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A visão judaica do dinheiro


A forma que a Torá tem de fazer caridade, o respeito ao que pertence ao próximo e a negociação honesta no comércio.

Rabino Aryeh Kaplan

O amor de uma pessoa por D’us deve exceder seu amor pelas coisas materiais. Somos ordenados a “Amar a D’us com todo nosso coração, alma, e força” (Deuteronômio 6:5), ou seja, mesmo que custe toda a nossa riqueza. Portanto, há tempos em que a pessoa deve estar pronta para sacrificar todas suas possessões por D’us, mesmo que não seja exigido que entregue sua vida. 


Se uma pessoa vive num lugar em que não é possível manter a religião, esta deve se mudar para um outro lugar em que isto seja possível, sejam quais forem as despesas ou perdas. 

A pessoa deve sacrificar todas suas possessões a violar qualquer mandamento negativo da Torá...

Então nunca se deve fazer negócios no Shabat, mesmo sabendo que este é o melhor dia para fazê-lo, pois poderá cair na tentação de ganhar um lucro extra no Shabat.

Embora deva se empobrecer no lugar de cometer um pecado, isto não é necessário para se fazer uma boa ação. Dos dois dízimos agrícolas, aprendemos que D’us não quer que usemos mais do que um quinto (20 por cento) de nossos recursos para propósitos religiosos. Então, não é preciso gastar mais do que um quinto de seu dinheiro para cumprir um mandamento positivo, mesmo que haja outra chance de cumprí-lo mais tarde. Por exemplo, não precisamos gastar mais do que isso para ter um tallit ou tefillin, uma sucá ou etrog para Sucot, ou matzá para Pessach.

Dando caridade (tzedaká)

De modo semelhante, um quinto do salário é considerado uma contribuição generosa para tzedaká, e não deve exceder esse valor. É proibido empobrecer-se distribuindo toda sua riqueza e a pessoa que o faz é considerada piedosa de forma insensata e trará a destruição ao mundo. Porém, uma pessoa pode deixar um terço de suas propriedades para tzedaká.

De qualquer modo, o mínimo de um-décimo do salário/lucro pertence a D’us, e deve ser usado para a caridade ou propósitos religiosos. Esta medida é tirada dos Patriarcas, quando Iakov (Jacó) disse a D’us: “De tudo o que Você me dá, eu guardarei um décimo para Você” (Gênesis 28:22). Da mesma forma, o Talmud ensina que devemos dar um décimo de nosso lucro para a caridade, o que percebemos pelo verso: “Honra a D’us com teus bens e com os primeiros frutos de sua produção” (Provérbios 3:9).

Se há uma necessidade urgente de caridade ou de cumprimento de algum mandamento, deve se sacrificar um quinto, ou pelo menos um décimo, de todas as suas possessões. Embora, depois da primeira vez, só seja preciso dar o dizimo de sua renda anual. Em todo caso, as pessoas muito ricas devem dar o quanto for necessário.

É um mandamento positivo dar caridade, como a Torá diz, "Abra sua mão generosamente, e estenda para [seu irmão necessitado] quanto for preciso para sua necessidade” (Deuteronômio15:8). O mínimo que alguém pode dar para cumprir este mandamento é um terço de shekel por ano. Deste modo, está escrito: "Colocamos sobre nós mesmos a responsabilidade de doar um terço de um shekel anualmente para o trabalho da casa de D’us" (Neemias 10:33). Esta quantia deve ser dada pelos mais pobres, pois, caso contrário, estes estarão violando o mandamento de dar tzedaká. Porém, se uma pessoa vive uma vida boa e dá menos do que a décima parte de seus lucros esta é considerada avarenta. 

Se a pessoa estiver acostumada a usar o dízimo para caridade somente, não deve usar seu dinheiro para nenhum outro motivo religioso. Embora possa usar para comprar artigos ou livros religiosos, que, por sua vez, emprestará ao mais necessitado, desde que esteja claramente designado para este propósito. 

Intensificando as Mitzvot

Fomos escolhidos para cumprir os mandamentos de D’us da forma mais bonita possível, como a Torá descreve: Este é o meu D’us e vou glorificá-lo” (Êxodo 15:2). Então, sempre que possível, não devemos comprar o artigo religioso mais barato disponível, e sim gastar um pouco mais de um terço para obter um artigo melhor. Quando é preciso escolher entre dois artigos desta forma, a pessoa deve gastar um terço para comprar o melhor. Por exemplo, antes de comprar um talit mais barato, deve-se gastar um pouco mais de um terço para ter um melhor. 

