loading...

01/12/2016

A relação Estados Unidos e Israel: um novo plano aliado para o Oriente Médio

A relação Estados Unidos e Israel: um novo plano aliado para o Oriente MédioNo encerramento dos oito anos de ciclo presidencial de Barack Obama, acredita-se que o Presidente republicano eleito poderá investir no aprofundamento da relação EUA-Israel. 

A espera pela melhora nas relações Washington/Tel-Aviv aponta para o desafio de evitar o descolamento de políticas ligadas ao soft power*, as quais serviram como freio às animosidades e tensões históricas na região.

Manifestações de Donald Trump em sua campanha apontaram para o apoio à comunidade judaica nos Estados Unidos, porém este apoio está preso às incertezas quanto à montagem do núcleo duro de seu Governo, o que leva a serem criadas variadas condições para a formulação de cenários.

Diante de tal panorama, o desejo de Israel em retomar um grau mais profundo na perspectiva diplomática faz com que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu redirecione seus esforços para resgatar os tradicionais preceitos que regem a histórica cooperação político-militar entre os dois países.

De acordo com fontes consultadas, Israel anseia pela disposição de uma ampla agenda bilateral e regional de verificação das políticas adotadas na Era Obama, especialmente nos seguintes pontos: as ambições do Irã; o enfrentamento ao terrorismo; o extremismo religioso; os assentamentos na Síria; a questão da estabilização do Líbano; a reconstrução de laços com Egito e Arábia Saudita e a colaboração com a Rússia. Conforme apontam, esses são os elementos de uma pauta introdutória e fundamental para a chancelaria israelense perceber os níveis de cooperação que haverá entre as duas nações.

No teatro da especulação político-diplomático, os sinais emitidos pela cúpula de transição governamental de Trump implicam que a agenda com Israel tende a ser produtiva, mesmo com a possibilidade de os principais nomeados para as Secretarias acabarem recebendo pouco entusiasmo para estruturar uma relação renovada, quando comparado, por exemplo, aos tradicionais comportamentos, tanto do Partido Republicano como do Democrata, que interpretam os frutos de um aprofundamento com Israel como política de Estado, com  grande relevância para os interesses dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Nesse sentido, a transição para uma nova administração oferecerá a oportunidade para por de lado os desentendimentos recentes e demonstrar boa vontade política para reverter às tendências negativas que pautaram a relação dos últimos oitos anos. Para tanto, segundo especialistas consultados, há razões de cunho estratégico e histórico como frentes primordiais de reparação e manutenção do interesse mútuo, a citar:

Reformulação estratégica com foco no desenvolvimento de uma visão do Oriente Médio mais comprometida com a problemática da região Palestina e com estratégias bilaterais para solucionar a negociação de dois Estados;
Extensão e expansão da cooperação em defesa, no que tange à expansão do escudo antimísseis, à cooperação antitúnel e à segurança cibernética;
Cooperação nas ações que envolvem o Acordo Nuclear do Irã, agindo em prol do funcionamento do plano desenvolvido em conjunto com as nações europeias;
Implementação de medidas para melhorar o cotidiano da sociedade palestina e preservar as perspectivas de paz negociada, incluindo uma oposição à continuidade dos assentamentos israelenses em território palestino;
Reequilibrar a parceria por meio da expansão da cooperação econômica, comércio bilateral e investimentos em energia, inovação e na integração do Estado de Israel com outros atores da região.
Apesar de haver questionamentos sobre a forma como Trump irá se apresentar enquanto estadista, acredita-se que ele não poderá ter como modelo de condução da política externa, em especial para o Oriente Médio, uma proposta direcionada pelo hard power**, com emprego e projeção de força, pois, do contrário, as crises já instauradas poderão sofrer agravamento.

———————————————————————————————–                    

Notas:

* Soft Power (Poder Brando): conceito criado por Joseph Nye e empregado nas Relações Internacionais para determinar conquistas de um determinado Estado por meios diplomáticos, culturais, políticos e ideológicos. A expressão descreve a capacidade de um corpo político em influenciar o comportamento ou os interesses de outros corpos políticos por meios culturais ou ideológicos. Alguns especialistas entendem que o soft power é essencialmente a conquista por meio da penetração cultural e ação diplomática.

** Hard Power: conceito empregado pelas Relações Internacionais por Joseph Nye para expor que um Estado utiliza dos meios militares e econômicos para persuadir outro Estado aceitarem seus interesses. Expressa a capacidade de um Estado conduzir ou coagir o outro, essencialmente pela imposição de sua capacidade política e militar, mesmo que não a use imediatamente.



SHARE THIS

Author:

Dúvidas, sugestões de pautas, críticas, publicidade, parcerias, etc. Entre em contato pelo seguinte email: coisasjudaicas@gmail.com

0 Comentários:

Deixe sua opinião