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Comunicando-se através do sonho
24/07/15 Posted by Coisas Judaicas

Comunicando-se através do sonhoPelo Rabino Nissan Ben Avraham

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Devemos prestar atenção aos sonhos?

O Talmud (no tratado de Nedarim, “votos”) debate sobre um tema de muito interesse para muitas pessoas: qual a força de nossos sonhos?

A pergunta é: o que acontece se uma pessoa é excomunhada em um sonho?

A excomunhão é uma punição muito forte, aplicada, antigamente, nas pessoas que falavam mal da Torá, dos profetas ou dos sábios.Na prática, a pessoa excomungada não era contada para o minian (quorum de 10 judeus homens) necessário para poder realizar os serviços na sinagoga; não podiam aproximar-se, dois metros da sinagoga; e, finalmente, eram excluídos da comunidade que viviam. A excomunhão terminava quando o excomungado pedia perdão (para o líder ou tribunal que o havia excomungado) e seu comportamento era corrigido. Nem sempre foi feito o uso correto desta punição e nem sempre esteve claro as circunstâncias que poderiam levar uma pessoa a ser excomungada, mas não nos prolongaremos com esta questão.

O que vemos é que, caso um Sábio, ou qualquer outra pessoa, excomungue a alguém, somente esta pessoa, ou alguém mais sábio que esta, poderia cancelar a punição. O Talmud diz (na página 8a de Nedarim) que no caso de alguém ter sido excomungado num sonho, a excomunhão também tinha valor e era necessário cancelá-lo frente à dez pessoas. Isso nos ensina como o sonho é valioso e devemos prestar atenção neles.

Contudo, em uma outra citação do Talmud, (desta vez no tratado de Sinédrio, página 30a) aprendemos que certa vez faleceu uma pessoa, e seu filho sabia que o pai tinha dinheiro escondido em algum lugar, mas não sabia aonde. O pai então apareceu ao filho em um sonho e lhe disse aonde o dinheiro estava escondido, mas, o advertiu que não poderia usá-lo, pois eram do dízimo, que deveria ser entregue aos sacerdotes. Entretanto, o Talmud conclui que uma pessoa poderia usar este dinheiro livremente, sem se preocupar com a proibição de ter proveito deste dízimo, uma vez que os sonhos não significam nada. E isso, é claro, contradiz aquilo que haviamos visto.

A ferida de contradição

O rabino de Mallorca, Rabi Shimon ben Céma Duran (Responsa, parte 2, 128) diz que “a cura para a ferida que é esta contradição, está, entre outros lugares, no tratado de Brachot”. Na página 55b de Brachot o tratado diz que “há sonhos que provêm de um anjo, e outros que provêm de um demônio”, baseado em dois versos contraditórias: um que diz: “Eu falarei com ele em um sonho” (Bamidbar 12:6) e outro que diz “contam sonhos falsos” (Zechariá 10:2). Isto significa que existem aqueles sonhos que possuem um nivel, quase profético (veja Brachot 57) e devemos considerá-los, enquanto que existem outros que são resultados de todas as visões fúteis produzidas pelo nosso “humor”, ou seja, as impressões que têmos de experiências humanas ou imaginações que foram, então, traduzidas em sonhos. É o significado das palavras do profeta Yermiáhu (23:28), que diz: “O profeta que tem um sonho, conte o sonho, e o que tem a minha palavra, fale a minha palavra com fidelidade. Pois o que tem a palha com o trigo?, pergunta o Senhor”. Portanto, uma vez que não podemos saber a origem de cada sonho, foi necessário decidir como aplicá-lo na vida pática, sendo que, em alguns casos, o consideramos, mas em outros casos, tais como aquilo que envolve dininheiro e relações comerciais, os sonhos não foram considerados como prova tangível suficiente.

E é deste modo que, no caso de excomungado consideramos o sonho, suficientemente real, enquanto que no caso do dinheiro do dízimo, o sonho é ignorado, não sendo necessário retirar o dinheiro dos herdeiros para dar aos sacerdotes.

Sonhos falsos

No entanto, um outro sábio, Rabi Shmuel Segal Landau de Praga, escreveu (no livro Shivat Tzion, 52) no final do século XVIII que, todos os sonhos são falsos, e não devemos levá-los em consideração, a menos que sejam “instruções ou notificações do Céu”. Portanto, não devemos ignorar os sonhos, embora suas ‘proibições’ não devem ser levadas a séria pois “todos os sonhos são falsos”.

