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Cativeiro de soldado israelense inspira séries de TV

Written By Jorge Magalhães on 22/05/2013 | 5/22/2013



Por Sheila Sacks

Histórias reais muitas vezes tornam-se incríveis enredos para fantásticos roteiros cinematográficos ou mesmo séries de televisão. O escritor gaúcho Moacyr Scliar (1937-2011) na introdução do seu livro “O imaginário Coletivo” destaca que por trás de muitas notícias esconde-se uma história pedindo para ser contada. “É a história virtual que complementa ou amplia a história real”, assinala Scliar que por mais de 15 anos escreveu textos ficcionais para o caderno “Cotidiano” da Folha de São Paulo tendo como base as reportagens do jornal.
Fonte de inspiração para a série de TV israelense Hatufim (“Sequestrado”, em hebraico), a história de Gilad Shalit, capturado pelo grupo radical Hamas que o manteve prisioneiro por mais de cinco anos, traz ingredientes psicológicos interessantes capazes de provocar desdobramentos e mudanças de ordem pessoal, religiosa e política nos principais envolvidos no episódio.
Shalit era um soldado israelense de 19 anos quando em 25 de junho de 2006 militantes palestinos ligados ao Hamas atacaram o posto militar onde servia na fronteira com a Faixa de Gaza e o levaram. Durante o tempo em que esteve desaparecido a incerteza sobre o seu destino – se estava morto, ferido ou continuava vivo – não impediu que sucessivas campanhas por seu regresso ganhassem espaço e força em Israel e em outras partes do mundo.
Em 2010, os pais de Shalit acompanhados por ativistas empreenderam uma marcha de 12 dias, da Galileia a Jerusalém, onde permaneceram acampados por mais de um ano em frente à residência do primeiro-ministro Benjamim Netanyahu para pressionar o governo a assumir um acordo que trouxesse o soldado de volta.
A libertação de Shalit ocorreu em 18 de outubro de 2011, no Egito, após um acordo entre o governo de Israel e o Hamas. Foram soltos 1.027 prisioneiros palestinos, 280 deles condenados à prisão perpétua pela morte de civis israelenses. Falando à TV egípcia, pouco antes de retornar a Israel, Shalit mostrou-se confiante de que a libertação de centenas de prisioneiros em troca de sua vida pudesse contribuir para a paz entre israelenses e palestinos.
Seriado antecipa desfecho que comoveu a nação
Levando a assinatura de Gideon Raff – um roteirista e diretor de filmes de 40 anos, nascido em Jerusalém e que estudou cinema em Los Angeles -, o seriado Hatufim ou Prisioners of War (“Prisioneiros de Guerra”, título em inglês) teve seus primeiros 10 episódios exibidos pela TV israelense em 2010, entre março e maio. No mesmo ano foi escolhida como a melhor série dramática pela Israeli Academy of Film and Television, instituição que reúne 750 representantes da indústria de TV e cinema do país.  
Curiosamente, apesar do sucesso e das críticas positivas, a segunda temporada da série, com 14 capítulos, só foi produzida e apresentada dois anos depois, nos últimos meses de 2012, a reboque do seriado norte-americano Homeland, baseado na criação do próprio Raff, e que arrebatou os mais importantes prêmios da TV americana: os troféus Emmy (2012) e Globo de Ouro (2013), ambos como a melhor série dramática.
Embora explorando o tema do retorno à pátria de militares capturados pelo inimigo, as séries Hatufim e Homeland têm histórias e personagens diferentes. Na primeira, são dois os soldados que regressam a Israel após 17 anos de cativeiro no Líbano em mãos de extremistas islâmicos. A série se inicia com a troca dos soldados por terroristas presos em Israel acusados de um atentado a bomba que matou dezenas de pessoas. Os israelenses voltam com os restos mortais de um terceiro militar morto em uma sessão de tortura e a partir daí a história gira em torno das dificuldades dos personagens em superarem o trauma do cativeiro e se adaptarem a um novo cotidiano. Também avaliações psicológicas revelam discrepâncias em seus relatos e uma investigação é iniciada para descobrir o que eles possam estar escondendo.
