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A origem do dia dos namorados
02/06/15 Posted by Coisas Judaicas

  A origem do dia dos namorados 


A Origem do Dia dos Namorados e de Valentine's Day

© JANE BICHMACHER DE GLASMAN*

Desde tempos bíblicos, o dia 15 de Av (Tu beAv) tem sido celebrado como o Feriado do Amor e do Afeto.
Da mesma forma que em Tishá be Av tantos fatos trágicos aconteceram aos judeus, em Tu beAv foram vários fatos positivos, ao longo da história, marcando o fim de negativos que vinham ocorrendo conosco, como povo.

Alguns Exemplos:

O fim das mortes da geração do êxodo

Após o caso dos espiões, quando o povo não quis entrar em Canaã, sua geração foi condenada a uma jornada de 40 anos no deserto, até que todos falecessem e uma nova entraria na Terra. Segundo a agadá, isto ocorreu em Tishá beAv e as mortes ocorriam neste dia; as pessoas cavavam covas para si e dormiam dentro delas; todo ano morriam 15.000. No último ano no deserto, todos acordaram vivos. A princípio, pensaram que haviam errado a contagem de dias e continuaram a dormir nas covas nas noites seguintes até que no dia 15 viram a lua cheia e tiveram certeza que Tishá beAv havia passado sem ninguém morrer.

O enterro dos mortos de Betar

 O imperador romano Adriano após o genocídio em Betar deixou os corpos dos judeus abandonados, jogados em um vinhedo. Após um tempo, um novo rei permitiu que fossem finalmente enterrados. Todo o povo uniu-se para cuidar do enterro, que ocorreu em Tu beAv. Nossos Sábios acrescentaram a bênção Hatov Vehametiv -o "Bom que faz o bem", no Bircat Hamazon, explicando :"O Bom"-pois os corpos não apodreceram enquanto não haviam sido enterrados e "que faz o bem"-pois fez com que acabassem sendo enterrados.

O dia em que terminavam de trazer lenha ao Templo

Este também era o dia da oferenda de madeira quando as pessoas traziam gravetos de madeira para o altar do Templo (Nehemias,10:35). O festival foi instituído pelos Fariseus celebrando a sua vitória sobre os Saduceus neste dia.
 Após a reconstrução do Segundo Templo, no tempo de Ezra e Nehemia, era grande a dificuldade de encontrar árvores para utilizar a madeira na queima dos sacrifícios no altar, pois a terra encontrava-se devastada. Quando alguém doava lenha ao Templo, era muito festejado, pois sem lenha o ofício do Templo teria que ser cancelado. Inimigos impediam pessoas de chegar com lenha a Jerusalém. O último dia de corte para o Templo era 15 de Av. Depois, o calor já não era tão intenso e as madeiras que não estavam secas corriam o risco de serem infestadas por insetos, invalidando sua utilização no altar. Por isso, o último dia de verão era festejado com grande alegria.

O Talmud dá uma razão adicional e curiosa para a importância deste dia: daí em diante nenhuma madeira mais foi cortada para o Templo porque o sol não era mais bastante forte para secá-la (Bavli:Taanit,30b-31a; Tratado 121a-b; Ierushalmi:Taanit 4:11,69c). Teria havido uma mudança de clima súbita e drástica? Se o sol não fosse mais forte bastante para secar madeira, uma forte névoa teria se formado, bloqueando os raios do sol? A terra teria esfriado, pelo menos na região? Talvez nunca saibamos a resposta desta intrigante questão.

Amor fraterno

Há outras razões para a causa e o valor do Feriado do Amor.

O rei de Israel Ierovam ben Nevat, havia retirado o trono de Jerusalém e colocado dois bezerros de ouro, em Dan e Bet El, para o povo idolatrar. Mas muitos continuaram indo a Jerusalém. Para impedi-los, Ierovam espalhou várias barreiras e guardas nos caminhos.
  A origem do dia dos namorados 
Num Tu beAv também, o último rei de Israel, Hoshea ben Elá, removeu as chancelas que Ierovam instalou e declarou: "Quem quiser peregrinar a Jerusalém, pode ir".
Neste dia foi permitido às tribos casarem-se pela primeira vez entre si (Números, 36:8ss). Havia dois tipos de casamento proibidos: entre tribos e entre qualquer uma e a de Benjamin.

A primeira proibição foi transmitida por Moisés, para garantir os direitos sobre a terra de cada tribo. Se uma filha tivesse herdado um terreno de seu pai, ao casar-se com um homem de outra tribo, o terreno passaria a pertencer também ao marido, prejudicando a tribo dela. Quanto à tribo de Benjamin, após o episódio da Pileguesh Baguiva, o povo fez a promessa: "Nenhum de nós dará sua filha a Benjamin por esposa".

Anos depois, os sábios analisaram as proibições e concluíram que os casamentos eram proibidos apenas por um período. Os primeiros quatorze anos após a entrada em Canaã foram dedicados à conquista e distribuição de terras. Casamentos entre tribos eram proibidos durante estes anos, devido à ausência de demarcação da terra que seria destinada a cada tribo, que impossibilitava transferências; depois, tornou-se viável. A promessa de não casar-se com a tribo de Benjamin era apenas para aquela geração, pois disseram "Nenhum de nós" - não "Nenhum de nosso filhos". Os Benjaminitas foram readmitidos na comunidade (Juízes,21:18 ss). As permissões foram dadas em Tu Beav, dia de alegria e união do povo.

Deduzimos que o Feriado do Amor também era um Feriado de Amor Fraterno.

Em Israel, tornou-se o feriado das flores, porque nele é costume dar flores de presente a quem se ama. O Feriado do Amor era conhecido na época do Segundo Templo. O Talmud diz que as "filhas de Jerusalém vestiam-se de roupas brancas e iam dançar nos vinhedos, cantando" em 15 de Av e "quem não tivesse uma esposa podia ir até lá" para encontrar uma noiva. (Taanit, 4:8, Talmud Bavli).

Em tempos bíblicos, o Feriado do Amor era celebrado com tochas e fogueiras. Hoje em dia, em Israel, é costume enviar flores a quem se ama ou para os parentes mais íntimos. A significação e a importância do feriado aumentaram em anos recentes. Canções românticas são tocadas no rádio e festas 'Feriado do Amor' são celebrados à noite, em todo o país.
Não há halakhot, preceitos para esta data, exceto a orientação que, a partir de 15 de Av, devemos aumentar o estudo de Torá, pois nesta época do ano as noites começam a alongar-se e "a noite foi criada para o estudo."  Uma ótima noite para vocês!

O amor no judaísmo é essencial. Rabi Haim Vital, cabalista, comparou por guemátria amor em hebraico, ahavá, (valor numérico 13) com o Nome de Deus (26), concluindo que, quando duas pessoas se amam, a combinação de seu amor (13+13) intensifica a presença divina entre eles (Deus=26=13+13). Portanto, procure o amor e ame intensamente! Cônjuges, namorados, amigos, pais, família... Quando duas pessoas compartilham suas existências, com troca e harmonia, Deus se faz presente!

Publicado em Visão Judaica, agosto de 2005.
*Doutora em Língua Hebraica, Literaturas e Cultura Judaica- USP, Fundadora e ex-Diretora do Programa de Estudos Judaicos–UERJ, Professora Coordenadora do Setor de Hebraico-UFRJ (aposentada), escritora


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