Coisas Judaicas : Faça turismo no Portugal de raízes judaicas
[ ]
Latest News Updates
Faça turismo no Portugal de raízes judaicas
06/02/15 Posted by Coisas Judaicas

Faça turismo no Portugal de raízes judaicasA comunidade judaica em Portugal, de inquestionável valor cultural e financeiro, contribuiu de forma ativa para o desenvolvimento do país. A partir dos finais do século XV, as perseguições, condenações e conversões forçadas destruiriam esta comunidade. 

No entanto, muitos dos que então foram apelidados de “cristãos-novos” continuaram, no secretismo do lar, a honrar a sua religião e a transmitir, oralmente, as orações resistindo à assimilação.
A viagem que vos propomos de 10 dias é um olhar atento sobre um património de inegável valor, nem sempre visível, uma vez que sujeito a inúmeras destruições e pressões, mas que vamos descobrindo gradualmente, quer nas marcas cruciformes nas ombreiras das portas, nas gravações das menorahás, nas ranhuras, onde antes estavam as mezuzot e nas antigas sinagogas ainda que transformadas.
Real Embrace Portugal acompanha-o na descoberta de uma história, durante muitos séculos silenciada, recupera memórias adormecidas e ajuda-o num regresso à terra dos ancestrais que conseguiram preservar as tradições não obstante, as denúncias, o fanatismo e as condenações.
O relevo acidentado e montanhoso das serras contrasta com as aldeias encaixadas nos vales. As casas, de xisto ou de granito, tipicamente serranas, as igrejas e capelas, os lagares, os teares, os moinhos e os fornos comunitários são exemplos de um património que em conjunto com as memórias da população, urge divulgar para preservar.
1ºDia – Lisboa / Óbidos / Nazaré / Tomar / Coimbra.
Partimos de Lisboa em direção à vila medieval de Óbidos, a vila das Rainhas, testemunha de casamentos e batizados reais, foi prenda de casamento do rei D. Dinis a D. Isabel. Ocupada por sucessivos povos (como aliás todo o país) ergue-se, no cume escarpado, o castelo majestoso, a lembrar a quem o visita, outras épocas em que fazia parte do pentágono defensivo do reino, idealizado pelos Templários para a zona  centro de Portugal.
As ruas estreitas, os becos, o casario branco envolvem a vila numa atmosfera medieval, dinamizada no quotidiano pelas lojinhas de artesanato, as tabernas onde apreciamos a ginga da terra (servida em copos de chocolate) e as estátuas vivas da rua Direita.
Terra da grande pintora portuguesa, Josefa de Óbidos, a vila mantém-se entre muralhas. O percurso inicia-se na porta da cidade, onde logo a seguir vemos o pelourinho quinhentista (símbolo da autonomia judicial do concelho).
Entre igrejas, cruzeiros, paços e solares, a comunidade judaica instalou-se com os seus negócios na antiga almedina. Na Rua Nova encontramos ainda alguns dos vestígios dessa presença, em particular o antigo templo hebraico.
Depois de Óbidos saímos rumo à vila piscatória da Nazaré que ficou mundialmente famosa devido às ondas gigantes surfadas por Garret MacNamara.  Mas, o que nos espera é uma deliciosa experiência gastronómica proporcionada pelo peixe fresco. Grelhado na brasa ou em “caldeirada à nazarena” as opções são muitas. Para quem aprecia, não faltarão os saborosos frutos do mar. No final do almoço, caminhamos um pouco pela marginal onde podemos ver a secagem do peixe nos coloridos “paneiros” (tábuas com rede).
Subimos ao “sítio” da Nazaré onde apreciamos a espetacular vista sobre a praia, o porto de pesca e de recreio. Entre as lendas e a realidade visitamos a ermida da Memória e o Santuário da Nossa Senhora da Nazaré (opcional). Teremos a oportunidade de ver passar as mulheres nazarenas com os seus trajes típicos: as sete saias.
