Coisas Judaicas : O Tanya
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O Tanya
10/06/15 Posted by Coisas Judaicas

O Tanya - parte 15

                             
Meditação e as Emoções

Em suas "Leis dos Fundamentos da Torá", o Rambam explica que a maneira de chegar ao amor e reverência a D’us é através da meditação sobre as maravilhosas obras da criação. 

No capítulo três do Tanya somos apresentados a um nível ainda mais profundo de meditação baseada na Cabalá: 

A pessoa contempla como D’us preenche todos os mundos, como Ele envolve todos os mundos, e como em Sua presença tudo é considerado como um nada. Estes conceitos explicam como o Eterno, Bendito seja, anima toda a criação com luz Divina imanente e força de vida, e como Ele ilumina os mundos com uma luz Divina que transcende todos os mundos, e como todos os mundos são como nada em relação à Sua bendita essência.

Quando uma pessoa contempla profundamente estes assuntos, reações emocionais serão despertadas dentro dela. Estas emoções derivam da santidade. Exatamente quais emoções serão despertadas, seja aquelas da categoria do amor, ou aquelas da categoria do temor, depende do assunto que ele contempla, sua direção geral e seus detalhes.

Emoções são "Filhos"

O ponto básico de Chochmá (sabedoria) e seu desenvolvimento dentro de Biná (entendimento) pode ser comparado ao relacionamento de pais que dão nascimento aos filhos. Os ensinamentos da Chabad Chassidut estão repletos de analogias comparando o nascimento das emoções ao nascimento de filhos. Na Cabalá, um filho é uma metáfora para o amor de D’us, e uma filha uma metáfora para o temor a D’us.

Dessa maneira, assim como distinguimos dois estados de ser no que tange a um filho – quando está no útero antes de nascer, e como ele é depois do nascimento – exatamente da mesma maneira podemos distinguir dois estados de emoções – qualidades emocionais ocultas dentro da mente e raciocínio de um homem, antes de ser revelado em seu coração, e como elas são num estado de verdadeira revelação em seu coração.

Para tornar esta idéia mais palpável, usemos um exemplo para ilustrar. Reverência e temor parecem ser emoções equivalentes. No entanto, há uma diferença sutil entre elas: reverência é uma reação intelectual manifestada no cérebro, ao passo que temor é uma reação emocional manifestada no coração. Assim, quando Rabi Shneur Zalman descreve a revelação destas duas qualidades, ele primeiro discute a reverência de Sua Divina majestade despertada na mente da pessoa ("ficar reverente e humilde perante Sua bendita grandeza, que não tem fim ou limite"). Somente depois ele discute a idéia de "temor nascido em seu coração."

Uma filha nascida primeiro

Uma máxima de Nossos Sábios afirma: "Uma filha nascida primeiro é a precursora de um filho." No serviço do homem a D’us, esta é também a ordem adequada – é necessário primeiro despertar reverência e temor a D’us (uma filha em nossa analogia) pois isso será o precursor da capacidade de um homem de conter o amor a D’us em seu coração (um filho em nossa analogia). 

O Tanya assim se expressa a esse respeito: Primeiro "reverência pela Divina Majestade nascerá e será despertada na mente e raciocínio da pessoa… e o temor a D’us em seu coração" e somente depois "seu coração brilhará com um amor intenso [a D’us] como chamas ardentes, com paixão desejo e saudade, e uma alma ansiosa pela grandeza do Infinito, Bendito seja.

Mas por que deveria ser assim? Por que esta é considerada a ordem correta? Para entendermos este ponto, examinemos o que, na essência, implica o amor a D’us, e o que acontece com uma pessoa quando começa a amar seu Criador. Como resultado de seu apego ao Criador, a pessoa se transforma em alguém que jamais conhecemos antes. Ele abandona seus desejos pelas coisas deste mundo às quais estava previamente ligado, pois o amor a D’us e os desejos mundanos se opõem um ao outro como água e fogo.

Porém, para se tornar uma pessoa diferente, para ser transformada pelo amor de D’us, este amor deve ser precedido pelo temor a D’us. Este é um princípio no pensamento chassídico: a metamorfose de um estado de ser a outro acarreta um estado intermediário de não-ser. Por analogia: uma semente plantada na terra deve decompor-se e perder sua forma original para então se desenvolver em uma árvore. E enquanto ela retiver sua forma e propriedades originais, não pode ser transformada em algo novo. A mesma regra aplica-se ao crescimento espiritual: a reverência a D’us, que leva a pessoa a um estado de auto-anulação e submissão, causa a cessação de sua existência prévia, e o amor a D’us que se segue o transforma inteiramente em outra pessoa.

Coisas Judaicas

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