Não imaginava sobreviventes em AuschwitzNo terceiro dia do provável último julgamento por crimes do nazismo na Alemanha, Oskar Gröning, de 93 anos, admitiu nesta quinta-feira (23/04) ter plena consciência de que judeus não sairiam vivos do campo de concentração de Auschwitz, onde trabalhou.

"Era algo que eu não podia imaginar", disse Gröning, em resposta à pergunta de um dos advogados de acusação sobre se ele acreditava ser possível alguém sobreviver a Auschwitz.

No período em que trabalhou no campo, de 1942 a 1944, ele admite ter testemunhado uma execução por gás. Entre suas tarefas constava recolher o dinheiro das malas dos detentos chegados ao campo e entregá-lo à organização paramilitar SS, em Berlim – atividade que lhe valeu a alcunha "Contador de Auschwitz" na imprensa alemã.

Outra atribuição de Gröning era retirar, da rampa aonde chegavam os trens, as bagagens dos designados à câmara de gás. Na visão do Ministério Público, ele ajudou, desse modo, a apagar os vestígios da matança em massa de judeus – por exemplo, os vindos da Hungria no início de 1944. Por isso, é agora acusado de cumplicidade em pelo menos 300 mil casos.

O tribunal se concentrou nesta quinta-feira em discutir se Gröning também selecionava os judeus que iriam para a câmara de gás. Ele afirmou que trabalhou somente três vezes na plataforma.

Na audiência de terça-feira (21/04), Gröning reconheceu responsabilidade moral no genocídio perpetrado no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau: "Eu reconheço essa culpa moral aqui, diante das vítimas, com arrependimento e humildade. Sobre a culpa jurídica, os senhores devem decidir."
FC/dpa/epd
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