24/02/2017

O diário do diabo

O diário do diabo

O diário do diaboAlfred Rosenberg, figura importante do círculo íntimo de Adolf Hitler desde o começo, fez sua fama espalhando ideias criminosas sobre os judeus. 
No amanhecer do Terceiro Reich, sua obra sobre a filosofia racista se tornou um best-seller nacional e um dos pilares da ideologia nazista.
O diário de Rosenberg foi descoberto em um castelo na Baviera, no fim da guerra, e examinado por promotores durante os julgamentos de Nuremberg. Mas – com Rosenberg declarado culpado e executado – o volume misteriosamente desapareceu.
Agente do FBI e então consultor especializado em recuperar artefatos de importância histórica, Robert K. Wittman ouviu falar desses escritos pela primeira vez em 2001, quando o arquivista chefe do Museu do Holocausto dos Estados Unidos o contatou para revelar que alguém pretendia vender o diário por mais de 1 milhão de dólares. 
A ligação desencadeou uma busca de uma década que os levou a um par de secretárias octogenárias, um professor excêntrico e um catador de lixo oportunista. Do promotor de Nuremberg que o surrupiou para fora da Alemanha ao homem que finalmente o entregou, todos tinham motivos para esconder a verdade.
Com base nos registros de Rosenberg sobre sua participação no confisco de obras de arte e na brutal ocupação da União Soviética, suas conversas com Hitler, sua eterna rivalidade com Göring, Goebbels e Himmler, "O diário do diabo" revela as engrenagens do regime nazista – e a mente do homem cuja visão extremista deu origem à Solução Final.
NO FINAL DE MARÇO, EM TODAS AS LIVRARIAS.
Maratona de Jerusalém 2017

Maratona de Jerusalém 2017

Maratona de Jerusalém 2017Maratona de Jerusalém traz atmosfera mágica para corredores.

Prova une paixão pelo esporte e viagens, em um dos lugares mais interessantes do Oriente Médio.

Um percurso cheio de detalhes para quem gosta de lugares históricos. 

A prova que acontece pelo sétimo ano, costuma contar com corredores de diversos países que enfrentam os 5k, 10, 21k ou 42k. A data da Maratona de Jerusalém em 2017 é 17 de março e, por mais um ano, o evento mostrará a cultura da cidade, junto aos 3 mil anos de história.

Corrida e passeio

Quem vai para a Maratona de Jerusalém deve separar alguns dias para conhecer os arredores, afinal não é só de corrida que vive o homem. Você pode passear por Tel-Aviv, Haifa, Massada, Eilat, conhecer o Muro das Lamentações e ir até o Mar Morto.

Maratona de Jerusalém 2017
O número de brasileiros no evento aumenta a cada ano e as inscrições ainda estão abertas (https://jerusalem-marathon.com/Register.aspx). “A prova e a cidade são mágicas. Quem gosta de correr uma maratona deve colocar esta na lista, é imperdível”, finaliza Sílvio.

Confira o vídeo da prova no ano passado
           



Tire suas dúvidas sobre a Cabala

Tire suas dúvidas sobre a Cabala

Tire suas dúvidas sobre a Cabala
Tire suas dúvidas sobre a Cabala, uma espécie de filosofia de vida dos judeus.

Base das crenças judaicas, ela ajuda a interpretar a vida e ver o mundo de uma forma mais ampla.
A Cabala, ou Kabbalah em hebraico, é uma espécie de filosofia de vida seguida pelos judeus, que ajuda a dar um sentido mais amplo para a vida e o relacionamento das pessoas.

Certamente você já ouviu falar que alguém "segue a Cabala". Pessoas famosas, internacionalmente, como a cantora Madonna, a atriz Demi Moore e a ex-top model Naomi Campbell são adeptas desta tradição judaica milenar. No Brasil, o cantor Paulo Ricardo, a apresentadora Glória Maria e o ex-jogador Ronaldo "Fenômeno" também seguem essa filosofia.

