Coisas Judaicas : Avinu Malkênu - Nosso Pai, Nosso Rei e Avinu – Pai Nosso
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Avinu Malkênu - Nosso Pai, Nosso Rei e Avinu – Pai Nosso
24/03/15 Posted by Coisas Judaicas

Avinu Malkênu - Nosso Pai, Nosso Rei  e Avinu – Pai NossoJane Bichmacher de Glasman

Avinu MalkênuRashi nos diz que o Avinu Malkênu (tradução literal: nosso Pai, nosso Rei) como o recitamos atualmente é uma expansão da prece comum, mais curta, composta por Rabi Akiva, sobre a qual o Talmud (Taanit 25b) conta:
Aconteceu certa vez durante um período de seca que Rabi Eliezer ficou de pé perante a congregação e recitou vinte e quatro preces por chuva, sem sucesso. 

Nenhuma chuva veio. Então Rabi Akiva postou-se perante a congregação e disse Avinu Malkênue sua prece foi imediatamente respondida. Quando os Sábios viram que Avinu Malkênu de Rabi Akiva era uma prece realmente eficaz, adicionaram mais pedidos a ela, e instituíram a prece completa como parte do serviço pelos Dias de Arrependimento.

Avinu Malkênu (em hebraico: מַלְכֵּנוּ‎ אָבִינוּ) é uma oração judaica recitada durante serviços deRosh HashanahYom Kipur e alguns dias de jejum. Cada linha da prece começa com as palavras Avinu Malkênu e é seguida por frases variadas, principalmente de súplica, feita sob uma cantilena repetitiva, em 54 versos. Os versículos 15 a 23 são recitados primeiro pelohazan (cantor litúrgico, oficiante) e repetidos pela congregação. O hazan lê o último verso em voz alta e geralmente é cantado por toda a congregação.

Avinu Malkênu é incluído durante as rezas Shacharit e Minchá (manhã e início da tarde). Ele é omitido no Shabat (exceto na Ne'ila [encerramento] de Yom Kipur) e na Minchá às sextas-feiras. Em Erev (véspera) Yom Kipur não é recitado em Minchá, mas algumas congregações recitam de manhã, quando cai na sexta-feira. No Yom KipurAvinu Malkênu também é rezado durante Maariv e na Ne'ila, exceto quando Yom Kipur cai no Shabat, pela tradição ashkenazi,caso em que é recitado somente durante a Ne'ila. Durante o Avinu Malkênu, a Arca (onde ficam os Rolos da Torah) é aberta e, ao final da oração, é fechada. Na tradição sefaradi, é recitado no Shabat, e a Arca não é aberta.

Ao longo dos Dez Dias de Arrependimento, cinco linhas de Avinu Malkênu que se referem a vários livros celestiais incluem a palavra Kotvênu ("Inscreve-nos"). Durante a Ne'ila, esta é substituída por Chotmênu ("Sela-nos, Assina"). Isso reflete a crença de que em Rosh Hashaná tudo está escrito e revelado e no Yom Kipur todos os decretos para o próximo ano são selados.

Quando recitado em dias de jejum (exceto o Jejum de Guedalia, que cai nos 10 dias da Penitência) a frase Barech Aleinu ("nos abençoe") no versículo 4 é recitada em vez deChadesh Aleinu ("renove-nos"), e Zochrênu (“lembre-se nós”) é recitado nos versos 19-23 no lugar de Kotvênu B'Sefer (“inscreve-nos no livro”). Os Dias de jejum em que não é recitado são Tisha B'Av, na tarde do Jejum de Ester, exceto quando é adiantado (não caindo, portanto, imediatamente antes de Purim) e quando o dia 10 de Tevet cai em uma sexta-feira é omitido em Minchá (como é usual numa sexta-feira).

Judeus sefaradim não recitam Avinu Malkênu em dias de jejum (exceto o que se enquadra nos dias de penitência). Em vez disso, uma série de Selichot, orações para o dia, são recitadas.

Avinu – Pai Nosso

Não por acaso, ao evocarmos Avinu Malkênu, Nosso Pai, Nosso Rei, nos vem à mente a oração cristã Pai Nosso. A invocação Pai Nosso = Avinu[1] é comum na liturgia judaica.

