Coisas Judaicas : Parasha Shelach
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Parasha Shelach
30/06/16 Posted by Coisas Judaicas



O Rambam escreve 1: “Toda pessoa é adequada para ser justa como Moshê nosso mestre, ou perversa como Yerovam... Não há ninguém que a force, decrete sobre ela ou a conduza a um destes dois caminhos. Ao contrário, é ela, por sua própria iniciativa e pensamento, que tende ao caminho que deseja...”.  

Este princípio é um conceito fundamental e um pilar [sobre o qual se apóia] a Torá e seu(s) mandamento(s), como está escrito2: “Veja! Eu apresento perante vós, hoje, vida [e bondade, morte e maldade]”... isto é, a escolha é vossa.”  

Qualquer um dos atos que um mortal deseja fazer, ele pode fazê-lo, seja bom ou mau... O Criador não força ou decreta que as pessoas devem fazer o bem ou o mal. Ao contrário, tudo é deixado à sua própria escolha. D'us não criou o homem para que este agisse como um robô. Em vez disto, Ele lhe deu o livre arbítrio, o que o distingue de todas as outras formas de vida3. Todas as outras criaturas são regidas pelas leis da natureza. O homem, ao contrário, tem o poder de controlar sua conduta e agir de acordo com sua própria iniciativa.  

Dois Tipos de Escolha  
O exercício do livre arbítrio reside no coração de nosso serviço Divino. Nós temos a opção de realizar a vontade de D'us ou de ignorá-la, D'us nos livre. Nosso desafio é o de “escolher a vida”4, vivendo nossas vidas como Ele deseja que elas sejam conduzidas.

Em particular, dois tipos de escolha positiva são esperados de nós:

a) Obediência às mitsvot da Torá. D'us nos deu um conjunto multifacetado de ações que somos obrigados a praticar, e outras que nós somos proibidos de praticar. Às vezes, praticar as ações exigidas de nós ou respeitar as proibições impostas envolve conflitos interiores, pois fazer ou não fazer uma determinada ação pode ir de encontro às nossas tendências e desejos naturais. Nosso poder de escolha nos permite controlar e negar qualquer obstáculo interior que possa atrapalhar o cumprimento da vontade de D'us.

b) Moldar nosso caráter para que este se conforme à vontade de D'us, mesmo quando não há nenhum mandamento explícito para assim fazê-lo. Explicando: Existe todo um mundo de atividades referidas como reshus, “o que é permitido”. Não nos é dito o que devemos fazer nem o que devemos evitar. Mas isto não significa que não haja um modo de conduta Divino apropriado para estas atividades. A iniciativa, entretanto, é nossa. Devemos nos esforçar para descobrir a vontade de D'us e, então, moldar nosso caráter da forma adequada.  

Estes dois ímpetos estão refletidos na mishná5 “Faça da Sua vontade a tua vontade, para que Ele cumpra a tua vontade como se fosse a Sua vontade. Ponha de lado a tua vontade por causa da Sua vontade, para que Ele ponha de lado a vontade dos outros perante a tua vontade”.  

“Por de lado a tua vontade por causa da Sua vontade” se refere ao desafio de abrirmos mão de nossos próprios desejos para podermos obedecer aos mandamentos de D'us. “Fazer da Sua vontade a tua vontade” se refere ao desafio maior de moldarmos o nosso caráter para que possa reflitir e expressar a vontade Divina, mesmo em situações onde o mandamento de D'us não é explícito.  

Tomando a Iniciativa  
A tarefa de moldarmos o nosso caráter representa uma expressão mais completa de nosso potencial para o livre arbítrio. Quando um mandamento foi dado, mesmo que o homem tenha a opção de obedecê-lo ou não, o fato de que foi D'us quem deu a ordem incita-nos à obediência, pois todo judeu tem um desejo natural de servir a D'us6.  

Além disso, quando a vontade de D'us é explícita, a escolha enfrentada pelo homem é clara. Por outro lado, quando D'us não dá um comando explícito, e o homem tem de elevar e refinar a si mesmo até que aprecie o que é esperado dele, o desafio e a escolha são muito mais abrangentes7.

Uma Nova Fase  
Esta abordagem ao serviço Divino representa a nova dimensão contribuída pela leitura da Torá desta semana. A leitura começa8 Shelach lecha, “Tu podes enviar...”.

Rashi explica que o povo tinha vindo a Moshê com um pedido de que espiões fossem enviados para explorar a Terra de Israel e que Moshê trouxe seu pedido a D'us. D'us respondeu: “É contigo. Eu não estou te ordenando. Se tu desejares, envie”.

Isto representou uma nova fase no relacionamento de nosso povo com D'us. Antes, a Torá tinha relatado os mandamentos que D'us tinha dado a Moshê quanto à conduta do Povo Judeu. Ela também descreveu certas situações, por exemplo, a segunda oportunidade de oferecimento de um sacrifício Pascal9, em resposta a uma pergunta trazida a D'us através de Moshê. Mas, mesmo nestas ocasiões, D'us respondeu com uma ordem explícita. Esta é a primeira ocasião na qual D'us deixa a escolha com Moshê.

Construindo Uma Moradia Para D'us
Esta nova abordagem ao serviço Divino, onde a iniciativa é dada ao homem, está associada com o objetivo da missão dos espiões: a entrada de nosso povo em na Terra Santa. O objetivo da vida em Israel é o da construção de uma moradia para D'us dentro das realidades de nossa experiência cotidiana.