Mas, afinal, o que é a Cabala? Originalmente chamada de Kabbalah (pronuncia-se 'cabalá'), ela compreende um conjunto de princípios contidos na Torá – corresponde aos cinco primeiros livros da Bíblia hebraica –, que são a base das crenças e dos valores do povo judeu, conforme explica o rabino Uri Lam, da Congregação Israelita Mineira (CIM), situada em Belo Horizonte. Segundo o religioso, ao contrário do que muitas pessoas pensam, a Cabala não tem nada a ver com misticismo ou seita, mas, sim, com uma tradição judaica.

Ensinamentos

O rabino Uri Lam esclarece que os temas abordados na Cabala são muitos, tais como a vida, os sonhos e a meditação. Ele cita, ainda, temáticas mais complexas, como a "imortalidade da alma" e a dimensão da vida "além da Terra". "São séculos e mais séculos de experiências de sábios que viveram em lugares diversos, como Israel, Europa e norte da África, condensadas na forma de textos e imagens", diz Uri Lam.
Outra visão
Enxergar o mundo e a vida de uma forma mais ampla é um dos principais benefícios da Cabala para quem a estuda, de acordo com o rabino da Congregação Israelita Mineira. "Quem conhece e passa a compreender os ensinamentos, desenvolve a capacidade de interpretar a vida e o mundo de uma forma mais ampla, múltipla, e, com isso, passa a respeitar mais o próximo, principalmente aquele que tem pensamento diferente. Além de aprender a maravilha de que nenhum ser humano é igual ao outro", esclarece o rabino.
Números cabalísticos
Você já deve ter ouvido alguém dizer a expressão "números cabalísticos", para se referir a dígitos que supostamente possuem características místicas, certo? Na verdade, apesar desse nome, Uri Lam descarta qualquer ligação do termo com a Cabala. Segundo ele, na tradição judaica, palavras hebraicas até possuem "profunda relação" com números, mas isso não corresponde a nada sobrenatural.

Estudando a Cabala

Ao contrário do que se imagina, a Cabala não é um ensinamento exclusivo para os judeus. Ou seja, qualquer pessoa pode estudá-la a qualquer momento, desde que tenha em mente alguns princípios básicos, conforme esclarece o religioso mineiro. "O estudo da Cabala deve ter, como base, a humildade, e não, a busca por poder. É preciso, ainda, ter um conhecimento mínimo da tradição judaica e noções, mesmo que rudimentares, do idioma hebraico", explica Uri Lam.

O rabino afirma, ainda, que esses princípios devem ser seguidos à risca, para que a Cabala não seja aprendida de forma equivocada. Outro ponto destacado pelo representante da Congregação Israelita Mineira é que os guias que ensinam a Cabala não são e nem devem ser tidos como "gurus". "O estudo equivocado da Cabala pode levar ao mesmo caminho das seitas intolerantes, radicais e dogmáticas, que se veem como a única verdade. Já o estudo honesto e correto da Cabala deve levar ao respeito ao próximo e à humildade de se alcançar um aspecto da compreensão do mundo sob o olhar da tradição espiritual judaica", esclarece Uri Lam.

Fonte:http://www.revistaencontro.com.br
Israel tem o  nono melhor sistema de saúde do mundo

Israel tem o nono melhor sistema de saúde do mundo

Israel tem o  nono melhor sistema de saúde do mundoO Instituto Legatum publica a cada ano um estudo sobre os países mais prósperos do mundo e um dos nove índices tidos em conta é a saúde. Segundo este ranking, Israel possui o nono melhor sistema de saúde do mundo, com uma expectativa de vida de 82.5 anos. 

O país é seguido por Alemanha, Bélgica, Nova Zelândia, Noruega e França. Os primeiros da lista são: Luxemburgo, Singapura, Suíça, Japão, Holanda, Suécia, Hong Kong e Austrália. 

O estudo leva em consideração indicadores como a esperança média de vida, a saúde geral da população, as infraestruturas de saúde e os serviços de cuidados preventivos disponíveis.
Dia da Moda Modesta  exibe peças para judias ortodoxas em Israel

Dia da Moda Modesta exibe peças para judias ortodoxas em Israel

Dia da Moda Modesta  exibe peças para judias ortodoxas em IsraelJERUSALÉM (Reuters) - Renunciando ao provocante e ao malicioso, um grupo de estilistas realizou nesta quinta-feira em Jerusalém o primeiro grande desfile de Israel para judias ortodoxas, cuja tradição exige que se vistam com roupas conservadoras.