A nossa viagem continua, agora em direção a Tomar, sede da mais conhecida organização militar da Idade Média, a Ordem dos Templários. A nossa visita começa na Sinagoga de Tomar, uma das mais antigas do país que, depois de séculos a ser profanada, foi recuperada pelo engenheiro polaco Samuel Schwarz, na 1ª metade do século XX. O edifício encontra-se no meio da antiga judiaria medieval e as escavações arqueológicas, entretanto feitas, descobriram estruturas de aquecimento de águas e talhas, comprovando a existência de sala para banhos purificadores. Atualmente integra o museu em homenagem a Abraão Zacuto.
O percurso continua na Praça da República onde aproveitamos para apreciar a fachada manuelina daIgreja de São João Batista e as janelas dos edifícios antigos  que são um bilhete postal desta cidade à beira do rio Nabão.
Prosseguimos para o Castelo e Convento dos Templários, sede da Ordem do Templo, mais tarde Ordem de Cristo. A sua beleza arquitetónica, com destaque para a charola octogonal (finais do Séc. XII) e a janela manuelina deu-lhe a classificação de Património Mundial da Unesco .
Chegada a Coimbra e alojamento.
2º dia  -  Coimbra / Lourosa de Besteiros ( Tondela) e Seia.
Coimbra, cidade universitária, com mais de dois mil anos de História tem um conjunto histórico-cultural classificado como Património Mundial da Unesco. O nosso percurso inicia-se na Praça 8 de Maio, a partir da qual visitaremos a Judiaria Velha, Judiaria Nova, Igreja de Santa Cruz (panteão dos dois primeiros reis de Portugal). Seguimos em direção ao Pátio da Inquisição que deve o seu nome ao facto de ali ter funcionado, desde 1548, o Tribunal do Santo Oficio. A Praça Velha, um dos principais centros da urbe, integra este roteiro pois foi nela que tiveram lugar a grande maioria dos autos de fé ocorridos na cidade.
Vamos conhecer uma das mais antigas universidades europeias, a Universidade de Coimbra, e a sua extraordinária Biblioteca Joanina, expoente do barroco português. Importantes elementos da comunidade judaica e cristãos novos lecionaram nesta Universidade e desenvolveram importantes estudos científicos.
Estamos de partida para Seia, mas como Coimbra tem “mais encanto na hora da despedida”, fazemo-la naBriosa, a saborear uma doçaria conventual.
Da parte da tarde chegamos a uma pequena localidade da serra do Caramulo, Lourosa de Besteiros, onde marcamos encontro com mais um mistério criptojudaico. A visita será acompanhada pelo engenheiro Luís Filipe Pereira, autor do livro “O Leão de Judá rugiu em Lourosa de Besteiros” que nos explicará o legado encontrado em redor da “Casa Grande” e a investigação que, entretanto, tem sido feita com a colaboração do professor António Domingos Pereira, de modo a confirmar a existência de um complexo sistema social e administrativo composto pela sinagoga, tribunal, cadeia e o cemitério judaicos.
O entusiasmo da investigação aumenta com a descoberta, quatrocentos anos depois de terem sido cobertas por uma parede de argila, de três frases que incentivam o entusiasmo da investigação: “Quem enfraqueceu Sansão”; “E desacreditou David”; “E fez néscio Salomão”. Outros testemunhos revelam a forte presença criptojudaica, tais como: monogramas de Israel, concavidades nas portas que eram usadas para colocar a "Mezuzah, o "armário sagrado" e mais de uma dezena de símbolos cruciformes.
Uma visita fascinante que nos remete para um passado, não muito longínquo, cuja história continua por desvendar.
Chegada e alojamento em Seia ( Quinta do Crestelo).
3ºDia -  Seia / Cabanas de Viriato / Valezim / Cabeça /  Loriga /  Alvoco da Serra / Sabugueiro e Seia.
Não vamos ver grandiosos monumentos mas propomo-nos a descobrir, com as gentes das aldeias, um património imaterial genuíno. Viajamos até às aldeias serranas do concelho de Seia no coração do Parque Natural da Serra da Estrela. Oferecemos, com este roteiro, a magia da simplicidade e a oportunidade de participar em festas e tradições seculares ( conforme a época e estação do ano).