Mais particularmente, esta moradia deve ser estabelecida pela iniciativa do homem. Fosse a moradia estabelecida pela revelação dos céus, ela seria incompleta. O homem, como ele existe dentro de seu próprio contexto, e o poder da criatividade que ele possui, não seria refletido dentro dela. Quando, ao contrário, o homem transforma sua própria vontade e, com base nesta metamorfose interior, transforma o seu ambiente, D'us vem habitar dentro de nossa existência.

Encarando o Fracasso
Já que o foco é sobre a iniciativa do homem, existe a possibilidade de erro 10. O próprio termo “livre arbítrio” implica que nós podemos fazer a escolha errada. De fato, em nossa leitura da Torá, a escolha errada foi realmente feita11. Os espiões retornaram e espalharam pânico entre o Povo Judeu, fazendo-os ter medo de entrar em Eretz Israel.  

Como a narrativa indica12, entretanto, este erro pode ser corrigido através da teshuvá, um sincero retorno a D'us. Também neste contexto, a ênfase é sobre a iniciativa do homem. Pois ateshuvá requer que uma pessoa evoque uma força interior para poder restabelecer a ligação com D'us que tenha sido comprometida através de sua conduta imprópria.  

De fato, através da teshuvá, nós podemos ultrapassar nosso nível anterior de serviço Divino. Como nossos Sábios ensinam13: “Os perfeitos tsadikim (justos) não podem alcançar o nível de umbaal teshuvá”.  

A possibilidade existe para a teshuvá mesmo sem pecado. Como nossos Sábios dizem14: “Mashiach motivará aos justos a voltarem [a D'us] em teshuvá”. Através de tais esforços, a vantagem atingida através do retorno pode ser alcançada sem uma descida anterior. Esta é expressão máxima do poder do homem: começar, por sua própria iniciativa, a cumprir seu objetivo e voltar a D'us com a ligação interior abrangente que é estabelecida através da teshuvá.  

A Missão de Nosso Povo  
Os conceitos acima são aludidos no nome de nossa leitura da Torá, Shelach, que significa “envie”, indicando que todas as pessoas -- e, em um sentido mais amplo, o Povo Judeu como um todo -- são “enviadas”, obrigadas a saírem de seu ambiente natural e encarregadas de uma missão. Esta missão permite tanto ao indivíduo quanto à nação a atingirem um nível mais alto.  

No sentido pessoal, isto se refere à missão de cada alma que é enviada aqui para baixo, vindas de mundos espirituais para serem revestidas em um corpo material. Esta é “a descida em prol de uma subida”15, pois, usando estas entidades materiais para propósitos espirituais, a alma progride para um nível superior àquele de onde começou.

Em um sentido mais amplo, isto se refere à missão do Povo Judeu de transformar nosso mundo em uma moradia adequada para D'us. “Enviada” de continente a continente, nossa nação trabalhou em direção a este objetivo por milhares de anos, acrescentando conteúdo espiritual ao mundo através do respeito da Torá e suas  mitsvot.  

Este objetivo não é mais algo abstrato. Ao contrário, nós estamos no limiar da Redenção, momentos antes da realização desta tarefa através da vinda do Mashiach. E, então, nós mereceremos o cumprimento completo da promessa da leitura de nossa Torá16: “Eu os levarei [lá] e eles conhecerão a terra”. Que isto ocorra brevemente!

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NOTAS
1.
Mishnê Torá, Hilchos Teshuvá 5:2-3.
2.
Devarim 30:15.
3.
Rambam, loc. cit.: 1; ver também Likutei Torá, Vayicrá 38b.
4.
Devarim 30:19.
5.
Avot 2:4.
6.
Rambam, Mishnê Torá, Hilchot Gerushin, conclusão do cap. 2.
7.
A ênfase da livre escolha quando o esforço é necessário para descobrir a vontade de D'us está refletida nas palavras doRambam (Hilchot Teshuvá, loc. cit.). O Rambam fala sobre ser “sábio ou tolo, misericordioso ou cruel, mesquinho ou generoso”, referindo-se aos traços de caráter que devem ser misturados na proporção adequada (ver Mishnê Torá, Hilchot De’os, cap. 1), e não sobre a prática das mitsvot, onde a vontade de D'us está explicada explicitamente.
8.
Bamidbar 13:2.
9.
Ver Bamidbar, cap. 9.
10.
Ver os comentários de Rashi sobre Bamidbar 13:2.
11.
Mais particularmente, pode-se explicar que o erro dos espiões resultou do ímpeto de se estabelecer uma moradia para D'us no mundo material. Como resultado, eles pensaram que sua missão envolvia não somente coletar informações sobre a melhor maneira de entrar em Eretz Yisrael, mas também que os mortais deveriam tomar a decisão quanto a entrar ou não.
12.
Ver o diálogo de Moshê com D'us, Bamidbar, cap. 14.
13.
Berachot 34b, como citado pelo Rambam (Mishnê Torá, Hilchot Teshuvá 7:4). Ver o ensaio intitulado “Teshuvá Return, Not Repentance” (Timeless Patterns in Time, Vol. I, p. 33ff).
14.
Zohar III, p. 153b; ver também Likutei Torá, Shir HaShirim45a.
15.
Cf. Makos 8b.
16.
Bamidbar 14:31

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