Centenas de ortodoxas e fashionistas estavam na plateia do "Dia da Moda Modesta" para ver modelos israelenses desfilarem com peças de mangas compridas e vestidos até os tornozelos.
Dia da Moda Modesta  exibe peças para judias ortodoxas em Israel
Dia da Moda Modesta  exibe peças para judias ortodoxas em Israel"As pessoas estão olhando na nossa direção agora para encontrar esse tipo de visual modesto, que é muito interessante de se ver", disse a estilista ultraortodoxa Miri Beillin.
Dia da Moda Modesta  exibe peças para judias ortodoxas em Israel
"Estamos trabalhando para este dia maravilhoso, modéstia da moda, que é uma experiência completa e incrível para nós como mulheres religiosas".
Os judeus ultraortodoxos representam cerca de 10 por cento da população de Israel.
(Por Eli Berlzon)


Premiê de Israel defende indulto ao soldado Azaria

Premiê de Israel defende indulto ao soldado Azaria

Premiê de Israel defende indulto ao soldado AzariaO primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se pronunciou nesta quinta-feira a favor do indulto ao soldado condenado nesta semana a 18 meses de prisão por matar um atacante palestino ferido, informaram os meios de comunicação.
"Continuo a favor de indultar o soldado Azaria", disse Netanyahu aos jornalistas que o acompanhavam em uma visita oficial à Austrália, segundo a rede Channel 10.
O primeiro-ministro já havia se pronunciado neste sentido antes da divulgação da condenação.
Depois de meses de um processo que manteve Israel apreensivo e que colocou o foco sobre as divisões da opinião pública no país, um tribunal militar condenou na terça-feira o sargento Elor Azaria a 18 meses de prisão.
Membro de uma unidade paramédica, o soldado foi filmado no dia 24 de março de 2016 por um militante pró-palestino quando atirava na cabeça de Abdul Fatah al Sharif, um palestino que havia acabado de atacar vários soldados com uma faca.
Ferido por tiros, o homem jazia no chão imóvel quando foi morto pelo militar.
O processo dividiu as pessoas que defendem o respeito necessário de valores éticos por parte do exército e aquelas que deram um apoio aos soldados que enfrentam ataques de palestinos.
Na Austrália, Netanyahu se mostrou preocupado pelo efeito que este episódio pode ter nos militares que, segundo ele, podem hesitar no momento de atirar por medo de ser processados, indicaram a rádio pública e o Channel 2.
Segundo uma pesquisa publicada na quarta-feira pelo jornal Maariv, 69% dos israelenses são favoráveis ao indulto a Azaria e 56% consideram a pena muito severa.

23/02/2017

História de Retorno

História de Retorno

História de Retorno
Por Mindy Rubenstein

Há cerca de dez anos meu marido e eu, junto com dois filhos pequenos, participamos  de um lindo jantar de Shabat no Chabad, onde me senti totalmente apaixonada pelo Judaísmo. Admito que inicialmente não era um entusiasmo mútuo. 

Vi um sagrado, significativo – e empolgante – estilo de vida e quis entrar com os dois pés. Meu marido, porém, era respeitoso, mas estava hesitante.

Juntos, no decorrer da década seguinte, navegamos para aquele que se tornaria um estilo de vida abrangente. Começamos um tanto lentamente, acendendo velas de Shabat e tendo chalá e yuch, sopa de galinha, até chegar a plena observação do Shabat, comida casher dentro e fora de casa, e aderindo às leis da pureza familiar. Também tivemos mais filhos, dobrando o tamanho da família ao qual estávamos ambos acostumados.

Com o tempo, agíamos e nos vestíamos como judeus observantes. Olhando em retrospecto, porém, não foi a transição mais fácil e automática. Às vezes eu me ia julgando as pessoas da família, por exemplo, por não terem nos dado “mais Judaísmo”, e então por não estarem adotando nosso recém descoberto nirvana.

Aqueles que “descobrem” a religião com frequência passam por mudanças, pois examinamos partes de nosso íntimo que não sabíamos existir, diz Rabi Aron Moss, co-diretor da Sinagoga Nefesh em Sidney, Austrália, em seu artigo “O Judaísmo é um Culto?” Como resultado, podemos reavaliar a nós mesmos e a nossas vidas. Todo crescimento é acompanhado por algum desconforto e instabilidade. Mas quando fazemos mudanças súbitas, podemos deixar para trás uma parte de nós mesmos.

