Junho 2015
Blog Coisas Judaicas - Tudo sobre Israel, judaísmo, cultura e o mundo judaico

Aprecie o que você temParashá Shoftim


"O dono de um pequeno sítio era muito amigo de um famoso escritor, e certa vez pediu-lhe um favor:


- Estou precisando vender aquele meu sítio, que você conhece tão bem. Sei que você tem o dom de escrever bem, então você poderia redigir um anúncio para eu publicar no jornal?

O escritor, que realmente era muito talentoso, imediatamente apanhou um papel, passou alguns instantes relembrando as imagens do sítio e escreveu: "Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer, no extenso arvoredo cortado por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. 

A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na varanda".

Meses depois, o escritor encontrou com o dono do sítio e perguntou se o anúncio havia funcionado. O homem respondeu que sim. Quando o escritor perguntou se ele conseguido um bom dinheiro, o dono do sítio abriu um sorriso envergonhado e falou:

- Na verdade, o anúncio funcionou para mim mesmo. Eu realmente queria muito vender o sítio porque achava que ele não tinha nada de especial. Quando li o anúncio, percebi a maravilha que eu tinha e não tive mais coragem de vender".


Será que nós conseguimos realmente perceber tudo de bom que temos em nossas vidas?

A Parashá desta semana, Shoftim, traz um assunto interessante. Quando o povo judeu entrou na terra de Israel, cada uma das tribos recebeu um pedaço de terra, dividido por sorteio. Mas os Cohanim (sacerdotes), que eram da tribo de Levi, não receberam nenhum pedaço de terra, para que pudessem se dedicar exclusivamente às atividades espirituais, entre elas o serviço do Beit-Hamikdash (Templo Sagrado). Mas se os Cohanim não receberam terras, em uma época onde a agricultura e a criação de animais era a principal fonte de renda, do que eles viviam?


A Parashá nos ensina que D'us comandou ao resto do povo dar presentes para os Cohanim, para que eles pudessem ter uma subsistência. Por exemplo, quando uma pessoa trazia um sacrifício, algumas das partes do animal sacrificado eram dadas aos Cohanim. Também os primeiros frutos das plantações de grãos e de uva eram dados de presente aos Cohanim. A Torá nos ensina que no total os Cohanim recebiam 24 tipos diferentes de presentes, e assim conseguiam seu sustento sem prejudicar nem diminuir o serviço espiritual do povo judeu.

Observando as Mitzvót da Torá, vemos algo interessante. Das 613 Mitzvót, nem todas se aplicam a todo o povo judeu. Por exemplo, há diversas Mitzvót que se aplicam somente aos Cohanim. No total, são 24 Mitzvót que somente os Cohanim estão obrigados a cumprir. Será que é uma coincidência, ou há alguma relação entre os 24 presentes que os Cohanim recebiam e as 24 Mitzvót que somente eles estavam obrigados a cumprir?

O judaísmo ensina que na vida não existem coincidências. Explica o livro Chovot Halevavot (Deveres do coração) que o nível que cada pessoa precisa cobrar de si mesma na sua conexão espiritual deve ser de acordo com as bondades que D'us faz com ela, entre elas as bondades gerais, que outras pessoas também recebem, e principalmente as bondades específicas, que somente ela recebe. Os Cohanim realmente tinham mais Mitzvót, e com isso se conectavam espiritualmente em um nível mais alto, por causa dos presentes que somente eles recebiam.

Mas este ensinamento não se aplica apenas aos Cohanim, se aplica a cada um de nós. A obrigação que temos de nos conectar com D'us é proporcional às bondades que recebemos Dele. Tanto as bondades gerais, tais como nossa saúde e a própria vida, quanto as bondades específicas, tais como as pessoas queridas e especiais de nossas famílias, o lar onde nascemos, nosso círculo de amizades, etc. Mas será que realmente nos sentimos "endividados" pelas bondades que recebemos? Infelizmente não, pois recebemos tantas bondades, e de forma tão constante, que não conseguimos reconhecer e agradecer.

Estamos entrando no mês de Elul, o último mês do ano. É um mês de preparação para Rosh Hashaná, dia em que todos os nossos atos serão julgados e todos os acontecimentos do próximo ano serão decididos. Como se preparar para Rosh Hashaná? Aproveitando o momento em que D'us está mais próximo de nós para refletir sobre cada bondade que recebemos Dele. Pois somente refletindo vamos entender que, do momento em que abrimos os olhos até a hora de dormir, tudo o que acontece conosco é uma grande bondade de D'us. E se recebemos tanto Dele, será que não é hora de fazermos algo por Ele?


Rav Efraim Birbojm

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O que acontece ao mundo após a perda de um filho

 
Por Chana Weisberg
 
Acordei nessa manhã e vi um sol que brilhava fortemente e um céu com um profundo tom de azul.

Olhei pela janela e vi as árvores ali de pé orgulhosas, as folhas ondulando suavemente naquele alegre dia de primavera. A grama tinha um verde magnífico, e os pássaros chilreavam alegremente à distância.

As contas sobre a minha mesa estavam esperando para ser pagas. Meu trabalho esperava para ser iniciado. Minhas mensagens de voz esperavam para serem respondidas.

Era mais um dia comum para encarar. Será mesmo?

Exatamente ontem, a filha de minha prima, Chaya Mushka Spalter, faleceu. Tinha 11 anos de idade - a mesma da minha filha mais nova (que tenha longos anos). Como morava na Costa Oeste, muito longe daqui, eu não a conhecia nem a via com frequência. E agora ela se fora, levada ao seu local de descanso na Terra Santa, perto da sua querida avó, que faleceu tragicamente há alguns anos.

Durante quase três anos, Chaya Mushka tinha lutado corajosamente contra um câncer pediátrico. Ela sucumbiu quando uma campanha de tefilot, preces, estava sendo feita em seu mérito, implorando a D'us para ter misericórdia e conceder-lhe vida. Então é normal que o sol continue brilhando, que as árvores ainda estejam tremulando ao vento? Faz sentido que após uma morte tão trágica - e ultimamente, parece que não achamos estranhos esses acontecimentos - que a vida siga em frente? Mais do que isso, faz sentido que uma linda menina de 11 anos, com a vida inteira pela frente tenha de lutar contra uma doença tão terrível? E terminar sucumbindo à morte?

O Talmud diz: Bishvili nivrah há'olam - "O mundo foi criado para mim." Para mim, Para você. Para ela. Para cada um de nós. E assim, quando a pequena Chaya Mushka se foi, uma pequena parte do mundo se foi. Para sempre.

Como as árvores ainda podem estar de pé e o sol brilhando como estava ontem? Como os pássaros podem continuar a chilrear felizes pelo céu?

