Coisas Judaicas : Casamento Versus Viver Junto
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Casamento Versus Viver Junto
26/01/15 Posted by Coisas Judaicas

Fiz uma palestra certa vez, na residência de um amigo em Londres, durante minha aula semanal para casais, dos quais muitos não necessariamente casados, sobre por que as pessoas deveriam transformar relacionamentos em casamento. 

Pela primeira vez um casal que estava vivendo junto em um relacionamento de vinte e sete anos, mas nunca havia se casado, compareceu.

Eu fora avisado de antemão de sua situação um tanto irregular, e de certa forma dirigi a eles minhas observações. Ninguém poderia afirmar que não estavam comprometidos um com o outro. Na verdade, embora ambos fossem previamente divorciados, já estavam juntos por vinte e sete anos. Em seu testamento, tudo que ele possui está sendo legado a sua "parceira", como ele se refere a ela. Mas ele se recusa a casar-se, porque já passou por um mau casamento e sente que não precisa disso. 

Considera o casamento como uma satisfação à comunidade, apenas um pedaço de papel sem nenhum significado. Eu discordo. Ele estava dizendo que o casamento é apenas um símbolo daquilo que sentem um pelo outro, e que os símbolos não são tão importantes assim.

Primeiramente, como dissemos em muitos destes ensaios, o casamento é muito mais que um símbolo. Porém mesmo os símbolos são importantes; a vida está repleta de símbolos. Para um judeu, por exemplo, colocar o solidéu (kipá) é um símbolo de orgulho por seu Judaísmo. É uma proclamação ao mundo daquilo que ele é. Suas ações serão baseadas no fato de que ele sabe que as pessoas sabem que ele é judeu. Quando um soldado americano enverga uma farda americana, não apenas distingue-se do inimigo, como dá um testemunho daquilo que representa. Quando luta contra um soldado nazista, não está somente lutando contra um inimigo, está libertando a humanidade. Ao vestir sua farda, o soldado torna-se a democracia personificada. É por isso que arrisca a vida para cravar sua bandeira, como no filme mundialmente famoso sobre a batalha de Iwo Jima, quando os fuzileiros americanos, em meio a terrível luta, se reúnem para juntos cravarem a bandeira, que hoje serve de principal monumento ao Corpo de Fuzileiros Navais Americanos.

Embora um símbolo meramente represente alguma outra coisa, nossa prontidão em abraçar ou rejeitar aquele símbolo torna-se a chave daquilo que sentimos pelo objeto que representa. Quando um homem usa um anel de casamento, é como se fosse uma declaração ao mundo, não apenas que ele está amando alguém, como também que está tão orgulhoso disso, que anuncia este fato ao mundo todo. Diz ao mundo que está casado, que não apenas ama uma pessoa, como também está se afastando de formas íntimas de afeição com outras mulheres. Quando uma mulher orgulhosamente exibe seu anel de noivado, está proclamando a todos que quiserem ouvir que ela acredita que seu noivo é alguém especial, e que ela se considera uma pessoa de sorte.

Sonhos e símbolos

Estes símbolos são incrivelmente importantes. Toda empresa precisa de um logotipo, todo país possui uma bandeira, toda religião necessita de um ícone. Entendemos sua necessidade e sua importância. De repente, quando se trata de casamento, as pessoas dizem que é "apenas" um símbolo. Perdemos todo o respeito por símbolos na sociedade de hoje.

Eis por que em meu primeiro livro Sonhos eu discuto que as pessoas não podem entender seus sonhos. Acordam pela manhã tendo visto durante a noite estas imagens poderosas de suas vidas que, se fossem compreendidas, lhes diriam tanto sobre si mesmos, especialmente aquelas coisas que podem não estar prontos para encarar conscientemente. Coisas que falam de emoções tão grandes que jamais poderemos expressar, segredos tão profundos e escuros que não ousamos enfrentar, ganham vida em cores reais. Porém, nós os descartamos rapidamente, e esquecemos nossos sonhos porque não podemos entendê-los. Perdemos nossa capacidade de apreciar os símbolos, imagens visuais e linguagem pictórica. Podemos apenas falar verbalmente, de tal forma que quando vamos ao museu precisamos de um professor erudito para traduzir os hieróglifos encontrados numa antiga tumba egípcia. Somos ignorantes, bem como apáticos, sobre a linguagem dos símbolos.