Essa não é a maneira judaica, diz Rabino Moss. Todas as mudanças de vida devem ser feitas gradualmente e com pensamento, pois se integram com sua personalidade em vez de dominá-la. Em outras palavras, religião deveria engrandecer e aprofundar sua identidade para tornar você melhor. É isso que D'us deseja.

Servir a Ele, mas não se perder no processo. E como na época eu já era casada e com filhos, significava também preservar e respeitar o relacionamento com meu marido. Trabalhamos juntos lenta e metodicamente abraçando as mitsvot num esforço para ter paz no lar.

Quando começamos a manter casher, eu falava muito nas casas de nossos familiares sobre isso, essencialmente usando a comida para me separar deles. Tenho aprendido com a passagem dos anos, através dos meus erros, que há maneiras de se manter casher porém ainda participar com respeito e amorosamente em reuniões familiares. Cumprir mitsvot não deveria ser uma fonte de estressse ou desacordo – se for, não está sendo feita da maneira correta.

A caminho da minha evolução, quando anunciei orgulhosamente que desejava parar de dirigir no Shabat, minha rebetsin avisou-me: “Não assuma levemente a decisão de guardar o Shabat. Depois que você atravessar a linha, não vai querer desistir porque se torna difícil demais.” Então espere até chegar a hora certa.

Eu entendi sua sabedoria quando, no começo de minha observância, fui comprar uma peruca, a forma tradicional que muitas mulheres casadas escolhem para cobrir o cabelo. Foi maravilhoso. Mas não consultei meu marido primeiro, ou um rabino ou rebetsin, ou fiz um plano para cumprir a mitsvá. No decorrer dos anos que se seguiram, lutei com essa mitsvá. Porque não foi feita gradualmente, com reflexão.

Quando me olho no espelho, às vezes não reconheço a mulher de espírito livre, criativa, focada, que minha família conhecia antes. E agora entendo melhor por que eles estranharam nosso novo estilo de vida. Não foi tanto porque adotamos rituais judaicos não muito comuns, mas sim porque na essência eu tinha fechado uma porta no meu eu anterior, em vez de integrá-lo à minha nova vida.

Como alguém me disse certa vez: “É melhor estar do lado de fora olhando para dentro, que estar do lado de dentro olhando para fora.” Após trabalhar tanto para estar no meio do Judaísmo observante, de repente me vi sentindo alguma resistência. Como se essas mitsvot, esse estilo de vida, estivessem sendo forçados sobre mim, embora eu os tivesse abraçado tão apaixonadamente.

Talvez eu tenha deixado para trás, ou ignorado, partes de mim mesma que precisavam de cuidado.Esta pode ser a razão pela qual algumas baalai teshuvahs (que retornaram ao Judaísmo observante) saem completamente do caminho. É tão importante encontrar um rabino ou rebetsin para orientar você, e consultar-se com eles durante o processo de mudança. E não creio que todas queiramos saltar tão plenamente dentro de uma versão do Judaísmo transformadora de vida. Aprenda sobre as mitsvot, sobre Judaísmo e Torá, e cerque-se com pessoas de mente aberta. Mas vá lentamente, e faça aquilo que faz sentido para você. E, o mais importante, as mitsvot que você escolher devem ser feitas com amor e respeito por aqueles à sua volta.

Para mim, creio que a chave para abraçar minha identidade como judia observante foi criar um equilíbrio, onde meu antigo eu poderia voltar novamente, mas com uma profundidade maior de direção. Entendi que minha criatividade e talentos não deveriam ser mandados embora, mas ser integrados, dentro de uma estrutura de Torá, para revelar os aspectos únicos de mim mesma e o papel que D'us colocou diante de mim.

http://www.beitchabad.org.br/

#coisas

 Sabendo pedir perdão

Sabendo pedir perdão

 Sabendo pedir perdão
"Michel ganhou de presente um papagaio. Mas o que poderia ser uma diversão para a família acabou se tornando um verdadeiro "presente de grego". O papagaio se comportava mal e tinha um péssimo vocabulário. De cada dez palavras que ele falava, oito eram palavrões.