Aproveitamos o alojamento em Seia para visitarmos a cidade que ainda mantém tradições ancestrais. Do seu património edificado destacamos a Igreja Matriz, a da Misericórdia, os Paços do Concelho, o Pelourinho e as muitas casas senhoriais, símbolos do poder económico que, outrora, a pastorícia e a tradicional indústria de lanifícios deram a esta região. Do alto da colina onde se situa a Igreja Matriz (séc. XVIII) avista-se uma paisagem magnífica sobre a cidade e a Serra da Estrela. Na zona do Castelo de Seia são observáveis inscrições nos umbrais das portas que têm formas de candelabros ( Menorá e Hanukiah) em casas do século XVI-XVII.
Prosseguimos para Cabanas de Viriato e visita à casa de Aristides Sousa Mendes, Cônsul de Portugal em Bordéus o qual , durante a Segunda Guerra Mundial, desrespeitando as ordens do Chefe de Governo Português, António de Oliveira Salazar, emitiu vistos que permitiram, a cerca de 30 mil pessoas, serem salvas da perseguição e da morte, a maioria Judeus.
Regresso a Seia e almoço na Quinta do Crestelo.
A tarde é preenchida pela descoberta de algumas aldeias da Serra da Estrela, que apresentam um conjunto habitacional, caracterizado pelas ruas estreitas e sinuosas, onde as paredes das casas testemunham, com os seus símbolos registados na pedra,  a presença dos cristãos-novos que, na sua maioria dedicavam-se ao trabalho da lã.
Na aldeia de Loriga, instalada num alongado esporão encaixada nos flancos do planalto superior da serra da Estrela, localiza-se a única praia fluvial situada num vale glaciar. A paisagem caracterizada pelos socalcos e a sua complexa rede de irrigação fazem parte do património histórico da aldeia. Loriga é uma das terras serranas mais formosas devido à sua extraordinária paisagem e localização geográfica.
Seguimos para Alvoco da Serra, localizada entre Loriga e Unhais da Serra. Os recursos naturais e a força dos homens fizeram desta povoação, até meados do século XVIII um importante centro de lanifícios. Possui um património artístico rico, principalmente em arte sacra (Igreja Matriz e capela de São Pedro).
A aldeia de Cabeça, localizada num morro granítico, está rodeada de socalcos irrigados por um complexo sistema de canais. Com cerca de 200 habitantes a atividade agrícola é feita com base em métodos tradicionais. Esta aldeia transforma-se, na época natalícia, num verdadeiro e genuíno presépio. As casas rústicas feitas de xisto constituem um verdadeiro ex-líbris da povoação.  A Freguesia de Cabeça é conhecida pelas sopas caseiras feitas pela população.
Rodeada de carvalheiras e de soutos antigos Valezim , reza a lenda, teria sido a terra do chefe dos Lusitanos, Viriato, no tempo do domínio romano. A importância da aldeia é reconhecida no foral quinhentista e na presença do seu pelourinho. Do património edificado consta a Igreja da Nossa Senhora do Rosário, a capela de São Domingos e a Igreja paroquial do Santíssimo Sacramento.
Perto das cascatas (de Fervença e Covão da Ursa), encontramos a aldeia mais alta de Portugal (1080 metros): o Sabugueiro.
Habitada, outrora, por pastores a aldeia tornou-se um ponto de passagem para os turistas que vão para a Torre. Deste modo, são muitas as lojas que vendem os produtos típicos da região: o queijo da Serra da Estrela, o presunto, os enchidos, o mel, a aguardente zimbrada, os tapetes de lã e os excecionais cães da Serra da Estrela.
Mas, apesar da dinâmica comercial, a aldeia continua a oferecer uma beleza singular com os moinhos de água, o forno comunitário e a sua igreja matriz. No “Forno Velho”, transformado num espaço museológico, podemos conhecer a vida desta população, pastores e agricultores, marcada pela coragem e resistência.
