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Por Arlindenor Pedro 

A questão judaica e a crise da modernidadeO espectador que assiste ao filme Kadoch ( no Brasil , Laços Sagrados ) , do cineasta israelense Amos Gitai, o faz sobre uma grande tensão, pois com ele penetramos no universo de uma das mais antigas seitas religiosas da humanidade – os ultra- ortodoxos judeus do bairro de Mea Shaerim, de Jerusalém- cenário escolhido pelo diretor para contar a história de duas mulheres submetidas às leis patriarcais inflexíveis desta comunidade judaica .

As duas irmãs vivem problemas recorrentes para as mulheres da comunidade : uma tem que se sujeitar a um casamento arranjado pelo líder espiritual, embora esteja apaixonada por um cantor de fora da comunidade, e a outra é obrigada a se afastar do marido a quem ama , pois após 10 anos, não conseguiram ter filhos.

Através deste fio condutor, vamos tomando contato com os hábitos da comunidade, que se prepara avidamente para o Amargedon e para esperada chegada do Messias, o qual fará a redenção do povo judeu, através da vingança imposta a seus inimigos que os sujeitaram à escravidão durante séculos de história .

A questão judaica e a crise da modernidade
No desenrolar da trama as duas mulheres agem de forma diferente à opressão dos homens : uma se rebelando, abandonando a comunidade e o marido imposto, e a outra se submetendo as leis religiosas , passando a viver uma vida mais subalterna ainda, fora do casamento que foi desfeito por imposição do rabino.

Talvez por seu realismo, ou mesmo por penetrar tão fundo nos mistérios dos ortodoxos judeus , Amos Gitai não tenha conseguido na época os recursos oficiais para concluir a película, tendo que se capitalizar fora de Israel, com seus contatos na Europa .

Concluído, o filme teve grande êxito , pois trouxe à tona um debate sobre as características e o poder do fanatismo religioso em Israel, um Estado que erroneamente parece laico para muitos, trazendo -nos a lembrança de pontos em comum com outros tipos de fanatismo existente nas duas outras religiões monoteístas – a cristã e a muçulmana : todas dominadas por práticas preconceituosas e belicosas, com a total sujeição das mulheres a um domínio patriarcal inconteste.

Nos filmes dirigidos durante a sua carreira , Amos Gitai, tem implementado a eles uma característica peculiar, pelo seu realismo e coragem de colocar a nu as questões do Estado Judeu e a sua explosiva relação com a comunidade palestina, sendo visto como diretor polêmico , aplaudido por muitos, mas duramente criticado pelos grupos radicais da direita israelense .

Ao trazer para as telas o tema religioso ele nos mostra o papel que as seitas religiosas vão adquirindo em Israel, onde deixaram de ser quadjuvante e vão assumindo claramente a vanguarda política no país ( uma tendência que ocorre nos países vizinhos, no Oriente Medio , e em todo o planeta, na contemporaneidade).

Penso então, que caminhamos para grandes embates religiosos, onde neste campo, os novos profetas disputarão a hegemonia do pensamento do homem globalizado.

Sobre este tema, o professor inglês John Gray, em seu livro “Missa Negra-Religião Apocalíptica e o Fim das Utopias,” recentemente abordou a política do neoconservadorismo do grupo do ex-presidente George Bush e do seu principal aliado na época , o britânico Blair e o seu novo trabalhismo, que levou à invasão do Iraque e o confronto com
A questão judaica e a crise da modernidade
os movimentos radicais islâmicos, numa guerra de característica plenamente religiosa. Esta política se fez presente após o 11 de setembro e molda hoje o pensamente de amplas parcelas conservadoras em todo o mundo. Nesta obra ele faz uma extensa análise deste movimento de direita, influenciado pelo pensamento de F. Fukuyama acentuando, inclusive, a sua diferença de outro movimento de direita contemporâneo, o neoliberal de Margareth Thatcher, que ele classifica como um movimento utópico.

“Os neoliberais que moldaram as políticas ocidentais na década de 1990 eram em sua maioria economistas bem pensantes com uma fé ingênua em sua própria versão da razão. O avanço do livre mercado podia precisar de ajuda-por exemplo, com programas de ajuste estrutural de impostos a muitos países emergentes pelo Fundo Monetário Internacional; mas haveria de se disseminar e ser aceito em decorrência da crescente prosperidade que propiciasse. Este inocente credo não se adaptava às duras realidades do mundo posterior à Guerra Fria, e logo seria substituído pela fé mais militante do neoconservadorismo. Os neoconservadores entenderam que os mercados livres não haveriam de se disseminar pelo mundo num processo pacífico: ele teria de ser assistido por uma aplicação intensiva de força militar. O mundo posterior à Guerra Fria seria uma era de sangue e ferro, e não de paz.” (in, “Missa Negra”, John Gray, 2008).