 No roteiro desenvolvido por Howard Gordon e Alex Gansa para a plateia norte-americana, o protagonista é um oficial dos EUA que se acredita morto no Iraque, após ser capturado pela al Qaeda, e que retorna ao país oito anos depois de seu sumiço. Resgatado do cativeiro é saudado como herói pela população, mas surgem suspeitas em órgãos de segurança de que ele faça parte de uma célula terrorista que planeja um ataque em solo americano.
Em janeiro de 2013, ao receber o prêmio de melhor atriz por seu trabalho em Homeland, a novaiorquina Claire Danes, que protagoniza uma agente da CIA, declarou que a série é uma das favoritas do presidente Barack Obama. “Isso deixa claro a relevância do trabalho. A história fala da ansiedade e do desassossego que vivemos como sociedade, em uma nova era onde não está claro quem é o inimigo”, disse. Dentro dessa percepção, o atentado ocorrido na maratona de Boston, em 15 de abril, que resultou na morte de 3 pessoas e teve 264 feridos, muitos deles com mutilações e queimaduras, é um exemplo trágico dessa nova realidade. Os autores do crime, os irmãos Tsarnaev nascidos na Chechênia, viviam nos EUA e eram cidadãos americanos.
Esse tema, aliás, do inimigo que está entre nós, em nossa casa, tem mexido com a cabeça de roteiristas mundo afora. Em 2013, a franquia de Hatufim ganhou novos espaços e o seriado vai ser produzido na Rússia e no México, com histórias adaptadas as suas realidades.
No cativeiro, Shalit ouviu rádio e assistiu TV
Mas, voltando a Shalit, seis meses depois de sua volta ele se desligou oficialmente do exército israelense e logo em seguida tornou-se colunista esportivo do jornal Yediot Aharanot, o mais lido do país. Em seu primeiro artigo, Shalit contou que o amor pelos esportes o ajudou a suportar os anos de cativeiro e foi capaz de prover alguma conexão pessoal com seus captores. Fã de futebol e basquete, ele acompanhava os jogos dos times israelenses através da rádio e os campeonatos das ligas europeias nos canais de TV árabes. “Engajar-me no esporte me deu força para não desistir”, escreveu. Era uma espécie de pausa temporária da realidade ao meu redor.” E acrescenta: “Nas conversas acerca dos jogos, o denominador comum era o esporte. Sobre política eu nunca concordei em falar com eles.”
Em outubro de 2012, para marcar um ano da libertação do ex-refém, a TV israelense (Canal 10) exibiu um documentário a partir de alguns relatos pinçados na imprensa. A correspondente para o Oriente Médio da BBC, Yolande Knell, comentando o conteúdo do documentário, observou: “Em um trecho, Shalit revela que para lidar com a ansiedade e o tédio do cativeiro ele desenhava mapas de sua cidade natal Mitzpe Hilla, para lembrar, imaginar os lugares. Disse que tentava ser otimista e se focar nas pequenas e boas coisas que tinha, e que seus sequestradores o alimentavam bem, jogavam xadrez e dominó e quase nunca o agrediam. Podia assistir a notícias na televisão em árabe, e depois acabou ganhando um rádio onde podia ouvir estações israelenses. E que, às vezes, assistia junto aos sequestradores os programas de esportes e filmes na TV.”
Operação militar matou planejador do sequestro
Um mês depois da apresentação do documentário, em 14 de novembro, o comandante das Brigadas Izz el-Deen al-Qassam (braço armado do Hamas), Ahmed al-Jabari, 52 anos, morreu durante uma operação militar israelense na cidade de Gaza. O carro que dirigia foi atingido por um projétil seletivo e se incendiou. Jabari foi o carcereiro de Shalit e gerenciou toda a operação de custódia do prisioneiro, transportando-o por cinco anos para diferentes esconderijos até a sua libertação. Inclusive esteve presente na entrega de Shalit para os intermediários egípcios em Rafah, na fronteira com o Sinai, em uma das poucas vezes em que apareceu em público.
Nascido em Gaza, Jabari foi do grupo palestino Fatah e depois se ligou ao Hamas, financiando e dirigindo atentados terroristas contra Israel. Ele planejou o ataque suicida a um ônibus em Kfar Darom, na faixa de Gaza, que matou 7 soldados israelenses e um civil, em 1995.  Por ocasião da Segunda Intifada, o período de 2000 a 2006 marcado por sucessivos confrontos entre militantes palestinos e forças israelenses na Cisjordânia e Faixa de Gaza, Jabari direcionou vários ataques a bomba contra Israel, matando centenas de civis. Foi também o responsável pela escalada de ataques com foguetes de forte poder destrutivo às cidades israelenses densamente povoadas como Ashkelon, Ashdod e Beersheva, no sul do país. Somente em 2012, mais de 800 foguetes de médio e longo alcances foram disparados pelo Hamas contra o território israelense e a operação militar “Pilar Defensivo”, na qual Jabari foi morto, teve o propósito de eliminar os locais de treinamento e de lançamentos desses foguetes.