O Pai-Nosso ecoa orações judias para Deus; santificando Seu nome, falando de Seu reino, do perdão e do sustento. Cada linha do ‘Pai Nosso’ – a mais judaica das orações - contém paralela na literatura rabínica. Ela é excelente exemplo de como é impossível apreciar completamente passagens do Novo Testamento sem o seu próprio contexto judaico. Essa proximidade é mais aparente nas idéias e nas recitações da liturgia da sinagoga, com a qual Jesus, judeu devoto, devia ter estado inteiramente familiarizado. Quem pode deixar de reconhecer muitos outros paralelos, paráfrases e ecos do Pai Nosso no serviço religioso diário da sinagoga?  

A essência da oração Pai Nosso, expressão suprema da fé cristã, foi extraída de obras religiosas judaicas, chegando a usar as mesmas figuras de retórica. Suas primeiras palavras “Pai nosso que estais no Céu”, são uma paráfrase de parte das falas éticas dos Sábios Rabínicos (fariseus!) incluídas no Pirkei Avot 5:20: “...fazer a vontade do teu Pai que está no Céu.” ה,  כ- לעשות רצון אביך שבשמיים
O próprio conceito de “Pai Nosso” referindo-se à deidade, só é encontrado em fontes hebraicas (no Talmud[2] em Yomah 85b, Sotah 49b, Avot 5:20, Vaikrah Rabah 32), e na liturgia, como nas quinta e sexta bênçãos do Shmone Esrê[3].

5ª. Bênção Teshuvá (do Arrependimento)
Hashivênu avinu letoratêcha, vecarvênu malkênu laavodatêcha, vehachazirênnu biteshuvá shelema lefanêcha. Baruch ata Adonai, harotse biteshuvá.
“Reconduze-nos à Tua lei, nosso Pai, retoma-nos ao Teu serviço, nosso Rei, e faze com que regressemos com sincero arrependimento para ti. Bendito sejas Tu, D’us, que te comprazes com o arrependimento”.
6ª. Bênção Selach (do Perdão)
Selach Ianú avinu ki chatánu, mechal Ianú malkênu ki fashánu, ki El tov vessalach áta. Baruch ata Adonai, chanun hamarbê lislôach.
“Perdoa-nos, nosso Pai, pois pecamos; perdoa-nos, nosso Rei, pois transgredimos; porque tu és um D’us bom e clemente. Bendito sejas Tu, D’us Misericordioso que perdoas abundantemente”.
No Shabat Shuvá, entre Rosh Hashaná e Iom Kipur, acrescenta-se, no Kabalat Shabat:
Mi chamôcha Av harachaman, zocher ietsurav lechayim berachamim
“Quem pode ser comparado a Ti, ó Pai misericordioso? Tu te lembras das Tuas criaturas e as fazes viver pela Tua misericórdia”.
Também nas 3ª e 4ª bênçãos do Bircat Hamazon (Bênção de Graças após a Refeição), Deus é tratado como Nosso Pai:
3ª: Elohenu, Avinu, roênu, zonênu, parnessênu, vechalkelênu, vê-harvichênu.
“Nosso D'us, nosso Pai, nosso Pastor, nutre-nos, sustenta-nos, mantém-nos e alivia-nos”.
4ª: Baruch atá Adonai, Elohênu, melech há-olam, Avinu, malkênu, adirenu, borênu, goalênu, yotsrênu, kedoshenu, kedosh Yaakov, roenu, roê Israel, há-melech há-tov há-metiv lacol, bechol iom va-iom.
“Bendito és Tu, Eterno, nosso D'us, Rei do Universo, Todo Poderoso, nosso Pai, nosso Rei, Onipotente, nosso Criador, nosso Salvador, nosso Autor, nosso Santo, Santo de Yaacov, nosso Pastor, Pastor de Israel, Rei bondoso, que age com benevolência para com todos, dia após dia”.

No Shacharit (liturgia da manhã) de Rosh haShanah (Ano Novo), ao Shemah Israel,acrescenta-se Ata hu ad, que entre seus versos diz:
Kadesh et shimcha al makdishei shemecha, vekadesh shimcha beolamecha.
“Santifica o Teu nome no Teu mundo por Teu povo, que santifica o Teu nome”.
E, claro, no ritual de Ano Novo a oração Avinu Malkenu – “Pai Nosso, nosso Rei”.
Mais frequentes nos círculos hassídicos é a invocação "Pai Nosso que está no céu" (Yoma 8:9;Soah 9:15; Tosefta, Demai, 2: 9; em outros locais: "Yehi ratzon mi-lifnei avinu-bashamayim").