Chegada a Seia e alojamento na Quinta do Crestelo.
4º Dia – Seia / São Martinho / Santa Marinha / Linhares da Beira / Gouveia / Meios / Belmonte.
São Martinho foi uma das mais prósperas e antigas terras do concelho de Seia. Ainda hoje é possível ver registos que demonstram a vivência de uma antiga comunidade de cristãos-novos e judeus, que dinamizaram a economia local. A aldeia tem belos exemplares da arquitetura civil e religiosa, tais como a Casa da Torre e a Igreja de S. Martinho.
Em Santa Marinha fixaram-se, desde tempos recuados, os judeus, havendo registos de arrematação de direitos reais na primeira metade do século XV pelo judeu Salomão Navarro. É de destacar a rua Central de Santa Marinha e as ruas adjacentes onde podemos observar alguns exemplares de arquitetura quinhentista e seiscentista, exibindo marcas cruciformes e uma estrutura típica do aproveitamento de casa atribuída aos judeus e cristãos-novos.
Chegamos a Linhares da Beira integrada no Parque Natural da Serra da Estrela, deve o seu nome ao linho que ali se produzia. A povoação cresceu na encosta sul exposta ao sol e ao abrigo do imponente castelo, baluarte avançado do sistema defensivo da raia beirã. Possui um rico património construído, onde destacamos o Bairro Judeu ( na Rua do Passadiço) a que se acede pela “ Casa do Judeu” que terá sido uma antiga Sinagoga. Ali se localizaria a porta da Judiaria que abria e fechava de acordo com o toque das matinas e das trindades, na Igreja Matriz, obedecendo, desta forma,  às regras estabelecidas pelos reis sobre a vida das judiarias.  Neste espaço observamos portas biseladas e a estrutura tradicional da casa atribuída aos judeus comerciantes (uma porta larga para instalação do comércio e uma, mais estreita, de acesso à residência). Dezenas de símbolos cruciformes atestam a presença dos judeus conversos.
Destacamos ainda  o “Fórum” e a fonte de mergulho, um conjunto arquitetónico singular. Neste lugar, na Idade Média, a assembleia municipal, representada pelos homens bons reunia-se para debater os assuntos administrativos e judiciais.
Linhares da Beira, conhecida internacionalmente pelo Festival Internacional de Parapente, é um lugar que merece o nosso carinho, quer pela paisagem deslumbrante que nos oferece, quer pela história registada em cada edifício por onde passamos.
De seguida vamos em direção à “Cidade Jardim”, Gouveia, na vertente norte da Serra da Estrela, que  apresenta vestígios de uma comunidade judaica bem organizada, associada então  à indústria dos lanifícios. Depois da data de expulsão dos judeus de Espanha (1492), muitos afluíram a Gouveia e intensificaram o trabalho dos lanifícios praticado então de forma muito rudimentar. Poucos anos mais tarde é construída uma Sinagoga (última a ser construída na Península Ibérica antes da expulsão decretada por D. Manuel I e posterior conversão forçada dos Judeus) e cujo registo fica patente na pedra encontrada em 1967 numa casa da Rua Nova, em plena judiaria de Gouveia. A torsa com a inscrição hebraica (1496) está depositada no museu de Arte e Memória.
Partimos para a aldeia de Meios e visitamos o Museu de Tecelagem. Esta antiga fábrica de lanifícios conserva os teares originais recuperados e utilizados ainda na produção do famoso cobertor de papa. Os painéis informativos do museu dão a conhecer a História desta atividade artesanal.
Chegada a Belmonte e alojamento na Pousada Convento da Nossa Senhora da Esperança.
5º Dia – Belmonte / Caria / Colmeal da Torre e Sortelha.
