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Educação judaica: Opção ou obrigação?
16/02/16 Posted by Coisas Judaicas

Educação judaica: Opção ou obrigação?
Foto :Escola Theodor Herzl em Belo Horizonte
 
Por Sara Rabiski

Essas são palavras famosas. As escolas hoje não serão vistas sem essa declaração em sua política escolar. Porém, isso é eficaz? Descobrimos que políticas escolares menos importantes, com punições menores, muitas vezes são bem sucedidas. Porém, embora o castigo para bullying varie de uma bronca feita pelo diretor até a expulsão, as salas de aula estão sujeitas a todos os tipos de problemas sociais.

Este ensaio vai explicar algumas táticas para lidar com cenas sociais desagradáveis na sala de aula. Primeiramente, a maneira eficaz e estimulante que nós, como educadores, devemos ver em nossos estudantes. Segundo, como erradicar o comportamento negativo. E terceiro, como encorajar o comportamento positivo. Esses conceitos são baseados nos seguintes ensinamentos chassídicos:

1 – O ensinamento do Besht de que todo judeu é uma terra desejada (Hayom Yom, 17 Iyar).
2 – O ensinamento do Tzemach Tzedek (Derech Mitzvosecha) sobre “A Proibição de Odiar um Judeu, e o Mandamento de Amar o Próximo Judeu.”
3 – O ensinamento do Rebe (Likutei Sichot, vol. 27, Emor 1) sobre discurso positivo.

Nossos preciosos diamantes

Está escrito “Pois serás uma terra querida” (Malachi). O Baal Shem Tov declarou sobre este versículo que todo judeu é chamado de “terra querida”. O que há de tão bom sobre a terra? Quando a olhamos, parece baixa e oprimida. Porém, todos os maiores tesouros são encontrados dentro da terra, como diamantes e metais preciosos. Quando são descobertos, não estão lapidados e brilhantes; é preciso muito trabalho para trazer os lindos resultados. Precisam ser extraídos, limpos, polidos e lapidados. As ferramentas são usadas gentilmente e com exatidão, pois o menor arranhão pode desvalorizar ou destruir a gema.

Como educadores, sabemos que todos os nossos alunos são diamantes, tanto aqueles que estão dando o tratamento desagradável, quando aqueles que recebem o tratamento. Portanto, o quanto é eficaz chamar os comportamentos de “bullying”? É uma palavra tão forte e feia, uma que a criança pessoalmente não deveria entender. Ainda não encontrei uma criança que declare: “Sim! Sou um bully!” Mesmo quando são confrontados com o fato de que os comportamentos que estão demonstrando se encaixam no critério de “bullying”, provavelmente vão responder com “Eu não percebi.” Ou “Não quis fazer isso, foi um engano.” Ou então “Não sei do que estão falando. Não fiz isso. Ela começou.” E quem sabe – talvez ela tenha começado? Toda história tem dois lados, não é? O que o professor pode fazer?

O primeiro passo para o professor é dar um passo para a frente, não para trás. Essas duas crianças preciosas são diamantes. Precisam do polimento de uma mão treinada e amorosa. Precisam de orientação, e isso somente pode ocorrer quando o professor é o guia, e provê uma política clara de comportamento aceitável. Quando um professor dá um passo para trás no campo de batalha, isso não ajuda! Claro, às vezes é preciso uma conversa, mas somente com o objetivo de as crianças comunicarem seus sentimentos mútuos. A conversa não é para determinar quem é o “bully” e quem é a “vítima”. Pois somente D'us pode saber isso. Nós, que testemunhamos o comportamento, tal como mexer na mochila escolar de alguém sem permissão, precisamos meramente declarar: “Nossa política de sala de aula não permite que você toque na mochila dela.” E isso funciona! Como? Leia…

Erradicando o comportamento negativo

Deve haver uma política na sala de aula, no início do ano, que detalhe os comportamentos específicos que são permitidos e proibidos igualmente a todas as crianças. Não é uma declaração vaga, como “vamos nos esforçar para sermos bons uns com os outros.”

Por que uma política assim é necessária?