Michel se esforçou para reeducar o pássaro. Ele ficava constantemente dizendo palavras educadas e tocando músicas suaves, mas nada funcionava. Então ele mudou a tática e tentou reeducá-lo através de castigos. Ele gritou, ameaçou, chacoalhou o pássaro, mas o papagaio ficou ainda mais irritado e rude.

Certo dia, quando Michel estava com convidados importantes em casa, o papagaio começou a falar palavrões. Desesperado, Michel pegou o papagaio, colocou-o no congelador e fechou a porta. Por alguns momentos ele ouviu o pássaro gritando e bicando a porta, mas de repente tudo ficou quieto. Michel ficou com medo de ter machucado o pássaro e rapidamente abriu a porta do congelador. O papagaio estava com os olhos esbugalhados, visivelmente assustado. Ele subiu no braço estendido de Michel e disse:

- Por favor, eu sinto muito por ter te oofendido com a minha linguagem baixa e meus maus atos. Eu peço perdão e vou me esforçar para corrigir meu comportamento.

Michel ficou espantado com a drástica mudança de atitude do pássaro. De repente ele havia ficado educado, tranquilo, e havia até pedido perdão! Mas Michel não entendia como um castigo de apenas um minuto havia feito algo tão milagroso. Anteriormente ele já havia tentado trancar o papagaio em uma caixa, sem nenhum resultado. Por que no congelador havia funcionado? Então o papagaio fez uma pergunta que esclareceu tudo:

- Desculpe a curiosidade, mas posso sabeer quais palavras feias aquele frango que está no congelador falou para você?"

A piada pode ser engraçada, mas não é engraçado causar mal aos outros e não ter a dignidade de pedir perdão. Assumir um erro e pedir perdão é uma demonstração de grandeza. Como no caso do papagaio, saber pedir perdão pode nos ajudar a não entrar em muitas frias na vida... 
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Nesta semana lemos a Parashat Mishpatim (que literalmente significa "juízos"). A Parashat traz diversas leis "Bein Adam Lehaveiró" (entre o homem e seu semelhante), que visam manter uma convivência harmoniosa entre as pessoas. Entre os ensinamentos da Parashat estão as leis de compensação por qualquer tipo de dano causado. A Torá traz como exemplo o caso de dois homens brigando, e um deles causa acidentalmente lesões corporais a uma terceira pessoa. Neste caso, aquele que causou o dano é considerado completamente responsável pelas consequências do seu ato. A Torá, ao descrever a compensação exigida do agressor, utiliza uma famosa expressão: "Olho por olho, dente por dente" (Shemot 21:24).

Os babilônios se basearam neste versículo da Torá para criar a famosa "Pena de Talião", que consta no Código de Hamurabi. De acordo com a Pena de Talião (que vem do latim "talis", que significa "idêntico"), o "olho por olho, dente por dente" deveria ser aplicado ao pé da letra, isto é, aquele que quebrasse o dente de outra pessoa era castigado com a quebra do seu dente. Porém, esta aplicação prática feita pelos babilônios demonstra que eles entenderam o versículo da Torá de uma forma completamente equivocada. De acordo com a transmissão oral dos nossos sábios, o "olho por olho, dente por dente" significa que a pessoa que causou uma lesão corporal ao outro deve pagar como indenização o valor monetário do membro que foi atingido. O Talmud (Baba Kama 84a) comprova esta declaração ao afirmar que seria impossível infligir ao agressor uma lesão física exatamente igual à que ele causou em sua vítima, pois não existem duas pessoas fisicamente ou emocionalmente idênticas.

Porém, se pararmos para refletir, surge uma grande dúvida. Se toda a intenção do versículo é apenas ensinar que a vítima pode cobrar do agressor uma compensação monetária, então por que a Torá se expressa com uma linguagem que, se tomada literalmente, indica que o agressor estaria sujeito a uma punição física? A Torá não deveria ter explicitado que se trata apenas de uma compensação monetária, escrevendo literalmente "pagamento de um olho por olho", para evitar uma interpretação tão equivocada quanto à dos legisladores do Código de Hamurabi?

