Coisas Judaicas : Palmira na Síria foi fundada por Salomão
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Palmira na Síria foi fundada por Salomão
31/03/16 Posted by Coisas Judaicas


Palmira na Síria foi fundada por Salomão
A Cidade do Deserto
Palmira é uma cidade no meio do grande deserto sírio. Esta cidade foi fundada pelo Rei Shlomo (Salomão), como é mencionado no verso do primeiro livro de Reis (09:18), e repetido em Crônicas 2 (8:4), que descreve as cidades construídas pelo rei.
Muitos acreditam que o nome real da cidade é Tamar, que significa “Palmeira”, e, portanto, assim chamada, também, pelos gregos e romanos. Mas, de acordo com a explicação de Rashi sobre o versículo no livro de Crônicas 2, o nome da cidade era, na verdade, Tamor que significa “mudança” ou “traição”, pois estes trairam o povo de Israel, como comentaremos no decorrer do artigo, e apenas acrescentaram a letra “Daleth” (Tadmor), para não ofender a memória do Rei Shlomo, que a construiu.
Aparentemente, o Rei Shlomo buscou construir uma cidade que serviria como um escudo contra as incursões agressivas dos exércitos da Mesopotâmia, que, desde os tempos antigos rivalizava com o Egito sobre a hegemonia da Terra de Israel, do Líbano e da Síria.
Palmira na Síria foi fundada por Salomão
No versículo do Livro dos Reis, já mencionado, está escrito que a cidade foi construída “no deserto, na terra”, sem especificar qual a terra referente, enquanto que, no versículo paralelo no livro de Crônicas 2, está escrito que se trata de uma das cidades da região de Amat, a atual Hama, no norte da Síria, portanto podemos afirmar que, claramente, se trata da cidade conhecida atualmente como Palmira.