Uma comparação com o Kadish ("Que o Seu grande nome seja santificado no mundo que Ele criou, segundo a Sua vontade, e Ele possa estabelecer o Seu Reino rápida e proximamente"), com a Kedushah de Shabat ("Tua Majestade seja ampliada e santificada no meio de Jerusalém... Para que os nossos olhos possam ver Teu Reino"), e com o "Al-ha Kol" (Massekhet Soferim 14:12, oração: "exaltado e santificado... seja o nome do supremo Rei dos Reis no mundo que Ele criou, neste mundo e no mundo para vir, de acordo com Sua vontade ... E possamos vê-Lo olho no olho quando Ele reparar a Sua morada") mostra que as três frases,"Santificado seja Teu Nome","Teu Reino venha", e "A Tua vontade será feita na terra como no céu", inicialmente expressa uma idéia só- a petição que o reino messiânico possa aparecer rapidamente, mas sempre sujeito à vontade de D’us. A exaltação do nome de D’us no mundo faz parte da inauguração do Seu reino (Ezequiel 38:23), ao passo que a expressão "Tua vontade será feita" refere-se ao tempo próximo, significando que ninguém, só D’us sabe o Seu tempo de "divino prazer" ("ratzon"; Isaías 61:2; Salmos 69:13; Lucas 2:14).

O problema para os seguidores de Jesus foi o de encontrar uma forma adequada para esta petição, uma vez que eles não poderiam, como os discípulos de João e os essênios, rezar "Que Teu Reino venha rapidamente", tendo em conta o fato de que para eles o Messias tinha aparecido na pessoa de Jesus. Com o decorrer do tempo, a interpretação da frase "Tua vontade será feita", foi ampliada no sentido da apresentação de tudo para a vontade de Deus, na forma da oração de Rabi Eliezer (século I): "Fazer Tua vontade no céu acima e dar descanso ao espírito daqueles que temem a Ti na terra, e fazer o que é bom a Teus olhos. Bendito seja Tu que ouves oração!" (Tosefta, Bereshit 52:7).

Kadish[4] dos enlutados também acena, a guisa do consolo, com o advento inevitável do reino da Justiça, anunciado pelo Messias:

            Exaltado e santificado seja Seu grande nome
            No mundo que Ele criou de acordo com a Sua vontade.
            
Que ele estabeleça Seu Reino durante a vossa vida e durante os nossos dias,
            E durante a vida de toda a casa de Israel... Amém.
Apresento, a seguir, uma síntese de paralelos entre o Pai Nosso e passagens de orações litúrgicas e outros textos antigos da literatura judaica:
Pai nosso que estais no céu – Avinu shebashamáyim. Tsur Yisrael vegoalo “Nosso Pai que está no céu. Rocha de Israel e seu redentor!” (Oração pela paz de Israel, Shacharit de Shabat, Liturgia para Manhã de Sábado)

Santificado seja Vosso Nome - 
Itgadal veitkadash sheme rabah.
“Seja elevado e santificado Teu grande Nome” (Kadish).
Veal culam yibarach veyitromám veyitnassê shimchá malkenú tamid leolam vaed“E por todas estas coisas seja o teu Nome abençoado constantemente e exaltado e enaltecido, ó Rei nosso, para todo o sempre”. Bênção Hodaá (de Louvor) Uvechen yitkadesh shimcha Adonai Eloheinu“E assim será santificado o Teu Nome, ó Eterno, nosso D’us” (UvechenShacharit de Rosh háShanah, liturgia da manhã de Ano Novo)Nakdishach venaaritzach kenoam siach sod sarfe  kodesh“Nós Te santificaremos e reverenciaremos com tom harmonioso como o usado na assembléia dos santos serafins” (Kedushah, Shacharit para o segundo dia de Rosh haShanah)


Venha a nós o Vosso Reino – Yamlich malchutr bechayechon uveyomechon dechol bet Israel beagala uvizman kariv“Possa Vosso Reino ser realizado em vossa vida, e em vossos dias e na vida de toda Casa de Israel agora e para sempre” (Kadish).Samecheinu Adonai Eloheinu beEliahu haNavi avdecha, uvemalchut bet David meshichecha, bimehera iavo veiaguel libeinu.“Alegra-nos, ó Eterno, nosso D’us, com a vinda do profeta Elias, Teu servo, e com o reino da casa de David, Teu ungido, que venha logo e que nossos corações com isso se rejubilem”. (Samcheinu, bênção posterior à leitura da Haftarah, Shacharit de Rosh haShanah).

Seja feita a vossa vontade-Ihei ratzon milfanecha Adonai eloheinu, elohei avoteinu “Que seja a Tua vontade, Senhor nosso D’us, D’us de nossos pais” (como começam todas as brachot [bênçãos] de Rosh haShanah [Ano Novo])
Toda tefilah, cada oração e bênção, é básica e essencialmente uma variação do pedido Yehi Ratzon Milfanecha (convencionalmente traduzido como “Que seja Tua vontade”, mas que literalmente significa “Que haja (um estado de) disposição ante Você”).