Qual a diferença entre linguagens verbais e visuais? A linguagem verbal faz com que o ouvinte evoque uma imagem em sua mente. Por exemplo, se eu descrever todos os detalhes da casa onde cresci em Miami Beach, cada leitor terá um quadro diferente sobre o aspecto da casa em sua imaginação. A razão é esta: ao assimilarem os vários detalhes da casa em um todo coerente, serão eles a criar e formar a imagem na mente. Porém, se eu imprimisse o desenho da casa junto com a descrição da mesma, todos os leitores saberiam exatamente como ela era. Em outras palavras, imagens visuais são poderosas porque plantam uma imagem na mente do observador. Produzem um impacto ao carimbarem sua impressão na pessoa que as olha.

Quando você apenas diz verbalmente a uma pessoa que a ama, ou que irá viver com ela, isso tem algum impacto, é de certa forma poderoso. Quando lhe demonstra isso em cores vivas ao dar-lhe um anel na presença de toda a comunidade, está dizendo: "sou seu," numa declaração de amor que eles jamais poderão esquecer. Está carimbado neles como um selo de aprovação. Alguém está proclamando: "Você é meu, não importa quantos queixos venha a ter daqui a cinquenta anos, ou como será sua saúde durante a vida. Sempre o amarei e lhe terei devoção." 

Em um casamento judeu, a mulher não usa jóias sob a chupá (pálio nupcial), e um homem nada tem em seus bolsos; a mulher usa um véu para mostrar que a despeito de sua beleza ou do status financeiro do casal, mesmo se os bolsos estão vazios, mesmo assim amam um ao outro. Estão assumindo um compromisso para toda a vida, independente de quaisquer considerações externas. Está sendo mostrado a toda a comunidade. Este símbolo é tão poderoso porque é uma representação visual de seu amor; algo que a palavra "relacionamento" jamais poderá transmitir. Mesmo nos dias de hoje, sabemos que o casamento é intenso e compromissado. Um relacionamento sempre oferece uma porta de saída.

Saber que você está casado com alguém é a suprema e constante declaração de amor. Em um relacionamento sempre há uma ambigüidade; será que ele me ama? Será que ainda me ama? Você está sempre se questionando. Isso também pode existir no casamento, mas pelo menos ocorre dentro de uma estrutura completa do amor e compromisso que assumiram um com o outro.

Proclamação total de amor

A idéia completa de um símbolo é que uma foto pode captar algo em sua totalidade. Esta foi minha intenção com o exemplo da casa. Que uma foto diz tudo aquilo que diria um livro inteiro sobre a casa. Captura tudo, e coloca tudo junto numa imagem visual. Causa um impacto muito mais poderoso no observador. Eis o que é o casamento. Encerra todos os sentimentos que você tem pela pessoa. É a declaração de um ser humano a outro: "Eis o quadro de meus sentimentos, eu sou seu... Amo-o tanto que quero me arriscar por você. Aceito o comprometimento absoluto. Não sei como me sentirei em dez ou vinte anos, mas isso não faz diferença. Minha proposta de casamento encerra tudo aquilo que sinto a seu respeito." Não há melhor maneira de expressá-lo.

