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05/02/2017

Grupo terrorista Hezbollah planejou atentados contra Brasília

Grupo terrorista Hezbollah planejou atentados contra Brasília
Diante do alerta de ataque terrorista, o Ministério das Relações Exteriores pediu reforço
"urgente" na segurança da Embaixada de Israel,
do embaixador e de diplomatas daquele país (foto: Reprodução/Correio Braziliense)
Documentos até então sigilosos revelam que organização militar libanesa enviou terroristas ao DF com o intuito de cometer ataques a representantes diplomáticos de Israel. Alguns foram identificados, inclusive com fotos.

Brasília esteve na mira de grupos terroristas pelo menos duas vezes. A primeira nos anos 1970. A segunda em 1989, que inclui o Hezbollah (leia Para saber mais). O grupo libanês planejava sequestrar representantes do governo de Israel residentes no DF, além do cônsul israelita, morador de São Paulo. As informações sobre os possíveis atentados ficaram restritas aos militares e às autoridades do primeiro escalão dos governos do Distrito Federal, do Brasil e de Israel até o mês passado. Elas estão em um dos dossiês confidenciais da Secretaria de Segurança Pública do DF, abertos à consulta no Arquivo Público do Distrito Federal.

Sobre o possível ataque de 1976, as informações são vagas. Tratam somente de um alerta enviado pelo governo de Israel a todas as suas representações diplomáticas e do reforço da segurança das Forças Armadas do Brasil à Embaixada de Israel em Brasília.
Quanto ao plano de 1989, atribuído ao Hezbollah, há um amplo e detalhado relatório, incluindo nomes e fotografias de suspeitos e telegramas originais trocados entre Israel e Brasil. Em meio à investigação, policiais federais brasileiros constataram que um dos supostos terroristas estava no país.
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Telegrama enviado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil à Polícia Federal e ao secretário de Segurança Pública do DF, em 16 de agosto de 1989, alerta que um terrorista d o Hezbollah está “em vias de ingressar no país (o Brasil) com vistas a cometer atentado contra aquela missão diplomática e seus membros”. Na mesma mensagem, o Itamaraty alerta sobre a presença de “outro terrorista” em solo brasileiro. Diante de tal cenário, o MRE pede reforço “urgente” na segurança em volta da Embaixada de Israel e das residências do embaixador e de quatro diplomatas israelenses.

Sequestro

Em setembro do mesmo ano, o Itamaraty fez novo alerta à Polícia Militar do DF. Dessa vez, o documento traz o nome de quatro terroristas apontados por Israel como os executores do plano do Hezbollah em Brasília. Segundo Israel, o grupo pretendia sequestrar o cônsul-geral do país em São Paulo ou qualquer diplomata que morasse em Brasília, com o intuito de uma negociação para a libertação de presos em Israel.

O assunto é tratado em documento “confidencial” do Estado-Maior-Geral da PM, endereçado ao Serviço de Inteligência da corporação: “Autoridades daquele País (Israel), identificou (sic) como prováveis autores do atentado terrorista os elementos Nazi (Nagi) Mouhamad El Malek e Zakarana ou Nagi Mouhamad Faisal Zakarana, apelidado por Raed, Nagi Mouhamad El Malek e Hikmat Abou El Magid Mansour” (veja fac-símile).

O último é descrito como um homem de “1,80m, mais ou menos 30 anos de idade, com uma vasta cabeleira castanha, cicatriz em uma das faces e outra no antebraço esquerdo, que vai do cotovelo ao ombro”. Já Raed é identificado por meio de uma foto 3x4, em preto e branco, anexada a documento enviado pela Embaixada de Israel.

A representação diplomática pediu à Polícia Militar brasiliense a inclusão de um coronel, adido das Forças Armadas de Israel, no esquema de segurança montado pelos militares da capital federal. A partir de então, a corporação também passou a escoltar o adido e os familiares dele, moradores do Hotel St. Paul, no Setor Hoteleiro Sul.

Além do adido, do embaixador e dos diplomatas, policiais militares passaram a fazer a segurança da sinagoga e da Associação Cultural Israelita de Brasília. Enquanto isso, policiais federais procuravam os quatro homens tidos como terroristas por Israel.

A caça aos suspeitos e o esquema de segurança em torno da Embaixada de Israel e seus altos funcionários durou até 4 de outubro de 1989, quando o serviço de Inteligência israelita descobriu que os quatro supostos terroristas haviam deixado o Brasil, com destino ignorado.

Para saber mais

Muçulmanos xiitas
O Hezbollah — ou Partido de Deus — é uma organização política e militar poderosa no Líbano, formada majoritariamente por muçulmanos xiitas. Foi criado em 1982 para combater as tropas israelenses que ocupavam o sul do país. É sustentado pelos iranianos e apoia a causa palestina. A organização pretende criar um Estado islâmico no Líbano, destruir o Estado de Israel e transformar Jerusalém em uma cidade muçulmana. Tem cerca de 800 combatentes ativos e 2 mil reservistas. O grupo conta, ainda, com cinco hospitais, 42 clínicas e duas escolas de enfermagem. Segundo a ONU, pelo menos 220 mil pessoas em 130 cidades libanesas se tratam nesses locais. O Hezbollah tem também 12 escolas, com 7 mil alunos e 700 professores.

1976 - 1989
Anos em que grupos terroristas se organizaram para cometer atentados no DF, segundo documentos confidenciais do governo brasileiro
Tags: brasília atentados planejou hezbollah

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