Continuando…

“Muitos dos neoconservadores que constituem a base de poder de G. W.Bush esperam um Fim promovido por intervenção divina. Encaram os conflitos mundiais – especialmente os que ocorrem em terras bíblicas-como prenúncio do Armageddon, uma batalha final da luta entre a luz e as trevas. Outros esperam ser poupados dessas provações numa Estase em que serão conduzidos ao céu. Em ambos os casos, o mundo imperfeito em que a humanidade tem vivido logo chegará ao fim” (idem).

Esta influência crescente das forças neoconservadoras nos E. Unidos, segundo ele seria um fato novo e, na minha opinião, poria em perigo uma característica do capitalismo americano que Marx tinha acentuado na sua obra de juventude – " A questão judaica, onde proferiu a célebre frase:- “só nos Estados livres da América do Norte [EUA] perde a questão judaica seu sentido teológico, para converter-se em verdadeira questão secular” .
Marx não conheceu o Estado de Israel, mas todos sabemos que na sua primitiva fundação prevaleceu a ideia de um Estado secular, oriundos do sionismo do século IX.

Mas, desde que o partido direitista Likud chegou ao poder em Israel, em 1977, a influência dos inúmeros grupos religiosos ortodoxos aumentaram consideravelmente, enquanto as posições laicas do sionismo de esquerda foram cada vez mais empurrada para fora do governo , deixando de ter peso na sociedade judia, que vem mudando suas características de forma acelerada . As instituições onde os trabalhistas obtinham seu maior prestígio , como os sindicatos, as corporações , a Central Sindical; as comunidades autónomas como os kibuts, são pálidos arremedos da força que desfrutavam, perdendo a sua importância social, muito por obra da globalização e da entrada de Israel no mercado global que cobrou importantes dividendos (sua juventude,por exemplo, hoje despolitizada , entregou-se a lógica do consumo de massas).

Isto se deve, em grande parte , as sucessivas ondas migratórias ( do oriente e mais tarde dos antigos países do Leste Europa, notadamente da antiga União Soviética) que deram um novo perfil ao Estado judeu.

O sociólogo e pesquisador brasileiro, José Maurício Rodrigues, na seu trabalho “A Sociologia Israelense e a Crise do Consenso Sionista, apoiando-se nas teses do importante sociólogo israelense Shmuel Eisenstadt, nos diz que :
” Em meados dos anos de 1990, Shmuel Eisenstadt (1995) assinalava a “desintegração” do molde trabalhista-sionista, cujos elementos de nacionalismo primordialista e revolucionário fundamentaram a construção ideológica de Israel. Este processo, que se iniciara décadas antes, abriu um vazio ideológico, a que se somou um pluralismo crescente na sociedade israelense, levando a um reforço das identidades étnicas entre os próprios judeus e ao aumento da influência da religião. Associou-se a isso, ainda, a emigração de um milhão de judeus da antiga União soviética, com perspectivas bastante distintas das ondas de emigração anteriores. Esta crise do sionismo trabalhista tem um momento fundamental na chegada da direita, o partido Likud, ao poder em 1977. Baruch Kimmerling (2007a, pp. 1-3ss) chegaria a conclusões semelhantes: Israel enfrenta a decomposição da “hegemonia” trabalhista-sionista e, com forte pluralidade social emergindo, mergulha em “guerras culturais” desprovida de um modelo multicultural. Em contrapartida, mantêm-se os arraigados códigos culturais do “militarismo civil” e de um judaísmo genérico, bem como um Estado forte interna e externamente". ( José Maurício Rodrigues,in A Sociologia Israelense e a Crise do Consenso Sionista ).

Esta nova aliança entre o partido Likud e as forças políticas mais a direita levou a um fortalecimento dos grupos religiosos que embora em muitos casos não aceitem a existência do Estado de Israel são intensamente subsidiados por esse mesmo Estado , mantendo suas próprias escolas , serviço médico, etc, portando -se muitas vezes como um estado dentro do Estado. Em suma : a falência da política secular levou cada vez mais a expansão da religião como expressão do Estado Judeu , fato idêntico ao que ocorre com seus vizinhos árabes, onde os movimentos dominados por seitas religiosas vão ocupando o espaço dos antigos movimentos políticos de caráter laico.
E mesmo se olharmos para a outra grande religião – o cristianismo, nas suas diversas versões ( católica e protestantes ) em todo o mundo, veremos que ocorre movimentos semelhantes, com o fortalecimento de suas vertentes mais ortodoxas.

