergaminho ou página, nos movemos para o próximo espaço disponível no lado direito, que é a esquerda imediata da letra que acabamos de escrever. E então acontece de escrevermos da direita para a esquerda.4
O Tzemach Tzedek acrescenta que embora haja outra lei talmúdica, “Todas as voltas que você faz deveriam ser somente para a direita”5 - o que parece implicar que devemos escrever da esquerda para a direita (para que nos movamos na direção da direita) - somente se aplica quandoa pessoa na verdade tem de virar o próprio corpo.6
Por que o lado direito tem precedência no Judaísmo?
Nos ensinamentos cabalísticos, a direita representa o atributo de chessed (bondade) e a esquerda, guevurá (severidade). Assim como há uma regra geral de que a direita tem precedência na vida judaica, assim também, sempre que nos encontramos frente a uma situação onde é preciso decidir entre bondade ou severidade, a bondade vem primeiro.

NOTAS
1.
Veja por exemplo Deuteronômio 17:18, 28:58, 28:61, 29:20, 31:24; Veja também Talmud Bava Batra 15a.
2.
Talmud Shabat 61a
3.
Shulchan Aruch, Orech Chaim 2:4
4.
Responsum de Tzemach Tzedek Tzedek Orech Chaim 1:67:5
5.
Talmud Sotá 15b
6.
Há outros (veja Responsa de Chatam Sofer, Orech Chaim 187) que são da opinião de que essa regra se aplica não somente quando a pessoa vira o corpo inteiro, mas até a movimentos da mão. Baseados nessa opinião, aidna nos resta a questão de por que um Rolo de Torá é escrito na direção da esquerda. (Veja Levush sobre Orech Chaim 676). O Chatam Sofer explica que não devemos olhar para cada linha individual; mas sim, devemos olhar para a Torá como um todo. Um escriba de Torá assegura-se de terminar com apenas umas poucas palavras numa nova linha, terminando assim no lado direito. Neste caso, começamos a escrever a Torá no lado direito, e então nos movemos na direção do final, que também é no lado direito.


POR YEHUDA SHURPIN
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Os sacrifíciosPor Rabino Yossef Zukin

Em Tor@ Mail

Duas senhoras conversavam tomando um chá numa bela tarde.
"Bem, Esterzinha", perguntou uma delas. "Como estão o seu filho e sua filha?"
"Para dizer a verdade", respondeu a segunda senhora, "meu Daniel se casou com uma mulher que não presta para nada. Ela só sai da cama as onze. Ela está fora o dia todo gastando seu dinheiro não se sabe onde. Quando ele chega em casa exausto, pergunte se ela preparou um bom jantar quentinho para ele?! Ela faz com que ele a leve para jantar num restaurante caro."
"E a sua filha Rosa?"
"Ah! A Rosa se casou com um santo. Ele traz o seu café na cama para ela, ele lhe dá dinheiro para comprar tudo o que ela precisa, e à noite, ele a leva para jantar num ótimo restaurante."

