Coisas Judaicas : A Reza de Tachanun
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A Reza de Tachanun
02/08/16 Posted by Coisas Judaicas

A Reza de TachanunPergunta:
Por que Tachanun (Preces Penitenciais) são mais longas às segundas e quintas-feiras? Sempre presumi que tinha algo a ver com o fato de que a Torá é lida às segundas e quintas, mas recentemente, um amigo me disse que não estão relacionadas. Então qual é o real motivo?

Resposta:

O Midrash relata que foi numa quinta-feira que D'us disse a Moshê para subir à montanha para receber o segundo conjunto de Tábuas após o pecado do bezerro de ouro. Quarenta dias depois, numa segunda-feira, Moshê finalmente desceu a montanha com as novas Tábuas, significando que D'us tinha perdoado Sua nação. Como resultado, segundas e quintas são consideradas especialmente auspiciosas para encontrar favor Divino e foram separados como dias especiais de arrependimento.1
Numa nota aparentemente oposta, outros explicam que a razão para a penitência extra às segundas e quintas é porque as cortes rabínicas – bem como os tribunais celestiais – estão tradicionalmente em sessão nesses dias.2 Como estamos sendo julgados, cabem súplicas extras.3 Assim, desde os tempos antigos, pessoas piedosas têm tido o costume de jejuar também nesses dias.4
Na verdade, essas duas explicações não precisam se contradizer, pois D'us pode sentar em julgamento especificamente numa hora de misericórdia Divina.5

Naufrágio!

Há muitas narrativas fascinantes sobre a origem dessa prece, que é formada por três partes e começa com as palavras Vehu rachum, “E Ele é misericordioso.” Aqui estão duas das narrativas mais comuns:
Rabi Elazar Ben Yehudah (1160-1238), famoso autor do Sefer Rokeach, registra que encontrou a seguinte história numa responsa do período geônico (cerca de 589 EC-1038 EC).6 Após a destruição do Segundo Templo, Vespasiano colocou alguns judeus em três navios sem capitão nem lemes. Os navios então começaram a vagar sem rumo. A Divina Providência, porém, salvou os navios de serem atingidos por dunas e tempestades. Cada navio por fim atracou numa cidade diferente na França: Leiden, Orlado e Bordils.7 A princípio, os pobres refugiados que chegaram a Bordils foram bondosamente recebidos pelo governador da província e receberam terra e vinhedos como meio de sustento.
Quando o governador morreu, seu sucessor se mostrou cruel. Roubou os refugiados de tudo que tinham recebido e ameaçou expulsá-los. Os judeus começaram a jejuar e rezar a D'us pedindo salvação. Foi então que três piedosos líderes da comunidade, dois deles irmãos chamados Joseph e Benjamin, e um terceiro primo chamado Samuel, compuseram essas preces.
Joseph escreveu a primeira parte, até as palavras “pois és um rei gracioso e misericordioso.” Binyamin continuou até “Não há ninguém gracioso e compassivo como tu.” E o primo Samuel completou, terminando com as palavras “Ouve, ó Israel…”8
Depois que D'us milagrosamente os resgatou de seu dilema, os três decidiram transcrever esta prece e enviaram cópias a muitas comunidades judaicas, conclamando-as a torná-la parte de suas preces regulares às segundas e quintas-feiras.
E assim, conclui o Rokeach, também esperamos e rezamos para que assim como D’us os salvou na hora de necessidade, que Ele similarmente nos livre de todos nossos problemas.