Parece-nos, então, que está em curso o fortalecimento das forças militantes das diversas religiões , preparando-as para os grandes embates religiosos-militares que virão !

Robert Kurz, em 2003 publicou o livro “A Guerra de Ordenamento Mundial”, e no seu capítulo IV, O Oriente Próximo e Síndrome do Anti-Semitismo , faz uma reflexão sobre o entendimento do Estado de Israel e seu caráter peculiar no âmbito das nações e, não abrindo mão de acentuar o atual caráter fascista do Estado Judeu, lamenta a submissão das forças das esquerdas ao anti-semitismo , racista e excludente desenvolvida pelos países mercantilistas e capitalistas em relação ao povo judeu.

Kurz vê o anti-semitismo como uma válvula de escape a que burguesia lança mão toda vez em que o capitalismo entra em crise. A lógica capitalista ( da apropriação da mais valia que se faz através da dimensão ideológica da conexão da forma social, que vai para além das classes e das nações e é objectivada em termos históricos, do trabalho abstracto, do valor, da forma da mercadoria, do dinheiro, da produção em regime de economia empresarial, do mercado mundial e do Estado ) , necessita em momentos de crise de objetivar um sujeito, causador ( pela sua existência) dos males que afligem a sociedade. E isto sempre ocorreu em relação aos judeus ,desde a Antiguidade (Babilonia, Egito, Roma,etc) até a Modernidade ( onde o holocausto nazista se destaca), por tempos imemoriais.

A questão judaica sempre esteve presente, em maior ou menor grau, na histórias das Nações . No caso do Brasil ela é um elo importante na construção do Estado Nacional que tentamos erquer no processo da nossa existência . A perseguição aos judeus para mim, e muitos autores, foi um dos fatores determinantes que moldaram a característica do povo português e por extensão o povo brasileiro. A princípio duas mentalidades foram formadas, viciosas e inimigas. Assim eram, segundo o historiador José Hermano Saraiva:
“… a do cristão-velho, detentor da verdade, inimigo da inovação, farejador de erros alheios, dogmático e repressivo, e a do cristão-novo, dissimulado, messianista, acosado, intimamente revoltado, não solidário com o conjunto da comunidade nacional que o repele e a que ele no fundo não reconhece como sua…” (in, Historia Essencial de Portugal, Jose Hermano Saraiva ).

E tal fato se faz presente, até a modernidade .

Sobre isto nos diz Kurz:

“Assim, a esquerda do movimento operário e marxista, tal como mais ainda a esquerda radical (e não menos a esquerda anarquista), nem sequer se aperceberam de que elas próprias tinham assumido positivamente partes essenciais da ideologia burguesa, como "legado" da história ideológica e intelectual protestante e iluminista na formação do sistema produtor de mercadorias. Incluindo em especial a canonização da abstracção trabalho que, com o seu carácter de fim em si repressivo, tinha passado directamente do ideário do protestantismo e do chamado Iluminismo do século XVIII para a ideologia do movimento operário. Ao invocar precisamente o trabalho como ponto de referência central pretensamente oposto ao capital, a esquerda mais não fez que jogar um estado de agregação do capital contra outro. Deste modo, o trabalho; não se apresentava como aquilo que de facto é, ou seja, a forma de actividade especificamente capitalista (o trabalho abstracto em Marx), portanto um conceito inteiramente pertencente ao capital e uma relação real correspondente, mas como uma categoria ontológica da humanidade.( R.Kurz, in A Guerra de Ordenamento Mundial).