Uma das coisas enigmáticas da Torá é, sem dúvida, a sua obsessão com sacrifícios de animais, que são descritos em pormenor na porção da Torá desta semana Vayicrá. Apesar de não entrar na questão amplamente debatida da moralidade por trás do abate animal, fica a pergunta: Por que a Torá, o plano divino para a vida, acha necessário dedicar centenas de seus versos com as leis de sacrifícios de animais? Como é que as muitas leis de sacrifícios de animais descritas na Torá servem como um roteiro para nossas jornadas pessoais na vida?
Toda lei e episódio registrados na Torá podem ser apreciados não só a partir de um ponto físico e concreto de vista, mas também por uma perspectiva metafísica.
As leis detalhadas de sacrifícios de animais não são exceção. Fisicamente, eles não se relacionam à nossa era presente, mas num nível psicológico e espiritual, essas leis referem-se a uma mensagem atemporal do desafio humano por crescimento.
Todo ser humano possui um animal na sua consciência. Esta dimensão da nossa identidade só busca sua auto-preservação e gratificação. O lado "animal" se pergunta, antes de cada encontro e antes de todo esforço, "o que tem de bom para mim?"
Em contraste tem outra dimensão mais profunda da identidade, uma consciência Divina, um desejo de transcender a si mesmo e se conectar com a verdade e realidade. É uma camada que nos permite amar de forma altruísta e buscar metas mais elevadas e idealistas na vida.
Esta dicotomia inerente à estrutura humana dá origem à luta perpétua existente na psique humana: o conflito entre egocentrismo e auto-transcendência, a disputa entre frivolidade e imoralidade e significado genuíno e espiritualidade.
De acordo com a Cabalá, a consciência Divina nasceu neste mundo com o único propósito de aperfeiçoar essa identidade animal interior e a elevar ao plano espiritual.
Cada alma recebeu "sob medida" uma consciência animal como sendo seu aluno especial para os anos que vão passar juntos na terra. A alma Divina tem a missão de educar e sublimar a alma animal, colocar na prática seus potenciais mais profundos. Ela deve tomar uma pedra bruta e transformá-la num diamante.
Quando a alma Divina não cumpe a sua tarefa de cultivar e educar o seu lado animal, o eu animal pode se tornar uma força perigosa. Ele não é inerentemente mau, mas sim meramente egoísta. No entanto, na sua busca incessante de auto-preservação e auto-aperfeiçoamento, ele pode se transformar num monstro, demolindo a si mesmo e outras pessoas no seu desejo bestial de auto-afirmação e gratificação. Um animal tão belo existente em nosso coração pode se transformar num animal selvagem não domesticado que é grosseiro, profano e destrutivo.
É por isso que a Torá é tão obcecada com oferendas de animais. Afinal, a nossa principal tarefa na vida é desafiar o nosso próprio animal interior a cada dia, aproximando-o de nosso ser superior, mais profundo e refinado.
Mas como atingir esse objetivo tão difícil?
Essa é a razão para as muitas leis e nuances relativas a oferendas de animais em toda a Torá. Não é uma tarefa fácil refinar o seu lado animal, e diferentes pessoas lutam com diferentes tipos e níveis de ‘animais’. Portanto, a Torá dedica centenas de versos sobre o assunto, orientando os seres humanos em seu caminho para confrontar e lidar com as diversas formas de animais existentes em sua psique.
Geralmente, a Torá afirma que todas as oferendas de animais devem seguir os seguintes quatro passos. Primeiro, você deve declarar verbalmente que está dedicando este animal para se tornar uma oferenda. Em segundo lugar, o animal é abatido, cortando tanto o seu esôfago e traqueia Em terceiro lugar, o sangue era aspergido sobre as paredes do altar situado no Templo Sagrado. Finalmente, as partes da gordura animal são removidos e queimadas com uma chama na parte superior do altar.
O que esses rituais representam no trabalho psicológico do homem sobre o seu lado animal?
O primeiro passo para lidar com o animal em você é a determinação e compromisso de mudar o status quo de sua vida e para desafiar a sua identidade animal.
Na próxima fase, você deve pegar o touro pelos chifres e exercer total controle sobre sua própria vida e identidade. Para realmente aperfeiçoar o seu animal, você tem que mostrar quem é que manda. Se você deixar o seu animal continuar a viver a sua própria vida, não há esperança para o seu refinamento genuíno.
Particularmente, você deve desafiar a maneira como o seu animal come e bebe, simbolizado pelo corte do tubo de alimentação, e do tipo de oxigênio que inala, simbolizada pela traqueia; tem de alterar tanto a atmosfera que o rodeia e o tipo de informação dada a ele. Na terceira etapa, você leva o sangue do seu animal e o asperge no altar. Isto significa o fato que você nunca deverá destruir o fervor e a paixão de sua alma animal. Em vez disso, você deve santificá-la para D'us Finalmente, você deve tirar a gordura e a queimar em cima do altar. Ela representa indulgência e obsessão com o prazer.