Sem sentimentos de vingança
Com a morte de Jabari, o semanário alemão Der Spigel – um dos mais importantes da Europa com circulação semanal de 900 mil exemplares – enviou seu jornalista político Dieter Bednarz para uma entrevista com Shalit em Israel. O encontro se deu na Galileia, na casa de dois pavimentos onde o ex-prisioneiro reside com os pais. O repórter alemão conta que Shalit disse não ter percebido a presença de Jabari ao seu lado no dia da libertação. “Eu só olhava para frente, não para o lado ou para trás”, justificou. Contudo, fotos publicadas na mídia mundial mostram Jabari e Shalit juntos, lado a lado, de uma forma que fica difícil supor que ambos jamais se comunicaram.
Sobre os anos de cativeiro, segundo o repórter, Shalit se mostrou hesitante, parecendo lutar com cada frase que pronunciava. Ele revelou que não sentiu satisfação quando soube da morte de Jabari porque nem mesmo conhecia a pessoa. Mais adiante, o repórter assinala uma frase dita por Shalit que o impressionou: “The killing has to stop” (“a matança tem que parar”, em tradução livre).
Na reportagem, Bednarz destaca que após essa mensagem a conversa foi interrompida pelo pai de Shalit, com a alegação de que o filho precisava ser deixado em paz, pois não é uma figura pública (“the boy needs to be left alone. Gilad isn”t a public figure”). Para o jornalista, Shalit não demonstrou sentimentos de vingança, apesar dos anos de cativeiro e da provação pela qual passou. No dia da entrevista, destacou Bednarz, sua ansiedade era para assistir na TV uma partida de futebol entre os times ingleses do Arsenal e Tottenham.
Meses antes, Shalit tinha estado no set de Homeland, em Jaffa, cuja produção filmou algumas cenas em Israel, sendo fotografado ao lado de Claire Danes.
Biografia inédita a caminho
Mas, ainda que Shalit procure se manter afastado das questões políticas e tente viver uma vida normal, situações ocorrem em que ele se vê envolvido de alguma forma com seu passado. Foi o que ocorreu na Catalunha, em 2012, quando resolveu assistir a um jogo entre os times do Barcelona e do Real Madri e houve manifestações contra a sua presença no estádio. Segundo Shalit, ele foi acompanhado por uma equipe de segurança em função das ameaças de protesto por grupos pró-palestinos.
O incidente causou constrangimento ao clube e a direção do Barcelona emitiu uma nota afirmando que não convidou Shalit para o jogo, apenas aceitou seu pedido para ver uma partida durante a visita que faria a cidade. O clube ainda informou que esse procedimento foi estendido a três representantes palestinos.
Enfim, vai ser difícil Shalit se desprender de um passado que mobilizou uma nação durante meia década e que envolveu decisões políticas delicadas e embaraçosas, como a libertação de mais de mil presos palestinos, muitos deles autores confessos de crimes de terrorismo que resultaram em mortes de civis.
Em outubro próximo, por ocasião do segundo aniversário de sua libertação, três jornalistas investigativos prometem lançar um livro sobre o ex-prisioneiro do Hamas, com base em documentos e material inédito. As pesquisas foram iniciadas no ano passado e vão incluir informações até então não publicadas por questões de segurança, gravações e depoimentos dos pais e do próprio Shalit. Um indício de que a história de Shalit ainda guarda muitos segredos que talvez não se revelem totalmente nesse primeiro livro. De qualquer maneira, o tema já se mostrou um prato cheio em se tratando de tensão psicológica, conflitos morais e situações-limite, componentes dramáticos que acompanham um militar em seu retorno à pátria após um punhado de anos convivendo com a realidade e a verdade do inimigo.