Se a pessoa gasta mais do que o extra de um terço requerido para intensificar o cumprimento do mandamento, D’us lhe devolverá de forma ampla aqui na Terra. Portanto, qualquer lucro ou renda inesperada pode ser usado para este propósito. 

Deve-se sempre dar do melhor para D’us, como está escrito: “A melhor escolha pertence a D’us” (Levítico 3:16). Neste caso, quando uma congregação constrói uma sinagoga, esta deve ser construída da forma mais bonita possível, como as escrituras notificam: "D’us nos concedeu um favor... para que possamos colocar no alto a Casa de D’us” (Esdras 9:9). Não deve haver nenhum sinal de pobreza, falsa economia, ou restrições ao construir uma casa dedicada a Torá de D’us. Porém, isto não deve ser feito às custas de outras obras beneficentes, nem negar afiliação àqueles com menos recursos.

Porém, até com bens mais sagrados, o desperdício e a riqueza não são normas de estética e bom gosto. Por exemplo, não se deve usar ouro sendo que a prata seria a mesma coisa.
Somos ensinados pela Torá a ter consideração pelo dinheiro, e não devemos desperdiçá-lo. Encontramos isto no exemplo de uma casa que está com praga, onde está declarado: “O sacerdote ordenará que despejem a casa, antes que venha examinar a praga, para que não seja contaminado todo o que está na casa: depois virá o sacerdote, para examinar a casa” (Levítico 14:36). 

Da mesma forma, descobrimos que D’us faz milagres não somente para salvar nossas vidas como também para salvar nossas possessões, como, por exemplo fez com que caísse água não só para os Israelitas como também para o seu gado. 

Não seja esbanjador

É proibido destruir qualquer objeto útil, como aprendemos pelo mandamento, "Você não deve destruir as árvores da cidade" (Deuteronômio 20:19). Aquele que destrói cruelmente mobília ou utensílios, roupas rasgadas, ou desperdiça boa comida, é culpado de violar este mandamento. Além disso, se o fizer com raiva, é considerado como se cometesse idolatria.Não se deve destruir nada em que foi dito uma prece, como está escrito: “Não destrua a videira, pois a benção sobre o vinho está nela” (Isaias 65:8).

Este tipo de destruição é proibido somente se não houver motivo para tal. Se há alguma razão lógica, é permitido. Além disso, se se trará de uma questão de saúde, logicamente é melhor que se destrua uma possessão do que a saúde de uma pessoa. 

É também proibido danificar ou destruir bens alheios, ou fazer alguma coisa que poderá causar prejuízo. Se uma pessoa causa prejuízo, ele deve restituir o que danificou, como está escrito: “Quem matar um animal, o restituirá, igual por igual” (Levitico 24:18).

Enganando e roubando

É proibido roubar, furtar ou tomar ilegalmente algum bem ou dinheiro, como somos ordenados: "Não roube... Não detenha o que é de seu próximo." (Levítico 19:11, 13). Ou seja, devemos ser estritamente cuidadosos para não se apropriar ilegalmente de qualquer dinheiro ou bem de qualquer maneira, não importa o quão trivial seja seu valor, não importando de quem seja, adulto ou criança. 

É proibido também roubar com o objetivo de fazer alguma brincadeira com o próximo ou aborrecê-lo, mesmo que a pessoa pretenda devolver o que pegou imediatamente. O profeta diz, "Se um homem perverso se converter de seu pecado e restituir o que pegou...certamente viverá” (Ezequiel 33:15), da onde aprendemos que roubar é considerado um ato perverso mesmo que pretendamos devolver ou restituir o artigo roubado.

D’us manda que devolvamos qualquer bem que está ilegalmente conosco, como a Torá afirma: “Ele deve retornar o artigo roubado, os capitais retidos, o artigo encontrado" (Levítico 5:23). Se o artigo roubado estiver disponível e intacto deve ser devolvido, caso contrário, deve haver uma restituição que favoreça seu valor na hora do roubo. Se o proprietário se mudou para uma cidade distante, somos obrigados a informá-lo sobre o artigo para que ele venha pegá-lo. Se o proprietário não estiver mais vivo a restituição deve ser feita a seus herdeiros.

Uma pessoa que rouba ou engana o público não tem a quem reembolsar e não poderá se retificar pelo que fez. Mesmo assim, deve dar o seu melhor para conseguir o bem-estar do público e ajudar em suas necessidades, para que aqueles de quem ele roubou possam, indiretamente, se beneficiar. E se for possível, deve fazer uma confissão em público e pedir perdão. 