O pão nosso de cada dia nos dai hoje – Rabi Eliezer, o Grande, disse: “quem tiver um pedaço de pão numa cesta e disser: que comerei amanhã? é uma pessoa de pouca fé” (Talmud, Sotah 48b).Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia”[5](Êxodo 16:4)ד וַיֹּאמֶר יְהוָה אֶל-מֹשֶׁה, הִנְנִי מַמְטִיר לָכֶם לֶחֶם מִן-הַשָּׁמָיִם; וְיָצָא הָעָם וְלָקְטוּ דְּבַר-יוֹם בְּיוֹמוֹ“Não me dês riqueza nem pobreza, concede-me o pedaço de pão”. (Provérbios 30:8).Noten lechem lechol bassar, ki leolam chasdo.“Dá o pão a todos os seres, porque Sua Benignidade persiste para sempre”. (Mizmorei Shabat, Cânticos de Shabat).
Se juntarmos os últimos versos, temos um paralelo no Talmud, em Berachot 29b, que diz: “Faz a Tua vontade acima e dá conforto aos que estão abaixo, e a cada um a sua necessidade”.

Perdoai os nossos pecadosSelach lanu Avinu ki chat’anu; mechal lanu ki pash’anu“Perdoai-nos, Pai Nosso, porque nos temos pecado, Absolve-nos, Nosso Rei, porque nos cometemos transgressões” (Amidah).Avinu Malkênu,selach umechal lanu lechol avonotênu“Pai Nosso, Nosso Rei, perdoa e desculpa todos os nossos pecados” (Machzor, livro de rezas para o Ano Novo e Dia do Perdão, Avinu, Malkenu)Ribono shel Olam ... timchol li al kol avonotai“Senhor do mundo ... perdoa todos meus pecados”. (Ribono shel olam, Shacharit de Rosh haShanah)“Meu D’us, se eu fiz algo … se em minhas mãos há injustiça, se paguei com mal ao meu benfeitor” (Salmos 7:4-6).
“Mas contigo está o perdão, para que sejas temido”. (Salmos 130:4)


Como nós perdoamos a quem nos tem ofendidoSamuel, o Pequeno, disse: “se o vosso inimigo cair, não vos rejubileis, se ele se perder, não deixai vosso coração se alegrar, para que D’us não veja e volte os Seus olhos e afaste dele Sua fúria” (Avot 4,24).Perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos, e o seu pecado, porque te fizeram mal; agora, pois, rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pai. (Gênesis 50:17) 
Este princípio também é encontrado no Talmud, em Shabat 151b, que diz: “Aquele que for misericordioso para com os outros, D’us lhe será misericordioso”.
Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal –No Talmud, em Berachot 60, encontramos uma frase semelhante: “Não me conduzas ao pecado, nem à iniquidade, nem à tentação, nem à desonra”.
Ela também aparece na liturgia:
Veal tevienu lo lidei chet velo lidei avera veavon, velo lidei nissaion velo lidei vizaion, veal ishlot banu ietzer hara.“... e não nos deixes cair em poder do pecado, da transgressão, da tentação, do desprezo; e que o mau impulso não nos domine”. (uma das bênçãos da liturgia da manhã).Vehasser satan milfanenu u meachareinu uvetsel knafecha tastirenu.“Livra-nos da tentação e ponha-nos sob a Tua Proteção”. (Bênção Hashkivenu, liturgia da tarde)
“D’us meu, livra-me dos meus inimigos, protege-me dos meus agressores!” (Salmos 59:2).
“O Eterno te guardará de todo o mal” (Salmo 121; Shacharit de Rosh haShanah, liturgia da manhã de Ano Novo)