De que forma um relacionamento pode dizer tudo isso? É claro que você pode dizer a alguém: "Estamos vivendo juntos, eu a amo, você é minha, saímos juntos, compartilhamos o mesmo espaço, o mesmo dinheiro, portanto não precisamos nos casar. Já temos isso tudo." Porém, mesmo assim, são somente palavras. Não há uma imagem. Sempre deixa margem para alguma ambigüidade, da mesma forma que cem pessoas diferentes farão uma centena de imagens diferentes de minha casa após lerem minha descrição. Uma centena de pessoas terá cem diferentes modos de pensar sobre o que significa um relacionamento. É sério, não é sério? É intenso, não é intenso? Como foi dito acima, a palavra relacionamento nada significa e nada transmite.

Porém casamento significa o mesmo para todos. Significa compromisso. Significa: pertenço a você. Significa que estamos juntos para sempre, e lutaremos para fazer este casamento dar certo. Não sairei simplesmente porta afora na primeira vez que você perder a paciência comigo. Significa que como marido e mulher, nos reservamos algumas experiências apenas um para o outro, e isso é o que as torna tão intensas. A intensidade é criada quando você isola toda uma área da atividade humana, uma área inteira de linguagem verbal e pensamento humano, e as reserva para uma única pessoa. É como o dia de Shabat, diferente dos outros dias da semana, e que se distingue principalmente por ser tratado de forma diferente. Aqui a sua intimidade é preservada antes e durante o casamento para aquela pessoa que você vai amar. Pois tudo que você faz com ela é único, porque não é feito com ninguém mais. Não é como uma conversa que você acabou de ter, não é apenas como dar uma saída.

A vida trata de símbolos: o carro que dirigimos, a casa em que vivemos, as roupas que vestimos. Então, por que as pessoas sugerem que o casamento é um símbolo sem importância?

Finanças compartilhadas

Outro símbolo importante do casamento é ter uma conta bancária conjunta. Posso enumerar quantos casais tenho visto que viram a constante deterioração de seu casamento por não compartilharem uma conta bancária; têm acordos pré-nupciais ou guardam seus ganhos para si. Muitas vezes, se as pessoas não têm contas conjuntas é porque estão apostando dos dois lados. Não têm certeza se dará certo. Entretanto, quando você aposta dos dois lados, está perdendo o necessário grau de comprometimento. Naturalmente não dará certo, porque você não está canalizando seus esforços suficientemente, concentrando-os em tornar o relacionamento um sucesso. Por que arriscar?

Porém, além disso, uma conta conjunta é também um símbolo poderoso. Encaremos isso: o dinheiro é incrivelmente importante para as pessoas. Tudo que você possui, sua prosperidade e seu futuro, as roupas que veste e os alimentos que come, a casa onde se abriga, tudo é comprado com seu dinheiro. E quando você o compartilha, está declarando que pertence a ambos. Você compartilha tudo. Isso significa que compartilha a mesma vida. Na verdade, esta é a única maneira, num sentido empírico, pela qual podemos transmitir o tipo de unidade que o casamento concede, mesmo se usarmos a expressão: uma só carne. É verdade que você pode ser uma só carne ao ter filhos. Ambos podem olhar para os filhos e ver uma parte sua e uma parte de seu companheiro. Porém se não há filhos, isso não existe.

Mas se vocês compartilham os mesmos cartões de crédito, contas bancárias, com os nomes de ambos em tudo, isso serve como um símbolo, como uma extensão de si mesmos. Sua casa, suas roupas. sua comida, seu carro, sua segurança, seu futuro, são de ambos. Não é apenas algo que vocês criaram. É na verdade aquilo que os sustenta e os mantém vivos. Pertence a ambos.

Apenas quando nossa intimidade é preservada para aquela pessoa em especial, e quando fazemos nossos maiores esforços para tornar nossa vida conjugal com nosso parceiro uma vida apaixonada, é que podemos sentir realmente que esta é uma atividade reservada especificamente para a pessoa com a qual se está casado. Isso em si nos impede de cometer adultério. Sentimo-nos diferentes. Não sentimos que isso é apenas um empreendimento casual.

Coisas Judaicas

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