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Resiliência, Judaísmo e Cultura Organizacional
24/01/15 Posted by Coisas Judaicas

Resiliência, Judaísmo e Cultura Organizacional

 Izabella de Lucena

Este livro é o resultado de um trabalho de pesquisa que proporcionou antes de tudo uma forte realização pessoal, decorrida do que era um sentimento de profunda curiosidade instigante, mas que, ao longo do processo investigativo, permitiu transformar o fascínio, com as descobertas, em concreto material para contribuição com os campos de conhecimentos a respeito de judeus, resiliência e organizações. O reconhecimento da complexidade encerrada nesses temas é proporcional à percepção de quão introdutória é a contribuição fornecida por esse estudo.

Este livro traz, numa feliz construção, o conceito de Resiliência para áreas de fronteiras entre a Antropologia, a Psicologia, a História e a Administração. A autora aponta a Resiliência Judaica como fator relacionado à longevidade dessa cultura e mostra, com o estudo de um case organizacional, como a resiliência coletiva e individual mesclam-se e se refletem na cultura da empresa.

AUTORA: Izabella Moreira de Lucena é mestra em Antropologia (UFPE), especialista em Dinâmica de Grupo e Gestão de Equipes e graduada em Psicologia (Unicap). Atua como psicoterapeuta de adultos em sua clínica desde 1991 e foi consultora de RH e diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos de Pernambuco (ABRH-PE) entre 1993 e 2001.

Dentro da Antropologia, foi pioneira em defender uma nova categoria: a Resiliência Judaica. Junto ao Arquivo Histórico de Pernambuco desenvolveu pesquisas e exposições culturais, dentre as quais se destaca "No Porto de Pernambuco, a Porta para Nova Iorque" montada na Yeshiva University Museum, no Center for Jewish History (2004), em Nova Iorque, da qual foi responsável pela concepção, textos e co-curadoria.

Pessach e a característica resiliente FOCO


A festividade ajuda a manter o foco no ideal de homem livre em condições auto-sustentáveis e eticamente comprometidas.

Izabella Moreira de Lucena

Inicialmente, a festa de Pessach tinha o caráter agrícola-pastoril, pois estava associada ao período das colheitas e do crescimento do rebanho de ovelhas no período da primavera. A palavra Pessach deriva de um verbo que significa ‘mancar’ ou ‘pular’, provavelmente utilizada, segundo alguns historiadores, para descrever os primeiros passos vacilantes de uma ovelha recém-nascida. Entretanto, o sentido histórico vinculado à comemoração anual do Êxodo, ocorrido, também, na primavera, transcende em importância às celebrações de cunho agrícola e pastoril. E, assim, a palavra Pessach, reinterpretada, passou a ser compreendida como “passagem”, ou ainda, a passagem para a liberdade, significado maior da celebração desta festividade.

No âmbito religioso, acredita-se que se descortinou, a partir do Êxodo, o cenário através do qual Deus demonstrou suprema atenção para com Seu povo, preparando-o para a reafirmação da Aliança no Sinai. Com a entrega das tábuas no Monte Sinai, através da revelação de um código de ética, ficou claro que os ensinamentos precisavam ser “enfocados”, como base do sistema de orientação visando encontrar a Terra Prometida e ainda, que deveriam ser seguidos para o povo continuar merecendo a proteção divina.

No início da história judaica, desde a primeira comunicação entre Deus e Abraão, o fator territorial é posto em evidência, transformando-se em um objetivo a ser alcançado. Com o episódio do Êxodo, mais uma vez, este fator se destaca. A saída do Egito não implicava apenas na libertação dos escravizados. Existia uma consciência objetivada na jornada empreendida através do deserto. Não era um grupo de fugitivos a esmo, havia uma decisão clara sobre para onde o grupo estava indo. Focados, apesar de todas adversidades, o grupo se dirigiu firmemente à Terra Prometida, já apalavrada por Deus a seus ancestrais.

Durante o episódio do Êxodo, destacam-se duas formas de expressão da característica resiliente “foco”. A primeira é que, acreditando na atenção de Deus voltada à causa do povo, a consciência coletiva se mantém como fonte de propósito para atingir os objetivos, apesar das circunstâncias adversas. Outro exemplo é a abertura do Mar Vermelho, especialmente para a passagem dos israelitas em fuga. O simbolismo agregado a esse episódio transmite a noção de que se o senso de propósito for mantido e o código de ética seguido, os percalços poderão ser ultrapassados, através de uma relação recíproca entre Deus e o Seu povo.

Nas celebrações de Pessach há a preocupação em fazer com que, principalmente as crianças, se sensibilizem com a história de seus antepassados, guardando-a na memória. Para isso, segue-se um ensinamento contido em Êxodo 13:6-8, que diz: “Comerás pão sem fermento... Explicarás então a teu filho: isto é em memória do que o Senhor fez por mim, quando saí do Egito”. A força da memória histórica para os judeus parece mesmo desempenhar uma função bussolar, que orienta e facilita a capacidade de restabelecer perspectivas, restaurando forças para continuarem em busca dos objetivos.

Como o acontecimento histórico do Êxodo marcou o início da história de “um povo autoconsciente, com um senso de propósito e destino comuns” e como o evento caracterizou o rompimento do período de escravidão, a comemoração passou a ser uma celebração da liberdade.

Coisas Judaicas

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