Local de partida e de chegada, a vila de Belmonte, na Beira Baixa, integra a rede das aldeias históricas de Portugal. Daqui partiu Pedro Álvares Cabral para liderar projetos que enriqueceriam a humanidade pelo encontro de culturas. Aqui chegaram judeus à procura de paz pois, segundo dizem, a morfologia do terreno dificultava o acesso dos inquisidores. No entanto, muitos foram julgados e condenados num processo contínuo de perseguição que conduziria à prática secular de tradições sigilosas.
Descoberta pelo engenheiro polaco Samuel Scharwz, nos inícios do século XX, é hoje uma das comunidade mais importante de Portugal, reconhecida oficialmente em 1989. A sua Sinagoga, Beit Eliahu”(Filho de Elias), localiza-se numa das ruas da antiga judiaria e é neste local que começa a nossa visita.
Percorremos as ruas onde as pequenas casas de granito, térreas, registam as marcas da simbologia criptojudaica. Visitamos o Museu Judaico (único em Portugal) que retrata a história da presença sefardita em Portugal, os seus usos e costumes. Integra também um memorial sobre as últimas vítimas da inquisição. Vamos conhecer, igualmente, o Museu dos Descobrimentos - Centro Interpretativo à Descoberta do Novo Mundo e o Museu do Azeite.
Próxima de Belmonte, visitamos a pequena vila de Caria tem um espólio histórico muito interessante e do qual destacamos: a Casa da Torre; a Igreja matriz da Nossa Senhora da Conceição, a “Casa da Roda” onde está patente uma exposição sobre Casas da Roda e os solares, em particular o de Quevedo Pessanha do século XVIII.
Antes de Sortelha, paramos em Colmeal da Torre, local onde encontramos uma antiga villa romana, do século I, Centum Cellas. Este edifício envolto em alguma polémica quanto à sua funcionalidade é testemunho da importância da região no período romano já que perto existiria a estrada que ligava Bracara Augusta (Braga) a Emérita Augusta ( Mérida).
Continuamos o nosso percurso e entre o cabeço de São Cornélio e a Serra da Opa nasceu uma das belas aldeias de Portugal. Sem grandes monumentos, mas com um conjunto patrimonial tipicamente beirão,Sortelha (Sortícula ou Sórtija) cristalizou no tempo, fenómeno que lhe atribuiu um valor incalculável. A visita começa pelo Castelo e Torre de Menagem, onde podemos ver outras povoações que, na Idade Média, tiveram um importante papel defensivo da zona raiana. Percorremos a povoação, e seguindo pela Rua Direita observamos um conjunto patrimonial de rara beleza composto por casas quinhentistas, solares, igrejas e capelas. De destaque a antiga casa da Câmara e Cadeia; a casa do Governador do concelho de Sortelha, a residência Paroquial ou Passal, a Igreja Matriz com a sua torre sineira e as “malguinhas da fidalga”. A ver ainda, numa das portas da muralha, o registo das antigas medidas (palmo, côvado e braça) fundamentais em dias de feira.
Chegada a Belmonte e alojamento na Pousada Convento da Nossa Senhora da Esperança.
6º Dia -  Castelo Novo / Monsanto / Idanha-a-Velha / Castelo Branco e Belmonte.
No sopé beirão da Serra da Gardunha encontramos uma das “ mais comovedoras lembranças”, no entender do escritor José Saramago, a povoação de Castelo Novo.
Estruturada em redor do seu castelo cresceu adaptando-se às irregularidades morfológicas do terreno. Aqui ouvimos o murmurar constante da água (do Alardo) que o povo diz que “cai em pedrinhas, em pedrinhas cor de sal”.
Nas ruas estreitas, as casas tipicamente beirãs, de granito e sem reboco, são a identidade da aldeia. O pelourinho, a Casa da Câmara/ Paços do Concelho e Cadeia do tempo de D. Manuel I e o Chafariz barroco, do reinado de D. João V são alguns dos monumentos a visitar. Depois do castelo, paramos na Lagariça ouLagareta, rudimentar lagar de pedra de origem romana.
