Coisas Judaicas : A Ciência Grega – Comentários sobre a Festa de Chanuká
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A Ciência Grega – Comentários sobre a Festa de Chanuká
05/12/15 Posted by Coisas Judaicas

A Ciência Grega – Comentários sobre a Festa de Chanuká

Pelo Rabino Nissan Ben Avraham


O Amigo das Culturas

Alexandre, o Grande, visitava a Terra de Israel para encontrar um povo submetido aos persas desde a reconstrução do Segundo Templo, centenas de anos antes. O rei macedônio tinha aprendido a educação grega da boca dos melhores filósofos de seu tempo e não estava satisfeito. Os filósofos lhe ensinaram coisas que a maioria dos gregos não aceitavam como bom.

Entre outras coisas, ele queria aprender mais sobre as culturas asiáticas que o fascinavam. Os gregos acreditavam que possuíam a melhor cultura do mundo, e que não tinham nada a aprender com outros povos, muitos menos os persas e outros grupos asiáticos, que consideravam bárbaros. Alexandre, mesmo que não lhe haviam ensinado, tinha outra opinião, reconhecia que estes povos poderiam ter muito a ensinar. Dizem que, talvez, os rumores que chegaram a ele sobre a sabedoria do Oriente, se tratava da sabedoria dos sábios e profetas do Povo de Israel, que se tornaram famosos na época do Primeiro Templo. Infelizmente, não temos nenhuma evidência sobre esta informação. De qualquer maneira, é certo que ele se dirigiu diretamente ao povo de Israel.

Houve, de fato, um encontro entre Alexandre, que voltava de uma conquista no Egito, com o Sumo Sacerdote Shimon, o Justo? Os historiadores gregos não falam nada a respeito. Mas nosso Midrash sim! E descreve que, quando Alexandre avistou o Sumo Sacerdote, ele desceu de seu cavalo e se prostrou diante de Shimon, dizendo que sua figura o guiava em suas conquistas.

Amigos de Sabedoria

Desta maneira, os judeus receberam os gregos e sua cutura, sem muitos problemas, uma vez que Alexandre parecia respeitar os costumes de todos os povos conquistados e inclusive, se maravilhava com ele. Os gregos, afinal, eram amantes da sabedoria, assim como os judeus. De um lado estava a filosofia, uma invenção grega, como todos sabem e do outro, o judaísmo, que é baseado na sabedoria. No estudo e na sabedoria.

E, a principio, da mesma maneira, o judaísmo utiliza-se da sabedoria, para tentar compreender o mundo em que vivemos.

O Talmud conta que nos dois mil primeiros anos da criação, imperou o caos, aonde as pessoas não pudiam entender como o mundo funcionava. Até que Avraham veio e começou a explicar as regras do mundo.

Parecia, portanto, que a ciência grega poderia facilmente coexistir com a sabedoria judaica.

Sabedoria Aplicada

Até que descobriram que os gregos possuíam um problema sério com o sistema judaico de interpretar as coisas. Os gregos estavam interessados em processos físicos, em buscar entender o por quê das coisas. Sua ciência, portanto, se localizava exterior ao homem. Quer dizer, não se relacionava com a pessoa em si, e não tinha a intenção de fazê-la mudar. Era mais uma coleção de conhecimentos de um mundo externo, que não penetra dentro da pessoa e, portanto, não buscava a mudança individual.

Enquanto que o judaísmo busca exatamente o oposto. O mundo traz uma mensagem para o homem. O homem precisa ser aperfeiçoado, e precisa desenvolver constantemente sua posição no mundo em que vive. Podendo-se assim dizer que se trata de um processo recíproco, aonde enquanto o homem aperfeiçoa o mundo, ele também aperfeiçoa a si mesmo.

Não Somos Turistas

É claro que não se trata de um processo aleatório, como aprendemos de nossos sábios, que ensinam que, na verdade, este é todo o objetivo da humanidade, e esta é a sua missão. O homem não é um turista no mundo, que olha curioso ao que acontece a sua volta, sem nem sequer se sentir parte dela, embora esteja profundamente envolvido.

Existe um sistema, do qual os gregos não se interessavam, chamado de “sistema moral”. Da mesma maneira que existe uma interação física que gera resultados, existe também uma interação moral. Quando nossos atos seguem uma consciência ética, impactamos positivamente o mundo ao nosso redor, abrindo um canal muito profundo entre nós e o Criador do mundo, numa proporção incomum. Assim, também é o contrário. Quando vamos contra as regras morais, dificultamos a interação entre o divino e o mundano, criando interferências neste canal.

Os gregos não queriam nem ouvir sobre essa doutrina, que aos seus olhos, parecia limitar a capacidade humana, “roubando do homem, a sua liberdade”. E os gregos davam uma enorme importância para a liberdade. Contudo, estes não compreendiam, que os judeus também davam uma enorme importância para a liberdade, para a verdadeira liberdade.

O Significado da Liberdade

Os gregos não conseguiam entender que “liberdade” não é fazer aquilo que você quer na hora que quer, mas sim, fazer uso corretamente dos materiais que você dispõe, abrindo assim extraordinárias possibilidades que permitem que a sua criatividade seja realmente produtiva. Não somente a liberdade de poder escolher entre fazer a coisa certa e a errada. Se trata de libertar os canais divinos, que estão interferidos pela nossa teimosia de ir contra os padrões morais.

Neste ponto, nossos sábios dizem, que começou a guerra entre os gregos e os judeus: primeiro no nível ideológico e mais tarde a nível militar. Os gregos não podiam suportar um D’us invisível que cobra exigências morais das pessoas. Proibiram precisamente os mandamentos que interferiam com seus parâmetros físicos: a circuncisão (contra o corpo), a consagração do tempo – quando se calculava o começo dos meses lunares (e não de acordo com seus meses e o Shabat, (um dia de descanso físico para conectar-se com o transcendental).

Embora a guerra tenha seguido por alguns anos, mesmo após a reInauguração do Templo (após os gregos o terem profanado com seus ídolos helenistas), celebramos a santidade que foi restaurada de acordo com os parâmetros judaicos e a nova liberdade de ação de acordo com a Sagrada Torá, que foi novamente permitida. A celebração desta inauguração é chamada de Chanuká!

Inauguração e Educação

A palavra, “Inauguração” (Chanuká) está ligada, de acordo com a raiz de seu nome hebraico, a palavra “Educação” (Chinuch). A educação significa revelar o bom que já temos dentro de nós, e aprender a usá-lo corretamente. “Inauguração” significa, portanto, inaugurar e descobrir a função de cada objeto, de cada instituição, e fazer o melhor uso disso.

Isso tudo aconteceu há mais de dois mil anos, mas a teoria da educação no mundo está cada vez mais próxima da visão que o judaísmo, mantêm, já há três mil anos. O mundo percebeu, também, o quanto o uso incorreto de matérias-primas, que vai em contra as orientações ecológicas, pode ser desastroso.

Falta ainda compreender que o princípio da moralidade é o mais importante de todos, ao se pensar nas ações humanas. A importância da nossa intenção ao fazermos as coisas e não somente ‘como a fazemos’, tecnicamente.

Coisas Judaicas

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