Tadmor e Chanuká
Todo judeu já ouviu falar desta cidade, uma vez que esta está diretamente relacionada com a festa de Chanuká. Assim consta no Talmud, no Tratado de Shabat (21b) “Até quando – é possível acender as velas de Chanucá – Rabi Yochanan diz: até que se terminem as pisadas dos Tadmoritas (na verdade, aparece a palavra Tardomitas, mas se trata de um clássico equívoco de troca de consoantes). Em outras palavras, enquanto ainda houverem tadmoritas na rua, é possível cumprir com a Mitzvá de acender as velas de Chanuká, uma vez que esta Mitzvá deve ser realizada somente quando as pessoas na rua possam vê-la, para, desta maneira, “divulgar o milagre”, e, caso não tenha mais pessoas nas ruas, perdeu-se a oportunidade de cumprir com a Mitzvá esse dia. E o que ensina Rabi Yochanan é que, enquanto haviam tadmoritas nas ruas, ainda podia-se acender as velas, mas caso estes não estivessem mais, não se podia, pois os tadmoritas eram os ficavam nas ruas até mais tarde.
De acordo com o Midrash, alguns escravos não-judeus chegaram à cidade na época do Rei Shlomo, e se estabeleceram lá, casando-se com mulheres judias que, por esta razão, terminaram assimilando-se e perdendo suas identidades judaicas. Estes escravos enriqueceram e conquistaram muitas honras.
Contudo, estes escravos continuavam muito ressentidos com o rei e seus súditos, e, em algum tempo, este ressentimento se transformou em ódio aberto, como mencionado no Midrash (Eichá Rabá 2:4): “Disse o Rabino Yochanan: abençoado aquele que assiste a queda de Tadmor, pois, estes participaram das destruições de ambos os Templos de Jerusalém. O Rabino Yudan diz: na destruição do Primeiro Templo, estes ofereceram oitenta mil arqueiros, e na do Segundo Templo, quarenta mil arqueiros.”
Além disso, o Talmud, no Tratado de Yevamot (16b), menciona que não se pode aceitar neófitos do povo de Tadmor, pois quando estes vieram, junto com o inimigo, para destruir o Primeiro Templo, ao invés de saquear ouro e prata, estes foram direto seqüestrar as mulheres, como o verso de Eichá (Lamentações 5:11) conta: ‘violaram as mulheres em Tsion, as virgens nas cidades de Judá’.
Bendito Aquele que Assiste
Este comportamento dos tadmoritas levou os Sábios a proclamar que, a bênção de Rivka, no versículo de Gênesis (24:60) que diz “‘que sua descendência conquiste os portões daqueles que você odeia” – “se refere aos tadmoritas, pois, abençoado, é aquele que assiste a queda de Tadmor”.
Nesta cidade viviam juntos pessoas de diferentes origens: sírios, gregos, árabes. E, também, judeus. O fato de que aqueles escravos de Shlomo que o odiavam, se casaram com as mulheres judias, assimilado-as e viviam numa cidade que oferecia uma coexistência para pessoas de diversas origens, fez com que a cidade se tornasse um refúgio para todos aqueles que questionavam sua própria identidade judaica. Até o ponto em que nossos sábios proclamaram: “Todos aqueles ds quais não podemos nos casar, saem do inferno e chegam a Tadmor” (Yevamot 17a). E por causa da influência desta, um processo de assimilação começou a se espalhar, também por outras cidades da Babilônia, que estava há mais de mil quilômetros de Tadmor, como Meshán e Harpania.
Em escavações arqueológicas, que aconteceram na cidade, e cujos descobrimentos foram levados para várias cidades da Europa, é possível perceber, claramente, os nomes judaicos aparecendo como os doadores dos templos idólatras da cidade. Arqueólogos chamaram a atenção para a estranha mistura de versos do Sidur judaico com referências idólatras.
Os Romanos
E assim chegamos aos “Cinquenta anos de anarquia”, em Roma (235-285 da Era Comum), cem anos após a grande derrota de Bar Kochba. Os Césares romanos sucedem um ao outro, enquanto que as tribos germânicas se infiltram nos territórios ocidentais.
Ao leste, os persas cresciam e avançavam em sua guerra contra os romanos, tornando-se um novo império assassino. Para os judeus este avanço era de um valor inestimável, uma vez que estes enfraqueceram o poder dos magos da Mesopotâmia e dos ‘Jabares’, os sacerdotes idólatras, que atacavam os judeus. O primeiro rei persa desta dinastia Shabor, é mencionado muitas vezes no Talmud como um grande amigo dos judeus e especialmente do ‘Amora’ Shmuel.
Os judeus esperavam que, como resultado dessas lutas entre os persas e romanos, teriam de volta, a oportunidade de reconstruir o Templo de Jerusalém. Em uma das batalhas, inclusive, os persas sequestram o próprio César Valeriano I. Nada parece impedir que os persas expulsem os romanos da Ásia Menor.
Ben Náser
Mas de repente, surge um terceiro protagonista, que não estava sendo levado em consideração. Papa Ben-Náser, ou Bar Nasor, era o rei dos tadmoritas naquela época (em outros lugares o nome aparece como ‘Odenat’). Este era meio judeu e meio não-judeu, meio rei e meio gângster, de acordo com as descrições talmúdicas. Ele, então, decide se colocar o lado dos romanos perdedores e sai, rapidamente, em uma incursão com seus arqueiros no território da Mesopotâmia, destruindo o famoso centro de estudos judaicos de Nehardea e arrasando cidades e aldeias. Muitas mulheres judias foram levadas em cativeiro e trazidas para a Terra de Israel, onde foram resgatadas pelos judeus locais.
Graças a esta intervenção, o Império Romano escapa de um desastre e volta a ser capaz de se recuperar. Suas legiões na Terra de Israel, então, impôes sobre os habitantes judeus um jugo insuportável. A chegada dos tadmoritas, aliados dos romanos, à Terra de Israel traz ainda mais ruínas e desolação. O Rabino Yochanan, que, neste momento lidera os anciãos da Terra de Israel, proclama: “Bendito é aquele que assiste a queda de Tadmor!”.
Zenobia
Ben Náser foi assassinado logo depois, e sua esposa assume o reinado. O Talmud descreve a enorme riqueza desta mulher, chamada Zinzemay no Talmud, ou Zenobia em outros lugares, e que, aparentemente, foi boa para os judeus, até o ponto que alguns a consideraram judia, ou pelo menos judia assimilada. Ela ganhou a independência de Roma e construiu um império que se estendeu do centro da Turquia até a Líbia e por todo o Curdistão.
Mas, em poucos anos, os romanos a capturaram e esta foi deportada para Roma, e, então, a cidade de Tadmor foi devastada pelos exércitos romanos. Com a conquista muçulmana, Tadmor praticamente desaparece, tornando-se, não mais que uma ruína esplêndida.
Tadmor torna-se, então, o símbolo da confusão, da mistura estranha entre gregos e judeus helenistas, que perderam sua identidade nacional. E é por isso, que Rabi Yochanan nos ensina que devemos esperar com as luzes de Chanuká acesas, que os traços dos tadmoritas desapareça.
Eu escrevo estas linhas enquanto que os terríveis assassinos do Estado Islâmico conquistam novamente as ruínas de Tadmor e ameaçam destruir todos os vestígios de civilizações anteriores, quando, em paralelo, cometem os mais cruéis assassinatos contra seus habitantes e defensores. A maldição do Rabino Yochanan cai, novamente, sobre esta cidade, e possa escutar soar as palavras deste sábio provérbio: “Bendito é aquele que assiste a queda de Tadmor!

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