Em 21 de maio de 2013  

Israel bombardeia região síria de onde partiam disparos contra Golan

Written By Jorge Magalhães on 21/05/2013 | 5/21/2013

O Exército israelense lançou nesta terça-feira um míssil contra a região síria de onde teriam partido os disparos que, nas últimas três noites consecutivas , atingiram as Colinas de Golã, um território ocupado por Israel, informou o órgão em comunicado.

Os disparos em direção ao Golã não causaram grandes danos materiais, assim como o bombardeio israelense, que, por sua vez, atingiu seu alvo com sucesso, completou a nota.

O Exército israelense lançou um míssil Tamuz ao entender que os disparos, que partiram do mesmo ponto e, aproximadamente, no mesmo horário nas últimas três noites, indicavam um caráter proposital ao invés de disparos vindos equivocadamente da guerra civil síria, apontou a edição online do jornal "Yedioth Ahronoth".

A unidade responsável pelo bombardeio era apoiada por várias forças, entre elas helicópteros para ajudar a detectar a origem dos disparos com precisão.

Em sua nota, o Exército israelense ressalta que vê "com preocupação" estes incidentes e apresentou uma queixa perante a missão da ONU nas Colinas de Golã (UNDOF).

 

Morteiros da Síria atingem ponto turístico nas Colinas do Golan, diz Israel

Written By Jorge Magalhães on 15/05/2013 | 5/15/2013


AP
Soldados israelenses da brigada do Golan realizam exercícios nas Colinas do Golan (13/5)





O Exército de Israel afirmou que morteiros do conflito da Síria atingiram o Monte Hermon, um popular ponto turístico nas Colinas do Golan, na fronteira entre os dois países. Segundo o Exército, os morteiros alcançaram a região na manhã desta quarta-feira (15) em uma pista de ski vazia.



As Colinas do Golan já haviam sido atingidas por morteiros, mas essa é a primeira vez que os disparos chegaram ao Monte Hermon, um local popular principalmente no inverno. 

O Exército israelense afirmou não ter disparado de volta, mas o Monte Hermon foi temporariamente fechado para visitantes. Israel acredita que a maioria dos incidentes envolvendo morteiros no Golan tenham sido acidentais, mas ocasionalmente o Estado judeu respondeu.

Recentemente, o país realizou três ataques aéreos contra carregamentos de armas na Síria, que, supostamente, estavam sendo levados para militantes libaneses do Hezbollah, inimigo de Israel. As Colinas do Golan são consideradas um local estratégico da região e foram conquistadas por Israel durante a Guerra dos Seis Dias (1967), que opôs Israel e a Síria, o Egito e a Jordânia. 

Essa tênue fronteira, respeitada por mais de 40 anos pelos governos israelense e sírio, está ameaçada pela aproximação dos rebeldes que tentam depor o presidente Bashar al-Assad.

Assad vai permitir que o Hezbollah use o Golan para atacar Israel

Irã convenceu o presidente sírio Bashar Assad para permitir Hezbollah para abrir "uma nova frente" para atacar Israel nas Colinas de Golã, informou a Radio Israel nesta quarta-feira citando um relatório do jornal pan-árabe Al-Hayat . Segundo o relatório, uma fonte iraniana disse ao jornal que o Irã está determinado a impedir a queda do regime de Assad em Damasco, porque o presidente sírio foi convencido a abrir o Golan para todos os árabes e muçulmanos que querem lutar contra Israel. 

Bela em qualquer momento: Bar Refaeli

Written By Jorge Magalhães on 14/05/2013 | 5/14/2013



Bar Refaeli with Asaf Leibovits 

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Extrema-direita húngara caça judeus e ciganos


Csanad Szegedi e Krisztina Morvai, membros do Jobbik, comemoram entrada do partido no Parlamento Europeu Bela Szandelszky / AP
BUDAPESTE - Em apenas dez anos, o Jobbik - Movimento para uma Hungria Melhor - se tornou um dos partidos de extrema-direita mais bem-sucedidos da Europa, junto com a Aurora Dourada na Grécia. É hoje a terceira força política na Hungria, com 43 deputados em uma câmara de 386 parlamentares. Três dos seus membros ocupam o Parlamento Europeu, mesmo sendo eurófobos, e uma de suas referências internacionais é o Irã. No entanto, a retórica antissemita do partido não é a que mais benefício lhe traz. A grande obsessão da legenda são os ciganos, que representam 10% dos 10 milhões de húngaros.
 