É proibido comprar um artigo roubado, assim como se tornar um cúmplice do ladrão e encorajá-lo a roubar mais. Em relação a isto está escrito: "Aquele que compartilha com um ladrão odeia sua própria alma" (Provérbios 29:24). É proibido, também usar um artigo roubado ou tirar qualquer benefício dele. Então não se deve comprar alguma coisa que talvez possa ser roubada ou obtida de modo desonesto. Aquele que negocia com bens roubados de qualquer forma é considerado como se tivesse roubado em público, e seu arrependimento é extremamente difícil.

Possessões alheias

O ato de pegar emprestado sem permissão é considerado o mesmo que roubar. Por isso, é proibido usar algo de outra pessoa sem a permissão desta. Este ato é proibido mesmo se soubermos que a pessoa emprestará tranqüilamente o objeto. 

Se por acaso o casaco ou alguma outra coisa foram, acidentalmente, trocados numa reunião ou festa pública, deve-se devolver o artigo para seu proprietário legítimo, mesmo que o seu artigo possa estar perdido. Da mesma forma que se a roupa de uma outra pessoa está com você, ou qualquer situação deste tipo, a pessoa que está com a roupa não pode usá-la, deve devolvê-la a seu dono.

Não se deve aceitar qualquer coisa dada num ato de ameaça ou humilhação. Aceitar um presente que não é dado sinceramente é a mesma coisa que roubá-lo. Em relação a isto a Torá nos adverte: “O que é ávido por lucro desonesto, transtorna a sua casa, mas o que odeia o suborno, viverá” (Provérbios 15:27). Então, não devemos comer numa casa onde não haja comida suficiente ou onde o convite não seja verdadeiro, como somos ensinados: "Não comas o pão de um homem invejoso" (Provérbios 23:6).

É proibido também desdenhar os bens do próximo, como nos fala a Torá: "Não desejes a casa de seu vizinho nem seu campo, nem seu empregado... ou qualquer outra coisa que seja dele” (Deuteronômio 5:18). Se alguém tenta convencer o dono de algum bem a vendê-lo contra a sua própria vontade, é culpado de violar o mandamento que diz: "Não tenhas inveja da casa de seu vizinho... ou de qualquer outra coisa que a ele pertença" (Êxodo 20:14). Ambas as leis estão nos Dez Mandamentos e são aplicadas até onde não há desonestidade envolvida.

Transações de negócios

É proibido ser desonesto ou trapacear em qualquer transação de negócios, como somos ordenados: "Quando venderes alguma coisa ao teu próximo, ou a comprares da mão de teu próximo, não oprimas a teu irmão”. (Levítico 25:14). Manter a honestidade ao lidar com negócios é equivalente a segurar a Torá inteira, e é a primeira coisa que é julgada no tribunal divino. 

Assim como é proibido ser desonesto com um judeu, também é proibido roubar, trapacear ou furtar de um não-judeu. Em muitos casos, isto é pior do que roubar de um judeu, pois faz com que as pessoas pensem nos judeus de forma errada, como tendo uma má reputação, além de ser uma profanação do nome de D’us.

A honestidade de uma pessoa deve ir além dos requisitos da Lei, e todos seus procedimentos devem ser íntegros e justos para todos. Em todos os caminhos da vida, deve-se estar ciente de que D’us está sempre assistindo ao que fazemos e como agimos. Por isso, somos ordenados a: "Faras o que é reto e bom aos olhos de D’us" (Deuteronômio 6:18). 

É proibido usar dinheiro desonesto para a caridade ou qualquer outro propósito religioso, como D’us disse a Seu profeta, "Porque Eu, D’us, amo a justiça, e odeio o roubo" (Isaias 61:8). O salmista também nos ensina, "O cobiçoso se vangloria de sua incontida ambição e o iníquo ousa blasfemar contra o Eterno” (Salmos 10:3). Da mesma forma, a pessoa que tem dívidas excessivas deve indenizá-las antes de dar tzedaká. 

É uma bênção poder ganhar nossa própria entrada no mundo e poder apreciar os frutos de nosso próprio trabalho, como o Salmista escreve, "O trabalho de suas mãos proverá sustento, feliz será e tudo lhe correrá bem” (Salmos 128:2). Assim, os negócios e a carreira devem estar sempre em segundo lugar no que diz respeito as nossas tarefas perante D’us. Aquele que coloca as considerações materiais acima do serviço de D’us é culpado por violar o mandamento de amar a D’us acima de tudo. 

Do Manual do pensamento judaico. “The Handbook of Jewish Thought” (Vol 2, Maznaim Publishing. Reeditado com permissão.

