Coisas Judaicas : Reflexões sobre minha última viagem a Israel e a esquerda israelense
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Reflexões sobre minha última viagem a Israel e a esquerda israelense
13/04/15 Posted by Coisas Judaicas

Por Sheila Mann

Na minha opinião, a esquerda israelense está afastada dos problemas relacionados com os conflitos e esses problemas nem entraram na sua agenda política para não espantar o seu eleitorado! Os israelenses se acomodaram com esse pseudo status quo, ignoram ou não querem mesmo saber o que está acontecendo nos territórios ocupados, fecham os olhos às barbaridades perpetradas pelos colonos que são protegidos pelos soldados israelenses.

Estive em Israel no mês de fevereiro, por duas semanas. Isso quer dizer que o assunto do momento era as eleições próximas que iriam se realizar em março. Fiquei na casa da minha irmã em Rishon Letzion, e claro, saímos com os amigos dela israelenses de várias origens. Quis saber por curiosidade em quem eles pretendiam votar. O mais interessante foi saber que todos, sem exceção, disseram que iam votar na esquerda, que ninguém aguentava mais o Bibi e as histórias da sua esposa, Sarah.
Qual não foi minha surpresa quando soube do resultado das eleições, e de novo o vencedor foi o Bibi. Fiquei refletindo sobre esse resultado e tenho certeza de que muito se falou e se analisou o resultado surpreendente. Não sei se vou estar acrescentando algo novo aos leitores, mas aqui vai minha interpretação:
Enquanto estava em Israel, eu na verdade, estava a trabalho, isso quer dizer que fui pra lá com o propósito de me encontrar com lideranças de movimentos sociais, mais especificamente, ONGs, que trabalham na resolução dos conflitos entre israelenses e palestinos, no que diz respeito aos direitos humanos e direitos civis da população árabe israelense, e da população palestina dos territórios ocupados. Me encontrei com pessoas incríveis, que fazem um trabalho magnífico de aproximação entre as duas partes. Eu estive com a Robi Damelin, responsável pela ONG “Parents Circle for Bereaved families” , organização que trabalha com mulheres israelenses e palestinas que perderam um ente querido num dos muitos conflitos, e que juntas reconhecendo que a dor pela perda de um familiar é universal, trabalham para superar a dor e a raiva do outro, tendo como resultado uma solidariedade e um entendimento. Cada uma dessas mulheres, apesar da resistência encontrada no seio da sua família, superou o preconceito e juntas conseguiram publicar um livro de receitas de geleias e pickles, o “Jam Session”, que ajudou a aproximá-las mais ainda. Pode-se acessar a página do Parents Circle no Face Book.
Outro encontro foi com a Irit Hakim Keller, que trabalha também com israelenses e palestinos dentro da ONG ” Combatants For Peace”, que lutam pelos direitos civis dos palestinos nos territórios ocupados. Outro foi com a jornalista israelense Amira Haas, que mora em Ramallah e ajuda os palestinos de Hebron a enfrentar os ataques dos colonos e visita as famílias palestinas que moram lá, porque eles não têm direito de receber visitas de parentes de outras localidades. Impressionante também foi o bate-papo com o Meir Margalit, que durante muitos anos foi vereador na prefeitura de Jerusalém e auxiliou os árabes israelenses a lutar contra os despejamentos das suas residências em Jerusalém Oriental.
Quando eu voltava pra casa da minha irmã, depois de cada um desses encontros e relatava pra ela o que eu tinha ouvido, ela ficava espantada por não saber nada sobre isso. Ela ficava pasma e queria se envolver com essas organizações. Acabei a apresentando a algumas dessas pessoas.
O que eu deduzo disso tudo? Na minha opinião, a esquerda israelense está afastada dos problemas relacionados com os conflitos e esses problemas nem entraram na sua agenda política para não espantar o seu eleitorado! Os israelenses se acomodaram com esse pseudo status quo, ignoram ou não querem mesmo saber o que está acontecendo nos territórios ocupados, fecham os olhos às barbaridades perpetradas pelos colonos que são protegidos pelos soldados israelenses.
Enquanto a esquerda israelense não trabalhar juntamente com essas ONGs e continuar ignorando o destino de milhões de palestinos, enquanto não se organizar para ajudá-los, envolvendo a população israelense, essa esquerda não vai vencer! As reivindicações sociais dos israelenses não serão atendidas enquanto houver outras pessoas, no caso, os árabes israelenses e os palestinos, sendo discriminados. Enquanto a esquerda não participar e apoiar essas organizações, vai continuar predominando o medo que os israelenses sentem em relação aos árabes. A cartada do Medo, jogada pelo Bibi, teve o seu efeito, conforme ele imaginava, e ele foi reeleito pelas pessoas que acreditaram que não é possível conviver com os árabes e com os palestinos!
Há uma preocupação por parte de sociólogos a respeito dos jovens soldados que retornam do serviço militar nos territórios ocupados, onde eles exerceram o seu poder humilhando os palestinos, sobre como eles iriam se comportar na sociedade civil. A pergunta é: como ficou a sua ética e sua humanidade?
Precisamos de mais ética judaica e mais empatia em Israel, senão, Israel vai se perder, e isso ninguém de nós quer.

SHEILA MANN é judia, formada em artes plásticas, nascida no Líbano e crescida em Israel. Ela é conhecedora das culturas árabe e judaica com fluência em ambas as línguas, o que a torna ainda mais próxima das duas comunidades. A artista chegou ao Brasil, com 18 anos, casada e grávida de gêmeas. Inscreveu-se no curso de literatura da Aliança Francesa, para não perder a fluência no idioma adquirido em sua escola primária no Líbano, e resolveu estudar artes plásticas.
Sheila Mann criou o projeto Peace On The Table – que propõe unir os povos através da culinária, projeto que hoje se tornou a sua grande razão de viver e com essa proposta ela se tornou uma ativista pela paz principalmente entre árabes e judeus.
Sheila lançou um livro de memórias e culinária no ano passado e atualmente dá aulas de culinária libanesa na sua própria escola, dá palestras sobre o seu trabalho, e formou um grupo de mulheres judias e mulheres árabes que se reúnem para compartilhar experiências e fortalecer laços de amizade .

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