O professor deve partilhar o seguinte com seus alunos. O Tzemach Tzedek, em sua obra Derech Mitzvosecha, explica que o povo judeu é um corpo. Somos todos comparados a membros diversos, porém todos desempenhamos um papel importante. Portanto, é ridículo alegar que fulano e beltrano não são desejados em nossa classe! Rezamos a D'us, e dependemos Dele, para todas as nossas necessidades e desejos. Nos tempos do Templo, a prece era atingida com oferenda de sacrifícios, e os sacrifícios tinham de ser completamente perfeitos. A menor falha ou imperfeição tornaria o animal impróprio para D'us. Quando rezamos a D'us, devemos assegurar que nossa alma também está perfeitamente completa. Isso é feito amando a todo judeu, pois se dissermos – Gostaria que esta menina não estivesse em nossa classe – estamos cortando fora uma parte da nossa própria alma! Minha alma então não estaria habilitada a receber as bênçãos de D'us.

Este ensinamento muda a vida, pois dá uma virada completa na atitude da aluna. Antes, ela pode ter pensado que “esta menina não merece minha palavras gentis. É uma tola. Não sabe o que diz. É chata.” No pior dos cenários, vai sentir “não quero ser boa com ela, mas vou ser, por causa da bondade do meu coração.” No entanto, agora que está ciente do importante fato de que “todos os judeus são membros importantes de um corpo”, e que D'us precisa que fiquemos unidos para derramar Suas bênçãos sobre ela própria, ela vai perceber que é do seu interesse tratar todo ser humano da maneira que gostaria de ser tratada! Ela própria está se beneficiando disso!

E o conhecimento de que todo colega é como um membro do corpo é incrivelmente relevante. Cada um deles é necessário, e portanto, desejado! A constante ênfase, feita pelo educador, na forma de histórias inspiradoras e atividades, e até detalhes feitos pelos pais são poderosos em retratar os comportamentos – e instantaneamente interiorizados pelas crianças) vai aos poucos polir seu hábito negativo de se concentrar nos aborrecimentos e, em vez disso, vai aumentar sua percepção e aceitação dos talentos ocultos de seu amigo e sua capacidade de contribuir.

O Judaísmo é rico em histórias de pessoas que pareciam carecer de qualidades valiosas, e então conseguiram salvar comunidades inteiras. Tal inspiração é dada como um diamante deveria ser tratado, lenta, gentil e continuamente. Pois queremos que nossos diamantes brilhem pela sua essência. Não queremos simplesmente atingir o resultado da calma superficial, onde a criança aprende a ser mais esperta, mais sutil, com seus comportamentos inaceitáveis. Queremos revelar seu âmago lindo e essencial.

E juntamente com essa atitude forte, nossos filhos, sendo as crianças que são, precisam de orientações claras dizendo exatamente o que é permitido e proibido, junto com as consequências adequadas positivas e negativas. Ou seja, esses são os traços e comportamentos que resultam em unidade ou desunião. Seguir essa política resulta em nossa classe ser “um corpo completo”. Essa política é então assinada pela criança, seus pais, os professores, e principalmente, para a criança pode freqüentar essa classe. Então, todos estão a bordo! E quando o professor tem de admoestar gentilmente uma criança, é rápido, calmo e eficaz. Não há menção de bullies. Porque nenhum dos nossos preciosos alunos é bully! Apenas alguns precisam de mais polimento… e não é para isso que estamos aqui?

Concentrando no Positivo

Esclarecemos assim à criança os benefícios de não se comportar de maneira rude com seus amigos. Este é apenas o primeiro passo. Queremos realmente instilar neles o ideal mais elevado de ver o positivo em cada pessoa, pois o resultado é que a negatividade vai desaparecer, como a escuridão desaparece quando confrontada pela luz.

O Tzemach Tzedech continua seu discurso questionando a famosa responsa de Hillel à pergunta de “Ensina-me a Torá inteira de uma vez.” Hillel disse: ‘Não faça aos outros o que não quer que façam a você. Esta é a Torá inteira, o resto é comentário.” A Torá é geralmente muito cuidadosa para dizer as coisas de maneira positiva. Por que essa declaração foi feita no negativo, em vez de no positivo? (“…Faça aos outros…”) Aparentemente, este é um comportamento que não deveria ser feito, que é a “Torá inteira”, que capta completamente a essência da meta.

Nossos Sábios dizem “Uma pessoa não vê falha dentro de si mesma.” Ora, isso não significa que ele não está consciente de suas falhas, pois afinal, enquanto outros vejam com os olhos, ele sabe o que está dentro de sua alma!

