Amós Oz questiona interpretação clássica de Judas 
Aos 75 anos, e candidato constante ao “Prêmio Nobel de Literatura”, o escritor israelense Amós Oz acaba de lançar “Judas” (Companhia das Letras) - simultaneamente em Israel e no Brasil. Na obra, o protagonista Shmuel Asch é obcecado por Judas. De acordo com o autor, "o personagem questiona se a história de Judas é crível. 

Por que um homem rico venderia o seu mestre por 30 pratas? Se ele vendeu, por que se enforcaria na mesma noite? Por que alguém pagaria Judas para identificar Jesus, se Jesus nunca se escondeu?'". Para Oz, a conclusão é de que “os traidores são os que mais amam, são aqueles que estão à frente do seu tempo. 

Abraham Lincoln foi considerado traidor pelos americanos quando libertou os escravos. Churchill, quando desmembrou o Império Britânico. Charles De Gaulle, quando retirou os franceses da África do Sul. O time de traidores da história é glorioso".

O romance acontece no livro quando o estudante Shmuel Asch se vê em apuros em 1959: sua namorada o deixou, seus pais faliram e ele foi obrigado a abandonar os estudos na universidade e interromper sua pesquisa. Passado o desespero inicial, ele encontra morada e emprego em uma antiga casa de pedra, situada em Jerusalém. Durante algumas horas diárias, sua função é servir de interlocutor para um velho inválido e perspicaz. Na mesma casa, vive uma mulher bonita e sensual chamada Atalia Abravanel, com quase o dobro de sua idade. 

Shmuel é atraído por ela, até que a curiosidade e o desejo transformam-se em uma paixão sem futuro. Ao lado de seus personagens, o autor debate questões sobre o Estado de Israel. "Três pessoas reclusas em uma casa de pedra, durante um inverno maldito, com passados e ideologias distintos, começam a amar umas às outras. Este é o milagre deste livro", explica o escritor.
Coisas Judaicas

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