Essas são perguntas para as quais não há respostas; a mente humana simplesmente não pode compreender. Como disse Viktor Frankl, neurologista e psiquiatra austríaco, além disso um sobrevivente do Holocausto: "A crença em D'us é incondicional ou então não é crença…" Não adianta negociar com D'us, argumentando: 'Até seis mil ou até um milhão de vítimas no Holocausto eu mantenho minha fé em Ti; mas acima de um milhão nada mais pode ser feito; sinto muito, mas renuncio à minhafe em Ti…'"

E apesar disso, precisamos continuar vivendo. Precisamos seguir em frente procurando curas para doenças mortais em crianças. Precisamos continuar buscando respostas para perguntas de fé que jamais podemos entender. E mais importante, precisamos continuar procurando tornar o mundo melhor. Organizar correntes de preces para aqueles que precisam e fazer boas ações em seu mérito - como os muitos, os muitos que foram feitos em nome de Chaya Mushka.

E apesar disso, acredito também que se o mundo, olam em hebraico, foi criado para ela, como nos diz o Talmud, então com a sua morte, parte daquele olam morreu.

A palavra hebraica olam é etimologicamente relacionada com a palavra he'elem, que significa "ocultação". Nosso mundo, como o conhecemos atualmente, é um mundo de he'elem, ocultação onde sua natureza Divina está escondida. É essa ocultação que permite o mal, e também tragédia e morte.

E é por isso que o mundo foi criado para todo e cada um de nós - para que cada um faça sua parte para revelar seu verdadeiro propósito e essência Divina. Então, embora eu não compreenda, acredito.

Acredito que com essa trágica morte de minha doce priminha, tenha havido a morte abaladora de um mundo. Acredito que o he'elem - a grosseira, horrível , trágica camada de ocultação de nosso mundo - tenha sido rasgada para permitir a abertura da radiância de bondade e Divindade.

Como disse meu tio e avô de Chaya Mushka em seu funeral, Rabino Ezra Schochet, as primeiras letras pronunciadas do nome da minha querida prima,Chaya Mushka, soletram Mashiach - aquele período de tempo no qual a presença de D'us será abertamente sentida.

Que todo o he'elem de nosso mundo esteja no final para que possamos experimentar aquela era há tanto esperada de revelação, quando poderemos enxugar as lágrimas de toda face. Para toda a etermidade.
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Onde estava Deus durante o holocausto?
Um conto infantil


Era uma vez um rei que reinava sobre um grande reino. Assim começam os contos infantis. O meu terá um começo diferente.

Era uma vez um rei que reinava sobre um grande império. Só para vocês terem uma idéia de como era grande este império, ele chegava até os quatro cantos do infinito. E olha que infinito não tem fim.

Já que o império era tão grande vamos chamar o rei de imperador e a rainha de imperatriz. O casal vivia feliz..Os súditos amavam os imperadores e eles por sua vez amavam o povo. E todos viviam felizes.

A imperatriz era a mulher mais formosa. Quando o imperador soube que a imperatriz ficou grávida ficou muito mais feliz. Imagine, ter um herdeiro. Nós, os humildes, nos alegramos com a vinda de uma criança, imagine a alegria do casal de imperadores. E a novidade foi se espalhando pelo império até chegar aos confins dos quatro cantos do infinito. O povo todo se regojizava com a chegada de um príncipe.

E o tempo foi passando....passando....até que um belo dia nasceu a criança. Um menino, um príncipe. E como era lindo ! Parece que a legria se derramou sobre todos. E as comemorações e as festas pareciam não acabar nunca. E a criança foi crescendo, crescendo, mas os pais achavam que algo estava errado. O menino não sorria. O rostinho sempre com semblante triste. Apesar que recebia tudo que havia de bom e melhor. Mesmo assim continuava triste.

No início, os pais, achavam que talvez fosse a idade, que ia passar, mas infelizmente não só não passava, a criança começava parecer deprimida. Deixava até de comer direitinho.
Os pais, já preocupados, pediram conselho aos médicos, educadores e a outras pessoas sábias, sem contudo receber um conselho que fizesse sorrir o pequeno e amado príncipe.

E a notícia foi se espalhando pelo império chegando até os confins dos quatro cantos do infinito. Um dia, um dos sábios que morava recluso no alto de uma montanha, aconselhou o imperador para que lançasse um apelo em todo o império. O apelo dizia: “ A este súdito que conseguir fazer a criança sorrir, o imperador o recompensará com tudo que desejar “. O imperador aprovou a idéia e um decreto foi emitido.

Começaram a se formar filas na frente do palácio imperial. Eram pessoas com as mais variadas idéias de brinquedos e de brincadeiras. Apareceram malabaristas, prestidigitadores, palhaços, acrobatas, mímicos, domadores de leões, enfim, um monte de gente. É verdade que o que realmente atraía essa gente toda era a recompensa, mas também queriam ver o príncipe sorrir como qualquer criança.

Nenhum conseguiu um sorriso na face da criança. Sentia-se o desânimo crescer no palácio imperial. Imaginem a tristeza dos pais. Ver seu único filho sem ver um sinal de sorriso na face da criança. Já descrentes, não deram muita atenção ao último pretendente.

Ele explicou ao imperador que para fazer o que pretendia precisava de muito espaço, mas muito espaço mesmo. O imperador, já desanimado, atendeu ao pedido mandando expandir um dos quatro cantos do infinito. O pretendente achou suficiente o espaço e começou a sua criação.

A criança observava com o canto dos olhos o que estava sendo feito. O pretendende começou a jogar um monte de bolinhas neste espaço imenso. Umas eram maiores, outras eram menores, umas brilhavam, outras eram sem brilho e outras ainda tinham uns anéis girando em volta. Outras eram tão escuras, mas tão escuras que não era possível enxergá-las. Enquanto ele armava o brinquedo ficava sempre atento ao rosto do príncipe. Queria ver alguma reação. E ele continuava jogar mais bolinhas incandescentes e outras mais frias que giravam em torno da mais luminosa. Jogava estrelas cadentes, cometas com suas caudas lindas.O rostinha da criança parecia mais interessado. Já não olhava pelos cantos dos olhos. Tinha virado a cabecinha para ver melhor o que o fazedor de brinquedos fazia.
Finalmente, escolheu à esmo uma das bolinhas que girava em torno de uma bola bem maior e flamejante, e começou a molda-la. Foi separando as águas e a terra, fez montanhas e morros, vales verdejantes e rios, um céu lindo com nuvens, envolveu a bolinha com uma camada de ar, criou vulcões na terra e no mar, criou o vento, chuvas e neve, calor e frio. Parecia uma coisa linda esta bolinha. O rosto da criança começou a se modificar. Ainda sem sorriso, mas interessada.

O pretendente fez uma última tentativa. Jogou um monte de criaturinhas nas águas, na terra e no ar. As criaturinhas nadavam, corriam e voavam, cada um cumprindo seu destino. E começaram a se multiplicar. No rostinho da criança podia-se vislumbrar um leve sorriso. O fazedor de brinquedos sentiu que a felicidade de conseguir seu intento estava próximo.

