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15/12/2016

O que fazemos se perdemos os horários das rezas da manhã e da noite?


Shacharit e Maariv

O que fazemos se perdemos os horários das rezas da manhã e da noite?
Às vezes, nos surge a oportunidade de orar antes da hora determinada pela Halachá (lei judaica) para fazê-lo, por exemplo, no verão, quando se escurece relativamente tarde, ou, quando vamos viajar e ele não temos outra escolha a não ser orar cedo para poder desfrutar a paz de espírito necessária para que a oração seja feita com a devida atenção.
Como sabemos, o horário da oração matutina, ‘Shacharit’, começa com a primeira luz da manhã e à da noite, ‘Maariv’, começa com o pôr do sol ou, de acordo com a opinião mais difundida, quando se escurece.
Na verdade, existem duas partes importantes em cada uma destas orações – a matutina e a noturna: a primeira se trata da leitura do “Shemá Israel”, e, a outra é a própria reza, a “Amidá”, que também é proferida na reza da tarde, a reza de “Minchá”. Na teoria, estas duas partes não estão relacionados uma com a outra, mas já desde a época do Talmud, ou mesmo da Mishná, estas foram colocadas juntas, por causa de uma Halachá que diz que a “Amidá” deve ser recitada imediatamente após a leitura do “Shemá”. E assim escreve o Maimônides (Leis de Oração, capítulo 7:17-18; 9:1-2 e 9:9). Porém, ainda assim, existem algumas leis que diferem entre as duas partes, especialmente, ao se tratar dos horários.
Os horários da leitura do “Shemá”, à noite, foram estabelecidos pela Mishná (Brachot 1:1) como sendo “a partir do momento em que os sacerdotes entravam para comer as oferendas”, ou seja, com o início das estrelas. (Ibid. 2b) Embora o Talmud apresente algumas outras opiniões sobre este assunto, o Maimônides (Leis de Leitura Shemá 1:9) afirma que esta opinião é a correta, e assim também afirma o Shulchan Aruch (235:1).
Controvérsia sobre ‘Maariv’
No que diz respeito à reza de Maariv, esta depende de uma discussão entre dois sábios talmúdicos sobre até que horas se pode rezar a oração de Minchá (da tarde). Alguns sábios acreditam que a oração de Minchá pode ser feita até à noite, enquanto que, o Rabino Yehuda diz que é até “Plag Minchá”, ou seja, cerca de uma hora e quarto, antes do final do dia, e imediatamente após este horário, começa o horário de Maariv. Esta controvérsia não foi determinada, permitindo que as pessoas escolham entre seguir a opinião de Rabi Yehuda ou a opinião dos outros Sábios. Contudo, esta falta de decisão haláchica permite casos absurdos, como uma situação em que um está orando a reza de Minchá – seguindo a opinião dos Sábios – e outro já está orando a reza de Maariv – de acordo com a opinião do Rabi Yehuda (ou até mesmo rezando Minchá, depois que o outro rezou Maariv). Pode acontecer, também, que uma pessoa pode rezar Minchá um dia depois do pôr do sol, de acordo com uma opinião, e no outro dia, Maariv, antes do pôr do sol, de acordo com outra opinião. O que não se permite fazer é rezar ambas as orações entre o “Plag Minchá” e o escurecer, no mesmo dia, pois assim estará se utilizando de duas opiniões contraditória no mesmo caso.
Leitura Antecipada do Shemá
Quando os judeus chegaram nas terras do norte da Europa, se depararam com muitas dificuldades para cumprir com essas leis e, assim, os primeiros rabinos começaram a escrever para estes, no verão, lerem o Shemá e realizar a oração de Maariv antes do anoitecer.
Parece claro que, antes do sol se pôr, ainda não se pode cumprir com a obrigação de ler o Shemá, e, portanto, esta situação apenas resolve o problema da Amidá de Maariv. Já o Talmude de Jerusalém, permite rezar o Maariv e ler o Shemá mais cedo, quando é difícil encontrar pessoas para rezarem juntas depois do pôr do sol, contudo, a leitura do Shemá, deve ser feita como se estivesse estudando a Torá (com a melodia da Leitura da Torá).
Entretanto, o comentarista Rashi diz que deve-se ler o Shemá novamente na cama antes de dormir (com a intenção de cumprir com a obrigação do Shemá da noite), para assim, cumprir com a obrigação principal da Torá, uma vez que, na primeira vez que o fez, foi antes de seu tempo, e assim, não foi válido. Na verdade, se poderia cumprir com o Shemá a qualquer momento, após escurecer, mas orientou a fazê-lo na cama, temendo que, caso não estipulasse um horário fixo, as pessoas esqueceriam de repeti-lo depois de escurecer e não colocariam a intenção necessária na hora de ler o Shemá na cama, não cumprindo com a obrigação, de acordo com alguns sábios.