Ainda, e mais adiante:

” Esta crítica do capitalismo notoriamente truncada sempre apresentou pontos de contacto com a ideologia anti-semita. Pois o anti-semitismo pôde ascender ao estatuto de uma perigosa ideologia de crise precisamente pelo facto de exteriorizar e naturalizar em termos socio-biologistas as contradições internas da sociedade constituída de forma capitalista e de todos os seus sujeitos:os judeus tornaram-se a representação negativa do capitalismo financeiro improdutivo e a encarnação de todas as manifestações destrutivas da moderna sociedade produtora de mercadorias, entroncando em atribuições desse género oriundas já da Idade Média e dos primórdios da modernidade (como fora o caso, por exemplo, das tiradas de agitação anti-semita de um Martinho Lutero). Ao que se devia contrapor, como pólo oposto e positivo, o trabalho honesto e o capital produtivo; no caso dos nazis, tal acontecia, como é sabido, sob a forma da contraposição do capital rapace judeu ao capital criador alemão ou nacional. Em lugar da crítica das formas reais e transversais às classes do sistema produtor de mercadorias surge assim a culpabilização maliciosa imputada a um grupo de sujeitos específico, definido pela raça segundo o mote: o trabalho, o valor, o dinheiro e a forma do capital seriam maravilhosos e uma bênção se não fossem os judeus. Esta atribuição, que fingia explicar a relação sistémica, já de si irracional, com recurso a uma dimensão adicional de irracionalidade, ascendeu ao estatuto de explicação do mundo ideologicamente assassina por excelência. ( Idem )

Robert Kurz nos faz pensar na crise mundial do sistema produtor de mercadoria e na falência dos Estados Nacionais que não sobrevirão a catástrofe da disolução da atual ordem mundial. Mas, ao mesmo tempo, nos adverte da característica peculiar do Estado Nacional Judeu na época da sua fundação : um Estado que surge como forma de defesa ( anti- liquidacionista) de um povo que insiste em sobreviver no âmbito da humanidade.

” Certamente também ao Estado de Israel, que é evidentemente parte integrante da economia mundial capitalista, pode ser atribuída a forma do Estado moderno e do sistema produtor de mercadorias moderno com todos os seus atributos negativos. Mas, devido ao seu carácter singular, já que constitui em última instância um produto involuntário dos nazis e da lógica de aniquilação da subjectividade capitalista na sua derradeira agudização, este Estado é o primeiro, o último e o único a conter um momento decisivo de justificação que aliás faltou desde o início a todos os Estados revolucionários nacionais do terceiro mundo (os quais, afinal, todos muito rapidamente começaram a assumir expressões bem feias). Trata-se de um Estado capitalista que é assim expressão da forma de sujeito capitalista, mas que simultaneamente e de modo paradoxalmente articulado representa a extrema necessidade e a última legítima defesa contra essa mesma forma de sujeito” ( idem).

Ao abandonar estas características, que no início foram libertárias, Israel atola-se nos infortúnios dos demais Estados contemporâneos , afundando- se na corrupção , no totalitarismo e na insanidade radical religiosa, apresentando -se meramente como vanguarda dos interesses do capital nesta área estratégica , tornando-se , por seu dispendioso modo de vida, próprio da sociedade da mercadoria , um país inviável economicamente ( a não ser pela ajuda externa do grande capital que atua na região).

Salta aos olhos, que tanto a política belicosa de Israel quanto o reacionarismo medieval das oligarquias árabes , são faces de uma mesma moeda : a política de manipulação dos grandes grupos financeiros internacionais que movimentam seus cordéis de acordo com seus interesses.

Não é impossível imaginar que o próprio Estado de Israel seja, mais adiante, abandonado à própria sorte , cessada a sua importância no tabuleiro da política internacional. Nesse sentido , morte da Utopia do sionismo de esquerda resultou em criar uma nova diáspora , onde intelectuais e jovens comprometidos com a emancipação humana abandonam Israel, tomado por " novos bárbaros " que levam o país para uma política suicida.
E é esta imagem final do filme Kadoch, onde uma das irmãs abandona Jerusalém e a outra submete-se aos ditames da religião, deixando de existir como pessoa.

O cineasta Amos Gitai é conhecido por suas ideias e pela luta pela união dos povos judaicos e palestinos, e nesse sentido, utiliza a sua arte como instrumento de propagação de suas concepções . Certamente, ele acompanha a a tragédia dos palestinos que mesmo antes de constituírem o seu Estado já o vêem carcomido pelas contradições da corrupção e da decadência da política laica da OLP e o assédio crescente da ortodoxia suicida dos grupos religiosos que ocupam o espaço dos desmoralizados líderes palestinos. Infelizmente, o ainda- não existente Estado Palestino afunda-se na divisão e no desmantelamento dos valores éticos do que seria a sua constituição.