Retomamos viagem e no alto da Torre de Lucano, avistamos o galo (réplica do galo de prata) que lembra, a quem visita Monsanto, que esta aldeia, anos atrás, ganhou o prémio da “aldeia mais portuguesa”. Outras existirão, igualmente belas e únicas, mas Monsanto no alto do morro granítico encanta. Monte Sancto, doado no século XII ao Mestre da Ordem dos Templários, Gualdim Pais, terá sido, na sua origem, um castro lusitano famoso pela resistência aos romanos que os sitiaram durante 7 anos. Hoje, ao ritmo dos adufes, festeja-se o dia, (3 de maio), em que a população arremessou um bezerro aos romanos como que a dizer que estavam bem, de saúde e prontos para mais 7 anos…Bem, agora não será um bezerro, mas um cântaro enfeitado de rosas. Depois de uma subida corajosa entre casas quinhentistas, capelas e solares, estamos no castelo, notável exemplo medieval. No topo desfrutamos de uma paisagem única, a norte a Serra da Estrela e a Espanha a poucos Kms.
Não deixamos esta bela aldeia sem antes cumprimentar a melhor tocadora de adufe, a Dª Amélia Fonseca que, com a sua jovialidade e simpatia, canta e encanta, na arte de tocar este instrumento de origem árabe. Conta-nos a história da marafona, boneca de trapo, com atributos mágicos, que não convém menosprezar.
Na despedida lembramos o escritor Fernando Namora que viveu, trabalhou e escreveu os seus últimos livros nesta bela povoação de Monsanto.
Agora em Idanha-a-Velha (Egitania ou Antanya), vamos conhecer uma povoação que é a prova da presença, no nosso país, de várias civilizações. De município romano a terra de Templários, Idanha, mais tarde a velha, foi outrora uma cidade importante e de onde partiam várias estradas. Hoje, resiste ao abandono, continua museu aberto e gratuito a todos os interessados.
A visita começa pelo Largo do pelourinho, antiga casa da Câmara e Cadeia e continua no Castelo dos Templários e Igreja de Santa Maria. Esta Igreja, Sé Catedral, foi adaptada e reconstruída ao longo dos séculos. Antiga mesquita islâmica é um dos mais belos exemplos da presença islâmica a norte de Portugal.
De regresso a Belmonte paramos na bonita cidade de Castelo Branco. Cidade histórica da Beira Baixa, possui velhos solares, ricas igrejas e belos jardins. Destacamos o antigo Paço Episcopal, construído em 1596, e o  famoso jardim barroco com lagos, cascatas, repuxos e estatuárias únicas. Doada à Ordem dos Templários, pelo primeiro rei português, a cidade só conheceu um significativo desenvolvimento económico com a chegada dos judeus sefarditas no século XV. Aqui nasceu o notável médico e professor universitário, João Rodrigues,  mais conhecido por Amato Lusitano que, perseguido pela  Inquisição, acabou os seus dias sobre a proteção do sultão Solimão, o “Magnifico”.
Chegada a Belmonte e alojamento na Pousada Convento da Nossa Senhora da Esperança.
7º Dia – Belmonte / Castelo de Vide / Marvão / Évora.
Deixamos a Beira Baixa e rumamos em direção ao Alto Alentejo, Castelo de Vide, burgo medieval de grande importância defensiva, possui uma riqueza patrimonial que testemunha a presença de diferentes povos e culturas. Com uma importante comunidade judaica, sobretudo a partir do século XV, viu nascer notáveis humanistas dos quais destacamos o médico Garcia da Orta.
A nossa visita centrar-se-á no núcleo histórico. Percorremos as ruas onde se localizaria a antiga judiaria, visitamos a Sinagoga, cujo museu integra vários conteúdos expositivos sobre a História dos Judeus e a diáspora. Seguimos para a oficina – museu do Mestre Carolino, na Rua Nova, que regista a importância dos artífices judeus da Idade Média e terminamos no Largo Dr. Frederico Laranjo para vermos o monumento considerado “ex-libris” da vila, a sua Fonte.