Pensou, pensou, e teve a feliz idéia de criar uma criaturinha diferente das outras. Esta criaturinha podia pensar, amar, procriar, e o mais importante, se sentir dona de todas as outras criaturinhas. O rostinho da criança parecia iluminado.

Vou finalizar este conto. O tal fazedor de brinquedos, querendo se superar, fez com que as criaturinhas pensantes se odiassem e se matassem. A criança passou do sorriso para risso, um riso alto. Quando as lutas entre as criaturinhas pensantes eram muito sangrentas e muitos morriam, a criança , começou a dar gargalhadas. E as garaglhadas chegaram a ser ouvidas até os quatro cantos do infinito. E até hoje, a criança é alegre e dá gargalhadas, e nós, criaturinhas pensantes e guerreiras sofremos com a alegria da criança.
E no império voltou a reinar a alegria e todos viveram felizes até o fim dos tempos.

Autor: Dow Friedman, judeu sobrevivente do Holocausto
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Coisas Judaicas

Dois homens estão fazendo compras no supermercado, quando seus carrinhos colidem. Um diz para o outro:
-          Me desculpe, é que eu estou procurando minha esposa.
-          Que coincidência, porque eu também, e eu já estou começando a ficar desesperado!
-          Bem, talvez eu possa lhe ajudar. Como é a sua esposa?
-          Ela é alta, magra, tem cabelos pretos, pernas longas, seios firmes...
-          -E como é sua mulher?
-          - Não importa, vamos procurar pela sua.



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Judeus samaritanos

Os Samaritanos são um pequeno grupo étnico-religioso aparentado aos judeus que habita nas cidades de Holon e Nablus situadas em Israel e na Cisjordânia respectivamente.

Designam-se a si próprios como Shamerim o que significa "os observantes" (da Lei); desde há alguns anos os Samaritanos tem vindo igualmente a usar o termo "israelita-samaritanos". 

Em hebraico moderno, os Samaritanos são designados de שומרונים, os de Shomron, ou seja, os da Samaria.
A religião dos Samaritanos baseia-se no Pentateuco, tal como o judaísmo. Contudo, ao contrário deste, o samaritanismo rejeita a importância religiosa de Jerusalém. Os samaritanos não possuem rabinos e não aceitam o Talmud dos judeus ortodoxos.

Os samaritanos não se consideram judeus, mas descendentes dos antigos habitantes do antigo reino de Israel (ou reino da Samaria). Os judeus ortodoxos consideram-nos por sua vez descendentes de populações estrangeiras, que adoptaram uma versão adulterada da religião hebraica; como tal, recusam-se a reconhecê-los como judeus ou até mesmo como descendentes dos antigos israelitas. O Estado de Israel reconhece-os como judeus.

Hoje há cerca de 700 samaritanos. Seu idioma de uso comum é o hebraico moderno e o árabe palestino, enquanto para atos litúrgicos utilizam o hebraico samaritano.

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A sagrada localização do Templo
A sagrada localização do Templo

Vista de Jerusalém Oriental, no reinado de Salomão.

O rei Salomão herdou de seu pai, David, inúmeras riquezas e, graças à sabedoria que lhe era peculiar, soube fazê-las prosperar. Cada um de seus projetos era sempre realizado com sucesso e sua glória se espalhou pelo mundo. "De que me servem todos esses tesouros se os anos estão passando sem que eu possa cumprir a promessa que fiz a meu pai?", perguntava-se amargamente o monarca.


Mandei construir dezenas de palácios, mas ainda não consegui erguer o Templo em louvor à glória de D'us. O Senhor é Testemunha de que não é má vontade de minha parte se ainda não iniciei tão nobre construção. No entanto, não sei como reconhecer o local mais apropriado. Toda a Terra de Israel é sagrada, mas o solo no qual serão levantados os muros do Templo, deverá ser o mais precioso ao Criador".

Uma noite, Salomão meditava novamente sobre o local em que deveria construir o Templo; sua promessa ainda por cumprir o incomodava e, em vão, lutava contra o sono. À meia-noite, não tendo ainda conseguido adormecer, decidiu sair para caminhar. Vestiu-se rápida e silenciosamente para não ser visto pelos serviçais e saiu do palácio.

Andou por uma Jerusalém adormecida, passando perto de grandes jardins e bosques, acompanhado somente pelo agradável ruído das folhas que farfalhavam ao vento, até que finalmente chegou ao Monte Moriá. A colheita recém terminara e do lado sul da montanha já estavam dispostos feixes de trigo cortados. Salomão apoiou-se em um tronco de oliveira, fechou os olhos e em sua mente começaram a desfilar as mais diversas localidades de seu reinado. Reviu colinas, vales, bosques que lhe pareciam destinados ao Templo e dezenas de outros locais por onde havia passado cheio de esperança, mas dos quais saíra decepcionado.

Repentinamente, o rei Salomão ouve passos. Abre os olhos e vê um homem carregando em seus braços um feixe de trigo. Um ladrão – pensou, rápido. Estava prestes a sair de seu esconderijo sob a árvore, mas conteve-se no último momento. "Esperemos para ver o que esse homem está tramando".

O visitante noturno trabalhava rapidamente e sem ruído. Ele colocou o feixe de trigo no terreno vizinho, depois voltou para buscar outros e assim continuou até levar 50 feixes. Depois, olhou preocupado, em seu redor, como que para se certificar de que ninguém o havia visto e partiu. "Gentil vizinho", pensou Salomão. "O proprietário do terreno não deve saber por que sua colheita diminui durante a noite..."

Mal teve tempo de refletir sobre como punir o ladrão, pois logo a seguir, outro homem apareceu. Prudente, o homem circundou os dois terrenos e, acreditando estar só, pegou um feixe de trigo de um terreno e o levou para o outro. Fez exatamente o que o outro fizera, só que levando o trigo no sentido inverso. Assim, ele fez com mais outros 50 feixes de trigo, partindo, depois, em silêncio.

" Esses vizinhos se merecem ...", pensou Salomão. "Imaginei que só havia um ladrão mas, de fato, o próprio ladrão acaba sendo, ele mesmo, roubado". Sem delongas, no dia seguinte, Salomão convocou os dois proprietários dos terrenos. Deixou o mais velho esperando em uma sala, enquanto interrogava o mais jovem, com severidade:

" Diga-me, com que direito você pega o trigo do terreno de seu vizinho? "

O homem olha surpreso para Salomão e fica vermelho de vergonha. "Senhor", responde-lhe, "eu jamais faria uma coisa dessas. O trigo que eu transporto me pertence e eu o coloco no campo de meu irmão. Gostaria de manter isso em segredo, mas já que fui apanhado, direi a verdade. Meu irmão e eu herdamos de nosso pai um campo que foi dividido em duas partes iguais, apesar de ele ser casado e ter três filhos, enquanto eu vivo só. Meu irmão precisa de mais fermento que eu, mas não aceita que eu lhe dê. É por isso que levo os feixes para ele, secretamente. Para mim, eles não fazem falta, enquanto que ele deles necessita".