Portanto, para aqueles de nós que lutam com tais aspectos semelhantes a animais como a preguiça, raiva, egoísmo, dependência, apatia e desonestidade, as leis de oferendas de animais fornecem um plano escrito para encurralar esses impulsos, quebrando sua selvageria e convertendo-os para um uso Divino.
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Judeus ultraortodoxos são presos em Israel por suspeita de abuso sexual

Crime teria ocorrido por dois anos; Membros da comunidade tentaram impedir detenções.

JERUSALÉM — A polícia israelense anunciou, nesta segunda-feira, a prisão de 22 judeus ultraortodoxos suspeitos de abusos sexuais, em uma operação secreta. Os 22 homens, com idades entre 20 e 60 anos, são teriam abusado durante dois anos de mulheres e crianças em suas comunidades de Jerusalém, de Bnei Brak, de Bet Shemsh e da colônia de Beital Illit na Cisjordânia, território palestino ocupado, conforme informou a polícia.


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Outros membros da comunidade, que segue de modo rígido as leis do judaísmo, sabiam dos crimes mas não alertaram as autoridades. A intenção deles era solucionar a situação internamente, sem que o assunto "vazasse".

Sob a liderança dos rabinos, membros da comunidade investigaram os crimes e os supostos autores.

— Na maioria dos casos, os suspeitos recebiam a ordem de procurar algum tratamento dentro da comunidade — afirmou a polícia. — Enquanto isso, dezenas de vítimas não receberam o tratamento necessário.





A polícia conseguiu provas obtidas por outros ultraortodoxos contra os suspeitos. A força de segurança de Israel divulgou um vídeo que mostra cadernos utilizados para recolher as informações comprometedoras.

Em Jerusalém, membros da comunidade tentaram impedir as prisões, com ofensas aos agentes e lançando objetos que quebraram as janelas das viaturas, segundo a polícia.

Os ultraortodoxos representam quase 10% da população israelense e levam uma vida em estrita conformidade com as regras do judaísmo. Os líderes ultraortodoxos também exercem uma grande influência política.





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 A Gravura de Lasar Segall

Obras do pintor e gravurista lituano ficam em cartaz na unidade até o mês de junho


Xilogravura “Viúva e Filho”, de Lasar Segall
(crédito: divulgação)

A partir desta quinta-feira, dia 9, o SESC Santo André irá apresentar 35 obras do pintor e gravurista Lasar Segall (1891-1957). A exposição A Gravura de Lasar Segall – Poesia da Linha e do Corte reúne 16 gravuras em metal e 19 xilogravuras produzidas pelo artista entre os anos de 1913 e 1930, que também marcou passagem pelos movimentos impressionista e expressionista.

Embora nascido na Lituânia, foi no Brasil que ele ganhou destaque no cenário da arte moderna, sendo um dos primeiros artistas do Modernismo a expor no país. Conhecido por retratar figuras e sentimentos humanos – onde se destaca, principalmente, o sofrimento –, a mostra pretende narrar sua trajetória por meio de matrizes originais que foram especialmente reimpressas pelo Museu Lasar Segall, local onde era situada sua antiga casa, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo.

A abertura está marcada para esta quarta-feira, dia 8, e fica em cartaz de 9 de março a 10 de junho, na galeria da unidade.Também é possível agendar visitas monitoradas e em grupos pelo e-mail:

J
 A Gravura de Lasar Segall
á no período de 11 de março a 30 de abril, o acervo da biblioteca terá uma estante reservada para os livros que abordam a biografia de artistas e escritoresque dialogam com os trabalhos de Segall, desde o expressionismo alemão até o modernismo brasileiro, além de publicações que revelam o panorama das obras do próprio artista.