- A rejeição aos ciganos está mais ligada aos estereótipos que circulam na sociedade húngara, muito menos antissemita do que contrária aos ciganos” - explicou Péter Krekó, especialista em extrema-direita.
A crise econômica que abala a União Europeia é um impulso para o surgimento destes movimento, mas é somente parte da explicação. O Jobbik já estava ali, antes da crise.
- As raízes do crescimento do Jobbik também estão na crise política e institucional da União Europeia. Os partidos tradicionais têm perdido sua credibilidade. A base do Jobbik são jovens, homens, de classe média alta e muitos universitários - explica Krekó.
A popularidade do partido na Hungria aparece nas eleições. Em 2010, obteve 17% dos votos. Seu programa se baseia em propagar a segregação dos ciganos, definidos pelos partidários como uma comunidade incapaz de se integrar à sociedade, pessoas que vivem de subsídios, sem educação e estimuladas a conceber filhos de maneira irresponsável. O Jobbik culpa exclusivamente os ciganos por um tipo de delito, uma espécie de roubo com o uso de navalhas. Apesar desta ideia já existir antes da criação do partido, o discurso lhe dá visibilidade.
Tal pensamento surgiu na criação da Guarda Húngara, uma organização vinculada ao Jobbik, formada por civis uniformizados que se dedicava a patrulhar os povoados para aterrorizar os ciganos. Mesmo proibida em 2009, alguns de seus seguidores continuam atuando. O último incidente aconteceu em Miskolc, em outubro, quando 3 mil partidários passaram por bairros ciganos com tochas nas mãos.
Um dos perigos mais inquietantes dos movimentos extremistas é a sua capacidade de distorcer a política de um país. Isso porque, embora tenham pouco poder em relação ao número de deputados, tentam condicionar a agenda dos partidos maiores. Em 2014, a Hungria terá novas eleições. O Fidesz, partido conservador de Viktor Orbán, divide com Jobbik o discurso ultranacionalista e, como conta Krekó, “as críticas aos bancos e a ideia de que os políticos europeus conspiram contra a Hungria”.
Mas Fidesz não é antissemita. Orbán condena esta atitude em seus discursos e organiza atos para lembrar o Holocausto. Ele não mencionou o Jobbik quando falou com líderes judeus. No entanto, Fidesz não critica o enaltecimento, em todo país, do ditador Miklós Horthy, responsável pela deportação de cerca de meio milhão de húngaros para Auschwitz.
No ano passado, o governo incluiu no programa educativo dois autores identificados com ideais nazistas e concedeu um prêmio de jornalismo a um reconhecido antissemita, pedindo a devolução do prêmio depois. Estas contradições podem responder porque Fidesz, com a popularidade diminuída desde 2010, está preocupado com a força do Jobbik.