Salomão levou o homem para outra sala e chamou o proprietário do segundo campo:

" Por que você rouba o teu vizinho", perguntou asperamente. "Sei que você se apossa do trigo dele, durante a noite."

" D'us me livre de fazer uma coisa dessas", protestou o homem, horrorizado. Na verdade, ocorre o contrário. Meu irmão e eu herdamos de nosso pai duas partes iguais de um terreno, mas eu, em meu trabalho, conto com a ajuda de minha esposa e meus três filhos, enquanto ele está só. Ele precisa chamar o ceifeiro, o debulhador, de forma que ele gasta mais dinheiro que eu e logo estará passando necessidade...Ele não quer aceitar um único grão de trigo de minha parte, e por isso eu levo para ele pelo menos alguns feixes, em segredo. Para mim não fazem falta, enquanto que ele os necessita".

Então, o rei Salomão chamou novamente o primeiro homem e, emocionado, abraçou os dois irmãos e disse: "Vi muitas coisas em minha vida, mas jamais encontrei dois irmãos tão honestamente despreendidos como vocês. Durante anos vocês foram de uma bondade imensa e recíproca – e o que é mais importante – em segredo. Faço questão de lhes expressar toda minha admiração e peço que me perdoem por haver suspeitado que fossem ladrões, quando na verdade são os homens mais nobres da terra. Agora, tenho que lhes pedir um favor. Vendam-me seus terrenos para que eu construa o Templo Divino sobre esse solo santificado pelo amor fraterno de vocês dois. Nenhum local é mais digno do que esse, em nenhum outro local o Templo encontrará fundamentos mais sólidos."

Os irmãos concordaram, de bom grado, com o pedido de Salomão. Deram-lhe o campo e o rei de Israel os recompensou fartamente. Em troca, deu-lhes terras mais vastas e mais férteis e fez anunciar, por todo o país, que o local sagrado para o Templo de D'us finalmente fora encontrado!


"Toda a Terra de Israel é sagrada, mas o solo no qual serão levantados os muros do Templo, deverá ser o mais precioso ao Criador"


Fonte:
Contes Juifs, Racontés par Leo Pavlát, Gründ.

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Onde Investir?
 Por Benyamin Cohen
 
Parashá Behar

O dinheiro pode ser uma coisa engraçada. Num minuto nós o temos, e no seguinte já se foi.

No decorrer de nossa vida, podemos passar pela montanha russa financeira – diversas vezes. Na porção desta semana da Torá, lemos sobre as aparentemente estranhas leis de Shemitá, que basicamente exige dos fazendeiros que deixem suas terras incultas durante um ano inteiro.

À primeira vista, isso parece ridículo. Por que razão um fazendeiro bom da cabeça concorda em deixar sua terra, sua única fonte de renda, por todo um ano?

Muitos comentaristas concordam que uma das maiores lições que podem ser aprendidas das leis de Shemitá é a habilidade de reconhecer que tudo provém de D’us. Na verdade, tudo que temos pertence ao Criador. Somos depositários, apenas cuidando das coisas durante nossa estada neste mundo. Se D’us nos diz para deixar em paz a nossa terra por um ano e não trabalhar nela, então é imperativo que respeitemos Sua ordem, pois definitivamente é Ele que decide quão produtiva a terra será.
Onde Investir?
Assim que conseguimos entender que não somos os verdadeiros proprietários de nossos pertences, nossa riqueza e nosso dinheiro, então devemos fazer-nos uma importante pergunta. Se este dinheiro realmente é meu por empréstimo Divino, então como Ele deseja que eu gaste? Deseja que eu compre um carro de R$ 150.000? É para isso que Ele me deu tanto dinheiro? Deveria eu despender o salário de um ano numa festa de Bar- Mitsvá ou adquirindo outros bens de consumo?

Em chinês, os caracteres para a palavra "desafio" são muito similares aos da palavra "oportunidade". A prosperidade, seja moderada ou do tipo que nos permita ter um carro para cada dia da semana, é um tremendo desafio.

Saber aquilo que D’us deseja que façamos com nosso dinheiro às vezes pode parecer extremamente difícil. Mesmo assim, este desafio traz consigo a oportunidade. Podemos doar para causas de Torá, ajudar instituições educacionais, e cuidar dos necessitados. D’us está nos proporcionando uma incrível chance de cumprir uma mitsvá – não perca esta oportunidade!
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Conheça um pouco de judaísmo




Conheça um pouco mais sobre a Cultura Judaica

A religião judaica, que é monoteísta, iniciou-se com a idéia do Deus Único, no primeiro livro da Bíblia, o Gênesis.
Por volta de 1800 a.C., Abraão deixou a cidade de Ur, atual sul do Iraque e partiu com sua esposa em busca da benção de Deus: terras e descendentes.


IHVH - em hebraico : EU SOU QUEM SOU.

Tem 613 mandamentos, 248 afirmações e 365 proibições

Judaísmo - Deriva do Yehudi - descendente de Judá, o quarto filho de Jacó.

FESTAS
Existe um quadro litúrgico de festas que determina a vida religiosa oficial do judaísmo. No judaísmo, os dias sagrados iniciam-se com o Rosh HaShaná, que é também o começo do ano judaico.
O Ano-Novo (Rosh HaShaná) ocorre em setembro ou outubro. Data de auto-reflexão sobre ações passadas e de mudança. Comemora-se também Deus como criador e rei. O ritual religioso inclui orações com base no arrependimento e no perdão. 


Yom Kipur - Dia do Perdão. Festa máxima dos judeus. Data de jejum absoluto.
É o dia do perdão e da purificação: esquecimento dos erros e extirpação das impurezas da alma. 


Pessach - É a festa judaica da Páscoa. Celebra-se a libertação dos israelitas da escravidão do Egito.


Shavuót - É considerada uma das festas máximas do judaísmo, pois comemora a data em que Deus, por intermédio de Moisés, deu ao povo libertado do Egito os Dez Mandamentos


Sukot - É a festa das tendas. Celebra-se, habitando durante 8 dias, em cabanas em que os israelitas viveram desde a saída do Egito até a conquista da Palestina


Chanuká - Festa das Luzes. Ocorre em novembro ou dezembro por um período de oito dias. Comemora a vitória dos judeus em 165 a.c., quando reergueram o Templo de Jerusalém destruído pelos sírios. Acende-se uma vela a cada dia num candelabro de oito ramificações. Os judeus trocam presentes entre si, e as crianças recebem uma maior atenção nesta data.