No final do dia, já em direção a Évora, paramos em Marvão um dos mais importantes pontos de entrada dos judeus em Portugal após o Édito de Alhambra, em 1492, que expulsou os judeus de Espanha.
Chegamos a Évora , a “cidade-museu”. O seu património é tão rico e variado que recebeu o título depatrimónio mundial pela UNESCO. Fazemos um périplo pelo centro da cidade e vamos conhecer o Templo de Diana (o vestígio mais importante da ocupação romana, dedicado ao culto imperial), a Sé de Évora(importante catedral, em estilo gótico)Capela dos Ossos e a Universidade (fundada no século XVI ).
Percorremos a antiga judiaria, uma das maiores do país, que chegou a ter duas sinagogas, os banhos e um hospital. Uma placa, na Travessa de Cima, lembra a existência da comunidade e de um dos seus notáveis humanistas, Diogo Pires.
Na bela Praça do Giraldo apreciamos o artesanato alentejano, com destaque para os trabalhos em barro e cortiça.
Alojamento em Évora.
8º Dia  - Évora / Parque Natural da Arrábida / Portinho da Arrábida / Azeitão
Quinta da Bacalhoa ou workshop sobre o azulejo / Lisboa.
Em direção à capital, a Real Embrace Portugal dá-vos a conhecer uma das mais belas paisagens do país: oParque Natural da Arrábida e a sua Serra. Com uma das mais elevadas áreas de biodiversidade, o maciço sudoeste da Serra da Arrábida, constitui uma das maiores cortinas de falésias à beira-mar. As praias, do concelho de Setúbal, protegidas pelo verde da serra, têm areia fina e águas transparentes. Considerada uma das sete maravilhas de Portugal, a praia do Portinho da Arrábida é um local privilegiado que oferece um cenário idílico.
É obrigatório experimentar a gastronomia da zona que oferece os melhores pratos de peixe e de marisco, acompanhados pelo conhecido queijo de Azeitão e pelos magníficos vinhos da Região Demarcada das Terras do Sado.
Da parte da tarde, em Vila Nogueira de Azeitão, temos, como alternativa uma visita à Quinta da Bacalhoa e ao seu palácio, um dos raros exemplos da arquitetura civil renascentista em Portugal com magníficos painéis de azulejos. O tour será, para os interessados, enriquecido com uma prova do excelente vinho da quinta. Como opção propomos a visita a uma fábrica artesanal de azulejos onde, para além de aprender as técnicas de fabrico manual, poderá criar o seu próprio azulejo.
Chegada a Lisboa e alojamento.
9º Dia – Lisboa / Sintra / Azenhas do Mar / Cabo da Roca / Cascais / Estoril e Lisboa.
Sintra é uma vila singular, sedutora e romântica. O seu património paisagístico e cultural valeu-lhe o título de património mundial pela UNESCO. Região habitada, desde a pré-história, é nos finais do século XIX e início do século XX que ganha notoriedade como vila de lazer e encontro de poetas, artistas, músicos e aristocratas.
O percurso tem início no Palácio da Vila e centro Histórico, percorremos as ruas estreitas e vielas e passamos pela Quinta da Regaleira e pelo Palácio de Seteais. Entretanto, teremos a oportunidade de experimentar os deliciosos travesseiros ou queijadas de Sintra na antiga fábrica de Constância Piriquita.
Subimos a Serra de Sintra e visitamos o Palácio da Pena, um dos monumentos mais emblemáticos do romantismo português construído no século XIX pelo rei consorte de D. Maria II, D. Fernando.
Deixamos Sintra continuamos a viagem em direção a Azenhas do Mar, que está situada num vale pitoresco. Com casario antigo, construído nas arribas e descendo em direção ao mar, esta povoação data, provavelmente, do período da ocupação Árabe, com a construção dos primeiros moinhos de água, as populares Azenhas, que deram nome à povoação. 