Estado de Israel completa 65 anos de existência


No limiar do pós-Guerra e em meio às disputas em torno do território da antiga Palestina, o primeiro premiê israelense, Ben Gurion, declarava o estabelecimento do Estado judeu.
O 14 de maio de 1948 foi um dia que abalou o Oriente Médio. Nesse dia, num museu em Tel Aviv, Israel foi declarado um Estado independente. Algumas fotos em preto e branco levemente borradas, imagens de vídeo tremidas e uma gravação de áudio com chiados são testemunhas desse acontecimento.
As imagens mostram o chefe da região autônoma judaica da Palestina, David Ben Gurion. Acima de sua cabeça, vê-se pendurado um retrato de Theodor Herzl, o fundador do sionismo moderno. Na mão esquerda, Ben Gurion segura folhas com o texto da declaração de independência.
"Na terra de Israel surgiu o povo judeu. Aqui se formou sua identidade espiritual, religiosa e política", afirma Ben Gurion. Expulso pela força, o povo judeu permaneceu ligado, mesmo no exílio, de forma fiel à sua pátria. Sua esperança de voltar para casa nunca esvaneceu. Solenemente, Ben Gurion proclama: "Nós pelo presente declaramos o estabelecimento de um Estado judeu em Eretz-Israel, a ser chamado de Estado de Israel".
Mais tarde, Ben Gurion, que viria a ser o primeiro premiê israelense, registrou em seus diários. "O encontro terminou com o canto do Hatikvah, nosso Hino Nacional. Lá fora, o povo dançava nas ruas de Tel Aviv."
A Guerra da Independência
A alegria com a fundação do Estado foi ofuscada, no entanto, pela expectativa da guerra iminente. Os Estados árabes rejeitaram a decisão da ONU de 1947, que previa a divisão do chamado Mandato Britânico da Palestina entre judeus e árabes.
Aos judeus foi concedida pouco mais de metade da Palestina, mas essa área deveria acolher pacificamente quase 500 mil moradores judeus e 440 mil palestinos. Segundo o historiador israelense Ilan Pappe, o plano foi o estopim da tragédia que viria a seguir.
Para mudar o equilíbrio demográfico em favor dos judeus, Ben Gurion decidiu então expulsar 1 milhão de palestinos da região. Mais de 80% da população – 750 mil palestinos – deixaram, de fato, sua pátria. Eles se refugiaram nos países árabes vizinhos ou em regiões não dominadas por Israel, na Cisjordânia ou em Gaza. Na época, foram eliminados 530 vilarejos palestinos, e 11 cidades foram destruídas.
Contrários à criação de Israel, os países árabes vizinhos – Egito, Iraque, Líbano, Síria e Transjordânia – decidiram atacar o novo Estado judeu. A Guerra da Palestina de 1948, que os judeus chamam de Guerra da Independência, foi vencida por Israel, que ampliou seu domínio para 75% da superfície da antiga Palestina.
A Guerra dos Seis Dias e suas consequências
Menos de 20 anos depois, durante a Guerra dos Seis Dias, Israel ampliou sua soberania também para a Cisjordânia e Gaza. Entre 5 e 10 de junho de 1967, as tropas israelenses venceram os Exércitos do Egito, da Jordânia e da Síria, tomando a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e as Colinas de Golã. O sucesso militar inesperado e esmagador provocou na população israelense uma onda de entusiasmo nacionalista e religioso.
Especialmente a conquista de Jerusalém Oriental, que abriga o mais importante santuário judaico, o Muro das Lamentações, desencadeou sentimentos messiânicos. Logo os primeiros assentamentos israelenses foram estabelecidos nas regiões ocupadas. Tais assentamentos não foram apenas tolerados, mas também promovidos pelo governo israelense sob a liderança do Partido Trabalhista. Eles eram vistos como postos avançados de defesa e, por meio deles, pretendia-se isolar a população palestina na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, tentando assim evitar que
ali se formassem estruturas autônomas.
Nem o tratado de paz com o Egito, em 1979, nem o processo de paz iniciado em 1993 ou a retirada israelense da Faixa de Gaza, em 2005, conseguiram pôr um fim à política de assentamentos. Nem mesmo o primeiro-ministro, Yitzhak Rabin, assassinado em 1994 e um opositor assumido dos assentamentos, conseguiu retirar os assentamentos dos territórios ocupados.
Atualmente, 500 mil colonos judeus vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Muitos deles deixaram a Europa Oriental e a Ásia Central, indo para Israel após o colapso da União Soviética. Israel acolheu por volta de meio milhão de judeus russos. Além disso, 14 mil judeus etíopes foram levados para Israel numa operação espetacular, em 1991.
Relações com a Alemanha
Desde 1965, a República Federal da Alemanha mantém relações diplomáticas com Israel. No ano de 1952, por meio do Tratado de Luxemburgo, a Alemanha se comprometeu a pagar quase 3,5 bilhões de marcos como forma de "compensação" pela privação e assassinato dos judeus europeus pela Alemanha nazista. "Nós temos de reparar, tanto quanto for possível, o mal provocado pelos nazistas aos judeus", declarou o então chanceler federal alemão, Konrad Adenauer.
A 14 de março de 1960, Adenauer encontrou-se no Hotel Waldorf Astoria, em Nova York, com o primeiro-ministro Ben Gurion, para uma conversa privada. Após o encontro, Ben Gurion declarou à imprensa: "Eu fiquei contente de encontrar o chanceler Adenauer. Eu disse no Knesset que a Alemanha de hoje não é a Alemanha de ontem. Após meu encontro com Adenauer, estou seguro de que essa constatação estava certa."
As fotos dos dois patriarcas – Ben Gurion, com um largo sorriso e indomáveis cabelos brancos, e Adenauer, com olhos astuciosos e cabelos grisalhos penteados para trás – rodaram o mundo. Um ano mais tarde, em maio de 1961, os dois chefes de governo se encontraram novamente, mas desta vez na humilde residência de Ben Gurion no kibutz Sde Boker, no deserto do Negev.
Segurança de Israel
Atualmente, as relações entre Berlim e Jerusalém são estreitas e de confiança. A Alemanha é considerada um dos aliados mais fiéis de Israel, apoiando o país política e diplomaticamente, também com o fornecimento de armas.
Em fevereiro de 2000, Johannes Rau foi o primeiro presidente alemão a falar no Parlamento israelense. "A decisão de me convidar enche-me de gratidão", disse Rau, que durante muitos anos também manteve uma relação pessoal com Israel. "Eu a sinto como um sinal da vontade de nunca esquecer o passado e como um sinal da coragem de, apesar disso, superar a paralisia do medo da história."
Em março de 2008, a chanceler federal Angela Merkel fez um discurso bastante elogiado no Knesset. Como todos os chefes de governo alemães anteriores, também ela se disse particularmente comprometida com a responsabilidade histórica da Alemanha perante Israel: "Esta responsabilidade histórica da Alemanha é parte da razão de Estado de meu país. Ou seja, para mim, como chanceler federal alemã, a segurança de Israel não é negociável."