Mas, seria este um elemento impeditivo da união desse dois povos ?
No Oriente Médio temos uma visão efetiva da tragédia que assola humanidade mas, ao mesmo tempo, por ali se explicitam com agudeza as contradições do mundo contemporâneo, nos dando a oportunidade de exercitar nossa imaginação no novo mundo que virá após a debacle do capitalismo.
Num momento de crise dos Estados Nacionais ( que a crise na política de representatividade nos acentua ) não será pela formação de mais um Estado que se fará a redenção do povo palestino. E também isto não se fará pelo fanatismo de Estados religiosos. Afinal, o conceito de Estado Nacional é uma visão moderna, iluminista, que está num franco processo de superação. A existência e o bem estar do povo palestino e do povo judeu passa pela emancipação da emancipação da humanidade , dentro daquilo que propunha Marx na ” A questão judaica”
E certamente a união desses povos só será feita fora da lógica do capital e da sociedade da mercadoria!

Serra da Mantiqueira , abril de 2014
Arlindenor Pedro

Blog: arlindenor.com                                  Veja o trailer: 


Páscoa judaica começa nesta terça e é celebrada em Petrópolis
 Páscoa judaica; rezas são feitas em hebraico e em português (Foto: Fernanda Soares
Cidade serrana possui três sinagogas; são cerca de 75 no Estado do Rio.Celebração dura sete dias e festeja a libertação dos judeus no Egito.

No Brasil, a Páscoa começa nesta terça-feira (15) para mais de 100 mil judeus que residem no país. A festa dura sete dias (conforme a contagem do tempo onde o dia começa com o pôr do sol), podendo aumentar para oito, no caso daqueles que celebram a véspera. É o caso da Congregação Judaica P’nei Or, fundada no ano de 2000 em Petrópolis, Região Serrana do Rio. A cidade possui três sinagogas que a partir desta terça estarão em festa até o domingo (20), quando também é celebrada a Páscoa Cristã.
O matzá, pão sem fermento, é megulhado no
haroset (Foto: Fernanda Soares
Páscoa judaica começa nesta terça e é celebrada em Petrópolis
Na mesa, alimentos que simbolizam a experiência amarga do povo de Israel durante a escravidão imposta pelo Egito, mas também o gosto da liberdade quando partiram rumo à terra prometida; o Monte Sinai. Segundo o presidente da Congregação Judaica P’nei Or, Isaac Kayat, a festa cristã se baseia nas tradições judaicas, apesar de celebrarem momentos históricos diferentes. Para os cristãos, a data comemora a ressurreição de Jesus Cristo, morto na cruz.


O número não é oficial, já que não há uma entidade responsável pelo funcionamento das sinagogas, mas a estimativa é de que haja pelo menos 100 famílias judaicas em Petrópolis. Na cidade serrana, as cerimônias são realizadas em três templos. 

Alimentos são símbolos das amarguras e alegrias vividas pelos judeus (Foto: Fernanda Soares
Além da P’nei Or, os judeus frequentam a Sinagoga Israelita Brasileira de Petrópolis, na Rua Aureliano Coutinho, no Centro, e o Yeshivá Colegial de Petrópolis, no bairro Duarte da Silveira. Apesar de ser uma instituição de ensino, o local também possui uma sinagoga onde são realizadas celebrações. Segundo o site da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj), que busca representar as comunidades judaicas no estado, o Rio possui 75 sinagogas com aproximadamente 35 mil membros.

A P’nei Or é frequentada por cerca de 20 famílias e reuniu 15 pessoas na noite desta segunda-feira (14) para as bênçãos da véspera da Páscoa judaica, o Pessach. As celebrações começam oficialmente nesta terça. “Deus ordenou, como consta na torá (bíblia dos judeus), que a comemoração pela libertação dos judeus durasse sete dias”, explicou Saul Gerter, diretor executivo e responsável pela parte religiosa da sinagoga. O numeral está ligado ao tempo em que o povo escravizado levou para chegar à terra prometida. Foram 49 dias desde a saída do Egito até a chegada ao Monte Sinai, o mesmo que sete semanas.

Na mesa, alimentos como alface, agrião, pão (matzá, que não leva fermento), ovo de codorna e carne de carneiro. Nada de exageros gastronômicos e muito menos ovos de chocolate, como é tradição em boa parte dos lares brasileiros. O consumo é farto em conhecimento e reflexão. Cada item é repartido entre todos os presentes, que lêem seus significados e fazem as bênçãos. “A água salgada representa as lágrimas do povo escravizado. Vamos mergulhar o ovo e comê-lo”, orienta Saul em um dos momentos da cerimônia.