Mas há um outro parecer do neto de Rashi, o Rabenu Tam, que sustenta a idéia de que, de acordo com o Rabi Yehuda, quando começa o horário da oração de Maariv – até uma hora e quarto antes do pôr do sol – começa também o horário que se pode ler o Shemá, já que, neste momento começa a “noite”.
Final do Dia
Falamos aqui do conceito “fim do dia”, que refere-se ao pôr do sol ou da saída das estrelas, quando já está escuro. Também na manhã, existem dois momentos: o amanhecer, quando sai a primeira luz do dia e o nascer do sol, quando o sol aparece atrás do horizonte.
Há alguns versículos do Livro de Neemias (Neemias 4:15-16) que dizem que os operários trabalhavam de dia e faziam a segurança de noite, e o trabalho começava na madrugada e terminava com o início das estrelas. Parece, então, que estes são os limites, do dia e da noite. Mas existem outras opiniões que dizem que a plenitude do dia é somente com a luz do sol, e o dia se caracteriza pela presença do sol: desde seu nascer até este se pôr. Portanto, desde o momento do pôr do sol, até a saída das estrelas, quando já está escuro, existe um momento em que é não é nem dia e nem noite.
No entanto, ainda existem muitas dúvidas sobre o assunto, pois nem sempre se podia ver o horizonte, tanto pois as montanhas o escondiam, ou pois aqueles que viviam em Tiberias, no vale do Kinneret, cerca de duzentos metros abaixo do nível do mar, tinham a leste, as montanhas do Golan e, a oeste, as planícies de Izre’el, que os impediam de ver. Mas na prática, estas montanhas distantes, como as de Golan e Moabe, eram consideradas o horizonte, apesar de estarem entre quinhentos e mil metros de altura, pois como estavam próximas, é como se estivessem nesta altura.
Tempo Padrão
Já o Talmud estabeleceu um horário padrão para o horário entre o amanhecer e o nascer do sol: o tempo de caminhar quatro ou cinco quilômetros, onde cada quilômetro é menos de um terço de hora, normalmente calculado como sendo, o amanhecer, 72 minutos (18×4) antes do nascer do sol. É claro que isso depende da estação e do lugar, uma vez que o crepúsculo nos trópicos é muito mais curto do que nos países nórdicos.
Quanto a noite, existem várias opiniões sobre como calculá-la, de acordo com o Talmud. Uma opinião sustenta que a “escuridão” começa, aproximadamente, 13 minutos após o pôr do sol, enquanto que outra opinião defende que é, 72 minutos após o pôr do sol. A primeira opinião é tradicionalmente a mais aceita na Terra de Israel, desde os tempos imemoriais. Alguns sábios acreditam que o segundo cálculo está correto e por este motivo não se faz a Havdalá (ritual que se despede do Shabat) antes destes 72 minutos que se seguem ao pôr do sol, no sábado a noite.
Saída das Estrelas
A expressão “saída das estrelas” refere-se a estrelas medianas, que não podem ser vistas durante o “dia”, ou tão pequenas que apenas são notadas durante a “noite”, como ensina o Talmud: “uma (estrela) – ainda é dia; três (estrelas) – é noite; duas (estrelas) – não se pode definir o que é. Que não sejam (estrelas) nem muito grandes e nem muito pequenas, e sim medianas”. Isso também depende da época e da localização geográfica, embora a maioria das pessoas atualmente, confiem no cálculo padrão estabelecido, sem se atentar para as estrelas no céu. Atualmente é muito difícil ver as estrelas nas cidades, pois, a luz elétrica deslumbra e impede que estas sejam vistas, e, portanto, quando se pode ver três estrelas, mesmo as grandes, é um sinal de que as medianas, em teoria, também já estão visíveis e, portanto, pode-se concluir que se terminou o Shabat e fazer a Havdalá.
Este é um resumo prático, uma vez que a questão dos horários Haláchicos é um dos mais controversos temas, hoje em dia, e cada vez lançam mais e mais livros e artigos sobre as diferentes opiniões e como aplicá-las na prática. Fui ajudado em parte pelo resumo do livro “Mishné Torá”, e o “Sefer Ahava”, publicado pela Koren Jerusalém.

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