Purim - Comemora a salvação do povo judeu, ameaçado de extermínio, decretado por Haman, principal ministro do Rei Xerxes, da Pérsia. O povo judeu é salvo, milagrosamente, pela Rainha Ester e seu primo Mordechai, judeus que faziam parte da corte. É a festa mais alegre do calendário judaico. Nas comemorações, é comum o exagero no consumo de vinho. São encenadas representações humorísticas, com uso de fantasias e alegorias. Junto à essas comemorações, há o dever da distribuição de donativos aos pobres e a obrigação de enviar ao próximo duas porções de comidas diferentes.

RITOS

ShabbatA Torá afirma que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, ordenando-nos assim que descansássemos também. No Shabbat, é proibido trabalhar. Ele começa no por do sol de sexta-feira e termina no por do sol do sábado, isto por que o dia, de acordo com o calendário judaico começa ao por do sol. O Shabbat é o ponto central da vida de um judeu.


Orações
O ritual das orações se  realiza 3 vezes por dia (manhã, tarde e noite).
Sendo a oração feita na Sinagoga, é necessária a presença de dez homens adultos. As orações, salmos, bênçãos e louvações estão reunidos em um livro especial, o "Sidur". A principal oração, "As Dezoito Bênçãos", tem mais de 2 mil anos.  Nas manhãs de sábado e também às segundas e quintas-feiras, é feita a leitura da Torá. A Arca é aberta e os rolos são levados até o altar da sinagoga. É lido um trecho do texto em hebraico .
Tzedaká - Assim são chamadas as doações feitas durante as funções religiosas.
Os homens usam, durante as orações, no braço esquerdo, duas caixinhas de couro chamadas Tefilin, que contém pedaços de pergaminho nos quais estão escritos  as palavras de Shenia.
Livros Sagrados
Torá  - Pentateuco - São os 5 livros de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio
Neviim - Livro dos Profetas
Ketuvin - Os Escritos
Talmud - Estudos do Torá ( as Leis )
Além desses, também são importantes o Mishná e o Gemará, ambos constituindo o Talmud

Berit Milá (no nascimento)

Berit Milá é a circuncisão. Um recém-nascido judeu do sexo masculino junta-se ao povo judeu através do Berit Milá, realizada em seu oitavo dia de vida. "Berit" significa "pacto." A fé do patriarca Avraham (Abraão) foi testada dez vezes por Deus. A nona provação foi remover o excesso de pele de seu órgão masculino, denotando o domínio espiritual sobre a compulsão primitiva. Depois de todas as provações, Avraham entrou em um pacto de fé mútua com Deus, que vive para sempre.


Bar Mitzvá e Bat Mitzvá

A maioridade religiosa, 13 anos para os meninos e 12 anos para as meninas, é a ocasião de comemorações que marcam esta evolução tão importante na vida do adolescente.
Aos 13 anos, o menino judeu é considerado um adulto responsável por seus atos, do ponto de vista judaico.
Bar Mitzvá significa, literalmente, "filho do mandamento". A criança de 13 anos passa a ter as mesmas obrigações religiosas dos adultos, tornando-se responsável pelos seus atos e transgressões.
Paralelamente, as meninas têm o Bat Mitzvá, celebrado aos 12 anos, e não aos 13, como os meninos. Isto porque as meninas são consideradas maduras mais cedo que os meninos.

Casamento

A cerimônia do casamento deve ser realizada preferivelmente sob céu aberto, lembrando a bênção de Deus para que a semente de Avraham fosse tão numerosa como as estrelas. A cerimônia ocorre sob a chupá, (toldo usado como cobertura ou proteção), que representa o novo lar do casal.

Enterro
Não é permitida a cremação, nem são usadas flores e músicas. Os homens são enterrados com seu xale de oração. O rabino discursa em  memória do falecido, e os filhos homens - ou o parente mais próximo do sexo masculino - recitam uma oração (o Kádish). No período de uma semana a família faz luto em respeito à memória de seu ente querido e nos aniversários de sua morte, vão até o cemitério, onde realizam a leitura do Kádish e acendem  velas.

Alimentos permitidos pelos judeus
Carne  - Somente de animais que ruminam e tem o casco partido
Aves - Somente as não predatórias
Peixes - Os que possuem escamas e barbatanas





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O espiritual e o material

O Rabino Iehudá Halevi Ashlag, sábio Kabalista que viveu em Jerusalém até meados do século XX, no início de seu comentário sobre o “Ets Chaím” (“Arvore das Vidas”, de Yits’chác Luria Ashkenazi, conhecido como Arizal, século XVI) nos indica que:

“Devemos recordar que toda a Sabedoria da Kabbalah está baseada em estratos espirituais que não requerem nem espaço nem tempo, e nenhuma falta ou mudança os governam, nem os afetam”.

“A ausência, assim como a mudança, atua somente sobre os estados materiais, sendo lá onde está toda a dificuldade dos principiantes. Estes, freqüentemente, entendem aqueles conceitos em sua expressão material, dentro dos domínios do tempo e do espaço, os quais foram utilizados por seus autores apenas como referências palpáveis de suas origens superiores”.

Talmud Esser haSejirôt, Or Pnimí, Capítulo 1

Para compreender o que o Rabino Ashlag nos explica, temos que nos situar sobre o plano físico e transladarmo-nos a conceitos como alegria e tristeza, por exemplo.
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A alegria e a tristeza manifestam-se no mundo emocional do homem e não ocupam um lugar físico.
Quando alguém está alegre e, por determinada circunstância, logo entristece, não significa que a alegria deixou de existir, e sim que esse homem perdeu, momentaneamente, sua capacidade de estar alegre. Mas se os estímulos que geram a alegria voltarem, a tristeza desaparecerá e a alegria ocupará o seu lugar.
As emoções não ocupam um lugar físico; elas abrangem o mundo emocional do homem, sendo sua influência, geralmente, mais poderosa que a realidade material.

A emoção e o pensamento são poderosos instrumentos através dos quais o homem se conecta com a realidade. Por mais que não devamos esquecer, eles são apenas meios para conseguir materializar nossa vontade e desejo.
A vontade e o desejo são as forças interiores que movem o homem; mas qual é o objetivo que motiva essa poderosa força?
A vontade altruísta de ajudar e beneficiar o próximo e à sociedade ou, pelo contrário, o desejo pessoal, egoísta.
Nesse ponto é fixada a diferença entre o espiritual e o material. Espiritual é a vontade altruísta de beneficiar ao próximo; material é o desejo pessoal, egoísta.
(citação do livro “Maanuzrei Shantáti”, pág. 107, do Rabino Kabalista Barúch Shalom Ashlag).
Por isso, nossos Mestres nos ensinam que é fundamental aprender a linguagem, a terminologia e os objetivos da Kabbalah, através de um verdadeiro iniciado nesta Sabedoria. Desse modo evitamos interpretar certos termos fora do contexto da Torá e da Kabbalah, o que resulta em sincretismo, pseudo-espiritualidade e mística.
Kabbalah é o estudo da ordem das causas e conseqüências espirituais que são geradas a partir da causa primeira, o Infinito/Ein-Sof

Espiritual é tudo aquilo que não está afetado ou modificado, nem pelo espaço nem pelo tempo. Não depende de estados emocionais ou do que pensem sobre ele. E a causa que gera todo o mundo material.