10 gotas de vinho simbolizam as 10 pragas rogadas para os egípsios (Foto: Fernanda Soares
Cada um dos sete dias da Páscoa judaica é dedicado a um tipo de reflexão diferente. A primeira noite, ou seja, a véspera, e a segunda, que marca o início das celebrações, são destinadas a “transmitir, especialmente para as novas gerações, o compromisso de lutar contra qualquer tipo de escravidão, imposta a qualquer pessoa”, destacou o líder das cerimônias religiosas, fazendo uma citação clássica da Páscoa judaica: “da escuridão para a luz, da escravidão para a liberdade”. As rezas também são feitas em casa. “O lar judaico é muito importante. É dessa forma, passando os ensinamentos de geração para geração, que o judaísmo permanece há mais de 3.500 anos no mundo”, ressaltou o presidente da P’nei Or.
A cerimônia é, para os judeus, a verdadeira representação da última ceia de Jesus. “No quadro mais tradicional de representação da santa ceia, o pão é redondo, tipo europeu. Na verdade o pão era o matzá (que tem formato achatado e quadrado). 

Acontecia exatamente como estamos fazendo aqui”, afirmou Saul.
Uma postagem no blog de Beppe Grillo, fundador do terceiro maior partido do Parlamento da Itália, ofendeu a comunidade judaica italiana. 

O ex-comediante Grillo, cujo partido Movimento 5 Estrelas foi eleito para o Parlamento em 2013, postou em seu blog uma foto de um portão de Auschwitz com as palavras trocadas para se referir a uma organização de figuras empresariais e políticas. Ele também fez referência ao título de uma obra de Primo Levi, um falecido escritor italiano que sobreviveu à deportação a um campo nazista.

O líder da comunidade judaica italiana Renzo Gattegna, denunciou a montagem como "vergonhosa" e "criminosa". Líderes de vários partidos políticos também condenaram o post. As declarações antissemitas de Grillo já foram motivo de preocupação em outras ocasiões. 

Fonte: Associated Press

Jovens do Bnei Akiva prestam sua homenagem.
Fotos: Sgt Santos - MNM2GM; Robert Photo Report e Israel Blajberg
A Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) promoveu neste domingo, 13 de abril, no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio, uma homenagem ao Soldado Desconhecido Brasileiro e uma solenidade pelo Dia da Recordação dos Heróis e Mártires do Holocausto, que marca o fim da revolta do Levante do Gueto de Varsóvia, em 1943.
A solenidade foi presidida pelo General Francisco Carlos Modesto, Comandante Militar do Leste. Estiveram presentes Paulo Maltz, diretor da Conib; Jayme Salomão, presidente da Fierj; Israel Blajberg, diretor de Cidadania, e outros membros da diretoria; Sofia Débora Levy, representante da Conib no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR); diácono Nelson Augusto Águia, representando o cardeal Dom Orani Tempesta; o cônsul da Alemanha, Harald Klein; o cônsul-honorário de Israel, Osias Wurman; representantes das Forças Armadas; diretores e membros de Associações de Veteranos de Nações Amigas (França, Polônia, EUA e Royal British Legion) e nacionais, Colégio Militar do Rio de Janeiro,  escolas secundárias e organizações juvenis judaicas.
Foi feita a aposição de uma coroa de flores, com a inscrição "A FIERJ AO SOLDADO DESCONHECIDO BRASILEIRO E AOS HEROIS DO LEVANTE DO GUETO DE VARSOVIA", pelo General Modesto, pelo Veterano da FEB Tenente Israel Rosenthal e por Jayme Salomão e o acendimento de seis velas em homenagem aos seis milhões de judeus massacrados pelos nazistas.
O general Modesto recordou que 1,5 milhão de crianças judias sequer tiveram tempo de sonhar e que é responsabilidade de todos ensinar as gerações seguintes a ter esperança e não esquecer o passado.
Participantes da cerimônia no Rio de Janeiro.
 Fotos: Sgt Santos - MNM2GM; Robert Photo Report e Israel Blajberg
O presidente da Associação dos Sobreviventes do Holocausto, Aleksander Henryk Laks, que foi prisioneiro executando trabalho escravo infantil durante cinco anos e meio, emocionou os presentes com um breve relato da sua resistência nos campos de extermínio, declarando-se orgulhoso de ser brasileiro e de ter o Brasil enviado uma Força Expedicionária para a Itália.
Jayme Salim Salomão destacou, na semana em que coincidem as Páscoas Cristã e Judaica, a mensagem de Pessach do Papa Francisco, dirigida ao rabino-chefe de Roma, e associou a luta dos pracinhas que combateram o nazismo com a resistência judaica no Gueto de Varsóvia.
O evento foi uma realização da Fierj, com apoio da Conib, Sherit Hapleitá - Associação Brasileira dos Sobreviventes do Nazismo e a administração do Monumento.