SERVIÇO

EXPOSIÇÃO

A Gravura de Lasar Segall – Poesia da Linha e do Corte

Organizada a partir de matrizes originais de Lasar Segall, especialmente reimpressas pelo Museu Lasar Segall, em São Paulo, a Mostra reúne 16 gravuras em metal e 19 xilogravuras realizadas pelo artista entre 1913 e 1930. Essas obras permitem observar um duplo movimento do trabalho de Segall: de um lado a preocupação e as diversas abordagens que a figura humana ganha em seus trabalhos e de outro a importância e a presença crucial da gráfica em sua trajetória. Atendimentos a grupos agendados com visita monitorada: agendamento@santoandre.sescsp.org.br

Quando: abertura da exposição 8/3 (quarta, das 20h às 21h30), 9/3 a 10/6 (terça a sexta, das 10h às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30)
Local: Galeria
Ingresso: Grátis
Livre
BIBLIOTECA

Uma biblioteca em cada canto – Lasar Segall – arte e literatura (11/3 a 30/4)

A estante temática destaca livros do acervo da Biblioteca que abordam o percurso e a obra de artistas e escritores, do expressionismo alemão e do modernismo brasileiro, que dialogam com os trabalhos de Lasar Segall, entre outras publicações, que revelam a trajetória do próprio artista.

Quando: 11/3 a 30/4 (terça a sexta, das 10h às 21h30; sábados e domingos, das 10h às 18h30)
Local: Em diversos espaços da unidade
Ingresso: Grátis
Livre
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Crescimento da população judaica na Judeia e Samaria anula dois estados
Foi ontem publicado um relatório atualizado de 1 de Janeiro de 2017, com os dados populacionais judaicos, dando expectativas muito positivas quanto ao crescimento da população judaica na Judeia e Samaria, as regiões bíblicas erroneamente denominadas como "Margem Ocidental."

Segundo estes dados, há 420.899 judeus vivem na Judeia e na Samaria, sem contar com os habitantes judeus de Jerusalém oriental e cercanias, após a libertação da Cidade em Junho de 1967.

Este número assinalável de judeus vivendo nesta disputada região torna obsoleta a ideia de 2 estados vivendo lado a lado na Terra de Israel. Ainda bem.
E a evidência é tão clara, que até A.B.Yehoshua, um reconhecido autor israelita e até há bem pouco tempo forte activista a favor da solução 2 estados, renunciou à sua luta e confessou que "A solução (2 estados) não é mais possível. Durante 50 anos eu acreditei nessa solução, lutei por ela, tornando-me num ativista a seu favor. Mas quando eu, como intelectual, tenho de encarar a realidade, não me deixando enganar a mim mesmo, tenho de questionar se essa solução é mesmo possível...depois de interiorizarmos que é impossível deportar 450.000 residentes na área C, isso não pode acontecer (sob nenhumas circunstâncias.) Podemos dividir Jerusalém?...é tempo de começarmos a pensar em soluções alternativas."

Segundo Baruch Gordon, pesquisador e fundador do "IsraelNationalNews", a questão é bem clara: "Durante anos, os legisladores, tanto de Israel como do Ocidente, não tiveram a mínima ideia da dimensão da população judaica da Margem Ocidental. 

Os números foram suprimidos e a imprensa calou-se. Este relatório introduziu os números reais ao discurso. O seu impacto não pode ser sub-avaliado."


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O significado do Chamêts

Os judeus estão terminantemente proibidos de ingerir quaisquer alimentos fermentados em Pêssach. 



O pão é substituído pela matsá – pães chatos feitos apenas de farinha e água. Judeus de todo o mundo tomam um cuidado especial para não comer nem mesmo a mais ínfima partícula de chamêts.

A característica da massa fermentada (chamêts) é que cresce e incha, simbolizando orgulho e ostentação. Por outro lado, a matsá é fina e plana, sugerindo submissão e humildade. Pêssach nos ensina que chamêts – arrogância – é a própria antítese do ideal da Torá.

Quando um homem arrogante é confrontado com a obrigação de cumprir uma mitsvá que demande uma dose de auto-sacrifício (por exemplo, caridade, que envolve compartilhar suas posses com os menos afortunados), ele evita cumprir sua obrigação. Argumenta: "Na verdade tenho o direito a ter mais do que possuo atualmente, portanto, por que deveria doar parte disso?"