Explicação: no plano físico existem leis que regem a matéria, como a gravidade. Observamos que, cada vez que um objeto entra no âmbito da força da gravidade, é atraído inexoravelmente por ela até que uma força contrária o rejeite.
A atividade da força da gravidade não depende do que acreditamos, pensamos ou sentimos; ela é objetiva e tem seus próprios códigos. Quem quiser se relacionar com ela       a positivamente deverá conhecer seus parâmetros e, assim, poderá usá-la em seu benefício.

A essência da força da gravidade encontra-se além do mundo material, já que não depende da vontade dos homens. Assim como no caso da gravidade, a essência do mundo físico tem sua origem no plano espiritual.

As leis espirituais atuam em todos os planos: físicos, emocionais e mentais, mas só percebemos suas conseqüências ao nos relacionarmos conscientemente com a realidade (como no exemplo anterior sobre a lei da gravidade).

Quando o homem se relaciona com a realidade, inconscientemente, sem conhecimento das leis que regem a vida, é como uma criança que não tem consciência das conseqüências de seus atos.
É importante definir com precisão a área que esse estudo abrange. Caso contrário, poderíamos nos perder num labirinto de idéias afastadas dos objetivos da Kabbalah.
O objetivo desse estudo é educar a vontade e o desejo do homem para o bem coletivo, que é a meta da Torá:

“Amarás a teu próximo como a ti mesmo”.

A única mudança possível que podemos alcançar na vida é a atitude interior, o que desejamos em nossos corações. O “melhor” sistema sócio-político-econômico está destinado ao fracasso, se o homem for egoísta. Por outro lado, quando nos modificamos interiormente, procurando o bem coletivo, o “pior” dos sistemas exteriores funcionará. As verdadeiras modificações e batalhas desenvolvem-se no nosso interior. Para isso, o homem deve conhecer a si próprio e conhecer as leis que regem todos os planos da realidade. Então, gradativamente, tomará consciência de sua origem e objetivo, unificando-se com todos os homens e com o Cadósh Barúch Hú.

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Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?Lutando com a velha pergunta:

Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?

Rebbetzin Feige Twerski

É uma velha pergunta: Por que as pessoas boas sofrem e as más prosperam? Pensadores e filósofos de todas as gerações, como também todas as pessoas afligidas pelas causas da existência, se esforçaram para encontrar claridade sobre esse assunto

Moisés, que era profeta, pediu a D'us, "Me mostre o Seu rosto," representado por "Deixe me ver como as coisas realmente são" e a resposta de D'us foi, "Nenhum ser humano nesta vida pode ver ou apreender o significado dos Meus caminhos." Porém, D'us mostrou a Moisés Suas costas, insinuando que somente o futuro, ou seja, após os acontecimentos, que Ele proverá significado, coerência e perspectiva a tudo.

Existem momentos em nossa vida em que nos sentirmos como se estivéssemos suspensos, à beira de um abismo, quando o mundo parece estar se movendo incontrolavelmente, jogando uma porção de eventos em nós que nos ameaçam. O rei David ,no livro de Salmos, clama a D'us dizendo, "Quando Você esconde Seu rosto, sou lançado neste estado de confusão, a ponto de perder a capacidade de suportar." Em outro lugar ele exclama, "E é só quando Você derrama Sua luz que as coisas se esclarecem, que nosso estado é iluminado."

DOR E DIFERNIMENTO

Eu corri para o hospital onde minha querida amiga Debbie tinha acabado de dar a luz a um bebê com Síndrome de Down. Assim que entrei em seu quarto fui saudado pelo que parecia ser uma reação de contradições -- lágrimas que caiam de seus olhos e ao mesmo tempo um grande sorriso que iluminava seu bonito rosto.
"Eu nunca teria escolhido ou pedido este desafio," ela francamente admitiu, "mas se D'us estava procurando por uma casa amável e doce para esta pequena alma, Ele achou o lugar certo."

A resposta repentina de Debbie ,se confrontando contra a adversidade, mostra sua atitude corajosa, baseada na fé. Admite que houve a dor e pesar, mas simultaneamente reconhece e concorda com a vontade de D'us, o Onisciente, o Conhecedor de todos os Seres, cuja sabedoria insondável dirige e orquestra tudo o que ocorre em nossas vidas.

A fé não elimina o sofrimento, mas provê uma perspectiva de significado e propósito para as coisas.

O senhor Bertrand Russel, filósofo e agnóstico famoso, em uma conversa com um clérigo, afirmou que não acreditava na existência de um D'us num mundo em que uma criança chorava de dor. O clérigo respondeu que, assim como ele, não acreditava em um mundo em que uma criança chore de dor e não exista nenhum D'us para justificar tudo isto. Obviamente o homem paga suas dívidas em vida. A dor é a sina inevitável da condição humana. A fé não elimina o sofrimento, mas provê uma perspectiva de significado e propósito para as coisas. Permite que tomemos conhecimento que, embora os caminhos de D'us sejam freqüentemente impossíveis de se entender , além de nossa compreensão, não são arbitrários ou caprichosos. Eles seguem Seu plano para o destino final do ser humano, o que leva em conta passado, presente e futuro.
Somente um Ser que não seja circunscrito e limitado ao tempo, pode ver o retrato inteiro. Todos nós existimos numa fatia pequena do tempo, fora do contexto, e só temos acesso a um segmento minúsculo do quebra-cabeça enorme que fará sentido somente quando todos os pedaços forem colocados em seu lugar.

PROCURANDO O SIGNIFICADO NO SOFRIMENTO

Meu sogro, de santificada memória, gostava de contar a história de um homem que foi injustamente encarcerado por muitos anos nos tempos do Czar, na Rússia. Antes de começar seu encarceramento, implorou ao guarda para lhe dar algo construtivo para fazer durante sua longa e solitária estadia na prisão. O guarda apontou para uma roda na parede da cela completamente vazia. Ele aconselhou o prisioneiro a girar a roda, de modo que, de acordo com o guarda, ativaria um sistema de irrigação que faria florescer árvores e vegetação. 

Por 20 anos o prisioneiro girou a roda incansavelmente imaginando seus magníficos jardins, resultado de seu trabalho duro. Depois de passado muito tempo, ele foi libertado. Seu primeiro pedido foi para ser levado aos jardins, produto de seus muitos anos de incansável trabalho de girar a roda. Os guardas então riram arrogantemente de sua ingenuidade e lhe disseram que a roda que tinha girado todos aqueles anos não era conectada a nada. 

