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A reencarnação da alma
08/07/15 Posted by Coisas Judaicas

A reencarnação da alma

A alma Divina entra em guerra contra a alma natural porque busca seu prêmio máximo: o progresso em direção a D’us. Mas é uma batalha difícil. Não seria mais fácil não lutar e ceder às demandas da alma natural? Não; porque ao contrário da alma natural, a alma Divina não pode ser redirecionada. 

Ela pode ser acorrentada, algemada, mas não silenciada. Quando fazemos algo errado e sofremos ou nos sentimos envergonhados, é a alma Divina que chora e grita dentro de nós. Algumas pessoas, no entanto, ignoram a alma Divina que nelas reside. Vivem como os antigos romanos – os descendentes de Esav: acreditam que devemos “comer e beber e viver felizes, pois amanhã morreremos”. 

Tais pessoas não se comportam como agentes de D’us no mundo, mas como turistas em uma viagem de prazer, que não estão aqui para dar, mas para receber. O problema desta mentalidade e deste modo de vida é que suas almas serão forçadas a retornar ao mundo para reparar os erros cometidos. Somos enviados a este mundo por D’us para desempenhar uma missão. Se a missão não for terminada, a alma terá que voltar ao mundo, em um corpo diferente, até ter cumprido sua missão.

Talvez muitas pessoas não estejam familiarizadas com o fato de que a reencarnação seja um princípio fundamental do judaísmo. 

A reencarnação significa que a maioria das pessoas que morrem renascem inteiramente, ou quase inteiramente, como a mesma pessoa, apenas em outro corpo. O processo da reencarnação pode ocorrer mais de uma vez. Como a maioria das pessoas não completam sua missão em uma só vida devido a muitos erros e confundem o que é importante com o que não o é – eles são enviados de volta a este mundo. É como um estudante que precisa repetir uma matéria, ou até o ano inteiro, até que ele entenda o que é preciso entender para que possa ter sucesso e passar de ano nas provas que precisa fazer. 

Quando somos crianças, D’us nos trata como crianças. Mas quando nos tornamos adultos, D’us espera que façamos algo de bom com nossa vida. Não podemos viver existências sem propósito, nas quais a alma natural é constantemente alimentada  e a alma Divina é negligenciada. Com certeza, a luta diária dentro de cada pessoa é sempre difícil, dolorosa, pois sempre envolve a frustração de não ceder a todos os desejos de sua alma natural. Mas tudo o que tem valor deve ser trabalhado – e quanto mais valor tem, mais esforço requer. 

Como ensina o Talmud, nada de bom dura a não ser que tenha sido adquirido mediante muito esforço. Nisso se inclui, é claro, o Mundo Vindouro, que é a recompensa eterna da alma. Pois está escrito que “Uma hora de felicidade no Mundo Vindouro é melhor do que toda a vida neste mundo”6. De fato, não há meio de comparação entre os prazeres deste mundo – não importa quão intensos ou doces possam ser – com os prazeres do Mundo Vindouro.

Não se trata meramente de uma diferença de intensidade; simplesmente não há denominador comum, e, portanto, não podemos entendê-lo nem descrevê-lo. Só podemos dizer que as alegrias do Mundo Vindouro são tão superiores a qualquer prazer deste mundo que valem uma vida de sacrifício para obtê-las.

Bibliografia

Rabi Shneur Zalman de Liadi, Likutei Amarim (Tanya) 
Rabi Menachem Mendel Schneerson, Likutei Sichot 
Arthur Kurzweil, Pebbles of Wisdom from Rabbi Adin Steinsaltz, Ed. Jossey-Bass
Rabbi Adin (Even Israel) Steinsaltz, Opening the Tanya, Ed. Jossey-Bass
Referências
1          O tema das duas almas é discutido na obra cabalística, Etz Chayim (Árvore da Vida), escrita pelo Rabi Chayim Vital. Para compô-la, ele se baseou nos ensinamentos do Rabi Yitzhak Luria, o Arizal, o maior cabalista de todos os tempos. Esse tema é também explorado no livro Tanya do Rabi Shneur Zalman de Liadi, o Alter Rebe.
2          Bereshit (Gênese) – Parashat Toledot
3          Pirkei Avot 2:4
4          Talmud Bavli, Sucá, 52a
5          Provérbios, 24:16
6          Pirkei Avot, 4: 17

Coisas Judaicas

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