Coisas Judaicas : A limpeza do acampamento
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A limpeza do acampamento
17/06/16 Posted by Coisas Judaicas


A limpeza do acampamentoComentário sobre a Parashá de Naso

 Proteção Garantida
Que alívio poder estar em nossas casas com nossas rotinas e nossos bons costumes, resultados de um duro trabalho de preparação e escolhas adequadas ao longo do tempo, adquirindo bastante experiência própria! Ao longo da vida, criamos à nossa volta algumas paredes de proteção para evitar más influências e afastar agentes nocivos. Criamos sistemas que nos avisam quando o perigo se aproxima, permitindo que tenhamos tempo para preparar-nos adequadamente para a luta e obter uma vitória relativamente fácil. Temos algumas proteções garantidas.
Apenas quando viajamos, quando deixamos nossas rotinas, é que precisamos de mais proteção. O primeiro passo para obtê-la, depende de nós mesmos. Devemos estar conscientes do perigo que se esconde na estrada e deixar os olhos bem abertos para reconhecer os riscos e as contingências que podem surgir.

Diferentes Cenários
Cada cenário apresenta seus perigos específicos. Portanto, cada contexto exige, também, a sua preparação específica. Não podemos iniciar uma viagem para o deserto, sem uma boa provisão de água, mesmo sabendo que existem mananciais ao longo do caminho, uma vez que existe a possibilidade que secaram, e assim, não haverá nenhuma outra possibilidade de se abastecer. Não podemos realizar excursões para a selva sem armas ou recursos que nos protejam dos animais, das cobras venenosas, dos insetos nocivos, e nem podemos confiar em encontrar água cristalina que não esteja contaminada ou com potenciais sanguessugas.
Os soldados que saem para alguma espécie de expedição de combate, sabem que devem ter suas armas propriamente limpas e prontas para uso. Devem treinar diariamente para montar e desmontar armas, separar as munições prontas para utilização – cada tipo de munição de acordo com a arma correspondente. Em muitas ocasiões, os soldados não são permitidos a, nem mesmo, removerem suas botas, e não estão autorizados a abandoar suas armas e nenhum momento.
Como vimos, o livro de Bamidbar é o livro do Caminho. O povo de Israel de despede do Monte Sinai, aonde receberam a Torá, em direção a Terra de Israel, a qual o Criador havia prometido a seus patriarcas. Nesta longa viagem eles devem cruzar um deserto com graves perigos à espreita, não somente físicos, como também espirituais.

A Pureza do Acampamento
Portanto, uma das primeiras ordens que recebem é limpar o campo de agentes nocivos.
O acampamento de Israel é dividido em três áreas: o próprio acampamento, a área dos levitas e a área do Tabernáculo. Cada zona possui suas próprias características, mais e menos sensíveis. E assim, a Torá comanda expulsar todos os impuros do campo até que resolvam seus estados de impureza.
Nossos sábios explicam que estas três áreas diferentes possuíam diferentes sensibilidades, como o verso diz, “Ordena aos filhos de Israel que lancem fora do arraial a todo o leproso, e a todo o que padece fluxo, e a todos os imundos por causa de contato com algum morto”.

A Pureza Social
Primeiro, estão os leprosos.
Já vimos que não se trata da lepra presente nos livros de medicina, mas uma espécie de doença psicossomática que aparecia como uma advertência e punição por um comportamento anti-social nefasto, por fofocas e pela difamação de seus pares ou família. Certamente, este comportamento resulta em uma deformação moral da pessoa que se sente acima dos outros e a faz pensar que todos estão abaixo dele. Um orgulho injusto e prejudicial.
Claro que, se nós mesmos não estamos satisfeitos, não poderemos realizar nosso trabalho. Deve haver um pouco de “orgulho” em nós, no nosso papel no mundo. Devemos confiar em nós mesmos e em nossas habilidades, para que possamos superar os problemas que surgem em nossas vidas.
Embora de modo algum possamos menosprezar os outros, a não ser aumentando nosso próprio valor através de nossas boas ações, quando o processo positivo se torna um desprezo pelos outros, a pessoa se torna um grave perigo para a sociedade. E na sociedade sobrenatural do povo de Israel, a mancha de lepra serve para removê-lo da sociedade.
Portanto, estes leprosos deveriam ser expulsos do acampamento até que fossem capazes de resolver o seu mau comportamento e poderem ser reintegrados à sociedade. O processo de reabilitação e purificação funciona como estudamos nas Parashiot de Metsora e Tazria assim como no livro de Levítico.