Além do mais, o egoísmo da pessoa arrogante priva-a de sua capacidade de discernir o valor de seu próximo e ele conclui presunçosamente que o outro está bem abaixo de seu nível. Segundo esta lógica, a causa da pobreza do próximo é prontamente entendida: "Aquele mendigo certamente não merece nada melhor!" "Ora" – pensa consigo mesmo – "se D’us considera correto que este homem seja pobre, por que deveria eu interferir e ajudá-lo?"

Tal raciocínio egoísta leva a pessoa orgulhosa a praticar mais e mais o mal. Então, jamais perceberá a maldade de suas ações e se arrependerá delas. Pois mesmo quando é obrigado a concordar que seus atos são impróprios, encontra várias justificativas "além de seu controle" que prevalecem sobre ele para agir da maneira que o fez.

Além disso, mesmo quando não pode encontrar nenhuma desculpa para satisfazer sua consciência, não obstante, "o amor próprio encobre todas as transgressões." Ele pode ser um rancoroso malfeitor que não consegue inventar, mesmo no auge de sua imaginação, qualquer linha de raciocínio para justificar seu comportamento, pois o amor próprio cega seus olhos e encobre sua atitude.
O homem humilde, por outro lado, toma a atitude exatamente oposta, seja com respeito ao cumprimento de mitsvot, seja quanto a seu arrependimento de atos incorretos no passado.

Usando a mitsvá de tsedacá (justiça) uma vez mais como exemplo: o homem humilde compara-se com seu próximo judeu à luz adequada. Pensa consigo mesmo: "Sou realmente melhor do que ele? Mereço melhor sorte?" Esta análise, feita objetivamente, leva-o a simpatizar com o próximo e a prestar-lhe ajuda.

Além disso, quando a pessoa despretensiosa age erradamente, não tenta justificar seu comportamento incorreto. Pelo contrário, sua sincera auto-análise o estimula a fazer teshuvá, a arrepender-se honestamente de suas ações inadequadas.

A cada ano, em Pêssach, somos ordenados pela Torá a livrarmo-nos de todos os traços de chamêts. Devemos procurar descartar cada partícula do "chamêts espiritual" – a arrogância – para que sejamos capazes de perceber claramente nossas próprias falhas e as boas qualidades de nosso próximo.
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A jornalista Guila Flint morreu neste domingo aos 62 anos
Correspondente Guila Flint em uma de suas últimas viagens ao Brasil


Guila Flint (*) | Tel Aviv - 28/03/2014 - 15h31

Correspondente de Opera Mundi conta como sua história foi alterada pela ditadura civil.
Expatriada para Israel aos 14 anos depois do AI-5.

A jornalista Guila Flint morreu neste domingo (26/03/17), aos 62 anos. No texto abaixo, ela conta como a ditadura brasileira afetou sua vida aos 14 anos:
Em fevereiro de 1969, meus pais me levaram ao porto de Santos e me colocaram no navio Theodor Herzl, para Israel.
Eles sempre me disseram que a razão dessa decisão drástica, de enviar uma menina de 14 anos para o Oriente Médio, foi o medo de que algo de ruim me acontecesse, por causa da ditadura.

Tive a sorte de fazer o ginásio no Colégio de Aplicação, em São Paulo. Entrei na escola em 1965 e saí no fim de 1968, logo depois do AI-5, quando o nome da instituição mudou para Fidelino de Figueiredo e vários professores foram exilados.
O Aplicação liderava, em São Paulo, o movimento dos estudantes secundários contra a ditadura. Diretamente ligado à USP (a escola tinha um nome muito longo que sabíamos de cor – Colégio de Aplicação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo), o colégio era dirigido por pedagogos de esquerda com uma visão crítica da sociedade.
Alunos e professores da nossa escola participaram das manifestações estudantis durante o ano de 1968.
Eu, que na época tinha 13 anos, também participei, tanto de manifestações como de algumas assembleias na Rua Maria Antônia, apesar das advertências de meus pais.
Acho que uma daquelas manifestações foi a gota d'água que os levou a decidir me enviar para Israel. Lembro-me de estar junto com um grupo da escola na Avenida São João. Lembro-me de policiais a cavalo, de bombas de gás lacrimogêneo, das palavras de ordem gritadas pela multidão – "o povo unido jamais será vencido".

