02/02/2017

Nem judeus, nem muçulmanos

Nem judeus, nem muçulmanos: nesta fotografia estão pessoas

Depois de se conhecerem na manifestação, as duas famílias trocaram contatos e combinaram um jantar.

No aeroporto, duas crianças, de sete e nove anos, seguram cartazes enquanto se equilibram nos ombros dos pais e trocam um olhar. De um lado, Adin, um rapaz judeu com um kipá na cabeça e nas mãos segura as palavras “o ódio não mora aqui” (hate has no home here). Do outro, a palavra amor (love) repete-se no cartaz de uma rapariga muçulmana, Meryem.

O momento foi registado no Aeroporto Internacional O'Hare, na cidade de Chicago, EUA, durante os protestos contra o decreto presidencial de Trump que suspende temporariamente a entrada de refugiados e a emissão de vistos para sete países de maioria muçulmana. A fotografia, capturada e partilhada no Twitter pelo fotógrafo Nuccio DiNuzzo do Chicago Tribune, foi amplamente partilhada como um símbolo de esperança e fraternidade entre culturas e religiões.

“O meu filho, Adin, quis aproximar-se da frente da multidão para conseguir ver melhor quem passava”, contou o rabino Jordan Bendat-Appell ao Huffington Post. Acabaram por ficar ao pé da família de Fatih Yildirim, um muçulmano que vive também na capital de Illinois, e assim se conheceram.

Os pais, também eles, seguravam cartazes. Nas mãos de Fatih Yildirim lia-se "empatia" e nas de Bendat-Appell um aviso: "Já vimos isto antes. Nunca mais. Judeus contra a exclusão".

Para Bendat-Appell, enquanto judeu, tem a obrigação lutar pelos oprimidos. "A história da perseguição que sofremos ensina-nos que não nos devemos calar face à injustiça”, justifica. 

Não obstante, sublinha que o que mais gostou na "encantadora conversa" que teve com Fatih Yildirim foi a "interacção humana". "Não erámos apenas um judeu ou um muçulmano, mas dois seres humanos (suficientemente parecidos para serem irmãos) a lutarem pela coisa certa”, vincou o rabino.

Depois da manifestação no aeroporto, trocaram contactos e combinaram um jantar entre as duas famílias. “Eu vou fazer bife e ele irá trazer baklava (sobremesa típica)”.

"Espero que quando as pessoas vejam esta fotografia percebam que podemos todos viver em comunidade. Somos todos humanos. Até mesmo as crianças compreendem que enfrentamos apenas uma simples escolha enquanto seres humanos: podemos escolher amar e ser gentis, mesmo quando temos razões para ter medo e não confiar”, conclui esperançoso. 

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