Seguimos para o Cabo da Roca, “onde a terra se acaba e o mar começa”. A cerca de 150 metros do mar é o ponto mais ocidental da Europa Continental e o mais perto do Continente americano. Com uma vista surpreendente da Serra de Sintra e da costa, vemos a praia do Guincho, considerada pela CNN como uma das dez melhores praias urbanas da Europa. O vento e as ondas fortes fazem com que seja procurada para a prática de Kite e Windsurf.
De regresso a Lisboa, pela costa, paramos na vila piscatória de Cascais e Estoril, antiga estância de luxo, na 1ª metade do século XX, capaz, então, de competir com as mais conceituadas do sul da Europa. O Casino Estoril e o Palace Hotel ainda hoje são obras emblemáticas desse tempo. Adotando o nome de Costa do Sol, a zona viria a acolher uma enorme quantidade de estrelas de cinema e de refugiados ilustres que aproveitavam a neutralidade do país, durante a 2ª guerra mundial (entre eles muitos judeus que entraram com vistos concedidos pelo “Justo entre as Nações”, o Cônsul Aristide de Sousa Mendes. Evocando a importância desta vila para os milhares que procuravam o seu refúgio foi inaugurado, há já alguns anos o  “Espaço Memória dos Exílios”.
Chegada a Lisboa e alojamento.
10º Dia – Lisboa.
A visita inicia-se na zona mais antiga e típica da cidade de LisboaAlfama. Percorremos as ruas estreitas e labirínticas e deixamo-nos conduzir em direção ao rio Tejo. Visitamos três, das quatro antigas judiarias: a de Alfama, a Judiaria Velha e a Judiaria Nova ou das Taracenas. Durante o percurso paramos para observar o belo portal manuelino da Igreja da Conceição Velha.
Já na Praça do Comércio, antigo Terreiro do Paço, palco de acontecimentos que marcaram a História dos Judeus, teremos a oportunidade de observar o rigoroso traçado urbanístico da baixa pombalina, com as suas ruas alinhadas e perpendiculares embelezadas pela calçada portuguesa.
Entre lojas, artistas e cafés percorremos uma das ruas mais bonitas da capital, a rua Augusta encimada pelo Arco do mesmo nome e rumamos em direção à Praça D. Pedro IV (Rossio). Aqui, onde hoje está oTeatro D. Maria II, localizava-se o Palácio dos Estaus (Sede da Inquisição). Bem perto, no Largo de São Domingos uma placa evocativa em homenagem aos milhares de judeus vítimas do massacre de 1506.
Ainda no Rossio, e a jeito de descanso, saboreamos algo típico da cidade de Lisboa. Deixamos uma pista, para quem a desconhece, chegou a Lisboa no século XV, da Ásia, e podemos escolher “com elas ou sem elas”…
Da parte da tarde, depois do almoço, visitamos a Sinagoga de Lisboa, Shaaré Tikvá a primeira construída de raiz desde a destruição oficial do judaísmo português em 1497. Tempo para irmos até ao Largo do Carmo, sítio repleto de História e onde, na Idade Média teria existido a mais antiga Judiaria de Lisboa, a do bairro da Pedreira.
A grande epopeia dos Descobrimentos Portugueses teve o contributo de importantes elementos da comunidade judaica que, com o seu saber científico, desenvolveram estudos e técnicas da navegação. O nosso percurso continua pois, em Belém, lugar onde se encontram os principais monumentos que testemunham esse período da História: o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos.
O dia termina com o tão apreciado e internacionalmente conhecido “pastel de Belém”.
Alojamento em Lisboa.

Fonte:http://www.real-embrace-portugal.pt/

Coisas Judaicas

Agradecemos por sua visita! Se você gostou, use um dos botões acima e compartilhe!

1 Comentários:

  1. Estava a espera que a cidade de Leiria estivesse incluida. De qualquer forma. É bom ter conhecimento de outras cidades e vilas com um histórico judaico. Já é tempo de termos conhecimento sobre a grande influência que os judeus tiveram e continuam a ter no crescimento de Portugal.

    ResponderExcluir

Deixe sua opinião

Real Time Web Analytics