E, de repente, me perdi dos meus amigos e fiquei sozinha, correndo em meio a uma nuvem de gás lacrimogêneo.

Ouvi a voz de uma mulher me chamando – "menina, vem pra cá!". Era a dona de uma loja de calcinhas em uma das esquinas, perto do Banespa. Me arrastei no chão, com a blusa branca e a saia azul marinho da escola, embaixo da porta de ferro, pois minha protetora já estava quase fechando a loja quando me viu correndo.

Aquela senhora não me deixou sair da loja até bem tarde. Disse :"você não sai enquanto não estiver tudo tranquilo lá fora". Já estava escuro quando ela finalmente abriu a porta e me deixou sair.

Fui até o Anhangabaú e tomei um ônibus para o Bom Retiro. Toquei a campainha e meu pai abriu a porta de casa.

"Onde você estava?!", perguntou gritando.

Menti que tinha ido visitar uma amiga.

Minha camisa branca da escola que estava preta depois que me arrastei no chão da loja de calcinhas e meus olhos vermelhos do gás lacrimogêneo desmascaravam a ridícula mentira.
Meus pais estavam histéricos. Tinham me procurado em todos os lugares e suspeitavam que eu havia desobedecido a ordem explicita deles de não ir à manifestação.

Poucos meses depois eu estava no navio.

Em 1974, quando já tinha 19 anos, decidi voltar para o Brasil.

Tive, então, minha segunda experiência de expatriação. Fui ao consulado brasileiro em Tel Aviv para renovar o passaporte. Lá alguém me advertiu: "Nem pense em voltar para o Brasil, teu nome está em uma das listas aqui".
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Naquela época muitos dos que lutavam contra a ditadura estavam sendo presos, torturados, assassinados.

Pode ser que aquela pessoa da embaixada, que me alertou para não voltar, tenha me poupado de muito sofrimento.
Não voltei até 1979, quando comecei a fazer visitas esporádicas ao país.
Nesses 45 anos que se passaram desde que eu fui embora, mantive vínculos muito fortes com o Brasil.

Vale lembrar que, nos anos 1970, vivíamos em outra era – ainda não existia Skype, nem internet, nem TV a cabo. Uma carta de São Paulo a Tel Aviv demorava duas semanas para chegar e um telefonema internacional podia custar um salário mensal. Nessas circunstâncias, meu contato com a língua portuguesa foi muito afetado.

No fim dos anos 1980 comecei a trabalhar em tradução e, por intermédio do trabalho, consegui recuperar o português.

Durante os anos 1990 passei a trabalhar em jornalismo, no início escrevendo sobre o Brasil no jornal israelense Davar, que não existe mais.
Depois inverti a direção do meu trabalho e passei a escrever sobre o Oriente Médio para veículos de comunicação brasileiros.

A tradução e o jornalismo me ajudaram a estabelecer pontes com o Brasil e, assim, parcialmente, consegui reparar a sensação de expatriação.

(*) Guila Flint cobriu o Oriente Médio para a imprensa brasileira há 20 anos e é autora do livro 'Miragem de Paz', da editora Civilização Brasileira.
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Nazista comandante de vários massacres vive como carpinteiroNazista comandante de vários massacres é descoberto vivendo como carpinteiro.

Ao julgar por sua aparência frágil, simples e inofensiva, ninguém imaginaria que na verdade ele foi um comandante feroz e perverso. Michael Karkoc, de 98 anos, carpinteiro e cidadão de Minneapolis, foi o comandante da Legião de Autodefesa da Ucrânia, subordinada a SS de Hitler.

