Dirigente considera que boicote a produtos israelenses não tem tido efeito
Campanha do BDS contra Israel não tem efeito
A campanha de boicote a produtos israelenses, conhecida como BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), não tem tido um efeito significativo. 

A afirmação foi feita nesta terça-feira por Dan Katrivas, diretor da União Industrial de Israel, organização que reúne 14 organizações do setor privado do país.

Falando a um grupo de jornalistas brasileiros em Beit Berl, cidade universitária a cerca de 80 quilômetros de Jerusalém, Katrivas avaliou que a BDS é uma campanha mais dos meios de comunicação do que da sociedade. Ele, no entanto, reconhece que ela tem crescido nos últimos anos e diz que a União Industrial está acompanhando os desdobramentos da iniciativa.

Katrivas acredita que os efeitos práticos da campanha não têm sido expressivos pelo fato de a maioria dos produtos feitos em Israel não ser de consumo. "Por exemplo, os chips dos computadores da Intel são feitos aqui. Mas quem vai boicotá-los? E difícil identificar os produtos israelenses."

A campanha começou há dez anos, quando um grupo de ativistas palestinos se inspirou no movimento antiapartheid e convocou uma campanha de boicote mundial contra Israel. Esse seria um método não violento para impulsionar a luta palestina pela independência. Dan Katrivas diz que o movimento não é feito por Estados e sim por organizações, "envolvidas numa luta contra a legitimidade do Estado de Israel".

Alguns artistas como Roger Waters, Elvis Costello e Lauryn Hill cancelaram apresentações em Israel. Houve uma pressão para que Caetano Veloso e Gilberto Gil fizessem o mesmo no ano passado, mas eles não aceitaram. A gigante francesa de telefonia móvel Orange anunciou o fim de uma parceria com a transportadora israelense Partner.

Com relação à postura da União Europeia, de exigir rótulos nos produtos feitos por israelenses em assentamentos na Cisjôrdania, Katrivas disse que ela atinge uma atividade econômica pequena, de cerca de US$ 150 milhões anuais. E lembra que fábricas israelenses naquela região dão emprego a palestinos.

Segundo Katrivas, "a União Europeia quer definir onde estão as fronteiras antes que haja uma solução local".

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