Em vez disso, significa que suas falhas não o incomodam, devido ao amor próprio, e portanto, não é suficientemente incomodado para resolver o problema. Porém, quando alguém mostra o assunto para ele, fica furioso, embora saiba que é verdade! Como seu amigo está mostrando seu problema antes oculto, agora é real e tangível. Portanto “o que é odioso para você” – ter seus defeitos revelados – “Não faça ao seu próximo” – não exponha suas faltas e imperfeições. Em vez disso, cubra a ele com o mesmo amor cego com o qual ele se ama, no qual o assunto é oculto e insignificante. Quando todo o povo judeu é tão unido, Hashem é totalmente unificado conosco – e portanto, como concluiu Hillel, “Esta é toda a Torá, o resto é comentário.”

Se, D'us não o permita, quisermos notar e anunciar as falhas de nossos colegas de classe, então D'us poderia também ver nossas falhas, especialmente aquelas da pessoa que está causando a desunião. Porém, quando ignoramos as falhas, então D'us “não vê falhas” – Ele não as nota! Seu grande amor por nós as cobre completamente! Isso traz à vida o comentário de Rebe Anterior “Ahavat Yisrael é precioso para D'us, pois para D'us, todo judeu é um Sefer Torá.” Essas palavras inspiradoras, continuamente revistas, podem apenas deixar uma impressão positiva sobre a classe.

O Rebe, num discurso provocante, feito na semana de Emor (que significa “diga”), sugere uma maneira tangível e concreta de aumentar essa positividade. É prático, e bem simples, introduzir na sala de aula, e preenche a atmosfera com sentimentos positivos.

D'us tem um poder incrível de que as coisas que Ele diz ocorrem automaticamente. Sua fala tem poder criativo! Nós seres humanos podem falar e falar, e mesmo assim até que façamos alguma coisa, nada muda.

Porém, como nós judeus somos inatamente conectados com D'us, há uma área onde nossa fala tem um poder criativo, e isso é especialmente quando estamos falando sobre o nosso próximo.

É explicado que fofoca maldosa fere três pessoas, o fofoqueiro, o ouvinte, e a pessoa sobre quem se fala. Ora, podemos entender por que os dois primeiros são punidos, mas por que a pobre vitima que foi discutida é punida? Não é culpa dela que seus colegas tenham fofocado sobre ela. A explicação é que a fala concretiza o que antes estava oculto. Quando duas meninas estão falando negativamente sobre uma terceira, elas realmente trazem à tona este comportamento negativo na menina, e portanto fica mais fácil para ela pecar, atraindo consequências negativas.

Sabemos que o positivo é muito mais forte que o negativo. Portanto, se falar negativamente traz resultados tão graves, imagine como é incrível o poder de falar positivamente sobre os outros! Quando uma menina elogia outra, está revelando e fortalecendo suas qualidades e características positivas.

Muitos projetos a curto prazo podem encorajar meninas a se olharem com um olho positivo. Podem escrever recados e colocá-los numa caixa de elogios, ou podem recortar palavras e fotos de uma revista e criar um quadro para a amiga. Crianças menores pode até receber incentivos ao fazê-lo, pois como ensina Rambam, um educador deveria recompensar uma criança por bom comportamento quando são pequenas, para que quando crescerem, estarão acostumadas a se comportar daquela maneira. Geralmente não precisamos ir muito longe para encontrar boas coisas para dizer, e quando fazemos isso é bom para as meninas olharem umas às outras com um bom olho, isso acaba se tornando uma segunda natureza!

Conclusão

Os ensinamentos da Chassidut são relevantes em todas as idades e estágios, e têm as respostas a todas as nossas perguntas e problemas, incluindo o tema invasivo do bullying. Isso nos orienta, como educadores, sobre como ver nossos filhos e substituir seus vícios negativos por características positivas.

Que tenhamos sucesso em nossa meta elevada, de criar uma geração de diamantes que serão irmãos e amigos maravilhosos, e cônjuges, pais e contribuintes à nossa comunidade! E quando Mashiach vier, que seja em breve, poderemos apresentar a ele nossos diamantes, e orgulhosamente anunciar: “Veja os filhos que criamos!”

P.S. Para simplificar as questões, esse ensaio foi escrito como uma professora para meninas. Obviamente se aplica a meninos e pais, também.

Coisas Judaicas

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