Ao ouvir esta terrível notícia o prisioneiro imediatamente caiu e morreu. O calabouço e a prisão de muitos anos não destruíram seu espírito, mas não poderia sobreviver sabendo que todos aqueles anos não serviram para nenhum propósito. Realmente, se o sofrimento não tem nenhum significado, a vida é reduzida para nada mais, além de uma piada cruel, e não vale nada o esforço exigido para viver no dia-a-dia. Como Nietzsche uma vez disse, "Aquele que tem uma razão para viver sobrevive de qualquer modo." 

Existem momentos em que, inicialmente, os eventos parecem ser trágicos ou menos desejáveis, e a história abaixo prova que este é um ímpeto para o crescimento e o desenvolvimento, realmente uma bênção para a vida.

Miriam, uma mulher jovem, muito bonita, que foi afetada por uma doença debilitante e terminal, expressa sua gratidão ao fim de sua longa luta. Ela fez com que a deixassem fazer o que quisesse de sua vida. Antes de sua enfermidade, se encontrava totalmente distraída. Sacudida pela série de acontecimentos, ela ficou sóbria e foi forçada a achar um caminho construtivo de existência e significado dentro dela.

O Sfat Emet, um comentarista Chassidico, explica o conceito de D'us à procura de homem. Ele o vê expressado pelas conseqüências sofridas por Adão e Eva em seu fatal engano de comer da Árvore do Conhecimento. A dificuldade aparente na narrativa é a de por que a serpente, que foi a responsável por atrair o homem a fazer o ato, foi simplesmente condenada para uma vida de rastejar com sua barriga e a comer somente o pó, enquanto que o destino humano, depois disso, seria de trabalho duro e infinita labuta. "Pelo suor de sua testa você comerá o pão," e "com dor você deve dar a luz" seriam seus destinos. É justo que aquele que cometeu o pecado, a serpente, deveria ser posta à vida, levando-se em conta o fato de que o pó pode ser encontrado em todos os lugares, enquanto os descendentes de Adão e Eva teriam que lutar em todos os aspectos da existência, isto é, para se sustentar, para criar as crianças, etc.? 

O Sfat Emet sugere que a serpente realmente sofreu o último castigo. Ela comeria o pó que está sempre presente e, deste modo nunca mais precisaria responder ou falar com D'us sobre seus atos. Ela nunca teria que erguer sua cabeça ao céus para perguntar a D'us por qualquer coisa. Na realidade, D'us a rejeitou e nunca mais quis ouvir falar sobre ela. 

Em contraste, Adão e Eva e sua descendência inevitavelmente encontrariam os desafios para se alimentar e educar seus filhos. Seus esforços, em última instância, os motivariam a buscar e pedir a D'us, que deseja ter uma relação amorosa com cada um de nós. Não existe destino pior que do que o afastamento de D'us. Freqüentemente, a adversidade pode ser um catalisador poderoso para a conexão com D'us. 

Miriam entendeu que sua enfermidade, mesmo sendo dolorosa e desafiadora, era um convite, um despertar, um telefonema de seu amoroso Criador, que a forçou a parar para pensar e avaliar sua vida, entender que estava no caminho errado. No final das contas, deu a ela a oportunidade de, depois de procurar muito por sua alma, criar uma ligação com a fonte de sua vida, o Criador.

O ACIDENTE DE MEU GENRO

Meu genro, Rabino Elimelech Eliezer Ben Hena Fraydel, um Rosh Yeshivá (diretor de um Centro de Estudos americano), estava em Israel, a caminho de Tzfat para conduzir um Shabat inspirador para seus alunos. Ele estava num ônibus fretado com 60 de seus estudantes de rabinato, quando o motorista adormeceu, colidindo num inválido veículo do exército, que estava se preparando para entrar na estrada, e foi lançado pelo pára-brisa. Ele sofreu um dano pesado no cérebro e quatro meses mais tarde ainda estava inconsciente. Ele é pai de 12 crianças. 

Minha filha, Baila, não o acompanhou nesta viagem porque estava no começo de uma gravidez. O rabino Elimelech Eliezer é um mentor para milhares de pessoas. Sua Yeshivá é um exemplo sem igual, um modelo de aprendizado e vivência de todos os aspectos da vida com paixão. Ele é uma imponente figura, muito alta, cuja presença e brilho traziam uma notável alegria e energia onde quer que fosse. "Gevaldig" (incríveis), era sua resposta pronta e consistente para toda investigação sobre como as coisas estavam indo. 

No final das contas, ele não sabia onde estava indo quando partiu em sua viagem. Nenhum ser humano, não importa o quão grande e poderoso seja, pode predizer as circunstâncias de suas vidas. Só D'us sabe e está sob Seu comando. Porém, o que podemos controlar são nossas respostas em relação ao que ocorre conosco. A habilidade de resposta - a habilidade de escolher nossa resposta -- é sempre nossa prerrogativa. 

Victor Frankl, em seu trabalho de logoterapia, afirma que até nos campos de concentração, onde a morte era inevitável, havia uma escolha de como se morreria, se era com dignidade e compaixão pelos outros, ou se revoltando contra D'us, comportando-se desumanamente em relação aos outros. A vida nos apresenta diariamente muitos desafios e os recursos de uma pessoa está nas respostas que escolhemos. Alguém habilmente observou que a vida de todo mundo já está escrita de uma forma ou de outra, em uma prisão de limitações. O desafio está então em fazer o que nós focalizamos nas grades que nos confina, ou devemos passar por elas e chegar mais além?

TRANSFORMANDO A FERIDA

Um rei, nos tempos antigos, possuía um diamante de incomparável beleza.
Era o seu tesouro mais estimado. Em tempos de festa, ou quando ele hospedava hóspedes estrangeiros, orgulhosamente exibia seu diamante. Em uma destas ocasiões, quando tirava o diamante da caixa, este caiu no chão e sofreu um feio corte que severamente arruinaria sua extraordinária beleza. O rei, com o coração partido ,anunciou que a pessoa que consertasse seu estimado diamante teria todos os seus pedidos concedidos por ele. Mas se ele falhasse, seriam sumariamente executado. 

Artesãos vieram de todos os lugares, mas ao observarem a extensão do dano, se recusaram a tentar. Finalmente um artesão concordou em se empreender na arriscada tarefa. Ele foi provido com um quarto e as ferramentas requisitadas e depois de muito tempo apresentou o diamante para o rei. O rei, ao olhar a peça, deu um suspiro. O diamante ainda tinha o volumoso corte, mas o artesão o transformou em um talo e ao redor dele esculpiu pétalas que formavam uma magnífica flor. Tão surpreendente quanto o diamante era antes, agora ele estava muito mais primoroso e bonito.

Existem pessoas entre nós que são capazes de pegar as feridas da vida e transformá-las em recursos internos, as transformando em forças que as fazem pessoas mais profundas, compreensivas e com mais compaixão do que podiam ter sido caso contrário. 