Diferentes mas Iguais


Por Simon Jacobson

 
Todo ser humano, homem ou mulher, foi criado pelo mesmo propósito

“Após milhares de anos de domínio masculino, estamos agora no limiar da era feminina, quando as mulheres se erguerão à sua adequada proeminência, e o mundo inteiro reconhecerá a harmonia entre homem e mulher” – O Rebe.

Um casal que estava passando por problemas de comunicação foi ver o Rebe. A mulher disse que o marido era consumido pelo trabalho, e que quando finalmente encontrava tempo para falar com ela, criticava-a e ficava lhe dando ordens. O marido disse que a mulher não tinha respeito por ele e não dava ouvidos a nenhuma de suas sugestões.

“Por que você acha que sua mulher deve ouvi-lo?” perguntou o Rebe. “Porque uma mulher deve ouvir seu marido,” foi a resposta. “Mas por que uma mulher deve ouvir o marido?” perguntou o Rebe novamente. “Por que o homem é o chefe da casa.”

“Não,” disse o Rebe. “A primeira coisa que você como homem deve obedecer é o edito de que ‘um homem deve honrar sua mulher mais que a si mesmo.’ Então a mulher justa terá um marido que pode respeitar e amar. Se o homem não cumpre o seu papel, então é a mulher que deve respeitosamente chamar-lhe a atenção.”

Homens e Mulheres: Diferentes Mas Iguais?
A sociedade contemporânea está apenas começando a mergulhar nas reais distinções entre homens e mulheres. Além das óbvias diferenças fisiológicas, existem também diferenças na maneira de pensar, falar e se comportar.

A fim de entender a natureza essencial do homem e da mulher, devemos afastar a subjetividade e olhar pelos olhos de D’us. Todo ser humano, seja homem ou mulher, foi criado pelo mesmo propósito – fundir corpo e alma para tornar eles próprios e o mundo um local melhor e mais sagrado. Em seu serviço a D’us, não há absolutamente distinção entre um homem e uma mulher; a única diferença é na maneira pela qual o serviço se manifesta.

Quais são as diferenças entre homens e mulheres?

Homem e mulher representam duas formas de energia Divina; são os elementos masculino e feminino de uma única alma.

D’us não é masculino nem feminino, mas tem duas formas de emanação: a forma masculina, mais agressiva, e a feminina, mais sutil. Para um ser humano levar uma vida plena, ele ou ela deve ter ambas as formas de energia: o poder da força e o poder da sutileza; o poder de dar e o poder de receber. O ideal é que essas energias se fundam sem conflitos. Os homens são fisicamente mais fortes. Por natureza, ele geralmente é mais agressivo e externamente orientado. Em contraste, uma mulher geralmente encerra o ideal da dignidade interior. Algumas pessoas confundem essa sutileza com fraqueza; na verdade, é mais forte que a mais agressiva força física que se possa imaginar. A verdadeira dignidade humana não grita; é uma voz forte, constante, que fala lá de dentro. A natureza da mulher, embora sutil, não é fraca. E a natureza de um homem, embora agressiva, não é bruta. 

Para que homem e mulher sejam completos, cada qual deve possuir ambas as energias. A resposta não é que homens e mulheres tentem ser semelhantes. Todos devem ser eles mesmos, percebendo que D’us concedeu a cada um de nós habilidades únicas com as quais vamos atrás dos nossos objetivos, e que nossa responsabilidade fundamental é tirar vantagem delas.

Qual é a verdadeira liberação para ambos os sexos?
Embora o feminismo com justo direito clame pelo fim da dominação e abuso masculino, e por direitos iguais para as mulheres, é vital chegar à raiz da distorção – de que nosso foco na vida, como homens ou mulheres, não deve ser simplesmente satisfazer o próprio ego ou as próprias necessidades, mas sim servir a D’us. A verdadeira libertação feminina não significa meramente buscar a igualdade num mundo masculino, mas liberar os aspectos femininos da personalidade de uma mulher e usá-los em benefício da humanidade.