A Família
Em segundo lugar, existem aqueles que ameaçam a estabilidade da família.
Este é um problema que afeta a camada mais alta da pessoa humana, de modo que os erros que ocorrem nestas questões afetam apenas aqueles que querem entrar na área dos levitas.
O nome desta tribo vem do verbo ‘Liva’, que significa “acompanhar”, como foi dito quando nasceu Levi “desta vez meu marido me acompanhará”, também insinuando que os membros desta tribo “acompanham o Criador” ao serem responsáveis em cuidar e transportar o Tabernáculo. É muito clara também a insinuação de que as relações conjugais são comparadas com as relações íntimas entre o Criador e Seu povo – comparados em muitas ocasiões com o noivo e sua namorada ou o marido com sua mulher.
Deste modo, fica claro que qualquer ameaça à instituição do casamento ou contra os laços que devem conectar o marido com sua esposa, automaticamente impede a entrada deste sujeito na área dos levitas, assim como sua presença impura obstrui a relação íntima da nação com o criador.
No livro de Devarim existe um outro parágrafo, no capítulo 23, que fala da pureza do acampamento, concentrando-se especificamente sobre a impureza sexual. Chama a atenção para o fato de que precisamente nos casos de perigo, “o Senhor ‘anda’ dentro de seu acampamento para salvar-lhe e para entregar seus inimigos em suas mãos, para que, assim, seu acampamento seja santo, para que não veja em você algo negativo e fiqe longe de você.”

A Santidade da Vida
A terceira área é a área consagrada do Tabernáculo. Coisas que não eram tão sérias para impedir a entrada na área dos levitas e no resto do acampamento aqui tornam-se grave. Se trata do contato com a morte.
Qualquer pessoa que tenha sido colocado em contato direto ou indireto com a morte, de acordo com as orientações do Capítulo 19 deste livro de Bamidbar são impedidas de entrar nesta área consagrada.
O Tabernáculo é a fonte de vida para nós, e as almas traumatizadas pela morte não são capazes de explorar adequadamente as virtudes deste lugar e podem, inclusive, contaminar esta fonte com a sua mera presença pessimista. A vida é sagrada em si, e devemos não só salvaguardar esta santidade, mas também aumentá-la, cumprindo os mandamentos da Torá.
Quando entramos em contato com um cadáver humano, a nossa alma imortal passa por um trauma, um pessimismo espiritual que o faz pensar que não poderia exercer sua função de santificar o corpo e elevá-la acima da morte. No livro de Devarim (30: 15-20), aprendemos que o cumprimento dos mandamentos, a devoção ao Criador e o caminho que Ele nos indica, é o que nos dá a vida, e quando nos afastamos destes elementos, a morte vem para cima de nós.
Aqueles que entram em contato com experiência traumatizante da morte, poderiam pensar que a vida é frágil, que a santidade não pode fornecer a imortalidade esperada, e, assim, caíriam em um pessimismo prejudicial.
Antes de mais nada, estes devem purificar seus sentimentos e seus corpos, para então se livrar da má influência da morte, a negatividade, o pessimismo, o “anti-vida”, e só então poderão acessar a fonte da vida.

Fora da Nuvem
Nossos Sábios explicam que aqueles impuros, excluídos do campo de Israel também eram expulsos da proteção especial da Nuvem Divina, que cobria o campo de Israel.
Cabe lembrar que em lembrança a essa nuvem protetora é que comemoramos a festa de Sucot, do “das Cabanas”, que de acordo com uma das opiniões, se tratava precisamente dessa defesa divina sobrenatural que nos acompanhava durante toda a longa viagem através do deserto.
Mas esta proteção é diretamente dependente de nossos esforços diários, e aqueles que perderam a confiança em suas próprias forças, caíam então em uma impureza que parecia excluí-los da salvaguarda especial, delegando-os às forças da natureza, infinitamente inferiores ao sobrenatural.

Obtendo Santidade
Em nossas vidas privadas temos, também, em nossa personalidade, o aspecto social, familiar e da vida, que devemos preservar no seu estado de pureza espiritual e físico. Os meios para realizá-lo são os mandamentos da Torá e aas instruções que nossos Sábios nos passaram durante séculos de experiência e trabalho duro.
Pode-se dizer que estamos continuamente a caminho, constantemente alterando as regras que estavam anteriormente em vigor, enfrentando novos desafios. Com perigos incomuns aqueles que estamos expostos em nossa geração, devemos nos esforçar para ser dignos de muita Santidade, de uma vida verdadeira, tanto em nosso mundo, quanto no próximo. A solução não vem sozinha, devemos nos esforçar para alcançá-la, por adquiri-la e não a perder.
Os instrumentos, os mandamentos da Torá que serviram para nossos antepassados ​​e que discutimos aqui brevemente, servem perfeitamente para nos ajudar neste trabalho hoje em dia. Devemos, somente, entende-las corretamente, de acordo com as orientações de nossos Sábios transmitidas a nós nos Livros Sagrados do Midrash, do Talmud, dos livros de ética judaica. Devemos nos esforçar diariamente para evitar cometer erros na interpretação destas instruções e procurar saber como realizá-las.

Coisas Judaicas

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