A História de Chanucá


A Ocupação Síria

Há mais de 2000 anos, o rei selêucida Antiochus III governava Israel. A princípio, ele tratava com bondade os judeus e lhes dava alguns privilégios; porém quando os romanos o derrotaram, Antiochus forçou os povos de seu império a fornecerem o ouro necessário para pagar os tributos romanos. Seu filho e sucessor, Seleucus IV, continuou a opressão. 

Porém o pior conflito causado pela ocupação síria de Israel veio de dentro, com o crescimento do poder dos judeus "helenistas", que adotaram a cultura grega idólatra. O Cohen Hagadol, Sumo Sacerdote, Yochanan, previu o perigo dessa influência. Enfurecidos por essa oposição, os helenistas tentaram fomentar o conflito entre o Rei Seleucus e Yochanan. 

"Louco!"

Logo, Seleucus foi assassinado e seu irmão Antiochus IV tornou-se rei. Um tirano cruel, Antiochus zombava da liberdade religiosa. Era chamado "Epifânio" (amado pelos "deuses"), porém um historiador contemporâneo, Polebius, chamou este rei perverso de "Epimanes", que significa "louco". 

Esperando impôr uma religião e cultura comuns, Antiochus negou a liberdade religiosa aos judeus, suprimindo a Lei da Torá. Ele instalou o irmão de Yochanan em seu lugar, o helenista Jason, como ele chamava a si mesmo em grego – que passou a divulgar os costumes gregos no sacerdócio. No entanto, seu amigo helenista Menelau expulsou Jason. 
Enquanto isso, Antiochus empreendeu uma guerra bem-sucedida contra o Egito. Roma exigiu que ele parasse, e ele cedeu. Em Jerusalém, nesse interim, espalharam-se boatos da morte acidental de Antiochus, e o povo se rebelou contra Menelau, que fugiu. 

Mártires

Antiochus soube DA rebelião em Jerusalém; já furioso por ter suas ambições frustradas no Egito, enviou seu exército para atacar os judeus, matando milhares. Emitiu então decretos severos proibindo a religião judaica, confiscando e queimando Rolos de Torá. Guardar o Shabat, realizar a circuncisão e cuidar as leis dietéticas eram agora castigadas com a morte. Apegando-se à sua fé, milhares de judeus sacrificaram a própria vida. 

Matityahu…

Por fim, os soldados de Antiochus chegaram à aldeia de Modi'in. Construíram um altar na praça principal e exigiram que Matityahu, um sacerdote idoso e líder da comunidade, oferecesse sacrifícios aos deuses gregos. Ele recusou, professando a lealdade do seu povo ao pacto de D'us com Israel. 

Quando um judeu helenista aproximou-se para oferecer um sacrifício, Matityahu agarrou a espada e matou-o. Seus filhos e seguidores mataram muitos invasores e perseguiram os restantes, depois destruíram o altar. Matityahu sabia que Antiochus certamente enviaria soldados; então ele e um bando de seguidores fugiram rumo às colinas da Judéia. 

…e filhos

À beira da morte, Matityahu conclamou seus filhos a continuarem sua luta. Um irmão, Shimon "o Sábio", os guiaria; outro os lideraria na guerra, Yehudá, "o Forte" – chamado Macabeu, um acrônimo do hebraico "Mi Camocha Ba'e-lim Hashem" – "Quem é como Tu, ó D'us". 

Antiochus enviou Apolônio para eliminar os Macabeus. Embora maior e mais bem equipado, o exército de Apolônio foi derrotado pelos Macabeus, que agora derrotavam uma tropa síria atrás da outra. Antiochus decidiu mostrar seu poder militar para esmagar o corajoso pequeno bando de judeus. Mais de 40000 soldados sírios foram enviados à luta. Após uma série de batalhas, os Macabeus venceram! 

Uma pequena ânfora

Em seguida, os Macabeus foram libertar Jerusalém. Tiraram do Templo os ídolos ali colocados pelos sírios. Construíram um novo altar, consagrado a 25 de Kislêv de 3595 (165 AEC). 

Os sírios tinham roubado a Menorá de ouro do Templo, portanto os Macabeus imediatamente fizeram uma nova, porém de metal menos nobre. Embora o azeite impuro pudesse ser usado para acender a lamparina do Templo se necessário, eles insistiram em usar apenas a única ânfora de azeite com o selo do ultimo Sumo Sacerdote justo, Yochanan. 

Aquela pequena e única ânfora, contendo azeite somente para um dia, durou os oito dias, conforme comemoramos todos os anos: os Oito Dias de Chanucá.


Fonte: Beit Chabad SP

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