A Fera de Chlaniów (Polônia), como era conhecido, matou homens, mulheres e crianças. Devastou povoados inteiros , guardava com orgulho as runas e a caveira da SS (Organização militar ligada ao partido Nazista).
Nazista comandante de vários massacres vive como carpinteiro
Apesar de tudo isso, levava uma vida pacata como carpinteiro aposentado. Mas depois de uma grande investigação jornalística, conseguiram descobrir a sua verdadeira identidade, no entanto a família nega sua relação com tudo isso.

Segundo consta em relatos, Karkoc ingressou no exército alemão em 1941, chegando rapidamente ao posto de comandante. Dentre as acusações que recebeu, a única que conta com testemunhas foi uma operação comandada  por ele em 23 de julho de 1944, contra a população de Chlaniów, de onde ganhou esse apelido de "besta".

Nazista comandante de vários massacres vive como carpinteiroApós o fim da guerra, ele conseguiu se esconder nos EUA, procurou casa, conseguiu formar uma família e assim viveu em silêncio por décadas, até agora. Com 98 anos, ele enfrentará a justiça. A promotoria polonesa, alega que vai pedir sua extradição para que ele possa pagar pelos crimes cometidos na região de Lublin, durante a Segunda Guerra Mundial.

A família de Karkoc, luta na justiça apresentando um laudo médico que supostamente afirma sua incapacidade física e mental para ser processado. Mas essa iniciativa não foi o suficiente para a promotoria, que solicitou novos exames independentes.

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Os Judeus acreditam em mágica ou feitiçaria?Por Yehuda Shurpin

Pergunta:

Os Judeus Acreditam em Mágica ou Feitiçaria? Neste caso, como funcionam?

Resposta:

A resposta parece bem simples. A própria Torá refere-se à feitiçaria durante a história do Êxodus, quando os mágicos do faraó imitaram os sinais sobrenaturais de Moshê e várias das pragas.1 E alguns versículos na Torá proíbem mágica e feitiçaria: “Não permitirás que uma feiticeira viva”2; e “Não será encontrado entre vocês… um adivinho, um adivinhador de tempos [auspiciosos], um mágico ou um necromante. Pois aquele que faz essas coisas é uma abominação ao Eterno…”3
Então aparentemente, a Torá acredita no conceito de magia e feitiçaria – pois caso contrário, não haveria necessidade de proibir isso. Na verdade, a maioria das autoridades da Torá parece ser da opinião que a magia de fato existe.4Maimônides, no entanto, parece discordar. Vamos explorar a base filosófica por trás dessa discordância.

Maimônides sobre Feitiçaria

Após explicar o castigo por “fazer” mágica, Maimônides explica que, na verdade, não há nada nisso:
Todas as questões acima são falsidades e mentiras com as quais os idólatras originais enganavam as nações gentias a fim de liderá-las. Não é apropriado para os judeus que são sábios ser atraídos em tal nulidade, nem considerar que tenham qualquer valor… Todo aquele que acredita em [artes ocultas] dessa natureza e, em seu coração, pensa que são verdadeiras e palavras de sabedoria, mas são proibidas pela Torá, é tolo e ignorante… Os mestres da sabedoria e aqueles com conhecimento perfeito sabem claramente que todos aqueles feitiços que a Torá proibiu não são reflexos de sabedoria, mas sim vazio e vaidade que atraíam os tolos e os faziam abandonar todos os caminhos da verdade. Por esses motivos, quando a Torá advertiu contra todas essas questões vazias, aconselhava: “Seja de perfeita fé com D'us o seu Senhor.”56
Na opinião de Maimônides, mágica e feitiçaria são proibidas exatamente porque tudo isso é “vazio e vaidade”. Exemplos de magia na Bíblia foram realmente truques e ilusões.7