Além disso, o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204), em seu livro de Halachót (Leis), na seção "Leis de Lesões e Danos", nos ensina as diversas exigências legais na compensação de danos causados a outra pessoa. Ele ressalta o grande contraste que existe entre a restituição exigida em casos de danos à propriedades e em casos envolvendo lesões corporais. O Rambam afirma que quando alguém causa uma lesão corporal, o pedido de perdão à vítima é obrigatório para que ocorra uma restituição completa.

Porém, este comentário do Rambam é um pouco difícil de ser entendido. Por que ele incluiu a exigência de pedir perdão no meio de leis que falam sobre a compensação monetária de um dano? Além disso, o Rambam também inclui esta exigência na seção "Leis de Teshuvá (arrependimento)". Ele afirma que mesmo que a pessoa tenha feito uma restituição monetária completa pelo dano que causou, seu erro não é expiado até que ele peça perdão e consiga apaziguar a pessoa que sofreu o dano. Mas por que a necessidade do pedido de perdão se a pessoa já foi completamente compensada por sua perda monetária? Já não foi devolvido à vítima tudo o que foi retirado dela?

Explica o Rav Yohanan Zweig que a resposta está em um interessante ensinamento do Talmud (Brachót 33a), que afirma que apesar da vingança normalmente ser uma forma de comportamento inaceitável, há algumas poucas exceções, em situações muito específicas, na qual ela é permitida. A palavra "vingança" em hebraico é "Nekamá", que vem da mesma raiz de "Kam", que significa "reestabelecer". Quando uma pessoa sofre um dano, não apenas suas posses ou seu corpo são atingidos, mas também a sua dignidade. Isto é ainda mais acentuado quando a pessoa sofre lesões corporais, pois o agressor exerceu sobre a vítima uma dominação física, diminuindo sua autoestima. Portanto, a vingança, quando permitida, é uma forma de reestabelecer a dignidade da pessoa insultada.

Foi justamente por este motivo que a Torá escreveu que a restituição de uma lesão corporal deve ser "olho por olho, dente por dente". Esta expressão tem um significado de castigo físico ao agressor, e nos ensina que a única maneira de realmente restaurar a autoestima da vítima seria aplicando ao agressor exatamente o mesmo dano que ele causou. Porém, nossos sábios explicam que na prática este tipo de restituição seria impossível, pois de qualquer maneira a consequência não seria idêntica para o agressor e o agredido e, portanto, acabaria sendo injusta. Por este motivo a punição física foi substituída por uma compensação monetária. Mas por outro lado, o dinheiro também não é capaz de restaurar a autoestima destruída da pessoa. Então o que fazer para que a justiça seja feita? Além da compensação monetária, o agressor também deve implorar pelo perdão de sua vítima, pois no momento em que o agressor busca apaziguar sua vítima, um pouco de sua dignidade danificada é restaurada.

Aprendemos daqui que pedir perdão e apaziguar uma pessoa que possamos ter ofendido através de algum dano ou agressão é um componente integral da restituição dos prejuízos causados. É por isso que o Rambam inclui o pedido de perdão no meio das leis que discutem a compensação monetária dos danos causados. Além disso, espiritualmente a pessoa não consegue alcançar a expiação do seu erro até que devolva o que foi retirado do seu companheiro. Isto vale para a parte material do dano, mas também se aplica para a parte psicológica. Portanto, o pedido de perdão e o apaziguamento é um dos pré-requisitos para receber expiação pelo erro cometido, pois ajuda a devolver a dignidade que havia sido retirada da vítima. E é por isso que o Rambam inclui também a necessidade de pedir perdão em suas "Leis de Teshuvá".


Diz o ditado que errar é humano. E realmente é impossível que um ser humano nunca erre, magoe ou cause danos aos outros, mesmo que seja sem intenção. Porém, está em nossas mãos consertar os erros que cometemos, tanto materialmente quanto psicologicamente. Um simples "me desculpe, eu errei" pode derrubar muitas barreiras criadas por brigas e discussões. Assumir o erro e pedir perdão é uma demonstração de maturidade e grandeza espiritual. Por isso, apesar de errar ser humano, saber pedir perdão é Divino.

Shabat Shalom  


Rav Efraim Birbojm