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O Broquel dos Judeus
04/03/16 Posted by Coisas Judaicas

O Broquel dos Judeus
A Discriminação
Pelo Rabino Nissan Ben Avraham

Com a destruição do Segundo Templo, o povo de Israel início o período do duro o exílio que durou até a independência do Estado de Israel. 
Por estar longe de casa, em uma posição claramente inferior, foram muito frequentemente perseguidos e discriminados. Claramente que nem em todos os lugares e nem em todos os momentos a mesma discriminação ocorreu. Houve épocas mais duras, assim como lugares piores que outros.
Na luta pela discriminação contra os judeus, tanto as diferentes populações quanto as instituições têm inventado ao longo do tempo, diferentes sistemas de alcançar seus objetivos. Veja aqui dois exemplos deles.

Os Bairros Judeus

Um dos métodos mais conhecidos foi obrigar os judeus a viverem em condomínios fechados. Nos países árabes estes “bairros” foram chamados de ‘alchama’ ou ‘melach’, que significa “reunião” e “sal”, respectivamente. O segundo nome é em razão do fato de os árabes terem semeado o terreno com sal antes de entrega-los aos judeus para impedir que estes não possam ter sucesso plantando na terra. Em Castela estes bairros foram chamados de ‘juderías’, ou ‘o local onde judeus vivem’. Nos países catalães eram chamados de ‘call’, a palavra com origem do hebraico ‘cahal’, que significa ‘comunidade’. E, em Veneza, os chamaram de ‘gueto’, palavra Veneziana que significa ‘fundição’, uma vez que o bairro judeu daquela cidade – no século XIV – era localizado perto de um forno siderúrgico.
A verdade é que os próprios judeus estavam interessados em viver juntos, em um local fechado por paredes ou muralhas, com portões na entrada, e isso, não somente por razões de segurança. Viver nestes bairros fechados facilitava a mobilidade no Shabat, o sábado judaico, no qual os sábios proíbem transportar objetos na rua, a não ser que tenha sido estabelecido previamente um acordo entre os vizinhos, chamado “eruv”. A condição para fazer o “eruv” deveria ser que todos os moradores fossem judeus ou que ‘alugassem’ a propriedade daqueles que não são judeus para poder realizar o “eruv”.
Ainda assim, o fato de que o bairro judeu deveria fechar suas portas à noite, ou que não poderia ter janelas abertas para as ruas “normais”, não tinha relação com as leis judaicas, era, simplesmente, resultado de discriminação contra os judeus. Era uma maneira de tê-los “sob controle” e facilitava a possibilidade, explorada muitas vezes, de obter o censo preciso das pessoas para poder, assim, impor vários impostos. Além de tê-los todos reunidos para os casos “eventuais” de um ataque violento.
As crônicas da Idade Média em Castela e Aragão estão cheias de “eventos” nos quais a multidão atacou as ‘alchamas’ judaicas, causando várias vítimas na população. São notórios os ataques russos contra os bairros judeus, denominados ‘pogroms’ – palavra russa que significa “destruição”, “abate” – que ocasionaram em uma grande emigração judaica, principalmente para o Norte e o Sul das américas, e alguns poucos, para a Terra de Israel, no final dos séculos XIX e início do século XX. Estando todos reunidos em algumas poucas ruas, sem dúvida, facilitava a tarefa dos atacantes.
Os nazistas encheram em alguns poucos guetos toda a população judaica da Polônia – assim como o fizeram em outros países ocupados – antes da deportação dos judeus para campos de concentração e, em seguida, para a etapa de extermínio. No Gueto de Varsóvia foram obrigados a conviver quase meio milhões de judeus, no início dos anos 1940.
O Maguen David
O Broquel dos Judeus

Os criminosos nazistas na Europa do Terceiro Reich, obrigaram os judeus a costurar em suas roupas uma estrela de seis pontas amarela com a palavra “judeu”. Em cada país ocupado, em seu próprio idioma: ‘Jude’ na Alemanha, “Juif” em França, “Jood ‘na Holanda, e etc …
Mas, na realidade, não foram estes que inventaram essa sinalização para os judeus. A “Estrela de Davi” ou o “Maguen David” – “Escudo de David”, como é chamado em hebraico – é um distintivo muito mais antigo, que já era parte da bandeira proposta pelos Congressos Sionistas e se tornou a bandeira do moderno estado de Israel.
Outras versões foram anteriormente impostas:
Chapéus e casacos

O Broquel dos JudeusNas terras de Ashkenaz, para os judeus serem reconhecidos mais facilmente, estes eram obrigados a vestir um chapéu especial, em forma de sino, registrado em diferentes gravuras da Idade Média.

Também na Catalunha, os judeus eram obrigados a cobrir suas cabeças com um chapéu em forma de cone, cuja imagem pode ser vista em um retábulo da igreja de Mallorca do século XV, que representa um grupo judaico, vestidos de acordo com o costume naquela época. O retábulo representa o chamado “Paixão de Beirute”, na qual os judeus da cidade foram convertidos ao cristianismo.
Em Perpignan, capital do reino de Mallorca, foi publicado no ano de 1302 um decreto que exigia que os judeus usassem uma ‘Capa Judaica’, que também pode ser visto em alguns gráficos da época.

O Broquel

O Broquel dos Judeus
Finalmente, algumas décadas mais tarde está registrado que se decretava em Mallorca, que os judeus eram obrigados a costurar a roupa um “broquel”, um escudo redondo, também chamado de “Rodella”, metade amarelo e metade vermelho.
Cerca de trinta anos atrás, apareceu em Mallorca uma coleção de livros relacionados com os judeus de Mallorca e seus descendentes que se converteram ao cristianismo, na Editorial Miquel Font, chamado, precisamente de ‘La Rodella’, ajudando, afinal, a ampliar o conhecimento do contexto cultural judaico – a melhor maneira de lidar definitivamente com o preconceito e a complexidade antijudaica.
Infelizmente a discriminação ainda não parou. Nossos inimigos ainda estão à procura de desculpas para continuar perseguindo e segregando, sem serem capazes de aceitar a nossa cultura, nossa religião, nossas idiossincrasias – distintas e separadas. Deve-se parar completamente a era da discriminação, seja ela de qualquer tipo.

Coisas Judaicas

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