Para que homem e mulher sejam completos, devem possuir as duas energias. Após tantos anos de domínio masculino, estamos no limiar de uma verdadeira era feminina. Chegou a hora de a mulher elevar-se à sua verdadeira proeminência, quando o poder sutil da energia feminina é realmente liberado para nutrir o poder patente da energia masculina. Já provamos que podemos usar nossa força para matar os demônios que nos cercam; vamos agora aprender a alimentar a Divindade interior.

Homens e mulheres devem concretizar seus respectivos papéis iguais e esforçar-se para complementar um ao outro na luta conjunta para melhorar a vida. A fim de corrigir o abuso do domínio masculino, os homens devem concentrar-se em usar suas qualidades dominantes para o bem. Devem aplicar sua força para proteger e preservar o caráter feminino, ajudando as mulheres a concretizar seu verdadeiro potencial para expor a Divindade, da qual o mundo precisa tão desesperadamente nos dias de hoje. Aprenda o que significa ser homem ou mulher, sobre a energia feminina e masculina. Aprenda a fazer jus ao seu potencial, a equilibrar essas energias para levar uma vida produtiva e com significado – uma vida Divina. E finalmente, aprenda a valorizar e a respeitar seu parceiro, homem ou mulher.

O Primeiro Mandamento


Tanach - Coisas Judaicas
 
Se você acredita realmente em D’us, é incapaz de matar. E se realmente acredita que tirar a vida de outro ser humano é errado - esta é apenas uma outra maneira de dizer que acredita em D’us

Bilhões de pessoas já ouviram falar dos Dez Mandamentos, e muitas delas podem citar pelo menos três ou quatro; de fato, pode haver alguns milhões que podem enumerar todos os dez, na ordem.
Menos comum, no entanto, é o conhecimento de que esses dez pontos que encerram a mensagem de D’us aos homem podem ser lidos em duas direções: de cima para baixo, e de lado a lado.

O que quero dizer? Os Dez Mandamentos foram entregues a Moshê gravados em duas pedras – cinco mandamentos em cada uma – assim:
1)Eu sou o Senhor teu D’us…
2) Não terás outros deuses…
3) Não tomarás o nome de D’us em vão
4) Lembra-te do Shabat…
5) Honra teu pai e tua mãe…
6) Não matarás
7) Não cometerás adultério
8) Não roubarás
9) Não levantarás falso testemunho
10) Não cobiçarás… do próxim
Por que em duas tábuas? E por que os primeiros cinco Mandamentos em uma e os outros cinco em outra? (Cinco a cinco parece uma divisão justa, mas na verdade não é: primeiros cinco Mandamentos totalizam 146 palavras no hebraico original, os outros cinco, 26.) Um dos motivos dados pelos nossos sábios é que os cinco últimos mandamentos são na verdade uma reiteração dos primeiros cinco. Em outras palavras, temos de colocar essas tábuas lado a lado e ler a linha toda, assim:
1) Eu sou o Senhor teu D’us / Não matarás
2) Não terás outros deuses/ Não cometerás adultério
3) Não tomarás o nome do Senhor em vão / Não roubarás
4) Lembra-te do Shabat / Não levantarás falso testemunho
5) Honra teu pai e tua mãe / Não cobiçarás o que é do próximo
Isso significa que, em essência, há apenas cinco Mandamentos. "Não matarás" é outra forma de dizer "Eu sou o Senhor teu D’us"; a proibição contra o adultério é a proibição contra a idolatria; guardar o Shabat significa ser uma testemunha verdadeira; e assim por diante.

O Midrash explica as correlações de cada um desses cinco pares, mas estamos ficando sem espaço, portanto examinaremos apenas a conexão entre os Mandamentos 1 e 6. Por que "Não matarás" é o outro lado de "Eu sou o Senhor teu D’us"? Porque, dizem os Sábios, assassinar um ser humano é assassinar D’us:

A que isso é análogo? A um rei de carne e osso que entrou num país e colocou retratos de si mesmo, e fez estátuas de si mesmo, e cunhou moedas com a sua imagem. Após algum tempo, o povo do país derruba os retratos, quebra suas estátuas e invalida suas moedas, diminuindo assim a imagem do rei. Assim, também, aquele que derrama sangue reduz a imagem do Rei, como está escrito (Beresh
 
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