Fonte: Conib
Israel revela que negocia em segredo com países árabes como Arábia Saudita Israel mantém há muito tempo contatos secretos com países árabes como a Arábia Saudita e o Kuwait para tentar criar uma aliança contra o Irã, estado ao qual consideram um inimigo comum, revelou nesta segunda-feira o ministro israelense de Relações Exteriores, Avigdor Lieberman.
Em entrevista divulgada nesta segunda-feira pelo jornal "Yedioth Ahronoth", Lieberman, líder do partido ultradireitista Yisrael Beiteinu, disse também que acredita que Israel possa estabelecer relações diplomáticas plenas com "países árabes moderados" em um futuro próximo.
Para Israel, "países árabes moderados" são os que se encontram no Golfo Pérsico e os que têm de uma boa relação com os Estados Unidos.
"Existem contatos, há negociações e estamos em uma fase em que em um ano ou 18 meses essas negociações poderão deixar de ser secretas", afirmou Lieberman.
"Há vários anos de reuniões e negociações com eles. Sua preocupação é que só existe uma linha vermelha, e essa é o Irã", acrescentou Lieberman, que está disposto a viajar ao Kuwait e Arábia Saudita quando for possível.
Embora os rumores sobre estes contatos existem há muito tempo -denunciados pelo Irã-, esta é a primeira vez que um alto responsável israelense admite as conversar em público.
Logo após a publicação da entrevista, a primeira que o chefe da diplomacia israelense concede em seis meses- Riad negou que as reuniões tenham ocorrido.
Israel assinou a paz com o Egito em 1978 e com a Jordânia em 1994, os dois únicos países árabes que até o momento reconhecem e mantêm relações diplomáticas com o estado judeu.
"Tenho certeza que um pouco mais tarde chegaremos a uma situação na qual teremos relações diplomáticas plenas com a maioria dos estados moderados árabes", disse.
Uma grande parte da comunidade internacional, com os Estados Unidos e Israel à frente, acusam o Irã de ocultar, sob seu programa nuclear civil, um projeto de natureza clandestina com objetivo de obter um arsenal atômico, alegação que Teerã nega.
O governo israelense tenta há anos convencer os países árabes da região que o programa nuclear iraniano é uma ameaça comum que precisam combater juntos, apesar de Israel ser a única nação da Oriente Médio que, segundo os analistas, possui um arsenal atômico.
A Arábia Saudita, por sua parte, diz que se o Irã adquirisse uma bomba atômica seria aberta uma corrida armamentista na região. EFE
Judeus trocam França por Israel com medo de antissemitismo
Judeus trocam França por Israel com medo de antissemitismo
Um número cada vez maior de judeus está saindo da França, em meio ao que a comunidade classifica como uma onda crescente de antissemitismo.
Uma agência especializada na emigração de judeus para Israel informou que ajudou 3,2 mil pessoas a seguirem esta rota em 2013, um aumento de 63% no número registrado em 2012.
Muitos afirmam que a crise econômica e o desemprego na França, que chega ao índice de 11%, contribuem para a onda de emigração.
O governo de Israel também estimula a mudança, dando ajuda aos que chegam ao país e reconhecimento a diplomas e qualificações conseguidas na França.
Tiroteio perto de Hebron deixa um civil israelense morto e dois feridosJerusalém, 14 abr (EFE).- Pelo menos um civil israelense morreu e outros dois ficaram feridos nesta segunda-feira em um tiroteio ocorrido na estrada 35, próxima à cidade cisjordaniana de Hebron, informou o exército de Israel em comunicado.

Fontes de segurança explicaram à Efe que o fato ocorreu no meio da tarde nas imediações do cruzamento de Idhna, cerca de 30 quilômetros ao sul de Jerusalém, quando a maior parte dos judeus se dirigiam para preparar o jantar do Seder, que inicia a Páscoa.

As vítimas, baleadas por um pistoleiro aparentemente de origem palestina, são um homem de 40 anos, que morreu na própria cena do crime, sua mulher de 28 anos, que sofreu ferimentos leves, e um filho de nove anos, também levemente ferido, explicou o porta-voz da polícia israelense, Miki Rosenfeld.

