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Onde você esteve até agora?
Rabi Aharon de Karlin foi certa vez o chazan, cantor, para Shacharit (Prece da Manhã) em Rosh Hashaná. Entretanto, assim que recitou a primeira palavra, "Hamelech" (o Rei), explodiu em lágrimas amargas e foi incapaz de continuar. Mais tarde, os chassidim lhe perguntaram: "Rebe, o que o fez cair em pranto daquele modo?" 

Explicou ele: "Assim que disse a palavra Hamelech, lembrei-me de uma história na Guemará. Quando Rabi Yochanan ben Zacai visitou Vespasiano, saudou-o com as palavras: 'A paz esteja contigo, ó rei, a paz esteja contigo, ó rei.'

"Quando Vespasiano, que ainda não fora informado deste compromisso pelo Senado Romano, ouviu estas palavras, replicou: 'Você merece a morte por uma de duas razões: Se eu não for o rei, como ousa falar-me daquela maneira? E se eu for o rei, por que não veio ver-me até agora?'

"Por isso," disse Rabi Aharon, "quando me referi a D'us como Hamelech, fiquei cheio de remorso. Como D'us é o Rei, por que não o procurei arrependido até agora?" 

As melhores intenções
Rabi Levi Yitschac de Barditshev estava procurando alguém para tocar o shofar em Rosh Hashaná. Muitos rivalizavam pela honra de tocar o shofar para ele, que entrevistou vários candidatos. Chamou cada um e perguntou: "Sobre o quê pensa quando toca o shofar?" 

Cada um deles falou sobre os pensamentos elevados que faziam parte da Cabalá, e mesmo assim Rabi Levi Yitschac não ficou satisfeito. 

Finalmente, um dos homens respondeu: "Rebe, não sou instruído. Acontece que tenho quatro filhas em idade de casamento. Quando toco o shofar, penso: 'Senhor do Universo! Tenho feito tudo que o Senhor deseja, e obedeço todos Seus mandamentos. Agora, por favor, faça aquilo que eu quero, e ajude-me a encontrar maridos para minhas filhas.'"

Rabi Levi Yitschac ficou extasiado, e disse: "Seus pensamentos são sinceros. Tocará o shofar para mim neste Rosh Hashaná." 

Compondo preces
Rabi Levi Yitschac de Barditshev preparou-se para tocar o shofar. Imergiu no micvê (banho ritual) e vestiu o kitel (túnica especial de algodão branco usado por aquele que vai tocar o shofar). 

Recitou o capítulo de Tehilim (Salmos) sete vezes, e a congregação repetiu com ele. Recitou os versículos do livro Zôhar, tomou o shofar em suas mãos e esperou. Todos aguardavam ansiosos pela bênção e pelo toque do shofar, mas em vão. 

"Meus amigos," disse o Rebe, "próximo a esta porta está um judeu que foi forçado a passar a maior parte da vida no exército do czar, e que não sabe como rezar. Quando presenciou outra pessoa rezando, ficou repleto de inveja. Começou a chorar e abriu seu coração para D'us. E isso foi o que disse enquanto chorava: 

"'Pai Misericordioso, sabes que não sei rezar. De fato, nada sei além das letras do alfabeto hebraico. Quero recitá-las para Ti: Alef, Bet, Guimel. Tu, em Tua grande misericórdia, coloca-as juntas numa oração apropriada.'

"Agora D'us está ocupado juntando as letras daquele santo homem, e devemos esperar que Ele termine." 

Nem um só mandamento
Rabi Leib levantou-se em Rosh Hashaná, ergueu os olhos para os céus e disse: 

"Senhor do Universo, por que tens reclamações contra Israel? Se não tivesse visto com meus próprios olhos, eu não teria acreditado que pudessem ter cumprido sequer um de Teus mandamentos, por causa do exílio longo e amargo e pela grande opressão que sofreram." 

Poderias apenas escrever o bem! 
Em um certo Rosh Hashaná que caíra no Shabat, Rabi Levi Yitschac levantou-se e falou: "Senhor do Universo, hoje julgaste cada pessoa para o ano vindouro, garantindo-lhe a vida ou condenando-o à morte. Mas, neste Rosh Hashaná, foste forçado pela Tua própria Torá a escrever que garantes a todo o Teu povo uma boa vida no ano que se inicia. Afinal, no Shabat, decretaste que não se pode escrever. Como, então, podes cumprir 'Em Rosh Hashaná será escrito'? 

"De maneira alguma podes inscrever alguém no Livro da Morte, porque é proibido escrever no Shabat. Por outro lado, certamente podes nos inscrever no Livro da Vida. Pois, quando existe algum risco de vida, a proibição de escrever no Shabat é anulada." 

Preparar o quê?! 
Um chassid foi até Rabi Mordechai de Denaburg e pediu-lhe permissão para sair mais cedo. 

"Por que está com tanta pressa?" perguntou Rabi Mordechai.
"Rebe," respondeu o chassid, "rezarei a tefilá em Rosh Hashaná e preciso revisar o Machzor e me preparar." 

"O Machzor," disse Rabi Mordechai, "não mudará. É mais importante que você passe em revista seus atos e prepare a si mesmo." 

Quem precisa perdoar quem? 
Rabi Yoshe Ber de Brisk repreendeu publicamente um açougueiro que não estava agindo de maneira correta. O açougueiro não se emendou. 

Na véspera de Yom Kipur, Rabi Yoshe Ber foi até o açougueiro e pediu-lhe perdão. 

"Rebe," disse-lhe o homem, "por que me pede para perdoá-lo? Ao contrário, eu é quem deveria pedir-lhe que me perdoasse, porque não lhe dei ouvidos." 

"Não," disse Rabi Yoshe Ber, "como você não me ouviu mesmo, isso significa que minhas palavras de censura foram em vão. Tudo que consegui foi constrangê-lo em público." 

Quem é perdoado? 
O Chafêts Chayim disse:
"Não é aquele que bate no peito que é perdoado, mas aquele cujo peito bate dentro dele por causa dos pecados que cometeu."

Veja o que acontece nos intervalos
Um afamado chazan, cantor, sempre explodia em lágrimas às palavras: "O homem foi criado do pó e ao pó voltará", na prece de Rosh Hashaná. 

Um chassid, certo ano após as preces, perguntou-lhe: "Por que estava chorando? Se as palavras fossem: 'O homem foi criado do ouro e ao pó retornará,' eu poderia entender seu lamento. Mas como o homem foi criado do pó e ao pó retornará, o que ele perde? Pelo contrário, no intervalo entre ser criado do pó e retornar ao pó, o homem tem a oportunidade de fazer boas ações, e assim, nada há pelo que chorar!"

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