Mágica e a Unidade de D'us

Outros, mais notavelmente Nachmanides (Rabi Moshe ben Nachman), são da opinião oposta de que é proibido exatamente porque funciona:
E agora, saber e entender que a respeito de mágica, que o Criador (que Ele seja abençoado) criou tudo a partir do nada e fez dos reinos superiores os guias daquilo que está abaixo deles; e Ele colocou o poder da terra e tudo que nela existe nas estrelas e constelações segundo seu movimento e direção, como foi demonstrado na ciência da astrologia… No entanto, foi uma das Suas grandes maravilhas que Ele colocou nos âmbitos superiores maneiras alternadas e forças pelas quais alguém pode mudar o governo das constelações que o Criador (bendito seja) deseja, que Ele colocou nelas para começar, e isso seria o oposto. Este é o segredo da magia e seu poder, algo que os rabinos disseram sobre práticas mágicas que elas “contradizem o Conselho Acima”; em outras palavras, subvertem as forças simples da natureza, o que é uma contradição aos âmbitos superiores até certo ponto. Portanto, é correto que a Torá as proíba para que o mundo seja deixado à sua função normal e seu estado natural, que é o desejo do Criador…8
Segundo Nachmanides, junto com o mundo físico, natural, D'us criou forças “espirituais”, ou uma “camada espiritual” através das quais o mundo natural pode ser manipulado. Porém, nem tudo que é espiritual é necessariamente “Divino” ou “sagrado”. Às vezes é o contrário. D’us criou a natureza com suas leis, e é Sua vontade que o mundo siga e funcione dentro dessas leis. Portanto, se alguém subverte o sistema da natureza usando este mundo sobrenatural, ele está indo contra a vontade de D'us.
Quando você percebe que há uma força espiritual que tem impacto sobre este mundo e começa a usá-la, o perigo é que você irá pensar que há uma força separada e energia, independentes de D'us, através das quais o mundo pode ser manipulado. Isso é idolatria.

Obliterando Mágica e Feitiçaria

Os Judeus acreditam em mágica ou feitiçaria?
Essas duas opiniões diametralmente opostas são ambas aceitáveis. Porém, à luz dos muitos exemplos de feitiçaria e mágica discutidos na Bíblia e no Talmud, alguns tentam reconciliar a opinião de Maimônides com a de Nachmanides.
Eles explicam que, apesar de suas próprias declarações ao contrário, Maimônides dizia que a magia pode funcionar. Então por que ele tomou uma atitude tão forte advogando o oposto? Para distanciar as pessoas de praticar magia, seja porque a) a mágica vem das forças da impureza9; ou b) porque a magia funciona quando alguém acredita nela, dando-lhe existência em sua própria mente. Porém, no que diz respeito ao olho do mal e outras coisas daquela natureza, o Talmud declara que se alguém não acredita nelas e não lhes dá espaço para existir, então elas realmente deixam de existir.
Portanto, ao distanciar pessoas da crença de que a magia funciona, isso por si mesmo faz com que não funcione.10
Mas independentemente da opinião de alguém sobre magia, todos concordam que não há contradição na unidade de D’us, e por si mesma (se é que existe) é uma criação de D'us. Embora na época atual, às vezes é um desafio reconhecer a verdadeira unidade de D'us, no natural e no espiritual, esperamos pelo dia em que Sua unidade será proclamada por todos. Como diz o versiculo11; “E o Eterno se tornará Rei sobre toda a terra, naquele dia o Eterno será um, e Seu nome um.”

NOTAS
1.
Veja Êxodus 7:11,22.
2.
Êxodus 22:17
3.
Deuteronômio 18:9-12
4.
Nachmanides sobre Deuteronômio 18:13; Rabeinu Nissim, Derashot HaRan, nº 4; Rabi Yosef Ibn Chabib, Nimukei Yosef, Sanhedrin 16 b, s.v. Tanu Rabanan; Biur HaGra, Shulchan Aruch, Yoreh Deiah 179:13.
5.
Deuteronômio 18:13
6.
Mishnê Torá, Leis da Idolatria, 11:16
7.
Mishnê Torá, Leis da Idolatria,11:16; Comentário sobre a Mishná.
8.
Nachmanides sobre Deuteronômio 18:9
9.
Ma’ase Rokeach sobre Maimônides, Leis da Idolatria 11:16
10.
Minchat Elazar em Divrei Torá, Mahadurah 6:54.
11.
Zechariah 14:9.