Na verdade, dizem os sábios (Rabino YomTov ben Avraham, de Sevilla, sobre Ta’anit 12b) que, embora geralmente não devemos levar a sério os sonhos, por vezes este nos assusta quando se refere a nós mesmos, e portanto, provavelmente, é um aviso divino para que possamos corrigir nosso comportamento.

Enfim, parece que sua opinião é a de que os sonhos podem ser, somente, avisos do Criador para que possamos corrigir nossos atos, mas, estes, não implicam em qualquer obrigação formal, somente uma orientação para a pessoa poder realizar um “exame de consciência” e avaliar quais comportamento deveria mudar, de acordo com o sonho. Por exemplo, no caso daquele que sonha que é excomungado, este não teria uma obrigação de se comportar como um excomungado, somente o faria, se pensasse que esta seria a maneira de consertar seus erros.

No entanto, de acordo com a primeira opinião que vimos. parece que neste mesmo caso, a pessoa seria formalmente obrigado a ser excomungado.

A história de Israel é cheia de sonhos verdadeiro: o episódio de José e o Faraó no Egito, com o copeiro e o padeiro e o sonho de Nabucodonosor e o profeta Daniel, com o livro que mostrava os responsáveis que mereciam uma advertência divina. A mesma Torá nos relata que a maioria das profecias de nossos Patriarcas e Profetas, aconteciam através de um sonho, exceto as profecias de Moshe, que aconteciam qual ele estava acordado e consciente (ver Números 12:6-7). É claro, portanto, que os sonhos podem ser muito valiosos. A questão é se somos dignos de receber um sonho deste nível.

Visitas nos sonhos

Para ilustrar, contarei uma anedota que aconteceu há alguns anos atrás. Dois amigos judeus que haviam chegado da antiga União Soviética para os Estados Unidos, discutiam sobre a vida após a morte. Um deles era um agnóstico que defendia que não havia vida após a morte, enquanto o outro, um judeu religioso, estava convencido de que havia castigo e recompensa. Em um certo ponto eles fizeram um “acordo” no qual ambos prometiam que o primeiro que morresse ia visitar o outro em um sonho para contar-lhe o que havia depois da vida.

O primeiro a morrer foi o judeu agnóstico enquanto que seu amigo havia se mudado para Israel. Na manhã seguinte, este judeu em Israel recebe um telefonema de um primo que vivia nos Estados Unidos (e que não sabia nada sobre o “acordo” entre eles) disse que seu amigo havia aparecido em seu sonho para dizer-lhe que, de fato, existe vida após a morte. E, seu castigo era tão grave que não havia recebido permissão para, nem mesmo, visitar seu amigo em um sonho na Terra Santa, e, portanto, não teve escolha a não ser aparecer para o primo que vivia nos Estados Unidos, para que orientasse seu amigo a continuar a praticar os mandamentos da Torá, como tinha feito até então.

O melhor amigo da minha mulher nos contou que, quando sua mãe morreu, relativamente jovem, ele e os irmãos se perguntavam o por quê desta desgraça, desta morte súbita. Na manhã seguinte, ele contou ao irmão mais velho quea mãe tinha aparecido em seu sonho a lhe disse que deveria ter morrido 15 anos antes, mas graças a suas ações de caridade, ela mereceu viver mais todos esses anos. Os irmãos então se lembraram que, 15 anos antes, quando o irmão mais novo nasceu, a mãe sofreu um risco de morte e, milagrosamente havia se salvado, e com isso, encontraram consolo na mensagem da mãe.

Não é qualquer um que pode decidir se um sonho é verdadeiro. Muitas vezes, é simplesmente o resultado de preocupações que tem durante o dia, e, não passa de uma obsessão que não lhe abandona nem de dia, e nem de noite.

No momento, devemos seguir as instruções explícitas da Torá, sem suspeitar de sua veracidade. É necessário passar por muitos estágios antes de atingir o nível destes “sonho divinos”. Em qualquer caso, caso seja um pesadelo, a coisa mais prática que podemos fazer é rever todo o nosso comportamento e corrigir tudo o que pudermos, e assim, poderemos estar confiantes de haver cumprido o nosso dever, tranquilizando nosso espírito.

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