Mas uma observação deve ser feita. Deve-se tomar nota de que pegar a estrada principal não significa que nós negamos a dor, ou que olhemos para aqueles que estão aflitos e esperamos deles uma devoção total e virtuosa, ou de sermos passivos ao que ocorre com o próximo. Nosso papel é fazer tudo que podemos para minimizar o sofrimento e o infortúnio de nossos semelhantes.

Quando outra pessoa está em crise não é o tempo apropriado para ensinar a fé. Melhor, deve-se aliviar a situação, oferecendo nossos recursos sentimentais, materiais e espirituais.

Alguns pontos para sobrevivência em tempos de crise (D'us nos livre) estão abaixo:

1.Tome cuidado com a pergunta "por que". Isto é, Por que D'us fez isto comigo? Por que devo passar por isto? Estas perguntas freqüentemente não nos levam a parte alguma. Talvez uma abordagem mais construtiva seja mudar a pergunta do estilo de "por que" para uma pergunta como "qual e o que". Dadas as circunstâncias, qual é o meu papel? O que D'us quer que eu faça? Qual deve ser minha resposta? Quais metas devo colocar para mim mesmo para sobreviver fazendo disto uma experiência de crescimento?

2. 'Se Deixe ir e deixe com D'us --a base de todos os programas de 12 passos. Renunciar a ilusão de controle pode ser muito libertador. A advertência de um psicólogo, é que, em muitas instâncias quando as pessoas 'se entregam a D'us,' elas passam a ter algumas expectativas de como as coisas deveriam ser. Quando não encontram, perdem rapidamente suas esperanças na capacidade de D'us e voltam para trás. Sua atitude parece ser a de que "eu me entregarei a D'us, desde que Ele faça as coisas do meu modo." Embora "virar a página", ou melhor, "recomeçar", possa soar fácil, é realmente um ato de profunda confiança no qual as pessoas cedem o controle para algo nunca visto antes e, para muitos, incerto. Às vezes, o resultado não é um caminho conveniente, indolor ou claro em direção a resolução do problema, e sim uma longa e sinuosa estrada. ' Se Deixe ir e deixe com D'us ' é uma frase cativante, mas a verdade é que muitos de nós simplesmente não tem a fé e a coragem para dar um passo mais longo, ou seja ,um pulo em algo do qual ainda não têm certeza.

3. A fé é uma resposta aprendida. Não é algo natural a uma pessoa ou uma revelação. Deve se trabalhar duro para desenvolver sua fé. É uma disciplina interna. A palavra em hebraico para fé é 'emunah', que compartilha uma raiz com a raiz, 'emun', que quer dizer treinar. A alma deve treinar para alcançar uma resposta significante. E Isto é feito ao se relacionar com pessoas que são um modelo de fé, grupos de apoio, experiências, lendo materiais, fitas e tendo uma orientação apropriada. A introspecção e meditação podem ser muito úteis.

4.O poder da oração. A oração e a leitura de Salmos são ferramentas poderosas para cultivar o laço mais significante de todas as relações -- nossa conexão com D'us. Somente esta conexão nos dará forças para navegar nos testes e tribulações da vida. Muitos Cabalistas e rabinos intuíram que o acidente do meu genro foi orquestrado por D'us a fim de evocar orações mundiais a seu favor. Precisamente, como era amado e honrado nos corações de tantos, foi escolhido para unir as orações de judeus em todos lugares para D'us. Toda pessoa pode começar onde está, e construir pouco-a-pouco seu dia a dia.

Os sábios do Talmud nos ensinam que o verso no livro de Zachariá, "Naquele dia o Todo-poderoso será Um e Seu Nome será Um," se refere ao tempo em que todos os pedaços do quebra-cabeça estiverem em seu devido lugar, e a luz esclarecedora de D'us iluminará a escuridão. 

Atualmente, em nossos tempos, nós recitamos duas bênçãos separadas. Quando eventos bons acontecem, nós recitamos, "Santificado é Você, D'us, Que é bom e faz o bem." Porém, se a natureza do evento é morte ou infortúnio (D'us nos livre), nós declaramos, "Santificado é Você, o Justo Juiz."

Em nosso mundo de ilusão, isto é o melhor que podemos fazer em meio à dor, ao sofrimento, à perda, e à tragédia. Mas, no futuro próximo, quando formos os beneficiários desta última luminosidade, só haverá uma bênção para tudo, agradecendo a D'us por tudo que é bom. Nós entenderemos então por que todas as coisas tiveram que ser como foram e como são, e que desde o princípio elas foram, em última instância, para nosso bem.

Que este dia chegue rapidamente em nossos tempos.
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Surto de violência palestina reinicia ciclo de repercussões dos dois lados

O ataque contra Israel da manhã de terça-feira, 23/6, por extremistas islâmicos em Gaza deu prosseguimento ao ciclo de violência "olho-por-olho" e às repercussões entre os dois lados. O último lançamento de foguete fez que milhares de israelenses corressem para abrigos à prova de bombas, enquanto o projétil alvejava a cidade de Yad Mordechai no Sul do país.


Embora nenhum dano maior tenha sido causado, uma vez que o foguete explodiu em uma área rural, um grupo afiliado ao ISIS postou uma imagem na internet do projétil que teria sido supostamente usado no ataque. O foguete possuía o que pareciam ser marcas "M-75", próprias de mísseis produzidos para um raio de alcance de 75 quilômetros, que são normalmente usados pelo Hamas para atingir Tel Aviv.

Em resposta a esse ataque, as Forças de Defesa de Israel (IDF) atingiu o lançador do qual o foguete foi disparado. O porta-voz da IDF confirmou a destruição desse alvo. O tenente-coronel Peter Lerner, o porta-voz para mídias estrangeiras, disse que um dia após a divulgação do relatório da ONU, Gaza permanece como um terreno fértil para o terror. "Esta noite, civis israelenses foram forçados novamente a procurar abrigo, fugindo dos incessantes, indiscriminados e intoleráveis ataques oriundos da Faixa de Gaza," concluiu Lerner.

O ataque com foguete e a retaliação aconteceram após violência no interior e nos arredores de Jerusalém nos últimos dias, que resultou na morte de um civil israelense e ferimentos a outros. Diante da crescente tensão, o Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu anunciou no domingo, 21/6, que seriam cancelados 500 vistos de palestinos para uso no aeroporto de Ben Gurion.

Israel também revogou vistos de residentes da vila Sair. A vila Sair é o lar do jovem de 18 anos que esfaqueou um policial israelense no domingo, fora da Cidade Velha de Jerusalém. O ataque deixou o policial gravemente ferido; no entanto, um outro jovem de 20 anos conseguiu neutralizar o terrorista.


Fonte: Tazpit Brasil / Texto: Zack Pyzer / Tradução: Graziela Dreilich

Fotos: A cena do ataque a faca ocorrido domingo, 21/6, em Jerusalém.