Logo após o atentado, as tropas israelenses cortaram a estrada, cercaram a área, bloquearam as entradas e saídas aos povoados palestinos e empreenderam a busca pelo atirador, que portava uma arma automática, na própria cidade de Idhna, acrescentou.
Testemunhas citadas pela imprensa local indicaram, por sua parte, que o ataque foi realizado por uma só pessoa, que disparou em várias ocasiões contra diversos veículos.

O movimento islamita Hamas, que governa em Gaza, comemorou o atentado. Em comunicado enviado à imprensa, o porta-voz do movimento radical, Fawzi Barhoum, assegurou que o ataque é "consequência das políticas israelenses de ocupação".

"O ataque é o resultado das práticas criminosas da ocupação israelense, de suas práticas contra nosso povo e contra os locais sagrados. É consequência da reiterada repressão, dos assassinatos e da coordenação de segurança que não quebrará a determinação de nosso povo nem a resistência", afirmou.

Este é o primeiro atentado com vítimas mortais israelenses que acontece em 2014.
Dez anos antes, um suicida matou 30 pessoas e feriu dezenas em um atentado ocorrido na noite de Páscoa em um hotel da cidade mediterrânea israelense de Netânia. EFE
ScarJo blames SodaStream criticism on anti-SemitismActress defends controversial role with the Israeli company in interview with Vanity Fair magazine.

Jewish actress Scarlett Johansson blamed anti-Semitism for the criticism she received in some corners for serving as spokeswoman for Israeli sodamaker SodaStream

“There’s a lot of anti-Semitism out there,” Johansson said in an interview with Vanity Fair magazine, published in its May issue, which hit newsstands April 10.

Johansson stirred a vehement debate in January when she accepted the role of spokeswoman for SodaStream, which makes home carbonation machines and operates a plant in Ma’ale Adumim, a large West Bank settlement near Jerusalem.

“I’m not an expert on the history of this conflict, and I’ve never professed to be,” Johansson told the British newspaper the Telegraph in an interview published in March.

“But it is a company that I believe in, that I think has the ability to make a huge difference, environmentally. [CEO] Daniel Birnbaum has said many times that this factory is one he inherited, and that he doesn’t want to fire people – the majority of those people being Palestinian,” she said.

SodaStream maintains that the West Bank plant contributes to Israeli-Palestinian coexistence and employs hundreds of Palestinians, but critics supporting the Boycott Divestment and Sanctions (BDS) movement against Israel slammed Johansson’s move, and she ended up resigning from her longtime spokeswoman’s position with anti-poverty group Oxfam as a result of the controversy.

In late February, in her first published interview since she became SodaStream’s spokeswoman, she insisted that she didn’t see herself as “a role model” and absolved herself from responsibility for “whatever image is projected on to me.”

In those remarks, which were published in the print-only magazine Dazed but covered widely on the Internet, the actress did not address the SodaStream issue directly but noted that “you have to have peace of mind” and said that without protecting oneself from public opinion, “you’d go crazy, anybody would go crazy.”


EUA Idoso mata três judeus e grita 'Heil Hilter'
Frazier Glenn Cross

Frazier Glenn Cross, de 73 anos, foi ontem à noite detido pela polícia no Kansas, nos Estados Unidos, depois de ter assassinado três pessoas a tiro.

Um idoso, com cerca de 70 anos, matou ontem ao início da noite três pessoas de origem judaica em Kansas City, nos Estados Unidos, em dois tiroteios. Quando foi detido pelas autoridades o homem gritou ‘Heil Hitler’.
Primeiro, o idoso deslocou-se a uma escola primária, no centro comunitário judaico local onde um grupo de jovens participava em audições para uma peça. Depois de perguntar a várias pessoas se eram judias, Frazier Glenn Cross disparou a arma e feriu mortalmente duas pessoas. Um jovem de 15 anos ficou ferido.

De seguida dirigiu-se de carro para um lar de idosos, também ele de judeus, e voltou a disparar. Desta vez, matou uma mulher, de 70 anos, escreve o Huffington Post.

De acordo com a agência AP, Frazier Glenn Cross é um antigo líder do Ku Klux Klan local – uma organização racista que defende a supremacia da raça branca.

A estação de televisão do Kansas, a KMBC, registou com a câmara de filmar o momento em que o homem foi detido. Já dentro do carro da polícia, o homicida gritou ‘Heil Hitler’.