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Recicle, reduza e reutilize

Recicle, reduza e reutilize
Sem Desperdício: Não É Seu!
 
“Recicle, reduza e reutilize” tem raízes profundas na tradição judaica. Mesmo antes de o Greenpeace entrar em cena, a Torá já tinha mostrado uma ética ambiental, conforme verificamos neste versículo de Devarim (20:19): “Quando sitiares uma cidade durante muitos dias para promover guerra contra ela e capturá-la, não deves destruir suas árvores.”

Os rabinos do Talmud explicaram: “Se durante os tempos de guerra estamos proibidos de abater as árvores dos nossos inimigos, então certamente não podemos destruir árvores produtivas em tempos de paz.”

E isso não fica apenas nas árvores. Destruir ou arruinar alimentos, roupas, vasilhas, palntas, fontes de água, ou qualquer coisa que possa ser benéfica a alguém está fora dos limites, mesmo que não tenham dono.

“Mas é meu!” grita um sujeito que quebrou um vaso. “Por que não posso fazer o que quiser com aquilo que me pertence?”

Apesar disso, não é preservação em prol da preservação. Quando não há maneira de consertar ou construir exceto destruindo algo ao longo do processo, então destruir é realmente construir. Há alguns casos em que árvores devem ser cortadas (consulte um rabino ortodoxo competente para orientação nesse respeito).

Porém, há limites para o que é considerada destruição produtiva. Por exemplo, quebrar um vaso de cristal para demonstrar aos seus filhos o quanto você está aborrecido pelo mau comportamento deles não é considerado produtivo para esses propósitos.

“Mas é meu!” um pretenso quebrador de vaso poderia gritar. “Por que não posso fazer o que quiser com minha propriedade?”

A resposta, segundo a Torá, é que na verdade não é sua propriedade. Você não criou aquilo. Tudo que você possui lhe foi dado com um propósito divino. Não é seu para desperdiçar - é sua posse para usá-lo para o bem. Tudo que D'us fez neste mundo, dizem os sábios, Ele criou para Sua glória.

Fonte: Chabd.org

O Futuro do Passado

O Futuro do Passado

 Rabino Jonathan Sacks

É estranho, muito estranho. Rosh Hashaná é o início de aseret yemei teshuvá, os dez dias de arrependimento. 

Refletimos sobre o ano que passou, lembramos o que fizemos de ruim e o bem que deixamos de fazer, pedimos desculpas, confessamos e pedimos perdão.

Porém, não há quase nada disso em Rosh Hashaná. Não há confissão, nem Ashanu bagadnu, nem Al chet, nenhuma referência ao ano passado, não há uma retrospectiva. Uma das poucas referências de que estamos embarcando num processo de teshuvá é a prece Unetanê Tokef, lembrando-nos de que hoje nosso destino está sendo escrito: quem viverá e quem morrerá.

Certamente o início dos dias de arrependimento deveria começar com arrependimento. A resposta é uma das verdades mais profundas do Judaísmo. Para consertar o passado, primeiro você tem de garantir o futuro.

Aprendi isso com os sobreviventes do Holocausto que conheci. Eles estavam entre as pessoas mais extraordinárias que jamais encontrei, e eu quis entender como eles puderam sobreviver, sabendo o que sabiam, vendo aquilo que viram.
O que vim a entender foi que muitos deles não falaram sobre aqueles anos, nem mesmo aos cônjuges ou aos filhos, às vezes durante quarenta ou cinquenta anos. Somente quando tinham garantido o futuro eles se permitiram olhar para o passado. Somente quando tinham construído uma vida foi que se permitiram relembrar a morte.

Foi quando entendi dois estranhos personagens na Torá, Nôach e a esposa de Lot. Após o dilúvio, parece, Nôach olhou para trás. Esmagado pelo pesar, ele buscou refúgio no vinho. Antes do dilúvio ele era a única pessoa em todo o Tanach que podia ser chamado de justo, porém terminou seus dias bêbado e nu. Dois dos seus filhos tinham vergonha de olhar para ele.

A esposa de Lot desobedeceu aos anjos, voltou-se para olhar a destruição de Sodoma e foi transformada numa estátua de sal. Creio que os sobreviventes do Holocausto sabiam que se eles olhassem para trás também seriam reduzidos ao sal das lágrimas.

Os judeus sobreviveram a toda tragédia porque olharam para a frente. Quando Sarah morreu, Abraham tinha 137 anos de idade. Ele tinha acabado de perder a mulher que partilhara sua jornada de vida e que por duas vezes tinha lhe salvado a vida. Ele poderia ter sido paralisado pelo sofrimento. Porém, é isso que lemos: “Abraham entrou em luto por Sarah e chorou por ela. Então Abraham se levantou do lado de sua esposa morta” (Bereshit 23:2-3): meras dez palavras em hebraico.

Lemos então como Abraham comprou o primeiro pedaço de terra em Israel e buscou uma esposa para seu filho. Muito tempo antes, D'us tinha prometido filhos e uma terra para ele. Quando Sarah morreu ele não tinha terra, e seu filho não era casado. Em vez de reclamar a D'us por Ele não ter cumprido Suas promessas, ele entendeu que tinha de dar o primeiro passo. Primeiro tinha de construir o futuro. Foi assim que ele honrou o passado.

E é isso que fazemos em Rosh Hashaná. As leituras da Torá são sobre o milagroso nascimento de dois filhos, Isaac para Sarah e Samuel para Hannah, porque filhos são o nosso mais profundo investimento no futuro. Proclamamos a soberania de D'us como se o dia fosse uma coroação, o início de uma nova era. Então, tendo nos comprometido com o ano vindouro, nos dias seguintes e em Yom Kipur podemos olhar para trás e pedir desculpas pelo ano que passou. Paradoxalmente no Judaísmo o futuro vem antes do passado. Essa visão única poderia transformar o mundo. 

Após o Holocausto, os judeus não se sentaram paralisados pelo sofrimento. Construíram o futuro, acima de tudo a terra e o estado de Israel. Se outras nações realmente se preocupassem com o futuro em vez de tentarem vingar os erros do passado, teríamos paz em algumas das piores zonas de conflito do mundo. E o mesmo ocorre conosco. Primeiro temos de nos concentrar em construir um futuro melhor. Então, e somente então, podemos redimir o passado.
Fonte: Chabad.org
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