“Seja um escudo para nós, e afaste nossos inimigos, doenças, a espada, fome, angústia. Afaste o Adversário da frente e de trás de nós” (oração de Mar filho de Ravina, Liturgia Noturna).
Iehi ratson milfanecha Adonai Elohai vê-elhei avotai, shetaslienu haiom uvechol iom meazei panim umeazut panim, meadam Ra, meietzer Ra, umechaver Ra, umishachen Ra, umipega Ra, meayin hara, milashon Ra, mimalshinut, meedut sheker, missin’at haberiot, mealila, mimita meshuna, mecholayim raim, umissatan hamash’chit, umibaal din kashe, bein shehu ben brit uvein sheeno ben brit, umidina shel guehinam.“Que seja de Tua vontade, ó Eterno, nosso D’us e D’us de nossos pais, que nos livre hoje e sempre dos homens arrogantes e da arrogância, do homem mau, da mulher má e do mau impulso; do mau amigo, do mau vizinho e da má ocorrência; do mau olhado, da má língua e da falsa acusação; do falso testemunho, do ódio humano, da calúnia, da morte desastrosa, das más doenças, dos maus acidentes, de um julgamento severo e de um acusador implacável, seja ele israelita ou gentio; também livra-nos do castigo do inferno”. (Iehi Ratzon, oração de Rabi; Talmud, Berachot, 16).


Esta súplica emotiva foi concebida para servir como uma meditação alternativa para concluir aAmidah em silêncio, por volta do século II, pelo sábio Rabi Yehuda HaNassi (Judá, o príncipe) o redator da Mishnah. Enquanto a oração original, como detalhado no Talmud (Berachot 16b), foi escrita sob forma plural, como a maior parte da liturgia, nossos sábios transformaram a bela oração de Rabi Yehudah em uma súplica singular quando a incluíram na seção inicial doSidur.

Desjudaizando Jesus, Paulo e outros fundadores do Cristianismo, orientados para os gentios, encontraram, em épocas posteriores, muitas maneiras de dissociar Jesus dos judeus e da religião judaica o mais possível, e de trazer a nova religião para um alinhamento mais condizente com doutrinas e práticas religiosas pagãs aceitas e generalizadas na antiguidade greco-romana.
Sob a luz do Antigo Testamento e do Judaísmo, o “Pai Nosso” não apresenta nenhuma idéia nova. Em “Anicia Proba Faltonia” (cerca de 411 EC), Santo Agostinho, nascido de uma família nobre, observa os paralelos no Antigo Testamento de cada pedido da Oração do Senhor. Ele concluiu “Se todas as palavras da sagrada invocação constante da Escritura fossem revisadas, você não encontraria nenhuma, isto me parece, que não está contida ou resumida no “Pai Nosso” (Epístola 130,12:22-13).



[1] Ou Aba (daí em Lucas simplesmente "Pai")
[2] Os trechos citados no artigo foram traduzidos por mim do Talmud Bavli, o Talmud completado na Babilônia no século V.
[3] Amidah (significa “em pé”), também chamada de Shemoneh Esre (as 18 bênçãos), é a oração central da liturgia judaica. Como oração judaica por excelência, é frequentemente designada simplesmente comotefilah (reza, oração) na liturgia rabínica. Judeus observantes recitam a Amidah cada manhã, tarde e noite a cada serviço do dia. A Amidah é também o centro do Mussaf (adicional), que é recitado no Shabat, Rosh Chodesh (lua nova, início de mês), e Festas, depois da leitura matinal da Torah. A Amidah semanal consiste de 19 bênçãos, embora originalmente tenha apenas 18; daí o nome Shemoneh Esre (=18).
[4] Kadish (do aramaico קדיש "sagrado") é o nome dado à prece especial dita regularmente nas rezas cotidianas e em enterros em memória aos entes falecidos, onde se dá ênfase à glorificação e santificação do nome de Deus. É rezado pelos filhos ou parentes próximos do falecido.
[5] No deserto, os israelitas tiveram a experiência do pão dado por Deus e do modo como o dá. Tal como o orvalho da manhã, assim caía do céu o maná cobrindo a terra, o pão de cada dia, suficiente para saciar o homem. Cada um podia apanhar o que necessitava: uns mais, outros menos. Segundo alguns autores, essa seria uma referência profética ao maná (“o pão de amanhã”) que voltará a cair quando do fim dos tempos. Esta porção da oração seria, portanto, uma oração para que D’us apressasse o retorno do Messias e o advento da Era Messiânica. Não era raro que grupos judaicos no primeiro século orassem pedindo o advento da Era Messiânica. O Kadish tem frase semelhante, dizendo: “Que Tu possas apressar o advento do Teu Messias...”

 

Jane Glassman é  Doutora em Língua Hebraica, Literaturas e Cultura Judaica - USP,
Professora Adjunta da UERJ, Fundadora e ex-Diretora do Programa de Estudos Judaicos UERJ,
Professora e Coordenadora do Setor de Hebraico – UFRJ (aposentada), escritora.

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1 Comentários:

  1. Todas as religiões foram fundamentada na Torah, ou seja no judaísmo. Te do o mundo deve saber disso!

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