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Orgulho de ser IDF
14/05/16 Posted by Coisas Judaicas

Orgulho de ser IDFServiço militar é compulsório e central na vida dos israelenses.


Mal necessário para uns, orgulho nacional para outros, ele marca o ingresso na vida adulta. Quem o evita talvez nunca consiga se integrar na sociedade.

Poucos estrangeiros conhecem o verdadeiro sentido do serviço militar em Israel, compulsório para homens e mulheres desde a fundação do Estado, em 1948. Servir às Forças de Defesa de Israel (FDI) é tão crucial que, mesmo após concluí-lo, os cidadãos são instados a declarar sua patente e a unidade em que serviram, seja em currículos vitae, seja em entrevistas de emprego ou ao se inscrever na universidade.


"Hoje em dia, eu não teria feito", comenta Ariel Nura Cohen, de 30 anos, que cursa mestrado em pesquisa de conflitos em Jerusalém. "Mas, na época, eu simplesmente aceitei o Exército como parte da minha rotina de vida. Em Israel, infelizmente, o Exército é uma experiência bastante básica."

Orgulho de ser IDFOmri Raviv, que atualmente reside em Amsterdã, concorda. "Eu bem considerei tentar não servir", lembra o fotógrafo de 31 anos. "Mas eu sabia, e todo o mundo sabe, que isso é parte da nossa cultura, é a norma. E, naquela idade, eu não queria estar fora da norma. Então fico feliz por ter feito o serviço militar, mas também por ele ter acabado."

Seleção rigorosa

Num país que conta com 176,5 mil militares ativos e 445 mil reservistas, é muito comum ver pelas ruas gente uniformizada, portando armas. Poucos estranharão ao roçar no fuzil M-16 do soldado sentado ao lado, no trem.

É consenso que, aos 18 anos, logo após ter concluído o curso médio, é improvável alguém se dispor a nadar contra a corrente, principalmente sabendo que qualquer objeção ou recusa pode resultar em prisão ou outras sanções.

Ainda assim, muitos consideram as FDI, no pior dos casos, um mal necessário – no melhor, ela é uma fonte de orgulho nacional. Assim, também é grande o número dos que se expõem a rigorosos exames físicos e mentais só para ter a chance de serem admitidos numa unidade prestigiosa.

Passaporte para a vida adulta

Orgulho de ser IDFMas ser soldado também representa um bilhete de ingresso para o mundo adulto. A designer israelense Sophie [nome fictício], que vive em Berlim, conta que, apesar de seu irmão ter abandonado as Forças Armadas em certo ponto, ela nunca questionara que faria o serviço militar.

Entretanto, ao ser mobilizada para um posto de fronteira, "pela primeira vez eu vi os palestinos tentarem diariamente atravessar para Israel". Ela relata que, na época, sentia uma revolta dentro de si contra o que ela e seus colegas faziam, mas hoje acha que sua reação foi tímida demais.

"Se eu estivesse lá hoje, provavelmente expressaria muito mais raiva e resistência pelo modo como os soldados israelenses tratam os palestinos. A pessoa que eu sou hoje não aceitaria o que acontecia naquele tempo."


Por outro lado, a situação está longe de ser "ou preto ou branco": "Nós interceptamos explosivos disfarçados de sanduíche, na fronteira? Claro que sim. Postos fronteiriços são essenciais: é uma condição complicada, ninguém nega isso."

Sentimento de estranhamento para os isentos

Por outro lado, para muitos cidadãos ser recrutado para as Forças de Defesa não foi uma experiência negativa. Eles citam, como principais vantagens, a conquista de maturidade e de senso de responsabilidade, assim como os benefícios materiais futuros.

A obrigatoriedade não é universal: palestinos, árabes israelenses e judeus ortodoxos são isentos do serviço militar. As mulheres religiosas podem optar por cumprir um ano ou dois de serviços comunitários. Porém, quem não serve ao Exército pode estar condenado a um eterno sentimento de não integração.

"Eu ainda era ortodoxo aos 18 anos, e como tal fui isento do serviço militar", conta Ori Padael, professor primário residente no centro de Israel. "Alguma coisa na minha identidade israelense não é completa."

Essa estranheza se expressa de formas múltiplas. "Os amigos à minha volta têm uma gíria diferente, que eu não entendo, eles partilham experiências comuns, e também acho que eles desenvolveram certas características de que eu fui privado. No fim das contas, eu não pertenço inteiramente à minha própria sociedade. E isso não é só triste, é embaraçoso."

Mesmo os que não se alistariam novamente, se fosse o casso, reconhecem as vantagens de ser um soldado numa sociedade em que, pelo menos durante uma fase da vida, todos são soldados. Eles dizem que o serviço é a oportunidade de "devolver algo ao país".

"Claro que ninguém quer ir lutar na guerra quando pode estar se divertindo na faculdade ou viajando pelo mundo", diz M., soldado de combate que perdeu o irmão mais velho na guerra de 2014, em Gaza. "Mas a situação que estamos vivendo hoje não nos permite dissolver o Exército ou recusar coletivamente. Continuamos cercados por inimigos."

Vantagem de criticar de dentro

Em contrapartida, críticos do sistema militar, como Ariel Nura Cohen, afirmam não ser por acaso que as FDI alistam seus soldados quando eles têm apenas 18 anos, recém-saídos do curso médio e após 12 anos de educação religiosa, sionista ou mesmo puramente laica.

"Ninguém quer nadar contra a corrente, e pouca gente entendem as reais consequências de ser um soldado, política e mentalmente ", analisa o futuro especialista em conflitos.

Mas ter servido também lhe deu "a oportunidade de criticar o sistema de dentro". "Pode não valer o sacrifício, mas já que eu tive de ir para o Exército, pelo menos agora posso dizer que conheço minha sociedade melhor, e sou capaz de apontar todas as suas mazelas."

O ex-ortodoxo Ori Padael concorda, pois conhece o outro lado da moeda. "Sinto que não tenho direito de criticar nada. E tenho sempre que explicar para os outros por que tenho aparência laica, mas não servi. As pessoas me olham diferente. Toda vez que vou preencher um formulário indicando a minha experiência militar, fico profundamente envergonhado. É como se aqui não fosse o meu lugar."

Associando defesa à independência de Israel

Quando, às 11h desta quarta-feira (11/05), um som de sirene atravessou Israel, durante dois minutos todos interromperam suas atividades e ficaram parados, onde quer que estivessem. Foi o Dia da Lembrança, em que o país homenageia seus soldados caídos e as vítimas do terrorismo. Ele é considerado o mais triste do calendário israelense, ainda mais emocional do que o Dia Memorial do Holocausto, celebrado uma semana mais tarde.

Para alguns observadores, não é coincidência ele ser celebrado justamente na véspera do Dia da Independência de Israel, reforçando a conexão entre os que morreram defendendo o país e aqueles que vivem nele.

Embora artistas, pacifistas e outros ativistas políticos condenem a ideia, nesse dia os cemitérios militares do país ficam superlotados de amigos e familiares, parte deles vindos dos extremos do mundo só para honrar a memória de seus entes queridos.

Fato é que, nessa data, fica suspenso até mesmo o longo debate nacional sobre o serviço militar compulsório. "Acho que é bom ter um dia para falar sobre o trauma sem relacioná-lo a um conflito político mais amplo. É difícil, mas é possível", comenta o soldado M.. "Pois a moral da história é que toda morte aos 18 anos é uma morte prematura. Dos dois lados."

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