Através da Água e Fogo

Talvez uma versão mais comum da história seja encontrada na obra do século 14 sobre ritual judaico e leis civis, o Kol Bo.9
Um barco lotado de judeus fugindo da destruição romana da Judéia chegou a um pais. Após perguntar sobre a identidade dos passageiros, e ouvindo sua alegação de que eram judeus fugindo da destruição de Jerusalém, o encarregado disse que desejava testá-los, assim como Chananyah, Mishael e Azaryah foram testados por Nabucodonosor. Ele decretou que eles seriam jogados numa fornalha ardente para ver se eles, também, seriam salvos.
Os judeus pediram e foi concedido a eles 30 dias para se prepararem para o teste. Antes dos 30 dias, um judeu piedoso, mas sem estudos, disse que sonhara com um versículo contendo a palavra ki (“quando”) duas vezes e a palavra lo (“não”) três vezes, mas não conseguia se lembrar de qual era.
Um dos sábios deu um passo à frente e declarou que sem dúvida era o versículo em Yeshayahu: “Quando passares pela água, Eu estarei com você, e nos rios, eles não o afogarão; quando você passar pelo fogo, não será queimado, e uma chama não arderá entre vocês.”10
Este, ele declarou, sem dúvida era um sinal do céu de que assim como tinham sido salvos do mar, também seriam salvos do fogo.
Trinta dias depois, uma grande fogueira foi construída, e o homem idoso que tinha tido o sonho foi o primeiro a ser jogado às chamas. O fogo milagrosamente se separou em três fogueiras, com a forma de um justo (Talvez Chananyah, Mishael e Azaryah) aparecendo em cada fogo para saudar o homem idoso. Os três então começaram a recitar a prece Vehu Rachum. O primeiro recitou até o parágrafo que começa com as palavras “Imploramos a Ti, rei gracioso e misericordioso.” O segundo continuou com aquele Parágrafo. O terceiro completou a prece, do parágrafo “Não há ninguém gracioso e compassivo como Tu” até o final da prece, que conclui com as palavras “Ouve, ó Israel…” Foi então estabelecido recitar essas preces toda segunda e quinta-feira, pois são dias de julgamento. Devido à importância dessa prece, é idealmente recitada de pé.11 Os rabinos dizem que aquele que recita esta prece com intenção sincera certamente obterá resposta.12

Uma Prece do Rei Hezekiah

Logo após a prece Vehu Rachum, dizemos uma série de preces começando com as palavras “Eterno, D'us de Israel, deixe sua fúria e renuncie ao pensamento de trazer o mal sobre seu povo.” Embora essa prece seja frequentemente confundida como parte da prece Vehu Rachum, na verdade é muito mais antiga e diz-se que foi composta pelo Rei Hezekiah quando os exércitos sírios, liderados pelo rei Sennacherib, fizeram um cerco a Jerusalém. Como você pode ler aqui, D'us respondeu às preces do rei, e os exércitos assírios foram milagrosamente destruídos, trazendo salvação a Jerusalém e a seus habitantes.13
Assim como D'us lhes concedeu salvação, rezemos para que Ele mais uma vez ouça nossas preces e traga a suprema redenção em nosso tempo.
NOTAS
Tanchuma (Buber,td.) vayera 16; Tur Orach Chaim 134; veja também Rokeach em seu comentário do sidur, cap. 67, onde isso é citado como o motivo pelo qual foi instituído ler a Torá às segundas e quintas-feiras.
Talmud, Shabat 129 b.
Veja o Kol Bo 18 e comentário do Rokeach sobre o sidur, cap. 67. Veja também Aruch Ha shulchan, Orach Chaim 134:1, onde ele explica que a ideia de que esses são dias de julgamento também pode ser vista da ideia de que durante segunda e quinta-feira, o mazal (constelação) de Marte é dominante durante 2 horas em oposição à uma hora de costume. Talvez devido à cor avermelhada, Marte esteja associado com violência e derramamento de sangue.
Rokeach, IBID.
Note que o Rokeach parece combinar ambas as explicações.
Rokeach sobre o Sidur, cap. 67. A tradução aqui é na maior parte tirada de Minha Prece de Rabino Nissan Mindel. Algumas mudanças foram feitas baseadas na fonte original.
Outros dão os nomes Lyons, Arles e Bordeau. Essa discrepância deve-se ao fato de que essa história originalmente foi escrita em hebraico e tem mais de um milênio.
Isso continua como aparece no Rokeach. Nossa versão contemporânea parece seguir aquela do Kol Bo citado abaixo.
Kol Bo,cap. 18.
Yeshayahu 43:2.
Shulchan Aruch,Orach Chaim 134:1.
Rokeach sobre o Sidur, cap. 67.
Rabi Yehuda HaChassid, citado em Matê Moshê 220. Veja aqui como o nome Hezekiah é sugerido pela primeira letra de cada parágrafo. Além disso, diz-se que há 132 palavras, que é o valor numérico de “Hezekiah” mais um dois adicional, correspondendo à segunda hora da noite, quando essa prece foi composta.

Por Yehuda Shurpin
Rabino Yehuda Shurpin responde perguntas no serviço do Chabad.org "Pergunte ao Rabino"

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